POSTO DE ESCUTA 02.12.2014

Cretin copyNesta primeira semana de Dezembro, em que o Inverno se fecha sobre nós e a praga natalícia está prestes a ser soltada, nada como um bom banho de metal extremo para ajudar-nos a suportar as provações. O black metal dos Cult Of Fire, Monte Penumbra, Half Invisible Presence ou Svartidauði pode ser a solução, assim como o death/black metal dos nacionais Neoplasmah, o death metal dos Sinister ou, numa vertente mais melódica, dos Arcturon. Para os que preferem a melancolia, existe um novo EP de Eye Of Solitude. E depois há uma bomba chamada «Stranger», para mandar tudo para o raio que os parta. Porque o Inverno está a chegar.

Arcturon_ExpectUsARCTURON «Expect Us»
Supreme Chaos Records
Para banda de meio de tabela da sobre-povoada liga de death metal melódico, os suíços Arcturon não têm evoluído nada mal. «Expect Us», o novo EP de quatro faixas que agora é editado, chega depois de dois discos-longa duração e, nas duas primeiras canções, dá continuidade ao festival de dinâmica, produção de luxo e riffs afiados que o grupo tem vindo a desenvolver ao longo dos seus quase dez anos de carreira. «A Restless Soul» enfia um pouco da sonoridade mais melódica de In Flames na receita dos Arcturon, com resultados satisfatórios, enquanto que «Rowan», de ritmo arrastado e ambientes carregados – com a componente electrónica da música da banda chegada um pouco mais para a frente – se revela a melhor canção do registo. Mais um sólido passo em frente dos suíços, que merecem definitivamente alguma atenção por via da qualidade da sua música. (7/10)

ArmsAndSleepers_SwimTeamARMS AND SLEEPERS «Swim Team»
Fake Chapters Records
É bastante possível que os Arms And Sleepers vos tenham passado despercebidos ao longo dos últimos dez anos e 18 (!) edições, mas a nova proposta do duo de Boston pode – e deve – modificar isso. Não que a mistura de R’n’B, música electrónica e pop dos anos 80 praticada pelo projecto seja incontornável para o típico metalhead, mas as texturas de «Swim Team», assim como o ambiente de pura melancolia e melodias inteligentes à Röyksopp que ele invoca, devem absolutamente constar da dieta musical de quem tem um mínimo de bom gosto e diversidade como bússola. Pode ser o guilty pleasure perfeito para terem lá por casa. (8/10)

Cretin_StrangerCRETIN «Stranger»
Relapse Records
Oito longos anos depois do irrepreensível «Freakery», os californianos Cretin estão de volta para mais uma lição de grindcore analógico e old school que promete marcar o ano em termos de brutalidade. A banda conta agora com a guitarrista dos Dreaming Dead Elizabeth Schall, a fazer malabarismos (e um solo na última faixa!) no proto-grind estupidamente rápido, ainda assim groovy, proposto pela banda neste seu segundo disco. Depois há a voz da outra senhora do grupo, a ex-Repulsion Marissa Martinez: extrema, gutural mas sempre perceptível e articulada, indicada para esta sopa de grindcore, cinismo e divertimento, feito especialmente para quem gosta de Napalm Death, Carcass e Possessed. (9/10)

CultOfFire_ČtvrtáSymfonieOhněCULT OF FIRE «Čtvrtá Symfonie Ohně»
Iron Bonehead
Quem deu de caras com o espantoso «Kalṭa ôfa pāyara», editado o ano passado pelos checos Cult Of Fire, teve de certeza vontade de conhecer o passado desta incrível banda da black metal épico. E, no passado pré-fascinio pela Índia, está o álbum de 2012 «Triumvirát», cujo seguimento lógico era suposto ser o material editado agora em «Čtvrtá Symfonie Ohně» pelo trio, caso não se tivesse deparado com as pujantes influências étnicas que marcaram o disco seguinte. Este EP, agora editado em vinil de 7”, contém duas versões de black metal épico de composições clássicas do checo Bedřich Smetana (1824-1884), sobre dois rios que atravessam a República Checa e a Eslováquia: Vltava e Váh, respectivamente. Cada um dá nome aos dois temas instrumentais, grandiosos, multifacetados e fascinantes que, apesar de remontarem a outro período inspiracional dos Cult Of Fire, revelam mais uma faceta do seu black metal épico e esteticamente perfeito. Um lançamento obrigatório. (8/10)

EyeOfSolitude_DearInsanityEYE OF SOLITUDE «Dear Insanity»
Kaotoxin Records
Se acham que o doom/death metal mais tradicional já não vos pode surpreender, experimentem ouvir «Dear Insanity», o novo EP dos londrinos Eye Of Solitude. Apesar da banda e da editora o considerarem um EP, o tema (sim, é apenas uma faixa) tem 50 minutos e redefine a expressão “doom/death metal funerário épico”. Porque começa com um ambiente quase celestial e, a partir daí, é sempre a descer para um dos mais lentos, agonizantes e negros pedaços de música que é preciso ouvir. O quinteto conta com um robusto grunhido de Daniel Neagoe (dos Sidious e Colosus, entre outros), mas é também o poder de invocar atmosferas densas, um lado gótico com teclas (e voz limpa!) que ocasionalmente vem ao de cima e uma sublime temática de insanidade como única saída para o sofrimento insuportável que tornam «Dear Insanity» um grande disco do género. (8/10)

