POSTO DE ESCUTA 14.08.2014

Big Black CloudMúsica para ouvir em carros de viagem em auto-estrada, em noites (mais ou menos) tórridas, em MP3s cheios de areia e em cavernas escuras e cheias de sombra.

Avulsed_CarnivoracityAVULSED «Carnivoracity»
Xtreem Music
Para quem precisa de lições de história, digamos apenas que «Carnivoracity» foi, há precisamente duas décadas, o EP de estreia da mais importante banda espanhola de death metal – os Avulsed. Originalmente editado num EP de vinil branco, foi reeditado no ano seguinte em CD pela Repulse Records e volta agora à prensagem, numa edição em vinil de 12” e em CD, com os três temas originais (incluindo uma versão de «Demonic Possession» dos Pentagram) remasterizados e oito faixas bónus, gravadas ao vivo, com uma qualidade de som muito decente e, entre outros, duas canções do EP e uma versão de «Matando Gueros», dos Brujeria. Uma edição cheia de música doentia para gente de gostos doentios. (7/10)

BigBlackCloud_LessonsInFuckBIG BLACK CLOUD «Lessons In Fuck You 2»
Eolian Empire
Os Big Black Cloud são o tipo de banda que nos faz facilmente acreditar que o noise pode ser a próxima moda na música extrema. A furiosa mistura que a banda de Portland pratica, de noise, punk, psych e surf rock é uma coisa tão atonal, tão negra e tão sexy, que chega a ser quase mainstream. Os dez temas de «Lessons In Fuck You 2» podem ainda ser descritos como uma mistura de Dead Kennedys, Pere Ubu, The Melvins e Mingus, com nuances de filmes giallo dos anos 70. Gravado numa cave escura e decadente com uma mesa de mistura/gravações móvel, o EP está disponível em cassete (200 cópias, com código para download) e formato digital para quem se atrever a experimentar o mais libertino noise/psych/punk rock dos últimos tempos. (8/10)

Disharmonic_IlRitualeDeiDISHARMONIC «Il Rituale dei Non Morti»
Beyond… Prod.
Dark doom metal ritualista. É assim que os italianos Disharmonic descrevem a sua sonoridade, com alguma propriedade, diga-se. Nos três temas deste EP, gravados na mesma sessão do último disco «Carmini Mortis», o quarteto agarra-se a um lead repetido até ao ponto do transe, desenha padrões rítmicos ritualistas e vai alternando vários tipos de vocalizações, quase todas narradas ou em jeito de evangelização. Quase sempre em italiano. Depois, há sons estranhos a pairar, de instrumentos de sopro, a espalhar um ambiente jazzístico e psicadélico decadente. Os Disharmonic conseguem, no meio de alguma inocência salutar, soar verdadeiramente perturbadores e originais, mas a gravação deveria estar mais robusta para emergir melhor o ouvinte neste pesadelo sónico. (7/10)

Grifter_TheReturnOfGRIFTER «The Return Of The Bearded Brethren»
Ripple Music
Os anos 70 parecem ter incorporado nos ingleses Grifter, que recuperam boa parte do espírito musical da época e o aplicam como (quase) ninguém ao seu hard rock de riffs stoner. Quando comparado com a estreia, o novo disco «The Return Of The Bearded Brethen» carrega um pouco mais nas melodias e é mais assertivo e simples nos riffs, com a consequente orientação para as canções. O resultado é um belo conjunto de temas de hard rock/stoner com a cabeça nos anos 70 e os dois pés assentes na produção de agora. Esquecendo o óbvio da escolha, a versão de «Fairies Wear Boots», dos Black Sabbath, que encerra o disco, é um mimo. (7/10)

KhtoniikCerviiks_HeptaedroneKHTHONIIK CERVIIKS «Heptaedrone»
Iron Bonehead
Death/black/doom metal visceral ao ponto da fusão de partículas é a proposta dos alemães Khthoniik Cerviiks, que fazem do underground um lugar mais negro com esta maqueta de estreia (editada em cassete, pois claro). O trio de Dortmund não se poupa a blastbeats, a som directo e a vocalizações cavernosas em busca da sonoridade apocalíptica perfeita. Acaba com 44 minutos, divididos por sete faixas, que podem não acrescentar muito à colecção de quem segue o death/black sul-americano, mas cuja aura de podridão, maldade e trevas não deixa de ser um bálsamo agradável para quem pretende “lavar” os ouvidos com uma boa mão-cheia de vermes a rebentar de massa purulenta. (6/10)

