POSTO DE ESCUTA 14.11.2014

Nihiling copyMais um fim-de-semana que se aproxima, mais um Posto de Escuta para montarem a vossa própria banda-sonora. Temos desde coisas mais tradicionais como death metal, death/thrash mais melódico ou progressivo, rock/metal gótico e viking metal até à bizarria psicadélica dos Jess And The Ancient Ones e 11 Paranoias, ao vanguardismo snob dos Voices e ao bom gosto sofisticado dos Nihiling. Bom fim-de-semana!

11Paranoias_StealingFireFrom11 PARANOIAS «Stealing Fire From Heaven»
Ritual Productions
Doom/sludge altamente hipnótico e psicadélico e ultra-pesado é a proposta dos britânicos 11 Paranoias, trio composto pelo vocalista e baixista Adam Richardson (Ramsses), o guitarrista Mike Vest (Bong) e o baterista Nathan Perrier (Satan’s Wrath). A composição neste terceiro álbum de originais dá-se mais a devaneios instrumentais psicadélicos e a padrões rítmicos variados e multifacetados, mas é no peso que está o grande trunfo dos 11 Paranoias. A sonoridade do projecto é sólida, monolítica e verdadeiramente densa, criando uma parede sonora suficientemente forte para “segurar” todo o lado psicadélico e ocasionais incursões pela originalidade, como inclusão de saxofone e alguns sintetizadores. Um disco que concentra dentro de si tudo o que de bom o doom/sludge pode ter. (8/10)

BloodstainedGround_APoemOfBLOODSTAINED GROUND «A Poem Of Misery»
Czar Of Crickets Productions
Não é nova a tentativa de usar instrumentos de cordas no metal. Várias bandas o têm feito, com resultados mais (My Dying Bride) ou menos (Apocalyptica) felizes. Os suíços Bloodstained Ground, no entanto, caracterizam-se por um uso nada convencional de violoncelos, violinos e cítaras no seu death metal melódico. Em vez de apelarem à melodia, usam-nos para adensar o sentimento de opressão, estranheza e negridão. A coisa resulta muito bem mas, claro, os cinco músicos sabem bem o que estão a fazer neste seu segundo disco de originais, porque sem a intensidade, o poder da produção e a inteligente inclusão de ligeiras influências black metal, não haveria instrumentos de cordas que safassem «A Poem Of Misery». Concorrendo todos os elementos para o mesmo fim, o resultado é pura magia death metal, com verdadeiro peso e profundidade como poucas vezes o estilo teve antes. (8/10)

Hourswill_InevitableHOURSWILL «Inevitable»
Ethereal Sound Works
Disco de estreia para os lisboetas Hourswill, que fazem um trabalho interessante a misturar metal progressivo, algum thrash e death metal melódico sem soarem como uma cópia chapada de nenhuma das suas influências. Isso não significa que «Inevitable» seja totalmente desprovido de referências musicais. Há indícios, a espaços, da intensidade progressiva de uns Nevermore e é por esse caminho de complexidade de estruturas, peso na instrumentação e melodia vocal que os Hourswill se embrenham com resultados satisfatórios nas nove faixas desta estreia. A variedade leva-os ainda, por vezes, para terrenos um pouco mais atmosféricos ou claramente técnicos, sem nunca perder de vista a personalidade musical da banda. Com a evolução natural e uma coesão mais conseguida que advirá de um maior número de espectáculos, teremos neste quinteto mais uma referência para o metal nacional. (7/10)

JessAndTheAncientOnes_CastanedaJESS AND THE ANCIENT ONES «Castaneda»
Svart Records
Novo EP de 10” da banda de rock psicadélico que está a causar furor na cena escandinava. Em «Castaneda» os finlandeses Jess And The Ancient Ones propõem duas faixas que revelam a relativa liberdade artística que faz dos seus discos coisas tão apetitosas. A faixa-título parece a versão dos Jess And The Ancient Ones do garage rock: ensopado em teclados estranhos, em guitarras western-spaghetti e na qualidade vocal da extraordinária Jess. «As To Be With Him» é um tema de rock que poderia ter sido escrito por Roy Orbison, não fosse a incrível luminosidade sonora que possui e uma atmosfera quase litúrgica que acompanha todos os quase sete minutos da faixa. Um lançamento interessante, que complementa e ajuda a perceber todo o alcance da genialidade de uma das mais importantes bandas a sair da Finlândia nos últimos anos. (7/10)

Nihiling_NihilingNIHILING «Nihiling»
Kapitän Platte
Os alemães Nihiling são uma boa surpresa para quem está farto de ouvir sempre a mesma coisa. Certo, o primeiro disco do grupo ainda revelava algumas das raízes pós-rock do projecto, mas «Nihiling» é uma criatura completamente isolada. O que une os sete momento do disco é uma melancolia quase palpável, criada através de trip-hop, rock indie, electrónica suave e um equilíbrio perfeito entre experimentalismo e beleza atmosférica, que parece colocar o grupo na rota de colisão entre os The Third And The Mortal e os Pure Reason Revolution. Depois, a paixão na voz de Gorka é um prazer quase por si próprio, algo que transforma a música dos Nihiling de boa em muito, muito boa. (8/10)