MontePenumbra_HalfVisiblePresenceMONTE PENUMBRA/HALF VISIBLE PRESENCE «Split 7”»
Duplicate Records
Depois de do promissor «Heirloom Of Sullen Fall», W.uR está de volta ao universo de Monte Penumbra para confirmar o projecto como um dos mais interessantes do espectro black metal vanguardista nacional. «One Is The Alignment Of Stars…», o tema com que contribui para este split, é a complexa conjugação de camadas diferentes – black metal, death metal, avantgarde em forma e essência – que W.uR já tinha provado dominar bem no disco de estreia, embora com momentos de maior simplicidade, outros de atmosfera mais densa e uma gravação mais directa e crua. Half Visible Presence é um projecto do holandês Harvath (Israthoum, Perditor), cujos contornos doomescos do black metal complementam de forma surpreendentemente boa o vendaval de vanguardismo da entidade portuguesa. Edição limitada a 300 unidades. (7/10)

Neoplasmah_AuguringTheEndNEOPLASMAH «Auguring The Dusk Of A New Era»
Hellprod Records
Em 2004, com a estreia «Sidereal Passage», os Neoplasmah passaram, um pouco injustamente, ao lado de muito boa gente que poderia perfeitamente ter gostado do death/black metal rápido, técnico e cósmico que a banda propunha. Seguiu-se um hiato de sete anos e «Auguring The Dusk Of A New Era» retoma agora a actividade editorial do projecto, que conta com a secção rítmica dos Grog, com dois guitarristas com créditos firmados na cena (um pertence e outro já pertenceu aos Martelo Negro, por exemplo) e por uma vocalista que expele pura maldade sempre que abre a boca (e que também sabe cantar com voz melódica, como pontualmente prova no disco). E, de repente, a visão musical dos Neoplasmah, que está no espaço cósmico que separa os Sacred Sin dos Emperor (oiçam só o início de «Realm Of The Lost Souls») não apenas faz todo o sentido como nos deixa água na boca para o que poderá seguir-se. (7/10)

Nitrodive_Re-EvolutionNITRODIVE «Re-Evolution»
Gain Records
Certo… Somos metalheads até à medula, mas ali no local onde acaba o metal e começa o rock, na zona dominada pelos Motörhead, há uma série de coisas assustadoramente cativantes. Uma delas são os suecos NitroDive que, com a estreia «Survival Of The Fittest» entraram directamente para os corações de quem tem um fraquinho pelo hard rock moderno, musculado e inteligente de coisas como Danko Jones (que, aliás, contribuiu numa das música do tal primeiro disco), Hardcore Superstar ou Crucified Barbara. Agora, os suecos não têm problema nenhum em fazer de «Re-Evolution» o seu “Survival Of The Fittest 2” e atiram mais uma dezena de temas-cocktail-molotov-entre-hard-rock-e-sleaze-metal na nossa direcção. Se até somos aqueles metalheads que não resistem a um bom groove, melodia e dinâmica rock, não há maneira de nos desviarmos. Apesar da receita batida. (7/10)

Sinister_TheUnbornDeadSINISTER «The Unborn Dead»
Hellprod/Murder Records
A caminho da reabilitação total junto dos fãs de death metal (o último álbum é bem bom!) os Sinister apresentam aqui um EP especial, editado em vinil de 7” e limitado a 250 unidades (150 em vinil preto, 100 em vinil vermelho). Do lado A, uma versão de «Ripped From The Cross», da maqueta com o mesmo nome dos Grotesque, em que a máquina de death metal holandesa parece estar perfeitamente à vontade. Do lado B, surpreendentemente, os Sinister “cobrem” «My Agony, My Ecstasy», do disco de estreia dos Novembers Doom, mostrando um lado doom/death metal que lhes era desconhecido e chegando a incluir vocalizações femininas (desta vez bem femininas) no refrão. É um pouco estranho, mas se nos lembrarmos que «The Unborn Dead» é um item especial de colecccionador e isto é um lado B que complementa a “tareia” que são os Sinister a tocarem um tema de Grotesque, é perfeitamente aceitável. (7/10)

Svartidaudi_TheSynthesisOfSVARTIDAUÐI «The Synthesis Of Whore And Beast»
Daemon Worship Productions
Os islandeses Svartidauði conseguem reproduzir de forma soberba o black/death metal opressivo, vanguardista e asfixiante dos Deathspell Omega, mas não se limitam a fazê-lo. Acrescentam um lado mais underground, por via da produção mais granulosa e directa, assim como uma dose extra de extremismo ao quase nunca recorrerem a partes meramente ambientais. O que resta é, como mais uma vez se pode comprovar neste EP de duas longas faixas disponível em cassete, em vinil e em CD, é um black/death metal transcendente, extremo, experimental e com um invulgar sentido de decadência. Obviamente aconselhado a fãs de Deathspell Omega e Blut Aus Nord, mas também de Monte Penumbra, Jumalhämärä e da emergente cena black metal islandesa em particular. (7/10)

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