POSTO DE ESCUTA 24.02.2014

N copy copyA semana começa com uma série de discos noise, experimentais e contemporâneos que permitem explorar as noites de Inverno em toda a sua plenitude enquanto elas duram. buttinelli.A, Éva Polgár & Sándor Vály, Petrels e o surpreendente N estão em análise neste Posto de Escuta. Para a vossa dose semanal de thrash temos uma coisa chamada Amok e, depois, propostas para quem gosta de NWOBHM, death metal técnico, hardcore/punk vegan e pós-punk de laivos góticos. Boa semana.

Amok_SomewhereInTheAMOK «Somewhere In The West»
Witches Brew
Os escoceses Amok praticam uma mistura de thrash old school da Bay Area, speed e heavy metal, que respira honestidade e revela alguma genuinidade saudável. Felizmente, «Somewhere In The West», o segundo trabalho da banda, também demonstra competência técnica e um conhecimento perfeito de como deve o thrash clássico soar, porque se é para repetir o mesmo estilo que tem vindo a ser praticado vezes sem conta nos últimos anos, ao menos que os Amok o façam bem, com agressividade e velocidade. É o caso. (3/5)

ButtinelliA_OTA copyBUTTINELLI.A «OTA – On The Air»
zamzamrec.
“Arrepiante” e “evocativo” são apenas dois dos adjectivos que nem começam a descrever este trabalho experimentalista de desconstrução e manipulação sonora da obra radiofónica “Dracula” de Orson Wells. Sampling, drones, gravações de terreno, mas também partes acústicas de bateria e baixo, tudo cuidadosamente manipulado e ordenado para acrescentar ambiente, intensidade e uma aura saturada a uma peça radiofónica histórica já de si sublime. Os butinelli.A, constituídos por Rosa Maria Sarri (Marie e le Rose) e Giuseppe Cordaro (Con_cetta) não podiam aspirar a melhor estreia. Edição digital e em cassete (limitada a 33 unidades), com masterizações diferentes. (4/5)

EvaPolgari&SandorVali_GilgameshÉVA POLGÁR & SÁNDOR VÁLY «Gilgamesh»
Ektro
Segundo projecto musical que une a pianista contemporânea Éva Polgár e o artista plástico/musical/poeta Sándor Vály. «Gilgamesh» é, como o nome indica, uma obra baseada na história épica daquele rei de Uruk (actual Iraque) e serve de “desculpa” para mais uma série de devaneios contemporâneos altamente experimentais feitos com sampling electrónico e piano. O espectro musical vai do hipnótico ao noise, passando pela mais intragável música contemporânea que é possível ouvir. Tudo em nome da “arte” e de um conceito que, apesar de bem engendrado, não serve para justificar tudo. (2/5)

FactorHate_TheWatcherFACTOR HATE «The Watcher»
Auto-financiado
Iniciados em 2011, os franceses Factor Hate editam aqui o seu primeiro registo, num formato EP com quatro faixas. Apesar das óbvias influências de Alice Cooper ao nível das vocalizações, a parte instrumental de «The Watcher» situa-se algures entre o heavy metal clássico de Pretty Maids e o NWOBHM quando ele era mais hard rock do que propriamente heavy metal (primeiros discos de Saxon e Judas Priest). Por esta conversa, depreende-se facilmente que ao quinteto ainda falta uma boa dose de personalidade musical própria, bem como capacidade para fugirem do mais óbvio na composição e arranjos. Quem procura grupos tenrinhos que mais ninguém conhece pode, no entanto, achar alguma piada aos Factor Hate, se esquecer a generalidade do seu heavy metal proto-clássico. (3/5)

Morfin_InoculationMORFIN «Inoculation»
F.D.A. Rekotz
Algures entre a negridão mórbida dos pioneiros do death metal sueco e a abordagem doentiamente técnica dos Death (há uma versão de «Leprosy» no álbum), os californianos Morfin estreiam-se com «Inoculation», um disco de death metal técnico da velha guarda. A falta de originalidade do quarteto (constituído exclusivamente por descendentes de latinos) é largamente compensada com um sentido de estética muito “death metal, anos 80”, reforçado por uma aura de honestidade e genuinidade. Vale a pena ouvir, se forem especialistas do género. (3/5)

