POSTO DE ESCUTA 07.09.2014

AutumnsDawnEm época de regresso ao trabalho (e à escola) nada como um bom disco de black metal depressivo para nos guiar pelas ruas da amargura. Os Autumn’s Dawn têm a proposta perfeita, como vão ver já a seguir. Tirando isso, e movidos a calor, os Pallbearer parecem ser a nova sensação doom e os Steak têm um bom pedaço de rock do deserto a escorrer-lhes pelas mãos. Depois, há metal progressivo, power/death metal, heavy metal/hard rock, death/black/thrash metal dos infernos, pós-rock, pós-grunge e mesmo um disco de música contemporânea para ouvir. Porque no caminho para a escola (ou trabalho) há sempre uma esplanada e um pedaço de sol.

AutumnsDawn_GoneAUTUMN’S DAWN «Gone»
Eisenwald
O baterista, guitarrista e vocalista Sorrow (Germ, ex-Grey Waters, ex-Woods Of Desolation) e o baixista, guitarrista e teclista Anguish (Rise Of Avernus, Bane Of Isildur) apresentam-nos o disco de estreia de um magnífico projecto de black metal depressivo. «Gone» é pós-black metal, shoegaze e rock depressivo – e tudo o que está entre os géneros – feito com uma invulgar sensibilidade melódica, uma impressionante intensidade e consciência de como devem funcionar os contrastes entre ambos os lados da sua música. Como diz a editora, é como se os Sentenced e os Mono flirtasem com os Germ e com os Austere, enquanto os Amesoeurs assistem. Sim, é assim tão bom. (9/10)

CreationsEnd_MetaphysicalCREATION’S END «Metaphysical»
Pure Prog Records
Não é por acaso que, quando foi altura de montar a banda para acompanhá-lo na carreira a solo, James LaBrie escolheu os dois guitarristas dos Creation’s End. A banda nova-iorquina combina como poucas o aspecto melódico com arranjos progressivos e composição inovadora. O vocalista Mike DiMeo (ex-Riot, ex-Masterplan) tem também um papel preponderante no posicionamento de «Metaphysical», o segundo álbum dos Creation’s End, algures na linha imaginária que liga os Dream Theater aos Fates Warning. Embora não tenha nada de verdadeiramente próprio, o trabalho não fica a perder para nenhum dos seus “primos grandes” e pode perfeitamente fazer a banda ascender uns patamares no panteão do metal progressivo. (8/10)

CrimsonShadows_KingsAmongMenCRIMSON SHADOWS «Kings Among Men»
Napalm Records
Vencedores da edição do ano passado do Wacken Metal Battle, os canadianos Crimson Shadows chegam à Napalm Records para editar o segundo disco e convencer o mundo. A mistura de power metal e death metal melódico que praticam é agressiva, tocada nas horas de estalar e justifica plenamente a descrição “Uma mistura de Dragonforce, Children Of Bodom e Amon Amarth” que a editora gosta de fazer. O material de «Kings Among Men» é rápido, dinâmico, agressivo e bem tocado, fazendo esquecer por completo que os Crimson Shadows não estão a reinventar a roda – apenas a estão a fazer correr mais rápido por uma ribanceira abaixo. (8/10)

PrintDEED IN KARMA «Good Dog»
Target Records
O vocalista e mentor dos Deed In Karma, Jonas Kasper, podia ser apenas outro músico a lutar pela vida e à procura de financiamento para o disco de estreia da sua banda. Mas não é. A amizade que tem com o ex-futebolista dinamarquês Thomas Gravesen (que chegou a jogar no Real Madrid na década de 90) fez com que este último “patrocinasse” a gravação da estreia do projecto de Kasper. O senhor não se fez rogado, juntou à sua volta gente dos Maceration e Savage Affair e fez «Good Dog», um disco de rock/pós-grunge que deve a alma aos Foo Fighters e aos Soundgarden. E, ao dizermos “deve a alma”, queremos dizer que os Deed In Karma tentam aproximar-se, estilisticamente, o mais que podem dos seus ídolos. O resultado é um pouco apagado em termos de vitalidade e melodia, mas nunca lhe falta motivação, competência técnica e uma boa consciência de como funciona o pós-grunge. (6/10)

