POSTO DE ESCUTA 31.01.2015

Sullen copyBem a tempo do fim-de-semana, o nosso Posto de Escuta mergulha directamente na piscina do metal mais tradicional, com os registos dos Visigoth e Serious Black, mas também de coisas mais brutas como Extinctionist ou The Kill. E, para quem fica melancólico com o tempo, temos o folk nórdico dos Tervahäät, o incrível metal progressivo e melancólico dos Sullen e o pós-hardcore/metal dos A Swarm Of The Sun. Descubram estas e outras propostas no Posto de Escuta desta semana.

AdrenalineMob_DearlyDepartedADRENALINE MOB «Dearly Departed»
Century Media
Não é certo que as pessoas já se tenham apercebido devidamente de quão bons os Adrenaline Mob são, por isso eles não se poupam a oportunidades de mostrá-lo de novo. «Dearly Departed» é um novo EP desta banda que junta na sua formação o vocalista Russell Allen (Symphony X), o guitarrista Mike Orlando e o baterista A.J. Pero (Twisted Sister) e reúne o tema-título, retirado do segundo álbum de originais «Men Of Honor» editado o ano passado, várias versões acústicas de canções desse disco e da estreia «Omertá», um tema novo e exclusivo, versões de «Snortin Whiskey» de Pat Travers, «The Devil Went Down To Georgia» da Charlie Daniels Band e «Tie Your Mother Down» de Queen e ainda um medley de canções dos Black Sabbath. É o típico EP para facturar mais uns cobres, com a diferença que é feito por uma banda de hard rock/groove metal como há muito não se aparecia. (7/10)


 

ASwarmOfTheSun_TheRiftsA SWARM OF THE SUN «The Rifts»
Version Studio Records
É difícil reportar, em meras palavras, tudo o que se passa na música dos A Swarm Of The Sun. A tendência é disparar uma daquelas frases lapidares tipo “Um cruzamento dos universos de Cult Of Luna, Sólstafir e Tenhi”, mas a verdade é que «The Rifts», o segundo álbum de originais do duo sueco, é tão multifacetado e tem tantas camadas diferentes, que as descrições se tornam supérfluas. Como linha condutora das nove faixas do disco está, no entanto, bem identificado, um sentido de atmosfera muito cinematográfico e invocativo, assim como uma melancolia que se entranha nos ossos. Tudo o resto – o pós-hardcore, a música contemporânea, os momentos intimistas tocados com piano, o órgão de tubos e as contribuições da vocalista Anna Carlsson – são meros adereços que os A Swarm Of The Sun usam para chegar à estética e ao sentimento que envolve o disco. (7/10)


 

Extinctionist_PortalsOfExtraterrestrialEXTINCTIONIST «Portals Of Extraterrestrial Invasions»
Rising Nemesis Records
Apesar de ser um projecto relativamente recente – foram formados em 2007 – os alemães Extinctionist têm-se mostrado um colectivo particularmente activo, com dois álbuns, um EP e um split editados desde aí. O entusiasmo parece estender-se à forma como compõem e executam o death metal bruto, técnico e de contornos gore que é a sua imagem de marca. Infelizmente, «Portals Of Extraterrestrial Invasions» também permite perceber que os Extinctionist se contentam em soar de forma tecnicamente intrincada e bruta à imagem das suas influências – Deeds Of Flesh, Disgorge, Dying Fetus, etc – e não procuram nada mais. E, nesse campeonato, terão poucas hipóteses de concorrer com os mestres a não ser que lancem mais uns discos apenas notados pelos mais ávidos coleccionadores antes de chegarem à experiência, classe e talento dos seus ídolos. (6/10)


 

LordDying_PoisonedAltarsLORD DYING «Poisoned Altars»
Relapse Records
Se a estreia de 2013 dos norte-americanos Lord Dying, «Summon The Faithless», já cheirava a Crowbar e High On Fire por todos os lados, o ano que se seguiu, em que a banda dividiu digressões e palcos com nomes como Red Fang, Black Tusk e coisas desse género, não augurava grandes mudanças. «Poisoned Altars», no entanto, conta com produção de Joel Grind (dos Toxic Holocaust), que dá uma crosta verdadeiramente impressionante aos temas dos Lord Dying que, por seu lado, apresentam uma evolução notável ao nível dos riffs e dos arranjos. A consequência é um disco que foge ao estigma do “sludge-hype-metal” para se colocar, lado a lado com os heróis Crowbar, naquele patamar de propostas com um pingo de personalidade e canções que, em boa verdade, são decentes muito para além do acumular de riffs, peso e distorção. (8/10)


 

