POSTO DE ESCUTA 29.09.2014

ObscureBurial copyBem-vindos a mais uma semana de trabalho e à sua banda-sonora. Desta vez concentramo-nos em sonoridades mais “clássicas” (há um disco de TNT ao vivo para “picar”, mas também uma coisa chamada Sea para descobrir. Mas o lado extremo também está em grande: do excelente death metal old school dos Desecration ao black/death metal dos Obscure Burial, passando pela glorificação cristã dos Reverorum Ib Malacht, há um pouco de tudo. Depois, o regresso do nu-metal – agora a sério – dos Nonpoint e o punk/indi/lo-fi dos Tyred Eyes completam o rol de propostas a experimentar nos próximos dias. Até chegar o fim-de-semana outra vez.

Execration_MorbidDimensionsEXECRATION «Morbid Dimensions»
Duplicate Records
Ao longo de uma carreira que, apesar de relativamente curta, já lhes valeu cinco lançamentos oficiais (um EP, um split e três álbuns de originais, incluindo este), os noruegueses Exectration conseguiram provar que são mais do que apenas uma bandeca a praticar o habitual death metal retro. Em «Morbid Dimensions» voltam a fazê-lo, injectando doom, black metal, heavy metal clássico e fortes doses de ambientes mórbidos num bom trabalho de riffs, leads de guitarra e vocalizações old school. O resultado é brilhante, naquele género de genialidade underground épica muito própria da Escandinávia que tão facilmente vende a alma à primeira maqueta dos Mayhem como aos lançamentos clássicos dos Asphyx e Bolt Thrower. (8/10)

Finch_BackToOblivionFINCH «Back To Oblivion»
Spinefarm Records
Para além de uma sonoridade pós-hardcore algo interessante, os norte-americanos Finch são conhecidos por terem tido dois hiatos assumidos de carreira em pouco mais de uma década (entre 2006 e 2007 e entre 2010 e 2012). Neste segundo regresso, o quinteto californiano propõe uma colecção de canções de sensibilidade melódica quase-Neurosis, enquanto instrumentalmente segue as influências tradicionais do género, assumindo ainda alguma inspiração de rock alternativo e pormenores melódicos como o uso de violino na faixa «Inferium». É bem feito, viciante após algumas audições e, pese embora não acrescente nada ao pós-hardcore melódico, convence facilmente os tradicionais fãs do estilo. (7/10)

Monvolland_KwadeVaartMONDVOLLAND «Kwade vaart»
Heidens Hart Records
Baseado, em termos de letras, no folclore mais negro da região holandesa de Geldeland, o segundo álbum dos Mondvolland encontra a temática perfeita para o seu black metal assimétrico, mistura do vanguardismo dos Virus, da estética escandinava dos Kampfar e da herança folk dos Helheim. Não é uma mistura perfeita, mas a rugosidade do som, a diferença nas texturas e nos estilos e a forma bizarra como a banda muda a “agulha” da composição repentinamente, de uma canção para outra, dá a «Kwade vaart» uma personalidade musical vincada e única. Infelizmente, este que é o segundo longa-duração do projecto vai ser também o último, uma vez que a banda se separará após o concerto de apresentação do álbum, em Novembro. (7/10)

Nonpoint _TheReturnNONPOINT «The Return»
Metal Blade
Quando se preparam para celebrar década e meia de carreira e a editar o oitavo álbum de originais, os norte-americanos Nonpoint têm finalmente a honestidade e coragem de regressar às raízes nu-metal, propondo um conjunto de temas mais dinâmico, de personalidade musical mais vincada e em última análise mais apreciável. É claro que os haters de nu-metal já nem sequer estão a ler isto e já estão à procura da pomada para as alergias, mas há que reconhecer que a mistura do metal alternativo dos Fair To Midland, da energia dos Disturbed e da melancolia dos Ill Ninõ é funcional e tem o seu valor artístico. E não merece ser colocada no mesmo “saco” de Limp Bizkits e afins. (7/10)

ObscureBurial_EpiphanyOBSCURE BURIAL «Epiphany»
Invictus Productions
Formados em 2012 por elementos de Urgamla, Ancestors Blood e Inferi, os finlandeses Obscure Burial não perderam tempo e editaram, logo nesse ano, uma rehearsal-tape e uma demo-tape. Agora, a segunda maqueta (em cassete, pois claro) vem confirmar a queda do quarteto oriundo de Turku para o black/death metal underground, porco e ocultista, fortemente influenciado por bandas como Possessed, Necrovore e Profanatica. A inspiração está lá, a sonoridade certa também e títulos como «Night Queen» e «Demonic Incantation» ajudam a dar a esta cassete aquela aura de culto underground à antiga que os Obscure Burial bem merecem. O black/death metal mais agressivo e teimoso nunca soou tão bem. (8/10)

