POSTO DE ESCUTA 19.03.2014

A Tree Of Signs copyUm pouco atrasado esta semana é certo, mas o Posto de Escuta não falha em trazer novidades que valem a pena serem ouvidas. A começar pelo novo EP dos portugueses A Tree Of Signs, que regressam às edições com uma nova vocalista e um renovado sentido estético. Os fãs de doom, no entanto, têm mais novidades de peso: os Dread Sovereign e os Primeval Realm. No lado do metal extremo os Alterbeast e os Vampire cumprem a cota de death metal, enquanto o projecto Funereal Presence activará a Escandinávia que há em vós. Resta falar do rock’n’roll dos Stone Dead, do conservadorismo dos Armageddon Rev. 16:16 e da blasfémia electro/industrial dos Jenx. Por fim, uma bela prenda para fãs de pós-rock experimental e corajoso, em formato split e com muita atitude.

Alterbeast_ImmortalALTERBEAST «Immortal»
Unique Leader
Quando uma banda lança o seu disco de estreia logo pela Unique Leader, normalmente existe um motivo para isso. No caso dos norte-americanos Alterbeast, o motivo é uma chapada de death metal técnico dada em cheio na tromba de quem não estava a vê-los a vir ao longe. Enquanto as dinâmicas e o “jogo” de vocalizações gutural/gritada apontam para a modernidade de uns The Black Dahlia Murder, o intenso poderio técnico demonstrado nos oito temas de «Immortal» tem nos fãs de Necrophagia um alvo certeiro e inevitável. Competente, brutal e clínico. Lindo. (4/5)

ArmageddonRev1616_SundownOnHumanityARMAGEDDON REV. 16:16 «Sundown On Humanity»
Pitch Black Records
Para quem não sabe, os Armageddon Rev. 16:16 são uma das mais antigas bandas cipriotas, com uma carreira que ascende já a 29 (!) anos, pese embora até agora tenham editado apenas maquetas e EPs. «Sundown On Humanity» vem mudar isso, reunindo uma dúzia de novas composições, no estilo heavy/power metal melódico e clássico que vem caracterizando a carreira do grupo de Nicosia. É impossível ficar indiferente à autenticidade e (quase) inocência com que os veteranos se atiram ao género, mas com alguma distância e imparcialidade facilmente percebemos que o heavy metal dos Armageddon Rev. 16:16 parou no tempo há duas décadas e, embora bem executado e energético, é um amontoado de lugares comuns do género. (3/5)

ATreeOfSigns_SaturnA TREE OF SIGNS «Saturn»
Chaosphere Recordings
Ainda meio a ressacar da mudança de vocalista, os lisboetas A Tree Of Signs editam um novo EP em que mostram, na primeira faixa, um lado mais rockeiro e bluesy para o seu doom ocultista. «Red II» é groovy, é atraente e é sexy, tipo Blues Pills em modo mais doom. «Red III» é um interlúdio instrumental em que o baixo de Alexandre Mota assume o drone e os A Tree Of Signs se transformam, por dois minutos e meio, numa besta experimentalista e imprevisível. «Saturn», o tema-título, é tão “lado b” quanto «Red II» é “single”; épico, mais estruturado e com os teclados psicadélicos que o ligam ao EP de estreia e, directamente, ao mais obscuro dos estilos dos anos 70. O caminho continua, pois, a ser de aventura musical e variedade de escrita para os A Tree Of Signs, a tal banda que, sem guitarras ou álbuns completos, se vai solidamente transformando na mais válida proposta de doom rock nacional. (4/5)

LP-Gatefold TemplateDREAD SOVEREIGN «All Hell’s Martyrs»
Ván Records
Quem conhece Alan Nemtheanga sabia que era só uma questão de tempo até o vocalista dos Primordial fazer uma banda de doom/heavy metal. Os Dread Sovereign são essa banda e, nela, Nemtheanga canta e toca baixo, o baterista dos Primordial e dos Geasa, Sol Dubh, também está de serviço e o guitarrista é um tal de Bones, dos Wizards Of The Firetop Mountain. «All Hell’s Martyrs» é uma colecção de dez canções de puro desespero doom/heavy metal, por vezes sem a mínima ponta de luz ou esperança, outras vezes de longas partes instrumentais e psicadélicas, sempre com destaque para a emotiva prestação de Nemtheanga e com um apreciável poder evocativo e grandiosidade épica. Refrescante e original, sem fugir aos mandamentos do estilo. (4/5)

pg04-01coverFUNEREAL PRESENCE «The Archer Takes Aim»
Sepulchral Voice Records
Já há muito tempo que jovens bandas deixaram de tentar recuperar aquela atmosfera de negridão total presente em «A Blaze In The Northern Sky», que valeu a muitas um som francamente ridículo pela falta de espírito empregue. Bestial Devotion, através do seu projecto Funereal Presence, consegue-o agora quase na perfeição, através de quatro faixas perturbantes e caóticas, que devem tanto ao black metal escandinavo mais selvagem dos anos 90 como à maldade contemporânea de Negative Plane, de que Bestial Devotion também faz parte. 80% Darkthrone antigo, 10% King Diamond, 5% Nattefrost e 5% Ominous Resurrection. Quando os 48 minutos de «The Archer Takes Aim» terminam, só apetece ir para a floresta à noite e correr nu. (4/5)

