POSTO DE ESCUTA 03.11.2014

Sleeping Pulse copyEis a banda-sonora desta semana. A melancolia distinta dos Sleeping Pulse, projecto onde pontifica o guitarrista dos Painted Black Luis Fazendeiro e o mentor dos Antimatter Mick Moss, é um natural destaque. Mas há mais. Os Kattah propõem um bom heavy/power metal parra amantes da sonoridade dos Angra, enquanto que do lado do death metal há uma proposta melódica (Tantal) e outra pelas regras mais brutas do estilo (Hideous Divinity). Os aspirantes a hippies desta era têm um novo disco de Spiders para dissecar (a banda já faz as malas para regressar a Portugal) e depois há propostas de death rock, black metal melancólico e doom/stoner jazzístico. E, claro, um novo EP dos Solefald. Boa semana.

AncientWisdom_sacrificialANCIENT VVISDOM «Sacrificial»
Magic Bullet Records
Misturando death rock, rock gótico e ligeiras influências doom, os Ancient VVisdom chegam ao terceiro disco de estúdio com uma receita musical de aparente simplicidade que funciona com o mesmo tipo de facilidade e intensidade que, por exemplo, a música dos Beastmilk. As melodias vocais são atraentes e imediatas, os riffs são simples e eficientes, mas a atmosfera é negra e pesada como poucos conseguem lá chegar. Um dos grandes trunfos de «Sacrificial» é, no entanto, a ausência de referências musicais directas a que se possam ligar os Ancient Vvisdom. Uma pequena vitória de uma banda com personalidade vincada e com uma receita suficientemente boa em mãos para chegar longe. (8/10)

FallsOfRauros_BelieveInNoFALLS OF RAUROS «Believe In No Coming Shore»
Nordvis
O black metal melancólico, segundo os norte-americanos Falls Of Rauros, é feito com boas doses de folk e ocasionais referências à música tradicional americana. Ainda mais quando «Believe In No Coming Shore» é já o terceiro longa-duração da banda do Maine, que aqui chega com um fantástico esclarecimento em termos de estruturação dos temas, som de guitarra e mistura do lado mais atmosférico, íntimo, acústico e melancólico do folk local com as texturas mais rugosas e selváticas do black metal, incluindo uma abordagem vocal verdadeiramente assombrosa. É mais do que um cruzamento de Agalloch, Ulver e Wolves In The Throne Room, mas o resultado está bem à altura da comparação com estes nomes. (8/10)

HeartInHand_ABeautifulWhiteHEART IN HAND «A Beautiful White»
Siege Of Amida/Century Media
Como uma das mais jovens bandas inglesas a praticar a mistura de hardcore melódico e metal que cai que nem mel em boa parte da nova geração, os Heart In Hand têm obtido uma boa dose de atenção. «A Beautiful White», o seu terceiro longa-duração, capitaliza-a bem com um conjunto de temas que equilibram de forma competente melodia, peso, dinâmica e um lado atmosférico pós-rock. Não é nada que a geração-Architects não tenha já ouvido, mas se nos embrenharmos bem nele, «A Beautiful White» é um disco que oferece tudo o que de melhor o metalcore melódico, moderno e dinâmico tem para oferecer. (7/10)

HideousDivinity_CobraVerdeHIDEOUS DIVINITY «Cobra Verde»
Unique Leader
Formados e liderados pelo ex-guitarrista dos Hour Of Penance Enrico Schettino, os Hideous Divinity são, a chegar a este segundo álbum de originais, uma bem oleada máquina de death metal preciso, técnico e bruto. As comparações – com Nile, Hate Eternal e Immolation – são inevitáveis, mas «Cobra Verde» consegue não ficar a perder em nenhuma delas, fruto de um invulgar trabalho de composição e execução, em que todas as peças do death metal encaixam na perfeição, com uma produção potente e límpida, e em que o ouvinte é bombardeado por 45 minutos de pura brutalidade técnica, sem qualquer segundo de piedade para respirar ou descansar. (8/10)

Kattah_LapisLazuliKATTAH «Lapis Lazuli»
Bakerteam Records
Algures na improvável linha imaginária que une os Angra aos Iron Maiden, os brasileiros Kattah regressam para o seu segundo álbum de originais com uma mistura ainda mais distinta de power metal e apontamentos étnicos arábicos e sul-americanos. Ainda há algum caminho a percorrer em termos de coesão, mas a evolução musical e artística do quarteto é enorme desde o disco de estreia, provando que pode ser o verdadeiro herdeiro espiritual do legado dos Angra. Ainda para mais quando a produção tem um nome como Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford, Helloween) a assinar por baixo. (7/10)

