POSTO DE ESCUTA 08.10.2014

Occultation_Três discos de death metal para todos os sub-gostos, um par de lançamentos de black metal nórdico (um deles feito na Holanda), uma freakalhada jazz-metal, dois disquinhos de hard rock/AOR para ouvir no carro e duas abordagens doom radicalmente opostas: uma feita por um consagrado projecto de grindcore, outra de uma brilhante banda americana que urge descobrir. É o Posto de Escuta de meio da semana.

Dalton_PitStopDALTON «Pit Stop»
Frontiers Records
Houve uma altura, no final dos anos 80, em que o nome “Dalton” era mencionado nas mesmas frases que incluíam também “Europe” e “Treat”. O hard rock/hair metal sueco estava em alta mas quando, pouco depois, o grunge o matou com um tiro de caçadeira os Dalton não resistiram e morreram num beco qualquer sem luz, para onde se arrastaram após o segundo disco e já sem o seu mentor Mats Dahlberg. Agora, regressam com um disco composto por temas originalmente escritos para o terceiro disco, que nunca saiu nos anos 80, bem como algumas canções novas. E, de repente, parece que os Firehouse, Great White e Danger Danger nunca saíram das rádios e que é 1989 outra vez, pese embora com uma actualização de produção e um retoque na imagem. E uma boa mão cheia de rugas na cara, claro está. (7/10)

DennisDeyoung_AndTheMusicDENNIS DEYOUNG «…And The Music Of Styx Live In Los Angeles»
Frontiers Records
Dennis DeYoung é um nome incontornável quando se fala dos Styx, seminal banda de AOR melódico americano dos anos 70 e 80. Apesar de não fazer já parte da formação (saiu em 1999), a sua carreira em nome próprio passa necessariamente pelo reportório do grupo que foi seu durante as últimas décadas. Principalmente ao vivo. Por isso, este concerto gravado em Março deste ano em Los Angels, é uma espécie de best-of ao vivo dos Styx, sem os Styx mas com o seu vocalista mais marcante. Vale o que vale e, se é para conhecer a mistura de pop/rock com power chords da banda, mais vale experimentar os originais. Os fãs da voz de DeYoung têm, no entanto, aqui um belo docinho para degustarem. (6/10)

Horrendous_EcdysisHORRENDOUS «Ecdysis»
Dark Descent Records
Quando uma banda se coloca a si própria na posição de “contribuidora” do revivalismo do death metal tradicional, pensamos logo em bandwagon. Mas a verdade é que os americanos Horrendous têm uma boa cena em mãos, como este segundo álbum confirma. A essência de «Ecdysis» é death metal da velha guarda, com umas collheradas doom lá pelo meio, mas o que separa o trio da maior parte da concorrência é uma atmosfera verdadeiramente melancólica em alguns dos solos, bem como do interlúdio acústico colocado a meio do disco. Pode não fazer toda a diferença, mas torna «Ecdysis» um disco mais dinâmico, mais apelativo e de personalidade musical mais vincada do que a maior parte das propostas de “revivalismo” que por aí andam. (7/10)

Occultation_SilenceInTheOCCULTATION «Silence In The Ancestral House»
Invictus Productions
Certo, mais uma banda de doom. Mas, antes de arrumarem mentalmente os Occultation na prateleira das bandas hype, deixem dizer-vos que «Silence In The Ancestral House» é um dos melhores discos de doom rock/metal do ano. Misterioso, expansivo, de produção cuidada para que os instrumentos tenham todos o seu espaço, este segundo álbum do trio nova-iorquino liderado pelas senhoras A.L. e V.B. (no qual pontifica na bateria o guitarrista e vocalista dos Negative Plane, Nameless Void) mistura com inusitados resultados artísticos os universos de Pink Floyd, Black Sabbath, Mercyful Fate, Candlemass e Black Hole. A composição é absurdamente misteriosa, exala magia e as vocalizações de A.L. e V.B. são hipnóticas e indutoras de transe. Hype ou não, os fãs de doom precisam de ouvir isto. (9/10)

PigDestroyer_Mass&VolumePIG DESTROYER «Mass & Volume»
Relapse Records
Aparentemente leftovers da sessão de gravação do álbum de 2007 dos Pig Destroyer «Phantom Limb», os dois temas que compõem este novo EP – «Mass» (19 minutos) e «Volume» (seis minutos e meio) – são o exemplo acabado do que o projecto poderia ser se deixasse cair o grindcore e se se dedicasse apenas ao lado doom da sua música. Feedbacks, distorção, longos e lentos riffs (ao ponto do drone dos Sunn O)))), principalmente em «Mass») transformam a experiência auditiva de «Mass & Volume» num dos mais dolorosos prazeres dos últimos tempos. Tem pouco de experimental, mas tem muito de atmosfera sísmica, experiência mística e ideias distorcidas ao ponto da fusão nuclear. Os fãs de grindcore nem reconhecerão a banda. (8/10)

