NACHTMYSTIUM

«Silencing Machine»
Century Media
4/5
Como o próprio Blade Judd admite, os dois últimos álbuns dos Nachtmystium, «Assassins: Black Meddle Pt. I» e «Addicts: Black Meddle Pt. II», foram uma espécie de “resposta” e “provocação” a quem achava que o terceiro disco da banda, «Instinct: Decay», de 2006, não era “suficientemente” black metal. Despachada que está essa fase da vida dos Nachtmystium, «Silencing Machine», sexta proposta longa-duração, volta a ter elementos mais tradicionalmente black metal, com os blastbeats, vocalizações agressivas e ambientes decadentes que caracterizam o estilo. Estamos, no entanto, a falar de uma das mais brilhantes e revolucionárias bandas americanas de metal extremo, por isso nem tudo poderia ser fácil. O lado psicadélico e confrontante (quando percebido pelos fãs mais ortodoxos do black metal) marca total presença em «Silencing Machine», seja nos ritmos simples e abordagem rock, quase gótica, que é preciso ouvir em «I Wait In Hell» antes de se chegarmos ao verdadeiro black metal, seja no ritmo punk, à Ramones, de «Decimation, Annihilation» que confundirá, chocará e por fim deliciará (não necessariamente por esta ordem) os delatores dos Nachtmystium. «Give Me The Grave», para dar outro exemplo, é das coisas mais rock, em estrutura e melodia, que o colectivo já escreveu e gravou, mesmo tendo em conta o conjunto de material dos dois últimos discos. Para colocar a coisa de uma maneira meio simplista, «Silencing Machine» é um regresso da trupe do Illinois às suas raízes black metal, mudados com a experiência que foram os discos «Black Meddle» e com o som límpido e cristalino destes. E, paradoxalmente, o resultado não poderia ser mais um passo em frente mais satisfatório, mais brilhante, mais conciso. Agora é que os beatos do black metal vão ficar verdadeiramente confusos.
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