POSTO DE ESCUTA 01.10.2014

Alunah_A semana ainda vai a meio e já vos estamos a propôr mais uma dezena de disquinhos para audição atenta. A culpa é da quantidade de edições a saírem constantemente. Mas também, deixar passar em claro o thrash/death metal melódico energético dos Aghast!, o doom/stoner mágico dos Alunah, o black metal misterioso dos Woodtemple ou a maluquice noise/drone dos Vampillia seria um atentado à boa música. Conheçam estes – e muitos mais – novos discos no mercado no Posto de Escuta de meio da semana que agora vos propomos.

Aghast_AllTheRageAGHAST! «All The Rage»
Auto-financiado
Aqui estão os Aghast!. Como se fossem necessárias mais provas de que o melhor metal não tem de ser sobre-pensado e nem estar em editoras grandes. O disco de estúdio dos ingleses tem um thrash/death metal melódico absolutamente em brasa, cheio de modernices mas também com o melhor do lado clássico de ambos os géneros. Imaginem os Blacksunrise e os The Black Dahlia Murder juntos e cheios de vontade de matar alguém. «All The Rage» é tudo isto, feito com um assinalável sentido de dinâmica e sem qualquer ponto fraco. O facto de ser um auto-lançamento só prova que o pessoal das editoras anda mesmo a dormir. (8/10)

Alunah_AwakeningTheForestALUNAH «Awakening The Forest»
Napalm Records
O doom/stoner metal mágico, psicadélico e naturista dos britânicos Alunah tem tudo para convencer os fãs do género ao chegar a este terceiro álbum de originais. Os riffs são bons, os solos também, a voz de Sophie Day é um misto de melancolia doom com blues sem esperança e cada uma das seis canções funciona na perfeição, sem gorduras desnecessárias. Não é altamente original, mas é competente e tem aura. Uma das mais impressionantes propostas de doom/stoner desolado dos últimos tempos. (9/10)

CD4PGBUTCHER BABIES «Uncovered»
Century Media
Depois do relativo sucesso comercial da estreia (misto de fusão explosiva de thrash, groove metal e industrial e do ar, digamos, saudável e da pouca roupa das vocalistas Heidi Sheperd e Carla Harvey), os Butcher Babies estão de volta para o convencional EP de versões. Temas de ZZ Top («Beer Drinkers & Hellraisers»), Napoleon XIV («They’re Coming To Take Me Away»), The Osmonds («Crazy Horses»,) S.O.D. («Pussy Whipped») e Suicidal Tendencies («Don’t Give A Fuck») mostram algumas das influências da banda e levam o tratamento groove-moderno-à-In-This-Moment que parece suficiente para dar seguimento ao momentum do projecto. (7/10)

claw-booklet.inddCLAW «Claw»
Czar Of Crickets Productions
Thrash/heavy metal mais ou menos tradicional é a proposta dos suíços Claw neste disco de estreia homónimo. No entanto, há uma ou duas nuances que levam a banda um pouco mais longe do que ser apenas um clone moderno dos Megadeth. Há uma sensibilidade melódica e de afinação de guitarras que faz lembrar o heavy metal/hard rock melancólico dos Sentenced (eles preferem citar Paradise Lost na lista de influências) e uma liberdade de composição que resulta em brilhantes faixas épicas como «The Alphapocalypse», que encerra o disco, e que passa por vários momentos distintos, incluindo uma abertura black metal. Ideal para quem procura coisas diferentes dentro do thrash mais ou menos tradicional. (7/10)

01Layout01.cdrFROM THE VASTLAND «Temple Of Daevas»
Non Serviam Records
O terceiro álbum deste projecto levado a cabo pelo iraniano Sina é uma espécie de súmula do black metal cru e atmosférico que o multi-instrumentista tem vindo a fazer, com menos influências orientais (ou pelo menos dispostas de maneira menos directa) e com um lado mais directo e pesado. Não é uma mudança radical, mas é suficiente para percebermos para onde se dirige o senhor e para que os riffs de guitarra ganhem o protagonismo que não tinham em nenhuma das duas anteriores propostas. O material exigia, no entanto, uma produção um pouco mais poderosa e «Temple Of Daevas» ainda cai frequentemente num remoinho de influências genéricas que não beneficia o projecto. Ainda assim, apresenta evolução e é uma colecção de temas de black metal atmosférico a levar em conta pelos fãs do género. (7/10)

