POSTO DE ESCUTA 18.02.2014

Fuoco Fatuo copyA semana ainda mal vai a meio e já temos uma primeira fornada de novidades para se ouvirem nos auscultadores. Há deliciosas surpresas para fãs de doom/death metal funerário e de rock psicadélico, enquanto que os fãs de death metal brutal, black metal underground, metal progressivo, metalcore, thrash modernaço e até nu-metal também não poderão queixar-se. Encostem-se e carreguem nesse botão aí que diz “play”.

AbortedFetus_PrivateJudgmentDayABORTED FETUS «Private Judgement Day»
Comatose Music
Não há nada de subtil nem no nome nem na sonoridade dos russos Aborted Fetus, que lançam aqui o seu terceiro álbum de originais. Death metal brutal ultra-técnico, ultra-rápido, com aquele som de tarola dos anos 90 e a exacta atitude que se espera de uma banda com as palavras “Aborted” e “Fetus” no nome. Uma explosão de pus sangrento a feder a podridão, feita nos remotos Urais. (3/5)

BlackVulDestruktor_EtVerbiSatanusBLACK VUL DESTRUKTOR/ET VERBI SATHANUS «Apocalypse Towards Apocalypse»
Blood Harvest Records
Na tradição do melhor black metal underground sul-americano, aqui estão duas propostas bem válidas. Os Black Vul Destruktor são um quarteto argentino de black metal ocultista, de sonoridade grave e fortemente influenciada no death metal das trevas de bandas como The Chasm, que apresentam dois longos temas. Os Et Verbu Sathanus são chilenos e a sua abordagem é mais infernal e ácida, com gravação cheia de treble e com o holocausto nuclear como principal fonte de inspiração dos dois curtos temas com que participam no split. «Apocalypse Towards Apocalypse» é lançado em 7” duplo, um por banda, numa edição de luxo. (3/5)

DefConOne_IIDEF-CON-ONE «II»
Scarlet Records
Passados dois álbuns, o desconforto de ouvirmos Antton, ex-baterista dos Venom, a tocar uma mistura “moderna” de thrash e hardcore não passa e volta a assombrar a terceira proposta dos Def-Con-One. A verdade é que a própria abordagem de «II» não é muito convincente, com uma produção pouco espessa, com influências que vão do power thrash dos Pantera e Machine Head ao nu-metal ensopado de hardcore dos Slipknot e ao groove metal dos Soulfly. Tudo feito com demasiada avidez e generalismo. O resultado não convence. (3/5)

DoctorLivingstone_ContemptusSaeculiDOCTOR LIVINGSTONE «Contemptus Saeculi»
Osmose Productions
Com elementos dos Muutilation e um ex-baterista de Arkhon Infaustus, os franceses Doctor Livingstone estreiam-se com um daqueles álbuns que vai a todo o lado dentro da música extrema. Partes de punk/hardcore de rua, passagens de black metal à Darkthrone, sludge bem distorcido e afinado em baixo e porções d-beat à descrição cruzam-se, alternam-se e misturam-se. A composição realça o lado energético e libertino do quinteto, mas tamanha variedade acaba por vezes por fazer o ouvinte perder-se. O que vale é que há sempre um porto abrigo de extremismo simples ou pela cartilha para nos agarrarmos quando parece que perdemos o propósito de «Contemptus Saeculi» de vista. Uma estreia interessante. (3/5)

GD30OBH.pdfFUOCO FATUO «The Viper Slithers In The Ashes Of What Remains»
Iron Tyrant
O funeral doom/death metal, quando é feito com intensidade, nunca falha. Os italianos Fuoco Fatuo já haviam provado, nos dois EPs e um split com os Black Temple Below que editaram em 2012, que intensidade não é problema. E, a julgar pelo resultado do disco de estreia, nem a inspiração para comporem um trabalho completo, de mais de 50 minutos e quatro longas faixas, com uma atmosfera densa e fétida e um tom gutural apenas comparável ao que Hugo Santos, dos Process Of Guilt, consegue fazer. Juntando a isso uma parede de riffs de guitarra que redefine o termo “monolítico” e temos, esteticamente, o funeral doom metal no seu melhor, mais negro e eficiente estado. E os Focuo Fatuo ainda agora começaram o seu percurso. (4/5)