Obake_MutationsOBAKE «Mutations»
Rare Noise Records
É uma daqueles sinais do tempo que o disco de estreia deste quarteto, onde pontifica o baterista dos Porcupine Tree Colin Edwin, tenha passado despercebido a tanta gente. Agora, «Mutations» vem dar uma segunda oportunidade a quem gosta de música pesada, experimental e de fusão. Doom, noise rock, sludge, jazz e uma atitude progressiva, aliam-se, lutam uns com os outros, discutem e fundem-se, em temas especialmente feitos para fãs de Tool, Melvins, Sunn O))), Coil ou Popul Vuh. É poderoso, evocativo e fortemente texturado, sem nunca perder de vista o lado musical, algum tipo de melodia e um lado experimentalista. Não há desculpas para deixar passar este. (9/10)

SleepingPulse_UnderTheSameSLEEPING PULSE «Under The Same Sky»
Prophecy Productions
A colaboração é tão curiosa quanto inesperada: Mick Moss, dos Antimatter, num projecto com o “nosso” Luís Fazendeiro, dos Painted Black. «Under The Same Sky», o primeiro resultado do trabalho em conjunto, não deixa no entanto dúvidas: os dois foram feitos para criarem música juntos. Fazendeiro escreveu e interpretou uma dezena de canções de fragilidade bela, que se socorrem dos leads progressivos, das texturas acústicas, de ocasionais roupagens electrónicas e de uma atmosfera de pura melancolia, criando a moldura ideal para a característica voz de Moss. O ponto de contacto, precisamente por causa do cantor, são os Antimatter, mas «Under The Same Sky» consegue uma personalidade musical muito própria através da variedade e, embora tímido, experimentalismo nas doses certas. A coesão, a empatia entre ambos os músicos e o claro momento de inspiração fazem o resto. (8/10)

Solefald_NorrønasongenKosmopolisNordSOLEFALD «Norrønasongen Kosmopolis Nord»
Indie Recordings
Os noruegueses Solefald continuam a sua travessia solitária pela música mais experimental com um EP que funciona como prequela ao próximo álbum de originais. Em «Norrønasongen Kosmopolis Nord», Cornelius e Lazare propõem uma mistura heterogénea de prog-folk nórdico inspirado nos anos 60 e 70, folk/pop/noise altamente experimental e música electrónica. O lado A contém basicamente um tema de cada uma das abordagens (Einar Kvitrafn Selvik dos Wardruna ajuda nas vozes e há uma tocadora de Hardenger, a rabeca que é tradicionalmente considerada o “instrumento do diabo” na Escandinávia). O lado B oferece remisturas de dois dos temas do disco feitas pelo colectivo noise underground local Sturmgeist & The Fall Of Rome. Mais uma prova que os tipos que já foram considerados “Dois bodes teimosos a fingir que são uma banda” estão tão à frente em termos de música vanguardista nórdica, que chegamos a perdê-los de vista. (8/10)

Spiders_ShakeElectricSPIDERS «Shake Electric»
Spinefarm Records
Depois de terem entrado na máquina sueca que procura constantemente a “nova sensação” do rock local, os Spiders evoluem brutalmente, atiram o metal/punk do disco de estreia para o lixo e apresentam uma sonoridade completamente nova. «Shake Electric» é rock dos anos 70 (pensem em Led Zeppelin) a penetrar de todas as formas possíveis o doom rock (pensem em Black Sabbath), o hard rock vintage (pensem em Heart) e o pop/rock mais psicadélico (pensem em «Ziggy Stardust» de David Bowie). Liderados pela carismática vocalista Ann-Sofie Hoyles, os Spiders apresentam-nos a banda-sonora de um projecto que se recusa a “brincar” aos animais de estimação da imprensa e segue o seu próprio caminho musical. E soa bem como o raio. (7/10)

Tantal_ExpectancyTANTAL «Expectancy»
Bakerteam Records
Acrescentar uma vocalista feminina ao death metal melódico e dinâmico, pontuado de thrash, que é a receita musical dos Tantal, transformou-os numa espécie de Deadlock ou Lacuna Coil russos, mas isso não tem de ser necessariamente mau. Não quando «Expectancy» apresenta 70 minutos de música sem fillers, quando todos os elementos musicais dos Tantal encaixam tão bem e quando a banda ainda tem audácia e talento para apresentar um tema cantado em russo e uma versão acústica de uma canção do seu álbum de estreia. Apesar de ser terreno musical algo batido por outras bandas, a versão dos Tantal do death/thrash metal melódico apresenta-se refrescante, moderna e relevante. (7/10)

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