JackieD_SymphoniesFromTheJACKIE D «Symphonies From The City»
Infected Records
É a resposta nacional ao avanço do hardcore/punk sulista, sleazy e bluesy de bandas como Cancer Bats, Every Time I Die ou The Bronx. Os Jackie D, formados por elementos dos Grankapo, Barafunda Total e Custom Circus, estreiam-se com um álbum de uma dezena de faixas que cumpre todos os preceitos do estilo, goza de boa produção e tem uma boa energia. Ainda não é propriamente explosivo, mas a coisa pode ganhar novos contornos ao vivo, se levarmos em conta a experiência dos elementos do projecto. É, sobretudo, um bom disquinho para quem gosta do lado mais descontraído, rock e sulista do punk/hardcore apoiar a cena nacional. (7/10)

130219_NB_ROAR_Booklet_01.inddNICKE BORG HOMELAND «Ruins Of A Riot»
Gain Music
Quando é o próprio Nicke Borg a descrever este seu projecto pessoal como uma “versão americana” da sua banda principal – Backyard Babies – estamos conversados. Para o melhor e para o pior, a descrição corresponde à realidade, como este terceiro disco de originais confirma. «Ruins Of A Riot» é um conjunto de temas com uma consciência melódica mais apurada, mais redondinho e fácil de ouvir, mas sem o lado cru e punk da influente banda sueca. A novidade parece ser o facto de Borg não se ter esgotado de boas canções em dois longa-duração e esta terceira proposta manter uma muito decente linhagem de canções-que-podem-ser-singles. São as melhores notícias para os apreciadores deste lado mais sensível, estereotipado e comercial do guitarrista/vocalista que mantém, ainda assim, um padrão de qualidade invejável. (7/10)

NorthernOak_OfRootsAndNORTHERN OAK «Of Roots And Flesh»
Auto-financiado
A trabalhar numa base de independência desde que se formaram há oito anos atrás, os ingleses Northern Oak financiaram este terceiro álbum de originais inteiramente com uma campanha no Kickstarter, o que mostra bem a quantidade de gente que o seu folk metal progressivo já tocou. A evolução continua em «Of Roots And Flesh», proposta mais coesa – mas também mais variada – onde, para além de uma parede de distorção mais intensa a alimentar o lado black metal da sua receita, o sexteto mostra um melhor entrosamento nas melodias medievais, na instrumentação acústica (principalmente flauta) e consegue ir mais longe em termos estilísticos, misturando algum doom ocasional na abordagem. O resultado, reforçado pelos créditos de produção de Chris Felding (Primordial, Electric Wizard, Conan), é uma interessante mistura de Primordial, Cruachan e Forefather. (7/10)

Vampillia_AlchemicHeartVAMPILLIA «Alchemic Heart»
Temple Of Torturous
Os japoneses Vampillia são uma contradição em movimento. Para além do nome francamente ridículo, de terem 11(!) pessoas na banda (incluindo vários vocalistas, violinistas, guitarristas, um pianista, um DJ e um baixista) chamam ao projecto uma “orquestra brutal”. Depois, qualquer coisa pode vir dali. No caso deste LP em vinil editado pela Temple Of Torturous, são duas longas faixas, cada uma com 22 minutos e meio, chamadas respectivamente «Sea» e «Land». «Sea» é um exercício de contenção e ambiente distorcido com as sábias palavras de Jarboe (sobre inalar trevas e exalar luz e paz) a pontuar o tema. «Land» é puro noise experimental e drone, com Merzbow a andar por ali a fazer as honras da casa. Desagradável, intrigante e fascinante. (8/10)

Woodtemple_ForgottenPrideWOODTEMPLE «Forgotten Pride»
Sacrilege Records
Woodtemple, o projecto de black metal pagão do austríaco Aramath, chega com «Forgotten Pride» ao seu quinto álbum de originais com uma sonoridade bastante distinta. Os riffs são melancólicos, os padrões rítmicos são inteligentes e variados e as vocalizações são um rosno distorcido e odioso, de vez em quando quebrado por cantos épicos. A mistura sonora é também muito própria, com a bateria bem à frente na produção, assim como as partes atmosféricas de teclados, enquanto os riffs e a voz se mantêm ameaçadoramente lá atrás. É uma boa variação do heathen black metal habitual, pese embora as influências sejam as mesmas e os elementos musicais, bem vistas as coisas, também. O que Aramath faz com eles, no entanto, é pura arte. (8/10)

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