Posthum_TheBlackNorthernPOSTHUM «The Black Northern Ritual»
Indie Recordings
Poucas bandas podem reclamar a herança espiritual dos Emperor como os Posthum. Oriundos da floresta a norte de Oslo, na Noruega, o trio editou um álbum que surpreendeu tudo e todos em 2009, regressando depois em 2012 com um conjunto de temas mais introspectivos e atmosféricos. Agora, com «The Black Northern Ritual», a banda volta ao seu lado mais directo e agressivo, de puro black metal nórdico, com a vantagem de contar com um groove monumental, uma parede de distorção clara como o mais cortante gelo e ocasionais momentos ambientais (ouvir «Vinter») que adensam ainda mais o outro material. Se por um momento esquecermos a última proposta dos 1349, este é um disco de black metal norueguês como há muito não se ouvia. (8/10)

RingsOfSaturn_LugalKiEnRINGS OF SATURN «Lugal Ki En»
Unique Leader Records
Só o facto de chamarem à sua própria música “aliencore” já dá vontade de dar umas valentes chapadas nos tipos dos Rings Of Saturn, mas depois de experimentar a mistura profundamente técnica de death metal e deathcore, já não temos assim tanta certeza de querermos aproximar-nos sequer deles. Porque há ângulos pontiagudos técnicos improváveis espalhados por todo o lado nos 12 temas deste terceiro álbum de originais da banda californiana, mitigados por uma variedade e imprevisibilidade que completa o disco e lhe dá a tal aura alien que, afinal, até faz sentido. Sobretudo quando a sonoridade selvaticamente técnica e bruta dos Rings Of Saturn vem acompanhada de um bem engendrado conceito sobre uma guerra épica de seres alienígenas contra deuses e demónios. O death metal sci-fi nunca soou tão bem. (8/10)

SeptycalGorge_ScourgeOfTheSEPTYCAL GORGE «Scourge Of The Formless Breed»
Comatose Music
Mais vincadamente técnico e melhor produzido, o novo álbum dos italianos Septycal Gorge faz a espera de cinco anos desde o último «Erase The Insignificant» valer a pena. Sobretudo porque o quinteto de Turim não sacrifica nem uma grama do death metal brutal que caracterizava a sua sonoridade até aqui. O resultado será música para os ouvidos dos fãs de Deeds Of Flesh, sobretudo porque é executado com uma equipa que conta com uma secção rítmica composta pelo baterista de Antropofagus e pelo ex-baixista de Gory Blister, e porque a produção tem a clareza cristalina que faz as comparações com os Fleshgod Apocalypse serem fundadas. Apesar de ser um death metal brutal e técnico bastante “típico”, é bem feito, bem executado e vem numa boa “embalagem” sonora. (7/10)

Tarnkappe_TussenHunEnTARNKAPPE «Tussen Hun en de Zon»
Hammerheart Records
Depois de um muito promissor EP de apresentação (editado em conjunto com os funeral Procession, Blakharaz e Manzanar) os holandeses Tarnkappe confirmam todos os seus predicados black metal neste disco de estreia. O trio, constituído por gente de Lugubre, Kjeld e Salacious Gods, tem uma abordagem totalmente descomprometida ao género, com uma produção crua e directa e o mais frio e selvático black metal em que possam pensar. As 11 faixas cumprem todos os preceitos do estilo nórdico, com riffs gélidos, blastbeats e vocalizações hellish para fãs de Arckanum. Com o mesmo poder sónico de hipnotismo dos mestres clássicos escandinavos e, ainda por cima, cantado em holandês. Boa cena. (8/10)

ValerianSwing_AuroraVALERIAN SWING «Aurora»
To Lose La Track/Cavity Records
Na sua segunda proposta de originais, os italianos Valerian Swing exploram caminhos ligeiramente mais melódicos no mapa de fusão técnica que é a sua música. Não se enganem, no entanto: «Aurora» é pura fusão de metal progressivo, jazz metal e texturas sonoras de pós-rock experimental, com ocasionais coros para adensar o lado épico. É música técnica para gente técnica mas, nesse particular, é um passo em frente em termos de musicalidade e coesão para o colectivo transalpino. (7/10)

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