N22_GoorN(22) «Goor»
Denovali Records
N, o projecto ambiental, experimental e drone alemão não é fértil em informação, mas compensa com uma estirpe sufocante, intensa e avassaladora de música, pelo menos a julgar pelas duas longas faixas que compõem o primeiro LP do disco duplo «Goor», que é agora editado. O segundo LP acalma as coisas e propõe «Blauort», uma canção etérea e melancólica e «Suedfall», que começa no mesmo registo ambiental e minimalista e se vai lentamente transformando num pedaço de experimentação electrónica que remete para as duas primeiras faixas. Com a vantagem de terem sido testadas ao vivo nas inúmeras passagens de N pelos palcos, as músicas de «Goor» respondem com vigor musical, intensidade acima da média e um extraordinário poder de manipulação sónica a quem diz que este é “apenas” mais um projecto de ambient/drone. (4/5)

PaintedWolves_PaintedWolvesPAINTED WOLVES «Painted Wolves»
Day By Day Records
Hardcore/punk vegan feito com o coração, alma e tripas é a proposta dos Painted Wolves que editam, com este 12” homónimo em vinil, uma espécie de manifesto de 17 minutos em que deixam bem claro que não pretendem inovar em nada. Já em termos de energia e atitude, o quarteto de Gotemburgo fica a dever muito pouco aos melhores, com uma tremenda série de riffs de combate, ritmos rápidos e ocasionais incursões pelo pós-hardcore atmosférico de bandas como Cult Of Luna em faixas como «Serve The Serpent» que, com os seus quase seis minutos, é o contraste perfeito da explosão punk/hardcore dos 55 segundos de «Sea Of Demons». Tudo com o volume no máximo. Boa estreia. (4/5)

Petrels_MimaPETRELS «Mima»
Denovali Records
Oliver Barrett continua a respeitosa carreira de Petrels com um álbum que explora mais a fundo o conceito de “drones analógicos” que tem vindo a desenvolver nos lançamentos anteriores. «Mima» não é nenhuma obra-prima de musicalidade, mas tem o condão de envolver o ouvinte numa sonoridade expansiva e fortemente atmosférica, feita de electrónica, experimentalismo minimal e drones absolutamente frios e desumanos. Perturbador e calmo ao mesmo tempo, não é uma experiência que se queira ter sempre, mas pode proporcionar boas sensações nocturnas ou de experiência auditiva em headphones. (3/5)

TheBellicoseMinds_TheBuzzOrTHE BELLICOSE MINDS «The Buzz Or Howl Sessions»
A389 Recordings
Agora que os Beastmilk parecem ser os salvadores de quem procura salvação para a indústria da música extrema, é bom que as pessoas se apercebam que, do lado de lá da linha cronológica e do pós-punk gótico cuidadosamente distorcido existe uma banda como os The Bellicose Minds. O trio tem o mesmo tipo de sonoridade que os Beastmilk mas é mais directo na abordagem, mas underground nas referências musicais (The Chameleons, The Sound, Red Lorry Yellow Lorry) e tremendamente mais decadente no resultado final. «The Buzz Or Howl Sessionss» foi o EP em cassete (na altura limitado a 500 cópias de tiragem) que a banda lançou em 2009 e chega agora ao formato vinil, com som remasterizado, através da A389. É a isto que o rock gótico dos anos 80 soa agora. (3/5)

VA_GhostShipSwornV/A «Ghost Ship, Sworn Enemy»
Dooweet Records
Existe um motivo para as compilações, no mundo do metal, praticamente terem deixado de existir. É que ninguém quer gastar dinheiro com uma série de faixas avulso de bandas que, muitas vezes, são completamente diferentes entre si, sem nada que as ligue e nem à sua música. E é isso que «Ghost Ship, Sworn Enemy» é… Uma compilação meio genérica de 19 bandas francesas que vão do thrash mais clássico ao metalcore, ao metal progressivo, ao death metal à Carcass ou ao djent. Apesar das boas intenções (todos os lucros revertem para os grupos, possibilidade de conhecer novos nomes), a sobrevariedade estilística e a falta de um conceito mais forte que una todos os momentos do disco acaba por marcar este lançamento. (3/5)

BluesPillsRockpalast728

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