12 Jacket (Gatefold - One Pocket) [GDOB2-30CH-001]REVERORUM IB MALACHT «De Mysteriis Dom Christii»
The Ajna Offensive
Como parte da comunidade sueca de black metal “anti-cósmico”, os Reverum Ib Malacht editaram duas maquetas até 2009 e firmaram um nome mais ou menos respeitável no underground local. No entanto, antes do disco de estreia, converteram-se ao catolicismo, deram uma série de entrevistas que chocaram a família black metal e ficaram sob os holofotes da cena. «De Mysteriis Dom Christii» é o trabalho que se segue e, pese embora a mistura do duo de black metal lo-fi com dark ambient e abordagem vanguardista possa ser considerada interessante mas meio standard quando comparada com as realidades de Emit ou Alpha Drone, a verdade é que sabermos que esta música glorifica o cristo e o seu pai muda tudo e dá um novo sentido aos adjectivos “escuridão” e “retorcido”. (7/10)

Sea_SeaSEA «Sea»
Mighty Music
Heavy rock à antiga é a aposta dos dinamarqueses Sea, que se estreiam com este disco homónimo e que apostam numa receita musical que tenta aproveitar tudo – do hard rock clássico dos Thin Lizzy ao blues rock de última geração dos Rival Sons, passando pela melancolia inteligente dos Alice In Chains e pelo heavy metal inteporal dos Iron Maiden. O resultado é um conjunto de canções que funcionam bem (a banda resiste à tentação de misturar tudo em todas as faixas), mas às quais falta um pouco de brilhantismo na composição para que os Sea expludam verdadeiramente. Muito suor, entusiasmo e uma boa receita estilística em mãos, no entanto, podem valer-lhes um punhado de fãs entre a horda que procura hoje o heavy rock clássico dos anos 70. (7/10)

TNT_30thAnniversaryTNT «30th Anniversary 1982-2012 Live In Concert»
Indie Recordings
Autêntica instituição do heavy metal/hard rock nórdico, os TNT celebraram, em 2012, três décadas de carreira. Para assinalar a ocasião o grupo reuniu-se com o seu mais carismático vocalista – Tony Harnell, que tinha estado na banda entre 1984 e 2006 – e deu um concerto especial com a Trondheim Symphony Orchestra, em que tocou os principais temas dos seus 12 discos de estúdio e 30 anos de actividade. A performance é memorável, o grau de entrosamento com a orquestra demonstra um grande trabalho de ensaios e o concerto está bem captado e filmado (o lançamento é feito em CD duplo e DVD). O documento certo para relembrar e assinalar uma data redonda e o incontornável legado artístico de um dos grandes nomes do heavy metal/hard rock escandinavo. (8/10)

TyredEyes_ElevatorTYRED EYES «Elevator»
Gaphals
Fortemente inspirados pelas bandas indi/lo-fi dos anos 90 e por muito do punk que se fez na década de 70, os suecos Tyred Eyes construiram uma sólida e invejável reputação com dois EPs e um álbum de originais editados entre 2011 e 2013. «Elevator», o segundo longa-duração, vem confirmar as boas indicações com um conjunto de temas mais negro (parece que um amigo chegado da banda faleceu enquanto o disco era composto), mas com o mesmo tipo de simplicidade desarmante em canções que inspiram o charme retro enquanto expiram a aura contemporânea de coisas como Beastmilk. Passa-se definitivamente alguma coisa na Escandinávia. (7/10)

Zephyra_MentalAbsolutionZEPHYRA «Mental Absolution»
WormHoleDeath
Há alguma coisa de incrivelmente refrescante na mistura de thrash, death metal melódico e power metal que os suecos Zephyra praticam. As vocalizações femininas de Åsa Netterbrant dão-lhe um toque muito In-This-Moment-álbum-The-Dream, mas os encantos e o talento da banda não se esgotam na modernidade e sofisticação da sua abordagem. Há uma boa interação com o lado agressivo da voz masculina, mas também uma dinâmica acentuada entre riffs orelhudos e heavy metal quase épico. Imaginem uma mistura de Arch Enemy, In This Moment e The Agonist e não andarão longe do que «Mental Absolution», o disco de estreia do grupo, vos pode oferecer. (7/10)

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