POSTO DE ESCUTA 01.04.2014

MenaceA palavra-chave desta semana é “Quebeque”. A província canadiana está bem representada neste Posto de Escuta, quer através do split «Légendes», quer com o thrash/doom intemporal dos Beast Within. E, por falar em thrash, conheçam também os argentinos Estampida, os alemães Reactory e os austríacos Triumphant, todos com uma estirpe diferente do género. Depois, temos coisas mais modernas como o sludge/stoner dos Hark, os vapores psicadélicos dos Jupiter Zeus e Messenger, o black metal germânico dos Pestlegion e um projecto muito especial de Mitch Harris, dos Napalm Death. Muita e boa música em que mergulhar esta semana.

BeastWithin_AdversityServitudeBEAST WITHIN «Adversity/Servitude»
Sepulchral Productions
Com uma série de gente saída de bandas da cena do Québec como Akitsa, Thesyre, Blackwind ou Utlagr, os Beast Within estreiam-se com este EP em 7” de duas faixas e mostram o seu amor pelo thrash/doom mórbido e old school de referências como Celtic Frost ou Pentagram. Os riffs de ambos os temas são contundentes, a voz está bem à frente e o ambiente de “rock’n’roll do inferno” quase chega para esquecermos que tudo isto já foi feito antes, com mais originalidade e propriedade, por bandas que entretanto cresceram musicalmente. Ainda assim, quem não cresceu e procura mais thrash oculto com um pé no doom, pode comprar uma das 500 cópias de «Adversity/Servitude» e passar um bom bocado. (3/5)

Estampida_CrowdControlTheESTAMPIDA «Crowd Control: The Jaws Of War»
Nadir Music
Editado em Novembro de 2012, este terceiro álbum dos argentinos Estampida, actualmente radicados em Espanha, mostra que o death/thrash melódico tocado com alguma inocência e ingenuidade também pode ter os seus encantos. O que sobra em «Crowd Control: The Jaws Of War» de lugares-comuns, em termos de composição, do thrash/death mais melódico, é (quase totalmente) compensado com puro entusiasmo, aquela energia crua tão típica das bandas sul-americanas e uma sonoridade tão directa e in your face que acaba por servir de contraponto à típica produção “clínica” a que estamos habituados neste tipo de lançamentos. Não é uma coisa para nos colocar lágrimas nos olhos mas com esta garra, energia e atitude, não há como neglegenciarmos os Estampida. (3/5)

Forteresse_MonarqueFORTERESSE/CHASSE-GALERIE/MONARQUE/CSEJTHE «Légendes»
Sepulchral Productions
Quatro bandas da forte cena black metal quebequiana, com cada uma a ocupar um lado dos dois discos vinil em 7” que perfazem esta magnífica edição limitada a 500 unidades. Os Forteresse apresentam uma versão invulgarmente rápida do seu black metal atmosférico e separatista com «Wendino». Os Chasse-Galerie são mais folky e históricos na abordagem às letras e cantam em francês, mas não menos inspiradores. Os veteranos Monarque mostram como continuam a ser mestres do black metal distorcido e cru local e, por fim, os Csejthe exercitam a sua versão medieval/negra e lenta do estilo. Quatro bandas, quatro temas novos e inéditos que merecem este tipo de lançamento e tratamento. Grande trabalho da Sepulchral Productions. (5/5)

Hark_CrystallineHARK «Crystalline»
Season Of Mist
Os Hark são um nome novo na cena sludge/stoner, mas se vos dissermos que contam com o ex-Taint Jimbob Isaac na guitarra, o caso muda de figura. A clareza de ideias, o talento e o ADN sludge/stoner são perfeitamente audíveis em «Crystalline», o disco de estreia do trio galês, que tem óbvias semelhanças com o espírito progressivo/massivo dos Mastodon e com o lado atmosférico dos Kylesa. A diferença entre os Hark e os outros imitadores é, no entanto, a intensidade do resultado final, bem como a excelência da colecção de 10 faixas que apresentam. Ambas as coisas deverão ser suficientes para fazerem os mais enfadados fãs do estilo quererem ter pelo menos mais um disco nas suas colecções. (4/5)