Lucrate MilkLUCRATE MILK «I Love You Fuck Off»
Atypeek Music / Archives de la Zone Mondiale
Nascidos nos férteis últimos anos da década de 70 (duraram até 83), os Lucrate Milk foram uma das mais irónicas bandas da cena pós-punk francesa, chamando à sua música “no-wave” e começando o projecto por graffitar o nome da banda nas ruas de Paris (os dois fundadores eram distribuidores de leite e tinham, por isso, a oportunidade e o móbil) antes mesmo de darem o primeiro ensaio. Esta compilação de dois dos primeiros EPs do projecto, agora reeditada em vinil e formato digital, mostra também que o colectivo era fortemente motivado, energético e inventivo na sua abordagem anti-comerical, totalmente marada, ao pós-punk, regando as faixas a saxofone, desarmonias e com uma performance absolutamente incendiária da vocalista de ascendência americana, Nina Childress. Se alguma vez imaginaram os tetravós minimalistas e drogados dos Mindless Self Indulgence, «I Love You Fuck Off» pode ser o mais perto que alguma vez estarão disso. (6/10)

MachineGunKelly_LadyProwlerMACHINE GUN KELLY «Lady Prowler»
Beyond… Prod.
Percebe-se o que os Machine Gun Kelly tentam fazer. A sério que percebe. O hard/sleazy rock à antiga tem funcionado bem nos últimos anos, quando interpretado por nomes como Hardcore Superstar, Crashdiet ou Steel Panther. O problema é que os Machine Gun Kelly (ainda) não estão ao nível dos nomes grandes e o que propõem neste seu segundo álbum de originais é um conjunto de temas sem erros, mas mornos em termos de composição, melodia e peso e com a agravante do vocalista ter pouco carisma e um sotaque italiano meio carregado. Por isso, fica o interesse académico para quem gosta de hard/sleaze rock de meio de tabela e procura coisas mais obscuras e, de alguma forma, exóticas. (6/10)

Slaughterday_RavenousSLAUGHTERDAY «Ravenous»
FDA Rekotz
Quem gostou da abordagem seca, sem enfeites e old school dos alemães Slaughterday ao death metal na estreia do ano passado «Nightmare Vortex», tem aqui algo para fincar o dente. Em 20 minutos, os alemães despejam três novos temas e uma versão de «Ave Sathanas», dos Acheron, naquele estilo bruto/doentio de fortes influências doom, algures entre Asphyx e Bolt Thrower. Se a vossa cena é death metal maldoso, este MCD é algo a ter em conta. E a versão em vinil vermelho, limitada a 300 cópias, uma peça de colecção imperdível. (7/10)

TheUnchaining_RuinsAtDuskTHE UNCHAINING «Ruins At Dusk»
Behemoth Productions
Originalmente auto-editado em Outubro de 2013, este segundo álbum do projecto italiano The Unchaining vê agora um lançamento mais global através da Behemoth Productions. E em boa hora, porque a aura que rodeia o black metal atmosférico do disco remete o ouvinte para o que de melhor o estilo tem. É lo-fi na gravação, meio primitivo nas (raras) ocasiões em que recorre a blastbeats, mas extremamente emotivo nas atmosferas muito Vinterriket e nas secções a meio-tempo. O elemento – ou elementos – deste projecto mistério da zona de Gorizia não fazem um grande esforço para se afastarem do típico black metal ambiental, mas há alguma coisa de profundamente introspectivo e triste nas sete faixas de «Ruins At Dusk» e isso é mais do que a maioria das propostas do género conseguem fazer. (7/10)

TwitchingTonges_WorldWarLiveTWITCHING TONGUES «World War Live»
Closed Casket Activities
Não é certo se é um erro do comunicado de imprensa ou se os Twitching Tongues gravaram mesmo este disco ao vivo perante 20 (!) fãs aos gritos. Também não é muito perceptível pela gravação que, apesar de ser clara na captação da performance da banda, não deixa ouvir muito do público, embora se perceba que não está ali muita gente a assistir. O que fica claro é que, num set composto principalmente por temas do último disco de originais «In Love There Is No War» e depois complementado com alguns “clássicos” do álbum e EP que o antecederam, os Twitching Tongues são uma bem-oleada máquina de doom/stoner metal e rock com dobradiças hardcore. Os Crowbar e Corrosion Of Conformity devem ser fãs. (7/10)

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