POSTO DE ESCUTA 23.04.2014

BelowMais uma semana, mais um Posto de Escuta. Os amantes de doom estão especialmente em voga esta semana, quer na sua versão mais tradicional, quer nas vertentes mais sludge, em que chegamos a apresentar um projecto com via aberta para o… pop. Depois, destaque para o crust/grind dos Loath, para mais uma lição atmosférica de noise/industrial dos Petrels, para o industrialismo do black metal dos Invertia, para o modernismo female fronted dos Temperance e para o equilíbrio entre hard rock e metal aqui-e-agora dos Fake Idols. E, de volta ao bom e velho heavy metal, conheçam os Death Dealer e o death metal melódico de uma das bandas do cartaz deste ano do SWR: os Eternal Storm. Muitas e boas propostas para enfiar pelos ouvidos a dentro esta semana.

Below_AcrossTheDarkBELOW «Across The Dark River»
Metal Blade
Como que a provar que o bom e intemporal doom épico não é uma ciência exacta, os suecos Below não precisam de uma biografia extensa e nem de muitos lançamentos para chegarem ao âmago do estilo. De facto, «Across The Dark River», o disco de estreia do quinteto, foi precedido apenas de um EP, não editado, e de um split com os compatriotas Anguish. E, no entanto, os seus oito temas captam na perfeição a essência do doom mais tradicional – pensem em Black Sabbath da era de «Headless Cross», em King Diamond e no incontornável «Nightfall» dos Candlemass – não tentando soar retro nem imitar ninguém. As melodias são (bem) assumidas, os riffs são pesados até ao tutano, as vocalizações têm aquele carácter narrativo que o estilo pede e a composição é cuidada. Não há nada em «Across The Dark River» que os fãs de doom metal épico não possam venerar e, lá está, os Below ainda agora começaram o seu percurso musical. (4/5)

Coltsblood_IntoTheUnfathomableCOLTSBLOOD «Into The Unfathomable Abyss»
Candlelight Records
Misturando sludge e doom tocado a uma velocidade funerária, os Coltsblood colocam-se mesmo debaixo da nuvem que tem feito chover bandas para o hype, com a confiança de quem reuniu boas reacções à maqueta e ao split (com Crypt Lurker) editados até chegaram a «Into The Unfathomable Abyss». Apesar disso, e também de uma solidez de riffs que os leva quase a territórios de drone/doom dos Sunn 0))), os 59 minutos apresentados pelos Coltsblood nesta estreia cifram-se por uma generalidade, na abordagem e na sonoridade, que não os destacará da concorrência. Não há nada de errado em «Into The…». O problema é que este sludge/doom ultra-lento, ultra-baixo e ultra-pesado já foi feito antes. Demasiadas vezes. (3/5)

EternalStorm_FromTheAshesETERNAL STORM «From The Ashes»
Auto-financiado
Quem anda a perguntar-se quem raio são os Eternal Storm e o que fazem no cartaz da edição deste ano do SWR Barroselas Metalfest precisa de ouvir este EP. Apesar de originalmente editado em Abril de 2013, «From The Ashes» mantém a sua relevância como um dos mais dinâmicos, coesos e convincentes conjuntos de músicas de death metal melódico produzidos na Península Ibérica. Os espanhóis são tecnicamente dotados, têm boas soluções para os riffs melódicos e regam tudo com vocalizações guturais e agressivas, mais death metal do que thrash, ao contrário da abordagem instrumental. Ainda assim, o resultado final é acessível e equilibrado, apesar de algo estéril em termos de originalidade. (3/5)

DeathDealer_WarMasterDEATH DEALER «War Master»
Pure Steel Records
Auto-editada originalmente em Junho do ano passado, esta estreia dos Death Dealer passou despercebida a muito boa gente. E não devia. É que a mistura de US power metal e speed metal de «War Master» funciona na perfeição, com a genialidade e a competência técnica fornecida por gente como os guitarristas Ross The Boss (ex-Manowar) e Stu Marshal (Empires Of Eden), o vocalista Sean Peck (Cage), o baixista Mike Davis (Halford) e o baterista Steve Bolognese (Baptized In Blood). Uma autêntica super-formação, que não impede no entanto que os Death Dealer funcionem como uma verdadeira banda e tenham em mãos uma excitante e honesta mistura das sonoridades de Iced Earth, Seven Witches e Cage. Excelentes motivos para não deixar passar agora esta reedição em vinil gatefold, limitada a 500 unidades. (4/5)

FakeIdols_FakeIdolsFAKE IDOLS «Fake Idols»
Lifeforce Records
Nascidos das cinzas de bandas como os Raintime, Slowmotion Apocalypse e Jar Of Bones, os Fake Idols procuram praticar uma mistura de hard rock e metal moderno com ênfase nas melodias. Aquilo que lhes sai no álbum de estreia homónimo é mais ou menos isso, pese embora o lado “moderno” soe um pouco plástico demais para gente com faro por coisas menos honestas. Ainda assim, uma participação especial de Mia Coldheart das Crucified Barbara, uma versão de «My Favorite Game» dos The Cardigans e injecções de melancolia em faixas como «Far From My Window» chegam para dar a «Fake Idols» uma boa dose de variação e interesse, o que safa a estreia do grupo. Mas no próximo disco precisam de fazer mais do que esta mistura requentada de The Poodles, Deathstars e Kovenant. (3/5)

