POSTO DE ESCUTA 06.10.2014

Inter Arma copyMais uma semana que começa, mais um posto de escuta para animar a segunda-feira. Se esta semana nos concentramos particularmente no power metal e no black metal, convém não esquecermos duas propostas de sludge que podem abanar os vossos dias: os Inter Arma com o seu estilo negro e o split dos deuses lusos Process Of Guilt com os suíços Rorcal. Mas há mais: os fanáticos do speed/thrash têm nos Tyranex uma boa proposta à espera de ser descoberta e as mentes mais melancólicas têm, no novo disco dos Atrum Tempestas, um mar de prostração e meditação para mergulhar de cabeça. Boa semana.

AtrumTempestas_NeantATRUM TEMPESTAS «Néant»
Nordavind Records
Se o black metal atmosférico precisa de desespero e desolação na cabeça dos seus executantes para soar verdadeiramente bem, um projecto finlandês terá sempre primazia qualitativa neste terreno. Sobretudo se contar com Perttunen, vocalista dos Catamenia, envolvido por puro amor ao lado mais melancólico dos estilos extremos. Por isso, «Néant», o álbum de estreia dos Atrum Tempestas, é uma espécie de banho de imersão no mais desolado espírito finlandês, com ocasionais incursões pelo pós-rock e uma inesperada desenvoltura na textura atmosférica. O lado distorcido e agressivo do black metal, embora algo tradicional, providencia um bom equilíbrio à metade emocional da receita musical dos Atrum Tempestas e o balanço final só pode ser positivo, num daqueles disquinhos que é bom ter lá por casa para quando a melancolia precisa de uma banda-sonora. (8/10)

Betoken_BeyondRedemptionBETOKEN «Beyond Redemption»
Buil2Kill Records
Apesar de algo incongruentes na abordagem temática (foram de escrever e interpretar os temas de abertura dos combates Federação Italiana de Wrestling a um conceito sobre “A Trágica História do Doutor Fausto”, de Christopher Marlowe, em poucos anos), os italianos Betoken não são novatos no power metal e este disco prova-o. Apesar de algo “presas” ao tal conceito faustiano, as canções de «Beyond Redemption» passeiam uma considerável experiência ao nível de power metal enriquecido com influências progressivas e neo-clássicas. O lado “teatral” dá ao disco um aspecto mais dramático e uma maior variedade vocal que agradará certamente a fãs de Rhapsody e afins, pese embora os Betoken sejam menos opulentos na abordagem musical e sinfónica. Ainda assim, vale a pena para quem está dentro do género. (7/10)

DestructiveExplosionOfAnalGarland_TourDeAnalDESTRUCTIVE EXPLOSION OF ANAL GARLAND «Tour De Anal»
Bizarre Leprous Production
Depois de lançarem dois álbuns e um split CD com (Robufaso Mukufo) em três anos entre 2006 e 2009, os checos Destructive Explosion Of Anal Garland atravessaram um período de menor fulgor editorial, mas estão agora de volta com mais uma generosa dose de goregrind com forte pendor sexual. Na boa tradição checa, o quarteto de Praga não deixa nada por dizer, nenhum breakdown por fazer e nenhum rosno por debitar. É rápido, forte e feio, mas nunca descura uma boa dose de groove que equilibra os temas e dá sempre uma generosa fatia de divertimento a quem ouve grind. A última das 20 faixas é uma versão de «Wolverine Blues», dos Entombed, elevada à quinta casa do death/grind. (7/10)

EvilScarecrow_GalacticHuntEVIL SCARECROW «Galactic Hunt»
Auto-financiado
Contra todas as expectativas, o projecto inglês de black metal humorístico Evil Scarecrow está bem activo ao fim de uma dúzia de anos de actividade e chega agora ao seu terceiro álbum de originais. Entre um sentido de humor muito britânico, ocasionais referências a temáticas espaciais que fazem lembrar os GWAR e uma música escrita sobre um robot(!), o quinteto de Nottingham consegue, para fúria dos puristas do estilo que não podem com ele, sacar umas boas canções de black metal melódico, sinfónico e épico. Pensem no projecto “Ziltoid”, de Devin Townsend, aplicado ao black metal e ao humor britânico e terão uma ideia do que «Galactic Hunt» e os Evil Scarecrow vos pode oferecer. Idiossincrático, mas dá para uns bons headbangings e para dar algum descanso aos discos dos Bal-Sagoth e Cradle Of Filth. (7/10)

