EDITORIAL: AFINAL, O METAL É DIFERENTE [SEGUNDO TOM WARRIOR]

celtic-frost-mono-band_638É a notícia que vai marcar o fim de semana “metaleiro”. Tom Gabriel Fischer, aka Tom Warrior, denunciou e recusou uma proposta do Wacken Open Air para que os Celtic Frost se reformassem para tocar no evento. A proposta era de 100 mil Euros e implicava que Fischer e o baixista original Eric Ain actuassem juntos, não importando quem estaria na bateria e segunda guitarra. Se, por um lado, isto vem ajudar a incidir alguma luz sobre os verdadeiros motivos para as repentinas “reuniões” de bandas mortas e (bem) enterradas, por outro lado mostra que ainda há gente na “cena” pelos motivos certos. O argumento de Fischer é simples e implacável: investiu muito dinheiro e tempo na “reunião original” dos Celtic Frost, não correu bem, acabou pior, e não vai ressuscitar o projecto por causa de uma oferta como esta. Reparem bem: ele não rejeita a hipótese de sentar-se um dia à mesa com Eric Ain e reformar os Celtic Frost. Apenas recusa fazê-lo por dinheiro, hipotecando todo capital artístico e de honestidade que a banda reuniu durante décadas.

Se isto não é uma valente bofetada sem mão nos Carcass, At The Gates e Emperor deste mundo, não sei o que será. Certo, a perspectiva de podermos assistir, passados todos estes anos, a um concerto de uma dessas bandas, bem como ouvirmos um disco novo, é tentadora e comercialmente genial. Mas se pensarmos um pouco chegamos à conclusão que esses grupos acabaram por um motivo (seja ele de esgotamento artístico dos seus músicos, chatices, discussões oi algo mais) e que a química ficou lá atrás, na formação e timing originais. Quando ouvimos uma banda underground dizer que não faz metal pelo dinheiro o que devíamos ouvir era “Pelo menos a este nível. Se chegarmos ao sucesso a coisa muda de figura”. Não Gabriel Fischer. E não todos os que andam nisto pelos motivos verdadeiramente certos.

Todos nós vacilaríamos perante a possibilidade de recebermos 100 mil Euros para nos reconciliarmos com aquele amigo que deixámos para trás e que sabemos que é um parvo. O que nos separa – e quero acreditar que à maioria dos músicos da “cena metálica” – dos outros é que, após alguma ponderação, em nós a honestidade imperaria. E que, ao contrário dos promotores do Wacken Open Air, somos todos um bocadinho como Gabriel Fischer.

Fernando Reis

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