Hemelbestormer_VanessaVanBastenHEMELBESTORMER VS. VANESSA VAN BASTEN «Split»
ConSouling Sounds
Os holandeses Hemelbestormer e os italianos Vanessa Van Basten juntam-se para, mais do que um split, fazerem um disco em colaboração. Como seria de esperar por parte de uma banda que veio do black metal para o sludge passando pelo hardcore e de um duo que se socorre de black metal, shoegaze e rock dos anos 90 para injectar no seu pós-rock fortemente atmosférico, as seis faixas do álbum são belas, assombrosas, assustadoramente ambientais ou avassaladoramente pesadas. À vez ou tudo ao mesmo tempo. São duas faixas de cada projecto e mais duas em que ambos colaboram e a coisa está disponível em CD digifile. Imperdível para quem está numa de pós-rock instrumental, experimental e esquizofrénico, pois claro. (4/5)

Jenx_DriftJENX «Drift»
M-Tronic
Pegando no interessante «Enuma Elish», dos Jenx, o francês Lyynk fez uma laboriosa desconstrução e reconstrução, em formato electro/industrial, capaz de surpreender até os fãs da banda com mais abertura e espírito. A primeira faixa é uma espécie de resumo de todo o álbum «Enuma Elish», feita com uma furiosa cadência de samples, ritmos electrónicos, noise e industrial. Seguem-se versões de «The Flood», «The Loss», «Chains Of Labor», «The Ordeal» (reentitulada «The Element»), bem como uma faixa – «Renewal» – que pega no ambiente de «Enuma Elish» e o transforma numa faixa instrumental e de pura atmosfera electro em duas partes. Demasiado tch-pum-tch-pum para os fãs de djent do quinteto de Bordéus, «Drift» acaba por ser uma proposta electro/industrial em nome próprio, um pouco afastada do disco que lhe deu origem, mas com inegáveis encantos para fãs de Nine Inch Nails, Digitalism ou Aphex Twin. (3/5)

?????????????PRIMEVAL REALM «Primordial Light»
Pure Steel Records
Numa altura em que tudo é doom e em que as bandas sentem necessidade de extremar as coisas para marcar posição na cena, é bom assistir ao aparecimento de uma coisa como os Primeval Realm, que se “limitam” a tocar com doom metal épico como manda a tradição. E, apesar da sua receita de riffs groovy e cheios, teclados psicadélicos, solos épicos e mesmo o uso de flauta na última faixa perfilar «Primordial Light», o disco de estreia da banda, na linha directa de sucessão de nomes como Trouble, Black Sabbath, Candlemass ou Solitude Aeturnus, o quarteto de Nova Jersey segue sempre o seu próprio caminho com convicção e puro talento. (4/5)

StoneDeath_TheStoneJohnSTONE DEAD «The Stone John Experience»
Auto-financiado
Oriundos de Alcobaça, os Stone Dead são um quarteto rock que gosta de enfatizar a música. É por isso que não ouvirão falar muito deles em truques de marketing ou gimmicks nas redes sociais. Mas «The Stone John Experience», o seu segundo EP em pouco mais de dois anos de carreira´é rock puro e duro, com ramificações no stoner mas raízes no blues, no soul e em tudo o que de suado e energético há no ADN musical. As quatro canções do EP não são imunes a lugares-comuns do estilo e nem a um certo requentamento na composição que impede os Stone Dead de “explodirem” verdadeiramente nas melodias. Mas podem proporcionar bons momentos a quem anda nisto pela adrenalina e pura energia. (3/5)

Vampire_VampireVAMPIRE «Vampire»
Century Media
Death/thrash metal de Gotemburgo tocado com uma forte atmosfera old school é a proposta dos Vampire, quatro músicos anónimos que causaram alguma comoção na cena com a sua maqueta de estreia e um EP em 7” editado pouco tempo depois. Agora, com o disco homónimo, provam que são mais do que apenas outra proposta a explorar o filão da velha guarda. Juntam death metal obscuro, thrash de estética Warhammer, uma atmosfera intensa e quase palpável e ocasionais incursões pela melodia e pelo punk num bolo com um ritmo imparável e uma boa sucessão de grandes temas. «Vampire» tem apenas 46 minutos, mas exala aquela aura dos discos com pinta a que poucos grupos conseguem realmente chegar, muito menos na estreia “a sério”. (4/5)

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