POSTO DE ESCUTA 21.01.2015

Chapel Of Disease copyNuma altura em que começa mais uma semana, temos uma renovada mão-cheia de propostas musicais para serem descobertas. Há classicismo, hard rock, dinamismo e melodia, mas também há discos de escuridão abjecta e todo o tipo de desvios que traçam caminhos nada agradáveis entre os mais extremos estilos de metal, com natural destaque para a a obra-prima dos Chapel Of Disease. Seja qual for a vossa onda, há novidades e os vossos ouvidos merecem-nas. Boa semana.

booklet_23acez_RW_p8n123 ACEZ «Redemption Waves»
Mighty Music
«Redemption Waves», o segundo álbum dos hard rockers belgas 23 Acez, nem começa mal. Uma mistura de melodias clássicas no refrão e pré-refrão com um som de guitarra mais pesado do que no hard rock da velha guarda, bons solos e uma dinâmica acima da média. A produção, a que falta o brilho que os temas de abertura do disco merecem, é suficientemente clara e consistente para não estragar o esforço do grupo. O problema é que, a partir de pouco antes de meio do álbum, acabam-se as boas ideias ou a energia (ou ambas as coisas) e «Redemption Waves» transforma-se num disco de hard rock medíocre, que parece composto e tocado em piloto automático. Um típico clássico de disco longa-duração que devia ser um EP. (6/10)


 

ChaliceOfBlood_HeligHeligHeligCHALICE OF BLOOD «Helig, Helig, Helig»
Daemon Worship Productions
Poderoso EP deste misterioso trio sueco de black metal que, numa década de actividades, tinha apenas lançado até agora uma maqueta e três splits. Em «Helig, Helig, Helig», agora disponibilizado pela Daemon Worship, os Chalice Of Blood pegam no legado sueco de black metal – rápido, violento, mas sempre harmónico – e acrescentam-lhe várias camadas sónicas de atmosfera claustrofóbica, resultando em 19 minutos da mais apetecível abordagem conservadora ao estilo de que há memória nos últimos tempos. A produção revela um igual cuidado em manter o som o mais profissional e claro possível, sem sacrificar no processo toda a agressividade, peso e ocasional dissonância das cinco faixas. A edição é em vinil (MLP de 12”), mantendo a tradição do trio de não lançar nada em CD. (8/10)


 

ChapelOfDisease_TheMysteriousWaysCHAPEL OF DISEASE «The Mysterious Ways Of Repetitive Arts»
F.D.A. Rekotz
Os alemães Chapel Of Disease não enganam ninguém. O seu death metal é velho, obscuro e clássico e, no entanto, é impossível confundi-los com a maré de bandas todas iguais que integram a “nova vaga” de death metal old school. Porque, como o segundo álbum de originais do quarteto mostra de forma tão categórica, a atenção ao pormenor, a produção cristalina e equilibrada, o sentido de proporção entre riffs da velha guarda, morbidez e solos épicos e as influências de literatura clássica fazem toda a diferença quando se trata de injectar qualidade num estilo de música tantas vezes repetido. E «The Mysterious Ways Of Repetitive Arts» brilha, sim senhores, como um farol na noite fria, longa e escura do death metal underground europeu. (8/10)


 

Dwail_TheHumanConcernDWAIL «The Human Concern»
Klonosphère
Os franceses Dwail calcorreiam as andanças do groove/thrash metal há cerca de uma década (a maqueta de estreia «Monstro» saiu em 2006) por isso, ao chegarem ao segundo álbum de originais, não são propriamente tenrinhos. A sua música contém as doses certas de ritmos demolidores e riffs balançantes, com uma dinâmica interessante entre vocalizações agressivas e momentos narrados/melódicos. A coisa também “foge” ocasionalmente para o hardcore mais puro ou para malabarismos técnicos mathcore. Infelizmente, o quarteto ainda cai algumas vezes num generalismo meio aflitivo, mas assim que acertem na composição e tornem as suas músicas mais assertivas, têm aqui uma receita musical que pode ser explosiva, intensa e poderosa. (6/10)


 

Ghoulgotha_PropheticOrationGHOULGOTHA «The Deathmass Cloak»
Dark Descent Records
Quem acha que o doom/death metal se deve chamar “metal of death” tem nesta estreia dos Ghoulgotha uma boa proposta. O estilo praticado pelo trio californiano cruza o mais mórbido estilo de doom/death metal com death metal realmente velho e o resultado é um conjunto de uma dezena de faixas que soa como se os Usurper, os Immolation e os Hooded Menace fossem a mesma banda. Com uma produção que parece sugar toda a luz que a rodeia, «The Deathmass Cloak» é um exercício de pura maldade épica, pormenores técnicos interessantes e grande dinâmica rítmica. Esta pode ser “apenas” uma estreia, mas oferece mais do que muitas bandas com décadas no underground. (8/10)


