POSTO DE ESCUTA 23.10.2014

Haken copyA palavra-chave do Posto de Escuta desta semana é “descontracção”. E a sugestão é aproveitarmos os últimos dias deste calor que faz lembrar o Verão com música “de estrada” dos Khaøs, Nitrogods, Vega, Ancient Dome ou SoulHealer ou, alternativamente, fecharmos tudo e aproveitarmos a escuridão do doom/heavy metal dos Fangtooth até chegarem dias mais frescos. E mesmo quando o que está em cima da mesa é um novo EP de uma das mais brilhantes bandas de metal progressivo da actualidade – os Haken – há uma forte dose de melodias simples que convidam ao divertimento descontraído. Ride on.

AncientDome_CosmicGatewayToANCIENT DOME «Cosmic Gateway To Infinity»
Punishment 18 Records
Activos desde 2000 e com dois álbuns de originais e vários lançamentos menores editados até chegarem a este «Cosmic Gateway To Infinity», os italianos Ancient Dome têm no seu seio experiência e entusiasmo suficientes para fazerem funcionar sem problemas o thrash fortemente inspirado na Bay Area que praticam. Existem ocasionais apontamentos progressivos que dão sal à abordagem retro da banda, mas os 43 minutos da nova proposta apontam principalmente para fãs de Exodus e Testament e, ocasionalmente, coisas mais recentes como Angelus Apatrida ou Suicidal Angels. É competente e intenso e isso é o melhor que se pode dizer de um disco de thrash de contornos revivalistas hoje em dia. (7/10)

DimenzionPsychosphere_CollapseDIMENZION: PSYCHOSPHERE «Collapse»
Crime Records
Apesar de terem um baixista em comum com uma banda super-ocupada – os Communic – os Dimenzion: Psychosphere têm prosseguido uma carreira pontuada por lançamentos regulares (três EPs nos anos 00, uma compilação e um álbum de originais em 2012) e chegam agora ao segundo longa-duração com uma coesão e esclarecimento estilístico apreciáveis. O groove metal industrial da banda é, no entanto, ainda algo estéril e sofre de uma falta de assertividade que nem um lado mais melódico consegue fazer esquecer. Ainda assim, «Collapse» é uma colecção de temas que pode interessar a quem segue a cena industrial nórdica com particular atenção. (6/10)

Fangtooth_AsWeDiveFANGTOOTH «…As We Dive Into The Dark»
Jolly Roger Records
Doom/heavy metal clássico, influenciado pelos primeiros discos dos Candlemass (ou pelos Crimson Dawn e ThunderStorm, se quisermos cingir-nos à cena italiana) é a proposta dos Fangtooth nesta segunda colecção de originais. A composição segue os trâmites conservadores do género e a música de «…As We Dive Into The Dark» tem uma capa de formalidade à sua volta, mas os solos são épicos, as melodias são honestas e todos os sete temas do disco respiram aquela aura de simplicidade e inocência que resulta tão bem neste sub-género de metal. Como ponte entre a lentidão mórbida dos Black Sabbath e o poder indomável dos Virgin Steele, os Fangtooth dão boa conta da sua sonoridade, num disco com muito para descobrir. (7/10)

Haken_RestorationHAKEN «Restoration»
InsideOut Music
Não deve ser fácil carregar a bandeira de ser um dos mais importantes e relevantes projectos da cena metálica progressiva britânica, mas os Haken têm até agora sempre correspondido com qualidade e brilhantismo. «Restoration» vê o grupo pegar nos temas da maqueta que auto-financiaram em 2008, rearranjá-los completamente, regravá-los com a formação actual e convidar dois bons amigos (Pete Rinaldi dos Hadpace e Mike Portnoy dos Flying Colors) para participar num dos três temas, que por sinal tem 20 minutos e representa tudo o que de bom os Haken conseguem fazer. Ou seja, metal técnico, com um olho no prog-rock clássico e outro nas melodias e arranjos inteligentes dos Oceasize, feito com sofisticação e competência. (8/10)

Khaos_RisenKHAØS «Risen»
MRR Records
Depois de um interessante EP de estreia em 2012 em que mostravam um inesperado à-vontade na movimentação entre hard rock, heavy metal e rock moderno, os Khaøs estão de volta para confirmarem os predicados, desta vez num álbum completo. E a receita continua a produzir boas canções, de instrumentação que não compromete, vocalizações limpas e melódicas que fazem lembrar Textures e Wolverine e ocasionais curvas para power chords que consubstanciam a abordagem mais hard’n’heavy, num conjunto de canções que recorre talvez um pouco demais a baladas e a melodias AOR. Ainda assim, é uma boa continuação do EP «Rising» e uma interessante amostra da libertinagem estilística que impera no seio deste projecto suíço-americano. (7/10)

