POSTO DE ESCUTA 22.09.2014

IronReagan copyA semana começa bem, com um posto de escuta recheado de coisas boas e pesadas. O destaque vai direitinho para a tempestade crossover dos Iron Reagan, mas também vale a pena ouvir o doom/rock ocultista dos Albez Duz, o black/speed metal dos Bunker 66 e o sludge/doom de última geração dos Earthship. Mas também temos propostas para quem gosta de death metal, death/black/doom, heavy/power metal, thrash, noisecore e heavy metal da velha guarda. Boa semana.

AlbezDuz_TheComingOfALBEZ DUZ «The Coming Of Mictlan»
Iron Bonehead
Eles chamam à sua música “doom rock ocultista”, o Metal Archives descreve-a como “doom metal gótico” e a editora usa as expressões “doom metal”, “rock psicadélico”, “dark ambient” e “neo-folk”. Isto diz bem do espectro musical que os alemães Albez Duz invocam com «The Coming Of Mictlan», o seu segundo álbum de originais. Do mais delicado doom rock ocultista acústico aos riffs primitivos inspirados em Helhammer, sempre com vocalizações limpas e graves à Nick Cave, o duo composto por Impurus (Dies Ater) e Alfonso Brito Lopez navega num mar de hipnotismo, misticismo e romanticismo obscuro. A versão de «Twist In My Sobriety», de Tanita Tikaram, confirma a tendência para a beleza estranha e para mistificar o obscuro. Isto é um nível completamente diferente do doom rock ocultista bonitinho dos Ghost. Isto é o lado negro. (8/10)

AscendedDead_ArcanaMalevolenceASCENDED DEAD «Arcane Malevolence»
Blood Harvest
Com elementos dos Ghoulgotha, Weightlessness, Archaic Mortuary e Invocation War, os Ascended Dead são um grupo de gente reunida com um único propósito: tocar death metal caótico e preto que honre o legado dos Possessed, Necrovore, Morbid Angel e Sarcofago. «Arcane Malevolence», o EP 7” de quatro faixas agora editado, consegue-o até certo ponto, num disparar quase incessante de blastbeats, mudanças de tempo, vocalizações iradas e solos cortantes. Tem aquela dose de disparate que os fãs do mais extremo dos estilos extremos apreciam, mas quem não perceber o lado nonsense desta abordagem infernal, não tem nada de realmente atractivo em «Arcane Malevolence». (6/10)

Bunker66_ScreamingRockBelieversBUNKER 66 «Sceaming Rock Believers»
High Roller Records
Quem ouviu o disco de estreia de 2012 «Infernö Interceptörs», sabe bem o tipo de black/speed metal old school que os italianos Bunker 66 conseguem invocar. Agora, ninguém esperava que o trio ficasse completamente livre de amarras logo à segunda proposta. É que começar um álbum com uma versão («Seduce Me Tonight») do mais maldito dos álbuns dos Celtic Frost («Cold Lake»), dar menos gain à guitarra, menos distorção ao baixo, gamar um riff a Mötley Crüe e tentar mesmo chegar ao tom de King Diamond de «Don’t Break The Oath», falhando assumida e miseravelmente… Faz de «Screaming Rock Believers» uma das mais deliciosas e convincentes misturas de Venom, Discharge, Celtic Frost e Sodom que é possível ouvir hoje em dia. Crash & burn! (8/10)

Earthship_WitheredEARTHSHIP «Withered»
PelAgic Records
Iniciados pelo ex-baterista dos The Ocean Jan Oberg, que aqui se dedica às guitarras e à voz, os Earthship praticam uma feliz mistura de sludge, doom, metalcore progressivo e death metal sueco. Ao contrário do que seria de esperar, no entanto, a receita musical do quarteto é esclarecida e não tem nenhum do generalismo de que as jovens bandas de sludge padecem actualmente. «Withered», o terceiro longa-duração do colectivo, baseia-se na variedade (doomcore à Crowbar numas faixas, doom rock à Black Sabbath noutras, sludge progressivo à Mastodon noutras), numa abordagem um tudo-nada mais melódica no departamento vocal e propõe um dos mais sólidos conjuntos de canções sludge/doom que a segunda metade de 2014 vai ter. (8/10)