Faithsedge_TheAnswerOfFAITHSEDGE «The Answer Of Insanity»
Scarlet Records
Segundo álbum da banda liderada pelo vocalista/baixista de origem italiana Giancarlo Floridia, actualmente radicado na Califórnia, que se rodeou de uma série de músicos da cena local de heavy metal/hard rock para fazer um daqueles projectos híbridos. E, se o disco de estreia homónimo pecava por ser um pouco discreto e baço na composição, esta segunda proposta vem limar um pouco essa aresta, aproveitando para disparar uma série de temas mais simples e directos, sem o lado progressivo do trabalho anterior mas com um maior pragmatismo. Ainda não é brutalmente eficaz e cheio de melodias de derreter o cérebro, mas com a insistência certa já se pode tornar um disquinho de hard’n’heavy viciante e difícil de tirar do leitor. (6/10)

FedericoAlbanese_TheHouseBoatAndTheMoonFEDERICO ALBANESE «The Houseboat And The Moon Reworked»
Denovali
Quem deixou passar em claro, no início do ano, «The Houseboat And The Moon», ou não é fã de música vanguardista, minimal e contemporânea tocada ao piano, ou precisa de conhecer Federico Albanese. E, assim que conhecer e se deixar emergir por esse disco, tem aqui já um EP para complementá-lo. «The Houseboat And The Moon Reworked» são quatro faixas do álbum de Federico Albanese retrabalhadas (ler “com novas roupagens electrónicas, e/ou atmosféricas”) feitas à imagem da postura e genialidade de gente como John Lemke e Franz Kirmann (dos Piano Interrupted) e, colectivamente, também pelos Saffronkeira e Cassegrain. São novas formas, sublimes e alternativas, de explorar a arte altamente evocativa de Albanese. Agora é que não há desculpas. (8/10)

ForceOfDarkness_AbsoluteVerbOfFORCE OF DARKNESS «Absolute Verb Of Chaos And Darkness»
Hells Headbangers
Editado originalmente no início do ano em vinil, o novo EP dos chilenos Force Of Darkness chega agora ao formato CD, para quem não tinha aprendido devidamente a autêntica lição de death/black/thrash metal dada nos seis temas. As influências são claras – Sarcofago, Kreator antigo, Sodom antigo, Vulcano – mas o trio de Santiago consegue dar à música uma dinâmica muito actual (em boa parte devido ao ataque vocal bárbaro de Nabucodonosor III), envolta numa sonoridade tão obscura e underground que parece gravada nos estúdios do Inferno. (7/10)

Pallbearer_FoundationsOfBurdenPALLBEARER «Foundations Of Burden»
Profound Lore
Não é fácil criar uma banda de doom metal hoje em dia e sobressair, mas os norte-americanos Pallbearer conseguiram-no, em parte devido ao talento demonstrado na estreia «Sorrow And Extiction» em 2012, em parte devido à associação da banda à influente editora Profound Lore. Agora o efeito surpresa foi-se e o quarteto propõe um conjunto de temas mais melódico e introspectivo, de vocalizações mais “limpas” que, mantendo o trabalho de riffs impecável e a inspiração dos solos do primeiro disco, consegue repetir a proeza de se destacar no mar de lançamentos mensal do estilo. «Foundations Of Burden» é um disco de doom de hoje, distorcido e com um robusto low end, mas de inegável espírito da década de 70, com o consequente legado de classicismo. (8/10)

SetAndSetting_AVividMemorySET AND SETTING «A Vivid Memory»
Prosthetic Records
Pós-rock qualquer banda toca. Pós-rock com a qualidade e os extremos que os Set And Setting apresentam neste seu segundo disco é que não é para todos. Pegando numa receita mais batida que um tapete de café, o colectivo norte-americano aposta em drones subtis no baixo, ambientes mais expansivos do que a concorrência e melodias verdadeiramente inspiradoras para se destacar no difícil campeonato pós-rock instrumental. E, não reinventando o estilo e nem sendo nada que convença quem acha que já ouviu tudo o que o género tinha para dar, «A Vivid Memory» acaba por propor uma série de arranjos muito decentes e atmosferas verdadeiramente envolventes. (7/10)

DAX112XT.pdfSTEAK «Slab City»
Napalm Records
Depois de um par de EPs que serviram para colocar a banda no mapa, os ingleses Steak estreiam-se nos discos completos com «Slab City». O stoner rock de influências psicadélicas da banda funciona igualmente quando o que está em questão é uma dezena de canções, e não apenas quatro ou cinco. As referências a Kyuss são mais que óbvias, assim como uma certa tendência para o spacey retirada dos discos dos Monster Magnet, mas os Steak combinam essas influências com uma sonoridade incrivelmente seca, uma distorção de guitarra levada ao extremo e canções que ardem em lume brando mas para as quais nunca parece acabar-se o combustível da inspiração. (6/10)

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