FrailGrounds_TheFieldsOfFRAIL GROUNDS «The Fields Of Trauma»
Hostile Media
Com uma faixa inicial que pode ser descrita como uma mistura de Deadlock e Communic, os noruegueses Frail Grounds surpreendem logo nos primeiros minutos desta sua estreia nos álbuns de originais. Eventualmente, «The Expedition» – a tal música que abre «The Fields Of Trauma» – evolui, ao longo dos seus oito minutos, do death metal melódico/progressivo do início para uma coisa mais melancólica, com violino, numa passagem lá pelo meio, mas o mote fica dado. Nos 45 minutos que se seguem, a viagem conceptual à Sibéria é acompanhada de coesão técnica, longos solos, apontamentos de death metal moderno e a típica sobreposição na estruturação das jovens bandas, que acaba por fazer as boas ideias perderem-se um pouco. Ainda assim, vale a pena. (3/5)

Knowing2Fly_HereOnMyKNOWING2FLY «Here On My Feet»
Bakerteam Records
Quem já teve uma experiência chamada “Linea 77” sabe que, quando uma banda italiana descreve a sua própria música como rock/metal alternativo, a coisa pode estar prestes a descambar à grande. No caso dos Knowing2fly, para além do óbvio mau gosto na escolha de nome para o projecto, há a reportar um generalismo aflitivo em «Here On My Feet», o disco de estreia agora editado. A banda sabe como sacar um bom groove, existe alguma coesão na secção rítmica, mas a mistura de rock e metal “alternativo” não passa de Faith No More, Alice In Chains e Deftones (mal) imitados e (mal) colados uns aos outros. (2/5)

OneMachine_TheDistortionOfONE MACHINE «The Distortion Of Lies And The Overdriven Truth»
Scarlet Records
Liderados pelo guitarrista Steve Smyth, que tem no currículo passagens por bandas como Testament, Nevermore, Forbidden e Vicious Rumors, os One Machine são um projecto de neo-thrash com influências de heavy metal e uma formação toda catita: o vocalista dos Mercenary, o guitarrista dos Biomechanical, o baixista dos Mnemic e o ex-baterista dos Chaoswave. No papel, a coisa tinha tudo para dar certo mas na prática a mistura de Nevermore e Mercenary que «The Distortion Of…» representa aparece por vezes meio confusa, pese embora nos solos, na velocidade e no peso os One Machine mostrem bem o ADN que possuem. (3/5)

???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????RISING ANGER «Mindfinder»
Bastardized Recordings
Depois de uma maqueta e dois EPs, os alemães Rising Anger chegam finalmente aos álbuns de originais com uma boa fusão de hardcore melódico e metalcore. Para além dos arranjos maduros, uso variado da secção rítimica e excelente escolha de sampling, «Mindfinder» destaca-se pela inteligência das letras. Uma boa alternativa para fãs de Parkway Drive ou Comeback Kid, cujo uso dos mais batidos lugares comuns no metalcore e no hardcore melódico não prejudica em nada. (3/5)

Sammal_No2SAMMAL «No. 2»
Svart Records
Os fãs de rock progressivo com atmosfera dos anos 70 ainda não se refizeram bem da estreia dos finlandeses Sammal e já têm um novo mini-álbum para se entreterem. «No. 2» repete a frescura da composição e o cuidado na produção vintage do grupo, com aquele toque exótico das vocalizações em finlandês. São cinco faixas: três regravações de canções antigas até aqui apenas presentes em maquetas, um tema novo e uma versão de «Magic Mirror», dos Aphrodite’s Child, candidamente transformada em «Peilin taikaa». Delicioso e assustadoramente intenso. (4/5)

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