Nitrogods_RatsAndRumoursNITROGODS «Rats And Rumours»
Steamhammer
Dois anos e muitos quilómetros de estrada em digressão depois do álbum de estreia, os alemães Nitrogods regressam às gravações com mais uma colecção daquilo que eles próprios consideram “não reinventar” a roda em termos de rock’n’roll, mas “montar-lhe pneus novos”. Ou seja, mais temas a imitar – mas bem – Motörhead, AC/DC, Statos Quo, Clash e Stray Cats. Valor artístico tem pouco, mas quando chega a hora da festa – ou de tirar a Harley Davidson da garagem – poucos conjuntos de temas darão tantas garantias de divertimento imediato e simples como «Rats And Rumours» e o seu rock’n’roll sem complicações nem grandes teorias. Vale o que vale. (7/10)

Ruinside_10FormsOfRUINSIDE «10 Forms Of Dominion»
Mighty Music
Aquilo que começou por ser como mais uma banda de thrash melódico “moderno”, cheio de teclas e arranjos de cordas, transforma-se neste segundo disco num caso mais ou menos sério de power-thrash. Os Ruinside conseguem a proeza com apenas dois anos de evolução desde «The Hunt» e partem, nesta nova proposta, para um conjunto de temas que bebem influência no thrash clássico, pois claro, mas que não se ficam por aí. Há arranjos um pouco mais complexos do que o vosso thrash habitual e uma tendência para o épico dos Paradox e Meliah Rage. Ainda nem tudo funciona na perfeição («Juggernauth», por exemplo, roça o filler) mas a evolução é encorajadora e o futuro parece brilhante para estes finlandeses. (7/10)

Soulhealer_BearTheCrossSOULHEALER «Bear The Cross»
Pure Legend Records
Heavy metal descomprometido feito na Finlândia é um conceito muito apreciável. Que raio, qualquer tipo de heavy metal descomprometido será sempre uma boa cena, quando feito com qualidade. É o caso de «Bear The Cross», o terceiro longa-duração dos SoulHealer, que vão saltando alegremente de temas power/heavy metal em que as melodias finlandesas (olá, Stratovarius) ganham particular relevo, para outros a meio-tempo em que a voz e os riffs cheiram a Accept, para outros ainda mais speed metal que encerram em si o espírito dos Helloween. Depois, em canções como «Thorns In My Heart», são os leads duais e as vocalizações mais cruas do NWOBHM que ganham particular relevo. «Bear The Cross» é, por isso, uma bela viagem a tudo o que o heavy metal melódico tem, feito por uma banda que equilibra descontracção e qualidade nas doses certas. (7/10)

Vanir_TheGloriousDeadVANIR «The Glorious Dead»
Mighty Music
Mesmo esquecendo a incrível incongruência de se dizer que se toca “viking metal” e depois enfiar nas músicas uma série de melodias feitas com gaitas-de-foles escocesas, há qualquer coisa que não bate certo na sonoridade dos dinamarqueses Vanir. O death metal algo brutal não parece encaixar na perfeição com os solos gloriosos e com o lado folk das ditas gaitas-de-foles. A coisa não melhora neste terceiro álbum de originais e, apesar das partes separadas terem claros sinais de evolução, é na junção que os Vanir continuam a falhar em «The Glorious Dead», mesmo quando incluem alguma melodia nos riffs. Talvez com uma dinâmica mais vincada e uma produção mais bombástica a falta de coesão entre os ingredientes fique mais esbatida, mas por ora não há grande interesse em no “viking” metal da banda oriunda de Roskilde. (6/10)

Vega_StereoMessiahVEGA «Stereo Messiah»
Frontiers Records
Os Vega são uma daquelas jovens bandas que interpretam o hard rock clássico com uma bagagem que lhes permite ter uma visão mais lata e moderna do estilo. Não admira, por isso, que «Stereo Messiah» seja um daqueles discos de hard rock que escorregue de vez em quando para os riffs ou solos de guitarra de heavy metal clássico, com produção perfeita (John Mitchel dos It Bites foi o produtor, Harry Hess dos Harem Scarem tratou da mistura), com uma colecção de canções que têm tanto de melódicas como de instrumentalmente coesas. Não deixa de ser hard rock clássico na sua essência, mas a abordagem é moderna, de som envolvente e de instrumentação inteligente, a exemplo do que fazem por exemplo os Work Of Art. (7/10)

Anthrax-Chile_728x90_EU_UK

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s