POSTO DE ESCUTA 03.03.2014

Cancerous Womb copyMais uma semana que começa e, uma vez que a Primavera teima em não chegar e ainda temos de levar com uma parvoíce chamada “Carnaval”, propomos-vos uma mão cheia de discos de black metal para ouvir em modo misantropo: Aypheros, Horizon Ablaze, Will Of The Ancients, Woland, Craving e um split de Anal Blasphemy e Forbidden Eye. Se ainda assim sentirem necessidade de matar alguma coisa, o hardcore/punk dos Hopeless Youth ou o death/grind dos Cancerous Womb são a banda sonora ideal para tal. Para fãs de coisas mais melódicas propomos os In Fla…, erm, Eyes Wide Open ou o pop depressivo de Black Mare.

AnalBlasphemy_ForbiddenEyeANAL BLASPHEMY/FORBIDDEN EYE «The Perverse Worship Of Satanic Sins»
Night In Terrors
O black metal cheio de treble dos finlandeses Anal Blasphemy pode ser uma coisa meio óbvia demais para os intelectuais do género que acham que para os Horna já bastam os Horna, mas é impossível, para quem tenha um pingo de gelo a correr-lhe nas veias, ficar indiferente aos três temas exclusivos que a banda apresenta neste split. Distorção, satanismo e black metal fuck off em doses iguais. Os Forbidden Eye, projecto suíço-americano mais cavernoso e com uma estética bem mais definida, respondem com quatro canções de contornos old school (pensem em «For all tid») que complementa e “casa” maravilhosamente com os seus parceiros infernais finlandeses. A edição em digipack, limitada a 100 unidades e vendida exclusivamente na mailorder da N.I.T., é um must. (4/5)

Aypheros_AscendetNovissimaTuaAYPHEROS «Ascendet Novissima TUA»
PRC Music
Oriundos de Santiago, no Chile, os Aypheros praticam black metal sul-americano no seu estado mais puro. A estreia «Ascendet Novissima TUA» recolhe influências do lado gelado do estilo escandinavo, do lado caótico de bandas como Sarcofago, do lado bestial de projectos como Inquisition e do típico sentido de melodia que não se descola das bandas daquele lado do planeta. O resultado pode não ser a mais original e genial proposta de black metal do ano, mas cumpre na perfeição o preceito de combinar de forma homogénea todas as – díspares – influências do quarteto. (3/5)

Adobe Photoshop PDFBLACK MARE «Field Of The Host»
Human Jigsaw Records
Como vocalista dos influentes Ides Of Gemini e dos extintos Black Math Horseman, Sera Timms não é estranha nem ao experimentalismo musical, nem a emoções intensas e extremas. Nesta estreia de Black Mare, o seu projecto a solo, no entanto, a senhora opta por uma abordagem mais hipnótica e repetitiva, por vezes desolada e melancólica. A exploração das nuances da voz, assim como uma valente carga atmosférica, transformam «Field Of The Host» numa espécie de viagem sonora interessante, estranha e difícil de compreender por vezes, mas sempre com um lado ambiental e uma melodia delicada a cada esquina, pronta a encorajar-nos a continuar. (4/5)

CancerousWomb_BornOfACANCEROUS WOMB «Born Of A Cancerous Womb»
Grindscene Records
Quem ficou curioso com o que o vocalista original dos Cerebral Bore foi fazer depois de sair da banda, deu com os Cancerous Womb no EP ou no split com outros quatro grupos que editaram antes de chegarem a esta estreia. Todos os outros – incluindo nós – não terão outro remédio senão renderem-se à velocidade impressionante, precisão técnica ao ponto do maníaco e groove improvável mas irresistível do death/grind de «Born Of A Cancerous Womb». Com limites de velocidade acima da lei, vocalizações duais que incluem um dos gritinhos mais viciosos do lado de cá de Chris Barnes e ocasionais e deliciosas referências ao thrash e ao doom, este é um disco que alia brutalidade, argumentos técnicos e inteligência de composição. Como se os Decapitated, os Deicide e os Desecration desatassem a correr desalmadamente para a gaveta das facas. (4/5)

