POSTO DE ESCUTA 13.05.2014

Hannes GrossmannNova semana, novo Posto de Escuta, desta vez com ênfase no black metal nos seus mais variados sub-formatos: do screamo/pós-black metal dos russos Toluca ao black/folk metal arábico dos Al-Namrod, passando pelos israelitas Dim Aura, pelos espanhóis female fronted Bloodhunter e pelos sinfónicos Retribution. Depois, há propostas de hard rock clássico para fãs de Ten, stoner metal progressivo (!), thrash’n’roll e duas novidades de death metal técnico, progressivo e de fusão que encherão as medidas aos fãs do género. Boa semana.

AlNamrood_HeenYadharAlAL-NAMROOD «Heen Yadhar Al Ghasq»
Shaytan Productions
Enquanto as bandas europeias de folk metal se andam todas a copiar umas às outras para obterem parcelas do sucesso de quem copiam, na Arábia Saudita um projecto como os Al-Namrood já vai no terceiro álbum de originais sem que, praticamente, o mundo tenha dado por ele. Certo, o black metal oriental do trio é exótico, estranho até, quando comparado com os padrões musicais a que estamos habituados. Mas a verdadeira originalidade tem destas coisas; «Heen Yaadhar Al Ghasq» é autêntico black/folk metal arábico, capaz nos seus melhores momentos de envergonhar até mestres na arte de misturar ambos os mundos como os Melechesh. Escalas pentatónicas, instrumentação acústica tradicional, black metal feroz e uma vocalização verdadeiramente original. Vão continuar a deixar passar um tesouro destes? (4/5)

Bloodhunter_BloodhunterBLOODHUNTER «Bloodhunter»
Suspiria Records
Longe vai o tempo em que a cena espanhola nos dava “apenas” bom hard’n’heavy cantado em castelhano. Iniciados pelo ex-guitarrista dos Yidorah e Shroud Of Tears, Fenris, os galegos praticam uma mistura de death e black metal melódicos que cumpre cada um dos padrões internacionais do género. A voz e presença de Diva Satanica torna os Arch Enemy num ponto de comparação fulcral para os Bloodhunter, mas o quarteto é, por enquanto, um pouco menos articulado musicalmente e, pese embora a produção “arrancada” nos Ultrasound Studios seja muito decente, ainda não é de topo. Ainda assim, os 11 temas do disco podem proporcionar uma boa mistura de black e death metal melódico a quem não se deixa convencer facilmente pelo mainstream sueco. (3/5)

DeliriumTremens_ReadMyFistDELIRIUM TREMENS «Read My Fist»
Iron Shield Records
Os alemães Delirium Tremens são uma daquelas bandas que levam as coisas com muita calma e descontracção. Por isso, a sua carreira de quase duas décadas ainda só “produziu” dois álbuns de originais, um EP e uma maqueta, entre inúmeras alterações de formação, substituições, regressos e mudanças de “posto”. «Read My Fist», a terceira proposta longa-duração vem, no entanto, confirmar que os Delirium Tremens são também uma bem-oleada máquina de thrash’n’roll com bastas influências punk. Os 11 temas do disco são rápidos, pulsantes de riffs contundentes e com um espírito rock’n’roll/punk a que fãs de AC/DC e Motörhead não conseguirão resistir. Se levassem a carreira a sério, estes cinco bávaros seriam um caso sério de popularidade nos dias que correm. Assim, são “apenas” um segredo bem guardado para nós, que ninguém nos ouve. (4/5)

DimAura_TheNegationOfDIM AURA «The Negation Of Existence»
Auto-financiado
Com este disco de estreia, os Dim Aura começam a sua contribuição para a crescente cena black metal israelita, que mantém um saudável desenvolvimento nos últimos anos. «The Negation Of Existence» é bem engendrado, bem executado e propõe uma bem equilibrada mistura de conservadorismo nórdico com um lado atmosférico mais presente. Continua a ser black metal norueguês dos anos 90 requentado no calor das antigas dunas de Tel Aviv, mas a forma entusiasta com que os Dim Aura o escrevem e o debitam dão aos oito temas uma aura de romanticismo que apenas o underground possui e que os seus fãs saberão reconhecer imediatamente. (3/5)

HannesGrossman_TheRadialCovenantHANNES GROSSMANN «The Radial Covenant»
Auto-financiado
É conhecida a capacidade técnica de Hannes Grossmann, cujo trabalho em bandas como os Obscura (onde actualmente milita) e Necrophagist o colocou entre os melhores bateristas europeus da actualidade. Agora, com «The Radical Covenant», fica comprovado também o valor artístico do músico, que compôs e gravou sete faixas de death metal técnico e progressivo, praticamente sem pontos fracos, ideal para quem não pode esperar pelo próximo disco dos Obscura ou gosta de coisas como Spawn Of Possession. A lista de convidados do disco é igualmente extensa e impressionante: Jeff Loomis (ex-Nevermore) Per Nilsson (Scar Symmetry), Christian Muenzner (Obscura, Spawn Of Posession) e Ron Jarzombek (Watchtower) são alguns dos guitarristas envolvidos, enquanto V. Santura (Triptykon, Dark Fortress) e Morean (Dark Fortress) fornecem as vocalizações. Auspicioso. (4/5)