Invertia_AnotherSchemeOfINVERTIA «Another Scheme Of The Wicked»
Ohm Resistance
Pegando no extremismo do black metal e desconstruindo-o à base de ritmos industriais programados e distorção extrema, os Invertia ganharam um lugar especial no coração dos amantes de música perturbante em 2013, com o seu disco de estreia homónimo. «Another Scheme Of The Wicked» tem o mesmo tipo de abordagem, levando a sério a descrição “cruzamento de Skinny Puppy, Suffocation, Gorgoroth e Merzbow” feita pela editora, pese embora a falta de uma verdadeira “alma” black metal, soterrada debaixo de toda a maquinaria pesada nos ritmos, se faça sentir nos cinco temas originais do disco. As outras cinco faixas são remisturas das mesmas canções, feitas por gente como Justin Broadrick (Jesu, Godflesh), End.user (The Blood Of Heroes) e Submerged (Method Of Definance), que tornam ainda mais vertiginosa uma proposta viciosa e mecânica, que tem a vantagem – e a desvantagem – de poder agradar apenas aos mais especializados fãs de black metal industrial. (3/5)

Loath_TotalPeaceLOATH «Total Peace»
Inverse Records
Crust/grind/darkness é uma etiqueta que cai bem aos finlandeses Loath, uma vez que o jovem quarteto não se limita a despejar velocidade, castanhada e d-beat. Boa parte das composições de «Total Peace», o álbum de estreia, são tocadas a uma velocidade quase doom, o que não apenas resulta bem com toda a distorção da guitarra e solidez da secção rítmica, como potencia o caos sempre que os Loath puxam do punk/hardcore e aceleram as coisas. Não é o disco do ano, mas os seus 31 minutos têm uma refrescante aura de inteligência na composição e sofisticação na abordagem ao crust/grind que fará as delícias de quem anda à procura de algo diferente – e bem mais negro – neste género de música. (4/5)

Petrels_TheSilverChimneyClub+WatTylerPETRELS «The Silver Chimney Club/Wat Tyler»
Denovali Records
Composto por duas longas faixas (17 e 22 minutos) que se destinavam originalmente a serem editadas apenas em formato digital como singles, este novo EP de Petrels, transformado numa edição em sede própria em CD, LP e digital, mostra bem o carácter heterogéneo do projecto de Oliver Barrett. «The Silver Chimney Club» é um ensaio de noise/industrial fortemente atmosférico dedicado ao recentemente falecido avô de Barrett, perturbante e experimental como o multi-instrumentista nos habituou em obras como «Mima». «Wat Tyler», inspirado no líder da Revolta dos Camponeses de 1381, remete-nos para o ambiente mais dark ambient/drone pop de «Onkalo» e explora o lado contemplativo do projecto. Apesar de parecerem leftovers dos dois últimos discos de Petrels, são temas suficientemente fortes – e longos – para constituírem um bom seguimento da magnífica carreira de Petrels. (4/5)

SeasonOfArrow_SeasonOfArrowsSEASON OF ARROWS «Season Of Arrows»
The Path Less Traveled Records
Com um doom/sludge suficientemente articulado para ser pesado e melódico, os norte-americanos Season Of Arrows percorrem a ponte para uma espécie de hard rock mais popish devido ao tom hippie da vocalista Stormie Wakefield. Mas «Season Of Arrows» é mais do que apenas uma gaja a cantar e uns tipos a debitar riffs lentos e graves. Há influências pós-rock, atmosfera e zonas cinzentas suficientes para percebermos que o quinteto sabe o que anda a fazer. Espécie de mistura dos universos de Kylesa, ASG e Nashville Pussy, a estreia dos Season Of Arrows é auspiciosa na receita, inteligente na composição e francamente entusiasmante no seu resultado final. (4/5)

Temperance_TemperanceTEMPERANCE «Temperance»
Scarlet Records
Para quem pretende “fazer a diferença” (é o comunicado de imprensa da editora que o diz) no mundo do metal, os italianos Temperance estreiam-se de forma meio morna. Certo, o início do disco homónimo é todo energético, com uma mistura de power metal female fronted à Nightwish, death metal melódico, metalcore e alguma música electrónica. No entanto, as melodias, as estruturas e a composição em geral não apresentam nada de novo e limitam-se a repetir receitas definidas por outros, pese embora com alguns pormenores que revelam a experiência dos elementos da banda em projectos como Secret Sphere. Apesar disso, «Temperance» é mais um ensaio e contagem de armas para o que pode vir a seguir do que, como pretende o grupo, propriamente um grande álbum de metal moderno de voz feminina. (3/5)

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