NearGrey_YageNEAR GREY «Yage»
Auto-financiado
São passos largos que os canadianos Near Grey dão a cada novo lançamento que editam. «Yage» é o terceiro, e apresenta-se mais abrangente, mais coerente e mais coeso na mistura de pós-rock, drone e ocasionais incursões pelo black metal lo-fi. Como é fácil de adivinhar, a aposta do quarteto está nos contrastes e na variedade e os três temas de «Yage» – cada um com cerca de 20 minutos – exploram-nos como os Near Grey haviam feito no EP homónimo e em «The Herschel Central Peak», mas com um mais apurado sentido de dinâmica e pormenor. O resultado continuar a estar apenas ao alcance dos mais iluminados que gostam de se envolver nas mais doces melodias e depois serem arrebatados por turbilhões sónicos abjectos, mas é sem dúvida um decisivo passo em frente para os Near Grey. (8/10)


 

SeriousBlack_AsDaylightBreaksSERIOUS BLACK «As Daylight Breaks»
AFM Records
Roland Grapow (Masterplan), Thomen Stauch (ex-Blind Guardian), Mario Lochert (ex-Visions Of Atlantis), Dominik Sebastian (Edenbridge), Jan Vacik (ex-Dreamscape) e o vocalista Urban Breed (ex-Tad Morose) juntos para tocar power metal melódico – o que pode correr mal? Nada, segundo «As Daylight Breaks», o disco de estreia dos Serious Black. Se levarmos em consideração que o bom power metal melódico europeu já foi todo feito, nomeadamente por bandas como Avantasia, Stratovarius ou Masterplan, os Serious Black não têm como errar: recuperam essa sonoridade na perfeição, com 11 faixas de produção bombástica, melodias contagiantes e coesão irrepreensível. Urban Breed ainda consegue puxar algumas das influências sinfónicas e meio étnicas dos Kamelot para a sonoridade da banda, por isso a coisa é mesmo, passe a redundância… Séria. (8/10)


 

Sullen_PostHumanSULLEN «Post Human»
Auto-financiado
Nascidos a partir da cisão da melhor banda de metal progressivo a surgir a norte do Rio Tejo nos últimos anos (também conhecida como “Oblique Rain”), os Sullen são os verdadeiro herdeiros do legado negro, virtuoso e tridimensional da música do autores de «Isohyet» e «October Dawn». No entanto, como este disco de estreia prova de forma inequívoca, o projecto está longe de poder ser apenas uma espécie de “Oblique Rain, parte dois” e opta por caminhos mais diversos, com partes acústicas mais intimistas, peso mais carregado, abordagem mais técnica e mesmo uma surpreendente versão de «Redondo Vocábulo», de Zeca Afonso. É impossível dizer se seria assim que os Oblique Rain soariam se continuassem o seu processo de amadurecimento artístico, mas não é nada difícil afirmar que os Sullen são, já, um dos mais excitantes projectos de metal progressivo em Portugal. (9/10)


 

Tervahaat_TervahhatTERVAHÄÄT «Tervahäät»
Nordvis Produktion
O folk nórdico do projecto finlandês Tervahäät é daquelas coisas que precisa de ser experimentada, mais do que propriamente ouvida. Incrivelmente atmosférico e desolado, consegue instalar na cabeça do ouvinte a sensação de desespero da isolação e melancolia raivosa do rigoroso Inverno nórdico, através de um conjunto de faixas em que o experimentalismo, ocasional shamanismo e percussão inteligente formam a espinha dorsal de um folk tão negro e introspectivo que mesmo os próprios Tenhi teriam dificuldade em lidar com ele. Esta reedição do disco de estreia do projecto, agora feita pela Nordvis em vinil, vale bem a pena para as longas noites frias e chuvosas que o ano ainda nos reserva. (8/10)


 

TheKill_KillThemAllTHE KILL «Kill Them… All»
Blastafuk Grindcore
Dizem que a Austrália é a nova Suécia do grindcore e, a julgar pela qualidade e quantidade que tem saído do país dos antípodas, é bem capaz de ser, sim. Os The Kill chegam, com «Kill Them… All», ao segundo longa-duração e despacham 19 faixas em 26 minutos de grind rápido e raivoso, na onda de Nasum e Insect Warfare, com um lado thrash a tornar tudo um pouco mais metálico e o habitual sentido de humor do género. Não têm nada que verdadeiramente os separe das (boas) bandas de grindcore, mas com esta abordagem sem grandes desacelarações ou invenções, os The Kill são bem capazes de agradar aos fãs de música grind directa e pura que gostam de castanhada à antiga. (7/10)


 

Visigoth_TheRevenantKingVISIGOTH «The Revenant King»
Metal Blade
Armam-se em salvadores do heavy metal clássico mas, na verdade, os norte-americanos Visigoth não são mais do que uma daquelas bandas de tributo ao período em que heavy metal significava “doom/NWOBHM”. Só que o fazem, nesta estreia, surpreendentemente bem, ao ponto de poderem ser comparados, sem desprimor, com nomes como Twisted Tower Dire ou Grand Magus. Guitarras duais, vocalizações de tom baixo, secção rítmica sólida e temática heavy metal até ao tutano podem não ser uma proposta incrivelmente refrescante e original nos dias que correm, mas «The Revenant King» compensa com entusiasmo, qualidade e uma aura de autenticidade e inocência que, certamente, não acompanhará os Visigoth por muito tempo. (7/10)


 

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