Retribution_CorpusAntichristiY3yRETRIBUTION «Corpus Antichristi Y3K»
Pitch Black Records
Anteriormente conhecidos como Y3K (nome sob o qual editaram o álbum «Retribution» em 2007), os espanhóis Retribution regressam agora aos longa-duração com «Corpus Antichristi Y3K e um maior esclarecimento no seu black metal sinfónico. A produção é melhor, os arranjos orquestrais são mais épicos e envolventes e existe uma dinâmica mais vincada entre a voz da soprano Itea Benedicto Colás e do demoníaco Loquacious Shihan. Não é nada que não tenha sido feito antes pelos Cradle Of Filth de forma consideravelmente mais comercial, mas a atmosfera Therion-em-início-de-carreira empresta a «Corpus Antichristi Y3K» uma aura de paixão, honestidade e inocência que vai bem com a recente capacidade da banda para tocar e compor de forma coesa e competente. (3/5)

SuperMassiveBlackHoles_CalculationsOfTheSUPER MASSIVE BLACK HOLES «Calculations Of The Ancients»
Minotauro Records
São jovens, são canadianos, são experientes (vindos de bandas como Skulldozer, Inspected By 40, Statue Of Demur ou Anakronis) e são ambiciosos. Os Super Massive Black Holes ziguezagueiam entre death metal técnico, fusão com jazz, rock, metal progressivo e blues com uma técnica e um sentido de melodia apuradíssimos, neste disco de estreia. Cynic (sobretudo devido à consciência harmónica presente no quarteto), Watchtower ou Death são, obviamente, pontos de referência para «Calculations Of The Ancients», mas há uma forte personalidade própria a moldar a abordagem dos nove temas do disco. O que, para uma banda com quatro anos de carreira e apenas dois EPs editados antes, é obra. Por outro lado, é ainda notória alguma falta de clarividência natural quando se tem tantos ingredientes para a mesma “sopa”. Ainda assim, o resultado final é satisfatório e nutritivo. (3/5)

TheWitch_BlackFlowerFieldTHE WITCH «Black Flower Field»
Auto-financiado
Formados em 2011, os franceses The Witch praticam stoner metal progressivo. Por “stoner metal” entenda-se uma base sonora que anda ali entre os Queens Of The Stone Age e os Mastodon e, por “progressivo”, entenda-se uma apetência especial da banda para mijar fora do penico do stoner, seja em passagens thrash, em momentos de fúria death metal, em apontamentos mais técnicos ou em atmosferas inesperadas. A seu favor, o quarteto tem uma certa crueza sonora que lhes dá um mínimo de originalidade e alma musical própria. Contra si, alguma inexperiência – perfeitamente natural – que os leva a sobrecomplicar por vezes estruturas de canções que resultariam melhor se fossem despidas de pormenores desnecessários. É, no entanto, ainda o segundo EP dos The Witch e, pese embora o futuro não pareça muito brilhante com a concorrência e o camandro, «Black Flower Field» tem um certo je ne sais quoi que apela. (3/5)

ThreeLions_ThreeLionsTHREE LIONS «Three Lions»
Frontiers Records
Mais um novo projecto a provar a vitalidade da cena hard rock mais clássico. Os Three Lions são britânicos, contam com o vocalista/baixista Nigel Bailey, com o guitarrista Vinny Burns (Dare, Ten, Asia) e com o baterista Greg Morgan (Dare, Ten). Nesta mistura de entusiasmo, talento e experiência, a estreia homónima equilibra-se quase sempre ali no muro entre o hard rock/AOR melódico e alguma variedade com liberdade para solos que deixa o disco “respirar” bem. Ainda assim, é nos fãs de Ten, Foreigner e Asia que os Three Lions encontrarão, invariavelmente, o “seu” público. E ele ficará bem servido, com um conjunto de temas que, apesar de não arriscar muito, respira confiança e qualidade. (3/5)

Toluca_MemoriaTOLUCA «Memoria»
Auto-financiado
Os russos Toluca movem-se com agilidade e graciosidade, no seu disco de estreia «Memoria», entre territórios de pós-metal, screamo e pós-black metal. A orientá-los, parece estar um proporcionado sentido de melodia e melancolia, mas o quinteto sabe bem como dinamizar e adensar os temas, sobretudo através das vocalizações desesperadas mas também de paredes de riffs que vão engrossando até se transformarem em explosões que libertam uma energia assinalável. Não é extremamente original, mas pela depressão que emana, «Memoria» pode agradar e/ou surpreender mesmo os fãs mais experientes de screamo/pós-(black) metal. (4/5)

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