Onheil_StormIsComingONHEIL «Storm Is Coming»
Cyclone Empire
A ambição musical dos Onheil não parece conhecer limites. O quinteto holandês tem death metal melódico na génese da sua sonoridade, mas procura frequentemente a maldade cortante do black metal, a força do thrash e as harmonias do heavy metal clássico para completar a sua proposta. O mais interessante é que consegue fazê-lo com coerência e bons resultados artísticos. Em «Storm Is Coming», o segundo álbum de originais da banda, o frenesim de death/thrash metal melódico atinge frequentemente a intensidade de outros projectos, como Allegaeon ou Battlecross, embora sem o elemento de metal moderno tão vincado. Por isso, se vos apetece um banho de imersão de bom blackened death/thrash com muita espuma heavy metal, «Storm Is Coming» pode ser uma boa banheira para mergulharem. (8/10)

PurpleNail_EmbraceTheDarkPURPLE NAIL «Embrace The Dark»
WormHoleDeath
Terceiro álbum de estúdio para os suecos Purple Nail, que praticam uma estirpe bastante tradicional de rock e metal gótico com vocalizações femininas. Isso não significa, no entanto, que a sonoridade de «Embrace The Dark» seja estéril ou inconsequente. A paixão na voz de Lady Crow, a (re)descoberta simplicidade na composição e o sentido estético muito apurado do projecto transformam o disco numa proposta relativamente refrescante para a comunidade gótica. Apesar da repetição de receitas e das influências óbvias. O grupo convence com a forma como usa estes elementos e com um muito decente ambiente, que envolve muito facilmente o ouvinte. (6/10)

Skalmold_MedVaettumSKÀLMÖLD «Með vættum»
Napalm Records
Directamente das costas da Islândia, a terceira vaga de viking metal dos Skàlmöld surge mais desenvolta e coesa, embora jogando ainda sob as rígidas regras do estilo. Há alguns apontamentos de instrumentos tradicionais locais (nomeadamente de oboé, que tem uma sonoridade surpreendentemente forte e adequada), coros mais melódicos e épicos, mas é o viking metal extremo que compõe o corpo principal de «Með vættum». A mistura soa, no entanto, melhor que nunca no universo dos Skàlmöld e, pese embora não sejam nenhuns inovadores, tem de se dar crédito aos seis islandeses por conseguirem interpretar o estilo de modo tão refrescante, intenso e competente. (7/10)

Voices_LondonVOICES «London»
Candlelight Records
É óbvio que, em 2013, o disco de estreia dos Voices iria ser comparado a Ackercocke. Afinal, estamos a falar de uma banda que tem três ex-elementos dos Ackercocke (o vocalista e guitarrista Peter Benjamin e o baterista David Gray, mas também o guitarrista Sam Loynes, que chegou a ser elemento ao vivo dos extintos londrinos). No entanto, mais ainda nesta segunda proposta do que no disco anterior, os Voices concentram-se mais nas texturas e ambientes do seu death/black metal progressivo e vanguardista, usando contrastes, ritmos e arranjos imprevisíveis para surpreender o ouvinte e criar uma espécie de banda-sonora do seu próprio filminho macabro. Nos momentos de maior intensidade (ouvir «The Ultimate Narcissist») a coisa chega a aproximar-se do universo de Anaal Nathrakh, mas «London» padece de dores de crescimento de uma banda que nunca será verdadeiramente adulta. Ou seja, para termos direito a bons momentos de verdadeiro death/black metal progressivo, temos de aguentar uma série de bizarrias e ideias menos felizes. (7/10)

Withdrawn_DementedWITHDRAWN/DEMENTED «Things Change Others Remain»
Great Dane Records
Numa altura de muitos lançamentos, milhares de bandas novas e pouco dinheiro disponível, os splits voltam a ser uma boa forma de conhecer novos – e válidos – projectos, deter artefactos físicos e poupar uns trocos. Em «Things Change, Others Remain» juntam-se dois nomes da cena death metal gaulesa: os Withdrawn e os Demented. Os primeiros propõem três faixas do death/black metal melódico, pintado de preto e de atmosferas carregadas que constitui a sua sonoridade, e que já lhes valeu dois discos de estúdios. Os Demented são mais tradicionais na abordagem ao death metal, com um pendor mais técnico, mas nem por isso menos convincente ou menos válido. Os mais versados em som bruto poderão ter uma boa surpresa com este split vindo directamente do mais profundo underground francês. (7/10)

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