Ghoulgotha_PropheticOrationGHOULGOTHA «Prophetic Oration»
Blood Harvest
O death metal dos anos 90 tem sido uma infindável fonte de inspiração para novas bandas, mas os norte-americanos Ghoulgotha, apesar de serem um projecto relativamente recente, dificilmente se podem considerar uns “novatos”. Não quando se tem um vocalista e guitarrista como W. Sarantopoulos, um dos mais activos músicos da cena californiana, membro e ex-membro de dezenas de grupos como Decrepitaph, Festered ou Beyond Hell. Por isso, esperem a mais negra das abordagens, em dois temas de death metal cavernoso profundamente influenciado pelo black metal e pelo doom, vindos directamente das profundezas dos infernos. Bons riffs, estruturas complexas e um som tão underground, tão envolvente, que é preciso tomar banho assim que os 12 minutos se extinguem. (7/10)

Gunfire_AgeOfSupremacyGUNFIRE «Age Of Supremacy»
Jolly Roger Records
Precisamente uma década depois do único álbum que lançaram até ao momento, os italianos Gunfire estão de regresso às edições com uma nova proposta e uma sonoridade renovada para o seu heavy/power metal. É natural que dez anos tragam evolução a uma banda, mas no caso dos Gunfire, «Age Of Supremacy» revela uma abordagem mais abrangente e inteligente, num estilo que continua baseado nos pilares do heavy/power metal clássico de ocasionais influências speed metal do passado, mas que inclui também momentos progressivos e de heavy/doom metal épico. A qualidade dos arranjos, a coesão técnica da banda e uma visão bastante esclarecida da sua própria postura estilística tratam, depois, de tornar «Age Of Supremacy» uma boa experiência auditiva para admiradores de metal tradicional com dois dedos de testa. (7/10)

IronReagan_TheTyrannyOfIRON REAGAN «Tyranny Of Will»
Relapse Records
Quando elementos dos Municipal Waste, Darkest Hour e Mammoth Grinder se juntam para tocar crossover thrash/hardcore/punk, a coisa pode ficar séria. «Tyranny Of Will», o segundo álbum dos Iron Reagan, mostra precisamente quão séria. 24 curtas canções de rapidez parva, riffs cortantes e a voz juvenil de Tony Foresta a fazer uma cena tão despreocupada, tão dinâmica, tão energética que causaria inveja aos próprios D.R.I.. O crossover já tinha ganho uns novos heróis com o disco de estreia dos Iron Reagan o ano passado. Agora ganhou um clássico incontornável que marcará os padrões do género para as gerações vindouras. (9/10)

Pord_WildPORD «Wild»
Solar Flare Records
Nada estranhos para quem segue o submundo do noisecore, os franceses Pord estão de regressos aos álbuns de estúdio com «Wild», uma colecção de temas que, não levando a abordagem do grupo mais longe, revitaliza-a com ideias frescas e novas dinâmicas. O principal ênfase continua a estar na poderosa secção rítmica, em que o baixo ganha particular relevo, mas com as vocalizações torturadas de Mike Paulhac logo ali, a ameaçar tomar conta do circo a qualquer momento e pegar-lhe fogo. É uma proposta imprevisível, (quase fisicamente) perigosa e selvaticamente experimental, capaz de agradara fãs de coisas mais noise/rock como Keelhaul ou Craw, concentrando-se nessa narrativa musical específica e raramente se preocupando em fazer o crossover para outras coisas. (7/10)

Raff_RaffRAFF «Raff»
Jolly Roger Records
Os Raff foram uma das muitas bandas de heavy metal que enriqueceram a cena italiana nos anos 80 e que entretanto se desvaneceram com o tempo, influenciando no entanto toda uma geração que fez do power metal e do metal progressivo a sua bandeira. A novidade é que dois terços dos Raff originais voltaram ao activo no início da década passada e regravaram recentemente alguns dos temas que tinham ficado de fora da sessão de produção do seu primeiro e único álbum, «Gates Of Fortune», editado em 1983. O resultado é uma colecção de temas da velha guarda italiana, naturalmente influenciados por coisas como Accept ou Judas Priest, com um bom trabalho de solos de guitarra e uma sensibilidade melódica apurada. Tão old school que roça o datado, mas interessante à mesma. (7/10)

ThrashBombz_DawnTHRASH BOMBZ «Dawn»
FDA Rekotz
Heróis thrash na região siciliana, a aura de popularidade dos Thrash Bombz dilui-se um pouco quando chegam à cena internacional, mas não certamente por falta de qualidade da sua abordagem. Os riffs são rápidos, a composição é variada e as influências certas parecem estar todas encaixadas nos locais certos na música do quinteto. O problema pode estar no facto de tocarem thrash com influências death metal, com cheiro a velha guarda, como um sem número de outras bandas fazem hoje em dia. Isso não deve impedir, no entanto, que quem adquira este novo EP de seis faixas da banda não tenha direito a 21 minutos de puro e simples divertimento metálico, sem complicações, reinvenções de roda ou pós-coiso. (7/10)

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