InterArma_TheCavernINTER ARMA «The Cavern»
Relapse Records
A nova coqueluche da Relapse edita, neste EP, uma única faixa de cerca de 45 minutos onde mistura tudo o que compõe a sua sonoridade: sludge progressivo, black metal, southern rock//americana e pós-metal. «The Cavern» vai passando de um ambiente para outro com relativa facilidade e o quinteto norte-americano consegue quase sempre apresentá-lo de forma convincente e atraente. De solos de cinco minutos ao mais distorcido e pesado doom/sludge, passando pelos trejeitos progressivos dos Mastodon, os Inter Arma têm de tudo neste EP, em grande e bem encaixadinho. Um achado. (8/10)

Misericordia_ThroneOfExistenceMISERICORDIA «Throne Of Existence»
Deepsend Records
Em contraciclo com o black metal “progressivo” ou misturado com doom ou sludge que parece ser a vaga actual, os suecos Misericordia despacham 45 minutos do mais inadulterado estilo local nesta sua segunda proposta de originais. A base é a velocidade dos primeiros tempos dos Marduk ou 1349, enquanto que os ocasionais ventos gélidos em forma de melodias revelam uma dieta de Dissection e Dark Funeral nas influências deste trio de Norrköping. Não é original e nem o state of the art, mas recupera o mais tradicional black metal sueco de forma competente, convincente e coesa. (7/10)

Planethard_NowPLANETHARD «Now»
Scarlet Records
Como elemento essencial da nova geração de bandas de heavy metal italiano, os Planethard têm cumprido de forma satisfatória a missão de diluir hard rock, modernidade, heavy metal clássico e aquele power metal progressivo que é tão típico do seu país. Em «Planethard», a terceira proposta, voltam a fazê-lo, sem brilhantismos ou genialidades por aí além, mas com um sentido de coesão assinalável e uma homogeneidade estilística que revela talento e trabalho em doses iguais. Se alguma vez imaginaram como seriam os Dream Theater, os Labyrinth e os Vanden Plas a tocar juntos numa sala nos subúrbios, «Now» pode ser a vossa nova companhia preferida. (6/10)

ProcessOfGuilt_RorcalPROCESS OF GUILT/RORCAL «Split»
Bleak Recordings
A solidificar fortemente a amizade que une ambas as bandas, este split 12” (limitado a 666 unidades: 166 em vinil branco e 500 em preto) tem a enorme vantagem de “dar” material novo de ambos os projectos aos fãs. Os Process Of Guilt continuam, com os três movimentos do tema «Liar», que ocupa o lado A, o seu lento mas paulatino desenvolvimento para a melhor banda de doom/sludge de contornos industriais do mundo. Os riffs são sólidos e, no entanto, mudam de força e volume à medida que a banda vai (des)construindo o tema e cambiando os ambientes e texturas. Mais uma prova dos génios portugueses. Do lado B, os Rorcal disparam três faixas de pura agressividade atmosférica do pós-hardcore/sludge provocante que é a sua imagem de marca. É abrasivo, é bom, mas este split vale definitivamente pelos mestres lusos. (8/10)

SolitarySabreed_RedemptionThroughForceSOLITARY SABRED «Redemption Through Force»
Auto-financiado
Os Solitary Sabred sabem bem em que terreno se movem. E, nesse terreno (o power metal épico dos anos 80), não há como não gostar deles. As referências certas estão todas lá – Manowar, Virgin Steele, Skelator, etc – e a elas os cipriotas juntam um quase palpável amor pelas letras grandiosas e épicas, que assentam como uma luva à sua música. Depois, com uma produção decente e límpida, é só uma questão de cumprir expectativas. Neste caso, quem espera uma versão honesta, entusiasta e com as doses certas de speed metal, heavy metal, power metal e metal épico, não sairá defraudado. Quem não compreende o power metal épico de Virgin Steele e Manowar nem vale a pena experimentar. Ou, como dizem os últimos… Wimps and posers, leave the hall! (7/10)

Tyranex_UnableToTameTYRANEX «Unable To Tame»
Black Lodge Records
O disco de estreia dos suecos Tyranex («Extermination Has Begun», 2011) era uma daquelas sucessões de tareias speed/thrash que nem dão tempo à pessoa de dizer “Eu já ouvi isto antes!”. Agora, «Unable To Tame» segue o mesmo caminho e, a haver diferença, ela é para mais rápido, com riffs mais memoráveis e um ataque vocal mais agressivo por parte da senhora Linnea Landstedt, que lidera este projecto com punho de aço. O speed/thrash é suposto ser tocado com paixão e fúria e, se as bandas dos anos 80 ou terminaram ou chegaram a um sucesso que fez ambas as coisas desaparecerem da sua música (excepção feita aos Destruction), então os Tyranex são um bálsamo perfeito para se ouvir qualidade, garra e velocidade no mesmo disco de novo. (8/10)

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