A PLAYLIST DE… UNDERSAVE

Undersave 2014Os Undersave são aquilo que se pode considerar a típica “massa crítica” do death metal português. Uma banda que sabe usar e manter os predicados “clássicos” do estilo, sem a tentação de aderir a modas passageiras e com os pés bem assentes na terra. Com uma maqueta, um EP e o álbum de estreia «Now… Submit Yourself To The Master’s Imagination», editado em 2012, debaixo do braço, o grupo prepara mais um Verão underground nos palcos nacionais antes de se dedicar de novo às gravações. O vocalista e guitarrista Nuno Braz e o baterista Hugo Pote são os anfitriões da playlist deste sábado na METV e trocaram meia-dúzia de palavras connosco.

Olhando agora para o disco «Now… Submit Yourself To The Master’s Imagination», como o encaram? É o tipo de estreia que sempre ambicionaram? Todos os vossos objectivos foram cumpridos com ele?
Hugo Pote: Encaramos o disco como algo de muito positivo, fruto do nosso trabalho, e o facto de o termos conseguido fazer já nos deixa satisfeitos. Foi um processo um pouco complicado; o João Nascimento, guitarrista na altura, deixou a banda a meio do processo de composição do álbum, juntando o facto de na época já não termos baixista o que implicou o Nuno ocupar-se de quase tudo: composição e gravação das duas guitarras, baixo e voz. Também não tínhamos muita experiência de estúdio, foi a primeira vez que gravei algo mais a sério, o que implicou também alguma aprendizagem e resolução de problemas que surgem sem estarmos à espera. Depois de concluído tivemos de tratar do resto, ver alguém para fazer os desenhos da capa, editoras que o quisessem lançar, prazos estipulados e prazos adiados… Enfim, o “normal” destas situações que todos procuram evitar. Por tudo isto, claro que depois de o vermos cá fora, sentimo-nos orgulhosos e satisfeitos pelo resultado que conseguimos alcançar. Se é o tipo de estreia que sempre ambicionámos não sei bem. Sabíamos que queríamos lançar um álbum, fazer músicas, perceber como soavam as composições e ver como seria a reacção das pessoas que as ouvissem. Foi o trabalho que foi possível realizar com os meios que tínhamos ao nosso alcance e com as capacidades que possuíamos, por isso acho que não há qualquer sentimento de insatisfação por não termos conseguido fazer melhor; faz tudo parte de um processo de aprendizagem. Muitos dos objectivos foram cumpridos sim, outros ficaram um pouco aquém daquilo que esperávamos e/ou desejávamos; sabemos que não é fácil arranjar editoras que financiem as bandas, ainda mais quando são desconhecidas, mas mesmo assim conseguimos um contrato de lançamento com a editora War Productions que, pelo menos, nos dá a possibilidade de irmos vendendo CDs e ir amortizando o investimento que fizemos em estúdio e termos alguma distribuição fora do país. O facto de termos lançado o trabalho também em cassete era algo que desejávamos e tinha sido falado com o Roger da Herege Warfare Productions há algum tempo atrás… aAho que só ficou por fazer uma ediçãozita em vinil, que ficará para um próximo lançamento, quem sabe. No que diz respeito aos objectivos por cumprir, destacaria o facto de não termos conseguido tocar em muitos festivais. Se não me falha a memória, nesta fase posterior ao álbum tocámos no Butchery At Christmas Time, Summer Enslavement, Areeiro Open Air e pouco mais, e sinceramente estávamos à espera de conseguir um pouco mais. Em todo o caso, as alegrias e desilusões fazem parte da vida, por isso é continuar a fazer músicas, gravar, tocar o mais possível e se possível também fora do país.
Nuno Braz: Quanto aos objectivos, e só para completar o que já foi dito pelo Hugo, conseguimos dar bastantes concertos em Portugal, dar alguns em Espanha, ter o álbum distribuído pelos vários cantos do mundo e obter algumas críticas bastante positivas. Não conseguimos quase tocar no norte de Portugal – apenas tocámos umas vez no Porto e algumas vezes na Covilhã – e não conseguimos tocar ainda em alguns festivais onde gostaríamos de ter estado. No entanto, este ano já estamos confirmados para o Santa Maria Summer Fest e vem aí mais uma confirmação em breve!

