POSTO DE ESCUTA 11.03.2014

Miracle Master copyInício de semana é altura de Posto de Escuta. Esta semana estamos virados para o sludge/doom (Hull, Loinen, Volume IV), para o black/death metal (Akrotheism, Black Altar, Coprolith, Tortorum), mas também para os industriais finlandeses Diablerie, para os contemporâneos The Unsemble e para o incrível hard rock energético dos Miracle Master. Escutem, apreciem, saquem, comprem e fiquem fãs. Por esta ordem ou por outra qualquer.

Akrotheism_BeholdTheSonAKROTHEISM «Behold The Son Of Plagues»
Odium Records
Logo pela afinação de guitarras na introdução «Sepsis Ex Nihilo», é possível perceber ao que vêm os gregos Akrotheism. Black metal satânico, feito da maneira mais tradicional (há quem lhe chame “obtusa”) possível, extremista por via dos blastbeats, das vocalizações demoníacas e dos riffs “gelados”. No entanto, apesar dos níveis de internacionalização que a execução e a qualidade sonora a que «Behold The Son Of Plagues» consegue chegar, há um vazio de ideias, de atmosfera verdadeiramente niilista e de capacidade para apresentar algo com um pingo de alma própria. Fica o item grego para coleccionadores de black metal que não se importam de deter o mesmo disco vezes sem conta. (3/5)

BlackAltar_SuicidalSalvationBLACK ALTAR «Suicidal Salvation»
Darker Than Black Records
Gravados originalmente para um lançamento a meias com os Shining, os cinco temas de «Suicidal Salvation», o novo EP dos black metallers polacos Black Altar, mostram bem aquilo que o baixista e vocalista Shadow e o guitarrista Horizon conseguem fazer. Ou seja, black metal tecnicamente impecável, quase ao ponto da fusão com o death metal, e atmosferas sinfónicas e épicas que encaixam bem na abordagem extrema, satânica e misantrópica do duo. Uma espécie de mistura da fúria técnica dos (primeiros tempos dos) Behemoth, da pura maldade dos Belphegor e da sinfonia obscura polaca dos Vesania. Seja na versão em digipack, seja no LP em 12”, «Suicidal Salvation» é um EP que os fãs de black metal polaco vão querer ter. (4/5)

Coprolith_DeathMarchCOPROLITH «Death March»
Violent Journey Records
A estirpe de death/black metal dos finlandeses Coprolith é ambiciosa. Juntar o mais agressivo e obscuro black metal a death metal bruto e injectar-lhe elementos de melodia melancólica tem que se lhe diga, mas o trio (composto por gente de Cavus e Antagonist Zero) lá consegue colocar a coisa a funcionar. Em «Death March», o seu segundo álbum de originais, até melhor do que no antecessor «Cold Grif Relief», com uma abordagem mais distinta e uma maior distanciação de referências musicais óbvias. Ainda não conseguem apresentar um disco de coesão a toda a prova nem isento de brechas na composição, mas estão a caminho. (3/5)

Diablerie_Transition_2.0_cover_0DIABLERIE «Transition 2.0»
Primitive Reaction
Os Diablerie são um projecto de metal industrial/electrónico finlandês, formado em 1999 pelo baterista, teclista e programador Henri Villberg, pelo guitarrista Kimmo Tukiainen (ambos pertenceram aos Rapture nos anos 00) e pelo guitarrista Tomi Ullgrén (outro ex-Rapure, actualmente dos Shape Of Despair e Impaled Nazarene). Depois de uma primeira fase de actividade até 2003, (que lhes valeu uma maqueta e um álbum de originais), tiveram um hiato de dois anos e voltaram em 2005 para mais dois EPs e uma maqeta. «Transition 2.0» é uma segunda versão do EP «Transition», de 2012, parcialmente remisturado e regravado para dar uma sonoridade mais coesa e energética ao death metal industrial/electrónico da banda. E energia é o que não falta aos quatro temas do disco, misto de Fear Factory de primeira geração, The Kovenant e The Amenta, pese embora com alguma falta de alma própria e ideias verdadeiramente frescas. (3/5)

Hull_TheLegendOfHULL «The Legend Of Swampgoat»
Iron Orchestra Works/Midnight Collective
Em pouco tempo, os nova-iorquinos Hull transformaram-se num dos nomes a ter em conta quando se fala de sludge/pós-hardcore. O estilo da banda é afinado bem em baixo, tem as influências certas de blues e é certeiro na composição e arranjos. Depois de dois álbuns de originais, a banda decidiu agora lançar o tema «The Legend Of Swampgoat», originalmente gravado em 2007 (provavelmente na mesma sessão do single «Viking Funeral», editado na altura) num EP em 7”. O tema contém todos os argumentos que fazem dos Hull um projecto tão apelativo: riffs contundentes, um sentido de melodia muito decente e o som lamacento que é a imagem de marca da banda. Não é a mais genial e influente canção da banda (por algum motivo esteve escondida todos estes anos), mas com esta capa de Nathan Overstrom e uma edição limitada em vinil rosa, azul, verde ou branco, com gravação do desenho no lado B, é uma tentação sludge a que é difícil resistir. (3/5)