JupiterZeus_OnEarthJUPITER ZEUS «On Earth»
Magnetic Eye Records
Os australianos Jupiter Zeus apresentam-nos a sua versão de rock espacial psicadélico em formato completo, depois do EP «Green Mosquito». E que bela versão que é. Fortemente melancólico e algo contido nos solos e atmosfera psicadélica, «On Earth» concentra grande parte da sua força nas melodias das canções, que é um misto de composição adulta e rock stoner/psicadélico feito com sofisticação e experiência. O resultado final pode não ser exuberante ou incrivelmente refrescante, mas permite conhecermos uma banda com as ideias no lugar e uma noção muito decente de rock. O que não é de admirar, se pensarmos que esta era a gente por detrás dos Nebula até há uns anos atrás. (3/5)

Menace_ImpactVelocityMENACE «Impact Velocity»
Season Of Mist
Projecto de Mitch Harris, dos Napalm Death, os Menace estreiam-se em grande com «Impact Velocity», um conjunto de uma dúzia de faixas (mais uma bónus, na edição limitada) em que o metal progressivo, a dissonância e a melodia se aliam de forma impressionante. Com vocalizações meio “robóticas” mas sempre harmónicas (“mistura entre Ozzy Osbourne e Cynic” é uma boa maneira de descrevê-las), riffs “tecnológicos” à Voivod e um sentido de atmosfera que parece reminiscente de Nightingale, «Impact Velocity» é uma daquelas propostas tão inovadoras e originais que demora a entrar no sistema de qualquer ouvinte. Mesmo os mais preparados para estas coisas visionárias. Mas quando o faz, não sai tão depressa. Dificilmente se pode aspirar a melhor estreia. (4/5)

Messenger_IllusoryBluesMESSENGER «Illusory Blues»
Svart Records
Formados em 2012, os londrinos Messenger são o típico projecto de músicos com experiência que sabem que têm de experimentar alguma coisa diferente. «Illusory Blues» tem, por isso, partes iguais de folk e de rock psicadélico acústico, com ocasionais apontamentos de violino que tanto inserem influências neo-clássicas como de americana. A coisa é feita com olho no pormenor e jeito para a escrita de canções, misturando os elementos musicais que alimentam a alma dos Messenger de forma homogénea e funcional, com especial ênfase nas vocalizações frágeis e evocativas de Khaled Lowe. Kristoffer Rygg, dos Ulver, já veio publicamente dizer que gosta de «Illusory Blues», o que certamente deixará satisfeitos os autores desta obra intimista e desarmante. (4/5)

Pestlegion_MarchToWarPESTLEGION «March To War»
Bret Hard Records
Black metal alemão no seu estado mais maligno e satânico é a proposta dos Pestlegion, duo formado por C. e B. que, segundo a editora, vêm ambos de um “longo passado” a tocar em outras bandas. A verdade é que «March To War» cumpre o objectivo de ser das coisas mais viciosas que ouvimos nos últimos tempos, com vocalizações à Immortal, ritmos rápidos, riffs cortantes como facas e ocasionais apontamentos melódicos que fazem lembrar os velhos tempos de Troll ou Burzum. Nada de novo, portanto, mas com a atmosfera certa e (quatro) faixas muito decentes. Edição em CD limitada a 500 unidades. (4/5)

Reactory_HighOnRadiationREACTORY «High On Radiation»
Iron Shield Records
Tirando o facto de contarem com um baterista que tem um nome exótico como “Cauê Santos” e a atitude de chamarem “thrash metal” ao thrash, não há muita coisa que separe, neste disco de estreia, os alemães Reactory das outras (boas) bandas de revivalismo do género. Só que «High On Radiation» funciona às mil maravilhas, com um speed/thrash que mistura os sub-géneros europeu e norte-americano, um peso que demonstra as influências certas e o tipo de atitude que se encontra em bandas como os Lost Society. Certo, o mundo está farto do revivalismo thrash, mas não dá para entrar apenas mais um grupo? (4/5)

Triumphant_HeraldTheUnsungTRIUMPHANT «Herald The Unsung»
Cyclone Empire
Novo projecto liderado pelo guitarrista austríaco Persekutor, que serve basicamente de continuação ao que havia feito com os Manic Disease entre 2010 e 2013, mas com um novo baterista e um novo segundo guitarrista. «Herald The Unsung» é, pois, a estreia dos Triumphant num registo black/thrash metal, pese embora com mais influências de black metal e heavy metal clássicos, algum speed metal e um acumular de experiência que os faz misturarem tudo isto de forma coesa e lógica. Não é nada que surpreenda ou que deixe o ouvinte viciado, mas quem procura 40 minutos de puro black/thrash/heavy metal, dificilmente encontrará um conjunto de temas mais despreocupado e furioso do que «Herald The Unsung». Fenriz havia de gostar disto. (3/5)

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