EM ANÁLISE: A GUARDIÃ

AGuardiãAntónio Parada “A Guardiã”
Chiado Editora
Uma maquiavélica raça de alienígenas, dotada de uma inigualável capacidade de metamorfose natural, com vista à adaptação a novos ambientes noutros planetas, desemboca na Terra, fugindo das Entidades. Estes últimos seres, também conhecidos como Grandes Engenheiros, são ancestrais e contemporâneos da criação do universo e aproveitam a sua antiguidade e experiência para fomentar, proteger e criar novos mundos destituídos de violência, que consideram avessa à expansão e desenvolvimento de novas formas de vida inteligente. Porém, as demoníacas criaturas refugiam-se em Portugal onde, rapidamente e de forma dissimulada, conseguem criar as condições para se perpetuarem como espécie dominadora e, em simultâneo, dão início aos seus macabros rituais e caçadas. Quando o seu projecto está prestes a tornar-se irreversível, acabam por cruzar-se com Henrique, inspector da Polícia Judiciária que, inexplicavelmente, passa a ser atormentado por terríveis pesadelos e visões que retratam de forma dantesca alguns homicídios eminentes.

É este o enredo de A Guardiã, primeiro livro de António Parada, que se lança assim no mundo da ficção científica, policial e fantasia com uma obra ambiciosa e de contornos estilísticos bem definidos. O autor demonstra um bom controlo sobre o ritmo da narrativa, optando por uma estrutura cinematográfica que vai acelerando a obra lenta mas inexoravelmente até ao clímax final. Afinal, estamos a falar de um escritor que assume as influências de nomes como Stephen King – mestre neste tipo de escrita – e que tem aqui óbvios sinais de primeira obra, quase todos transformados em entusiasmo energético que amiúde passa para a própria escrita. Os toques autobiográficos (Parada é investigador da Polícia Judiciária para a área económica e, tal como a personagem principal, tem mulher e uma filha e gosta de heavy metal) são outra das características especiais de A Guardiã, assim como a transposição deste tipo de universo alienígena para geografia e realidade nacional, o que é uma mais-valia.

O lado erótico completa o leque de influências da obra, assim como a referida referência ao heavy metal, ainda um pouco esbatida e colocada de forma heterogénea no enredo, mas suficientemente presente para que os metaleiros se sintam identificados com a personagem. A Guardiã funciona, sobretudo, como transposição do universo literário mais cinematográfico de Stephen King para a linguagem e realidade portuguesas. Pode ser visto como alguma falta de ambição do autor, mas a verdade é que a história é funcional, coesa e competente, com todos os ingredientes certos nos sítios certos para que os amantes de livros policiais, de ficção científica e/ou fantasia com toques de erotismo e horror possam passar bons momentos. Não há falta de ambição nenhuma nisso.

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Um pensamento sobre “EM ANÁLISE: A GUARDIÃ

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