 

Hopelezz_TheRisingHOPELEZZ «The Rising»
Sonicscars Records
Death metal melódico é a proposta dos alemães Hopelezz que, depois de um disco de estreia muito decente em 2012, se preparam para voltar aos álbuns de originais este ano. Antes disso, «The Rising» apresenta três novos temas em formato de EP, renovando a força da mistura que o quarteto pratica, de death metal melódico, groove metal e alguns breakdowns. Não é especialmente dinâmico, mas é sólido como uma viga de betão e atinge, ocasionalmente, uma velocidade entusiasmante. Haverá por aí coisas melhores, mais originais ou excitantes, mas «The Rising» não contém erros, está bem gravado e cumpre todos os requisitos que o death metal melódico moderno necessita. (6/10)


 

Dracula_SwingOfDeathJORN LANDE & TROND HOLTER PRESENT DRACULA «Swing Of Death»
Frontiers Music
Trond Holder (guitarrista dos noruegueses Wig Wam) junta-se ao compatriota Jorn Lande, lenda da voz quente de hard rock e heavy metal e, juntos, criam uma ópera rock baseada na história do Conde Vlad III e, em parte, no romance “Drácula” de Bram Stoker. O resultado é um disco que mistura com mestria hard rock adulto, heavy/power metal, alguns truques dos musicais rock e ainda ocasionais influências tradicionais, numa dezena de temas coesos, bem feitos e a transbordar qualidade. O conceito faz com que vocalista Lena Fløitmoen Børresen interprete quatro canções em dueto com Lande, estendendo ainda mais o espectro estilístico de «Swing Of Death» que, não revolucionando o mundo do hard rock/heavy metal nem das óperas rock, apresenta coesão e qualidade em doses suficientes para convencer os fãs dos respectivos estilos e, sobretudo, da poderosa voz de Lande. (7/10)


 

NightDemon_CurseOfTheNIGHT DEMON «Curse Of The Damned»
Steamhammer
Mais uma versão californiana do heavy metal clássico segundo putos em brasa com os discos clássicos de Iron Maiden, Metallica, Diamon Head, Angel Witch e por aí fora. Os Night Demon distinguem-se, no entanto, por uma abordagem um pouco mais variada do que o habitual, o que os leva a ter uma música plena do ambiente dos Misfits («The Howling Man») logo a seguir a outra – «Full Speed Ahead» – que parece do álbum nunca gravado pelos Motörhead. Riffs interessantes, canções decentes e a tal reserva de influências musicais variadas fazem de «Curse Of The Damned» um dos mais interessantes disquinhos de heavy metal tradicional que a “nova geração” apresentou nos últimos tempos. (8/10)


 

PerditionTemple _SovereignPERDITION TEMPLE «Sovereign Of The Desolate»
Hells Headbangers
Quem aprecia black/death metal rápido, caótico e cortante, vindo do mais profundo underground, não tem muito que pensar aqui. Em antecipação ao seu segundo álbum de originais (a editar este ano), este projecto liderado pelo ex-guitarrista de Angelcorpse Gene Palubicki dispara uma faixa inédita e uma versão de «Weltering In Blood», dos Blasphemy, num vinil de 7” splatter. A abordagem é extrema, a velocidade é extrema, as letras são extremas e a banda que rodeia Palubicki, que inclui o guitarrista dos Immolation Bill Taylor e o vocalista Impurath, dos Black Witchery, não faz prisioneiros. Haverá mesmo alguma ponderação a fazer antes de darem 7.77 dólares por isto? (7/10)


 

12 Jacket (Gatefold - Two Pocket) [GD30OB2-N]VOLAHN «Aq’ab’al»
Iron Bonehead/The Ajna Offensive/Crepusculo Negro
O black metal é fértil em sonoridades transcendentes e mágicas, som cru e projectos que irradiam a genialidade de membros solitários, por isso quando todas estas características se juntam numa só entidade, não é admiração; é uma convergência de factores que fará os fãs do estilo felizes. «Aq’ab’al» é a segunda proposta longa-duração de Volahn (nome artístico do americano Eduardo Ramírez) e propõe-nos uma hora de black metal selvagem e cósmico, envolto em roupagens indígenas, ritualistas e esotéricas, muito por via do conceito maia que é explorado no disco. É uma viagem plena de emoções fortes, surpresas e estados de espírito contrastantes. E, em última análise, um tremendo exemplo de onde pode chegar o black metal underground em 2015. As edições são em CD, LP duplo e cassete – escolham o vosso “veneno” mas, por amor dos deuses (jaguar), não deixem passar «Aq’ab’al» ao lado. (8/10)

 

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