Craving_AtDawniCRAVING «At Dawn»
Apostasy Records
Não é a mistura vencedora de death metal melódico, black metal e música celta que os Equilibrium apresentam, mas há qualquer coisa na abordagem dos alemães Craving que apela ao fã de folk metal mais underground. As letras são cantadas em três línguas – alemão, russo e inglês – o grupo não tem medo de arriscar em coisas diferentes (como partes em que o baixo assume o papel principal), mas também sabe fazer a cena folk/death/black metal celta melódico como os nomes grandes do estilo. Com frenesim sónico, rapidez, melodias atraentes e atmosfera palpável. E convidados de luxo, como Chris Caffery (Savatage), Agalaz (Obscurity) ou Andreas Müller (Dystopolis). (3/5)

DCIM100GOPROEYES WIDE OPEN «Aftermath»
Auto-financiado
“São jovens, são suecos e gramam In Flames” é a frase que pode, em poucas palavras,definir os Eyes Wide Open. No entanto, há gamar In Flames mal e há o que os Eyes Wide Open fazem. Porque o jovem quinteto de Karlstad o faz com um incrível sentido de dinâmica, melodias gigantescas, riffs muito interessantes e uma variedade na escrita que lhes daria acesso à primeira divisão do death metal melódico se estivéssemos em 1996. «Aftermath», o disco de estreia do projecto, pisca no entanto o olho mais do que apenas o death metal melódico clássico, com temas como «Red» a imularem na (quase) perfeição o metal moderno e quente que os In Flames têm feito nos últimos discos. Até agora, ninguém o tinha feito tão bem e isso é, certamente, um ponto positivo. (4/5)

8_PAGE_BOOKLET.inddHOPELESS YOUTH «Disgust»
Candlelight Records
Não há muita informação disponível sobre os Hopeless Youth, excepto o facto de serem canadianos e de praticarem, segundo a sua página no Facebook, “heavy rock”. Por heavy rock, o quinteto de Montreal quer dizer “mistura de hardcore, thrash e ocasional sludge com passagens atmosféricas expansivas”. Bem, as ocasionais atmosferas expansivas estão reduzidas a rápidas amostras de segundos em temas como «Faithless» e pouco mais, pelo que nos resta ouvir o hardcore/punk moderno de riffs thrash, pouca criatividade e muita força de vontade da banda. (3/5)

HorizonAblaze_DodsverkHORIZON ABLAZE «Dødsverk»
code666
A segunda proposta dos noruegueses Horizon Ablaze traz algumas novidades. Primeiro, a linguagem agora usada nas letras é o norueguês. Segundo, o grupo (que conta com elementos e ex-elementos de Blood Red Throne, 1349 e Absu) vai mais longe no lado “aural” do seu death metal, até fronteiras do black metal e do absurdo musical, como professado pelos Akercoke. Não é irresistivelmente coeso e nem maravilhosamente vanguardista, mas é intenso como o raio e tem os seus momentos de brilhantismo. (3/5)

WillOfTheAncients_ToOurGloriousWILL OF THE ANCIENTS «To Our Glorious Dead»
PRC Music
Impressionante segundo disco dos canadianos Will Of The Ancients, que misturam black metal épico a la Emperor com tiques de death metal melódico, riffs massivos que fazem lembrar as novas bandas de metal progressivo e alguns toques de viking metal. «To Our Glorious Dead» funciona bem à conta de uma coesão e qualidade técnica acima da média, mas também de uma motivação apenas ao alcance de uma banda que não lançava nada há sete anos. Este pode ser o elo de ligação que faltava entre o black metal épico canadiano e o lado mais esquizofrénico e adulto da carreira de Ihsahn. (4/5)

Woland_HyperionWOLAND «Hyperion»
Indie Recordings
O que ao princípio parecia apenas mais uma banda de black metal a surgir na Finlândia, ganhou uma quantidade apreciável de respeito e admiração com dois singles editados simultaneamente, em 2011. Neles, os Woland mostraram que era ainda possível inovar no conteúdo, não mexendo na fórmula. «Hyperion», o disco de estreia, vem agora confirmar e dar continuidade às boas indicações dadas em «Conquer All & Live Forever», com um conjunto de canções que pega no black metal mais rockeiro dos Satyricon, acrescenta-lhe uma generosa dose de atmosfera, ocasionais spin-offs de flamenco ou fusão e sai do processo com uma proposta coesa, convincente e original, sem ser pretensiosa. (4/5)

TherionAdulruna400

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