Undersave_NowSubmitYourVocês não se inserem em nenhuma sub-cena estabelecida, daquelas que têm tido uma maior exposição ultimamente, tipo o death metal old school ou o death metal técnico com metásteses no deathcore. Essa foi uma opção consciente, para fugir a qualquer tipo de “onda”, ou algo mais natural e irreflectido?
Hugo Pote: Foi natural e irreflectido. Os lançamentos que a banda fez anteriormente já conferiam uma determinada identidade e definiam aquilo que tocar – death metal – depois as mudanças de sonoridade que possam ter existido entre o EP e o álbum têm a ver com os gostos pessoais de cada um de nós. Deathcore seria impensável tocar pois é um estilo que não ouvimos nem gostamos. Os nossos gostos têm mais a ver com o death metal no seu conceito mais “tradicional”, ou seja, tanto ouvimos bandas mais antigas como Dismember, Morbid Angel, Suffocation, Obituary, Autopsy, Incantation, Immolation, e por aí fora, como nos interessamos por bandas mais recentes como Nile, Vomitory, Dying Fetus, Necrophagist, Dead Congregation. Mas o death metal não é o único estilo de que gostamos; ouvimos muita coisa de black metal, grind, heavy e thrash, por isso não sei até que ponto não podemos dizer que somos influenciados por tudo isso, e até mesmo por outras bandas que não tocam metal. Em relação às modas e aos estilos que ora são moda ora não o são muito haveria para dizer, mas basicamente não nos passaria pela cabeça andarmos atrás de modas. Tocamos aquilo de que gostamos, temos a sorte de podermos fazer aquilo que nos apetece, que nos dá prazer e que achamos que resulta para nós enquanto ouvintes, mas pagamos também um preço por isso, que se prende com a adesão e interesse das pessoas por aquilo que tocamos, com a quantidade de CDs que vendemos, concertos para os quais somos chamados e a quantidade de público que conseguimos chamar.
Nuno Braz: Gosto mesmo desta pergunta! Realmente nós não nos enquadramos em nenhum desses estilos, vamos fazendo aquilo que nos vai surgindo nas guitarras e bateria… Não estamos aqui para seguir modas, mas claro que por isso acabamos por perder alguma exposição. Quanto à moda do death metal old school, gostava de referir apenas – do Deathcore nem quero falar disso porque não gosto do estilo – que é fixe ver que apareceram umas bandas porreiras, mas por outro lado apareceram muitas que rapidamente serão esquecidas, outras que já eram quase esquecidas decidiram voltar… Esta moda serve em parte para o pessoal desenjoar do death metal mais técnico e actual e isso acho bastante positivo. No entanto, serve também para muitas pessoas que nem ouvem o estilo poderem agora dizer bem alto “Assim é que todo o death metal deveria ser feito!”.

Sendo uma banda de um estilo já de si “marginal” como o death metal, num mercado minúsculo como o português, como arranjam maneira de se manterem motivados e terem a dose de confiança necessária para continuarem a vossa carreira?
Hugo Pote: Grande parte da motivação vem do nosso próprio desejo. Desejo de tocar, de compor, de fazer algo que nos satisfaça. Depois há recompensas que vamos obtendo, como são exemplo as críticas positivas que o álbum vai tendo, concertos em que o público nos apoia, pessoal de outras bandas que vai elogiando o que fazemos, alguém que vem falar connosco e nos faz um elogio; tudo isto são coisas importantes que contribuem para que continuemos motivados e com vontade de irmos trabalhando. Outra fórmula essencial penso que é ter em conta a realidade das coisas, e em primeiro lugar vêm as nossas limitações pessoais, sejam as musicais, que se prendem com aquilo que criamos e com a capacidade técnica e de execução das músicas, sejam em termos privados, que dizem respeito à vida pessoal de cada um de nós e à maior ou menor disponibilidade que temos em determinada altura para investir mais ou menos na banda.. Depois há que ter em conta a realidade exterior: há bandas que andam cá há mais tempo que nós, bastante talentosas e que não têm a projecção que merecem, por isso também não estamos à espera de chegar, ver e vencer. Também optámos por tocar bastante ao vivo, não só porque o gostamos de fazer, mas porque sabemos que é dando concertos que conseguimos divulgar a banda e mostrar o nosso trabalho, e só assim podemos crescer. O estilo que tocamos pode ser marginal, assim como o é o underground. O mercado no nosso país é pequeno e estamos um pouco à margem – muito pela localização geográfica – do restante panorama musical. Por isso claro que as dificuldades são acrescidas, mas tendo consciência de tudo isto não podemos esperar obter grandes resultados, podemos ambicioná-los mas não como algo a curto ou até talvez, médio prazo, pois ficaremos com certeza desiludidos.

Podem dar-nos uma ideia do tipo de playlist que escolheram, os principais vídeos e razão da sua escolha?
Nuno Braz: Ora aqui vai… A nossa lista está orientada para os vários tipos de death metal com duas bandas de thrash pelo meio. O pessoal vai poder ouvir bom death metal old school que nos influencia bastante: Death, Hypocrisy, WarMaster, Cannibal Corpse ou Gorefest. Depoi,s algum material mais bruto que apareceu posteriormente, como Suffocation, Nile, Hate Eternal, Krisiun, Avulsed e Exhumed. Passamos também pelo death metal mais actual e técnico dos Abysmal Dawn, Psycroptic e Aeon e, por fim, por algumas bandas de death metal mais obscuro, tipo Weapon, Hooded Menace ou Hypnos. Vão poder ainda assistir ao que de melhor se faz por Portugal, com Grog e Holocausto Canibal, e ainda ver um vídeo dos Tankard – porque nós gostamos relativamente muito de álcool – e Desaster!

«Now… Submit Yourself To The Master’s Imagination» foi editado em Julho de 2012.
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A METV pode ser vista na posição 187164 do MeoKanal

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