Loinen_LoinenLOINEN «Loinen»
Svart Records
Quem anda atrás de sludge metal verdadeiramente underground, com mais ênfase na palavra “sludge” do que na expressão “metal”, tem aqui uma boa proposta. Os Loinen são finlandeses, compostos por dois baixistas, um baterista e um vocalista – sem guitarras, portanto – e andam nisto desde 2002, editando maquetas mas também trabalhos de estúdio, principalmente em cassete, vinil e edições de CD limitadas a poucas dezenas de unidades. «Loinen» é já o segundo (!) disco homónimo da banda, depois da estreia em 2007. Contém oito faixas de um sludge tão lamacento, obscuro e odioso (em que as letras em finlandês contribuem para a atmosfera fétida), que é impossível ficarmos indiferentes à medida que os minutos e as faixas se desenrolam. Um banho assim que o disco acaba é aconselhável. Edição em vinil (sem cartão para download) limitado a 425 unidades. (3/5)

MiracleMaster_TattooedWomanMIRACLE MASTER «Tattooed Woman»
GoldenCore Records/ZYX Music
Os Miracle Master são a banda alemã anteriormente conhecida como Pump, com o vocalista dinamarquês Oliver Weers, que tinha até aqui uma promissora carreira a solo. A junção de ambos os projectos tem neste primeiro disco, «Tattooed Woman», um bom trabalho de hard rock, algures entre o modernismo todo produzido de Adrenaline Mob e o hard rock clássico de nomes contemporâneos como W.E.T.. Oliver Weers tem, efectivamente, a voz e o carisma dos grandes cantores e a composição revela-se sólida, sóbria e coesa. O resultado é um surpreendente disco de hard rock moderno/clássico de onde menos se esperava que ele apareesse. (4/5)

TheUnsemble_TheUnsembleTHE UNSEMBLE «The Unsemble»
Ipecac
Projecto colaboracional montado entre Duane Denison (Tomahawk, The Jesus Lizard), Alexander Hacke (Einsturzende Neubauten, Crime And The City Solution) e Brian Kotzur (Silver Jews, Harmony Korine), The Unsemble é mesmo o tipo de coisa com a cara da Ipecac. Contém uma série de momentos de improvisação em que a música contemporânea impera, mas também algumas faixas cuidadosamente compostas e gravadas (a melhor é «Cyclone», lá mais para o final do disco), em que se nota a facilidade do trio em abolir, fundir e reconstruir barreiras musicais. Nomeadamente entre o pós-rock, a música electrónica, o jazz, a banda-sonorora e a música contemporânea. «The Unsemble» não é, por isso, uma audição fácil nem muito atraente, mas compensa com sofisticação, inteligência e provocação aural. (3/5)

Tortorum_KatabasisTORTORUM «Katabasis»
W.T.C. Productions
Magnífica evolução apresentada pelos noruegueses Tortorum, um projecto iniciado e liderado pelo guitarrista Skyggen (elemento dos Gorgoroth em concertos), neste segundo álbum de originais. «Katabasis», beneficiando de produção arrancada no estúdio Necromorbus, apresenta um black metal de aura maligna, tecnicamente evoluído e com metásteses no death metal e no rock psicadélico (ouvir a última faixa do disco) que justificam plenamente as comparações com Watain. É coeso, é bem feito e tem a atmosfera dos verdadeiros discos de black metal. (4/5)

VolumeIV_LongInTheVOLUME IV «Long In The Tooth»
Ripple Music
Bem afundados no stoner rock que arrebanha doom, sludge e heavy metal clássico, os norte-americanos Volume IV saem finalmente da zona de conforto de edição de pequenos EPs e lançam «Long In The Tooth», um disco completo. As dez faixas revelam uma falta de vontade para inovar que roça a teimosia típica das gentes de Atlanta, mas no processo que revisitarem o bom e velho stoner/doom rock directo, alto e sem truques, os Volume IV conseguem um bom conjunto de canções, digno da comparação com Black Sabbath, Pentagram, Monster Magnet, Orange Gobline e Down que a editora tão alegremente escreve no comunicado de lançamento. (3/5)

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