POSTO DE ESCUTA 11.02.2015

Wells Valley_Bem a meio da semana, propomos mais uma série de discos para vos animar os MP3. Do prog/djent ao pós-black metal, do death metal ao electro/industrial e ao pós-hardcore. Mas é o sludge que está verdadeiramente em destaque esta semana. Seja ele misturado com doom e ideias vanguardistas como os portugueses Wells Valley o fazem, fundido com black metal como os Dead In The Manger professam ou na sopa sludge/hardcore/crust/grind cozinhada pelos Call Of The Void. Há de tudo para todos, à distância de uma audição. Por isso, toca a pegar nos headphones.

Aenemica_EmptyInsideAENEMICA «Empty Inside»
Phonector
Já entrevistados por aqui no decorrer do ano passado, os alemães Aenemica não deverão ser estranhos para os nossos leitores. No entanto, no caso de terem deixado passar a excelente mistura de metal progressivo, dark rock, djent e metal alternativo que a banda pratica, a estreia «Empty Inside» está agora disponível fisicamente, em CD. Tanto a edição digital como o disco custam uns meros Eur 5,00 por isso não há mesmo desculpa para não conhecer este surpreendente cruzamento de Periphery, Tesseract e Threshold, feito com um assinalável sentido melódico, riffs contundentes e uma secção rítmica incrivelmente coesa. Pode ser “apenas” uma estreia, mas «Empty Inside» deve mesmo ser um dos momentos de peso mais emocional de 2014. (8/10)


 

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}CALL OF THE VOID «Ageless»
Relapse Records
Depois de mudarem, por volta de 2008, de nome, de sonoridade e de atitude, ninguém mais parou os norte-americanos Call Of The Void, que assinaram pela Relapse e levaram a sua escaldante mistura de hardcore, sludge crust e grind aos cantos mais recônditos do planeta. «Ageless» vem confirmar a furiosa boa forma do quinteto, com um conjunto de temas que parece os Napalm Death a chocarem de frente com os Converge, enquanto levam o groove dos Mastodon ao colo. A naturalidade com que os Call Of The Void aceleram a sua música até limites de velocidade grind, para depois desacelerarem para um groove gigantesco engordado por guitarras sludge, torna «Ageless» uma experiência intensa e avassaladora. (8/10)


 

DeadInTheManger_CessationDEAD IN THE MANGER «Cessation»
20 Buck Spin
Os Dead In The Manger já tinham dado sinais de ser um projecto muito válido com a edição do EP «Transience» o ano passado mas agora, com «Cessation», confirmam as boas indicações com um disco completo cheio da mistura de black metal agressivo, sludge, pós-metal e grindcore que compõe o seu estilo. Apenas um enorme esclarecimento pode fazer com que influências tão díspares se articulem bem e é precisamente isso que o projecto anónimo apresenta, juntamente com uma ferocidade a toda a prova no black metal de inspiração nórdica que constitui a espinha dorsal dos 26 minutos do álbum, um lado experimental que torna tudo mais interessante e uma queda para os pormenores que revela uma subtileza pouco habitual. Não sendo uma abordagem inteiramente nova, espalha uma luz diferente e interessante sobre o black/sludge metal. (8/10)


 

DeclineOfTheI_RebellionDECLINE OF THE I «Rebellion»
Agonia Records
Segundo disco do projecto de pós-black metal liderado pelo francês A.K., dos Merrimack, Vorkreist e Malhkebre. Enquanto, por um lado, «Rebellion» mantém o espírito libertino e experimental da estreia, flirtando com black metal industrial, doom, sampling, abordagem vocal diversificada e alguns momentos mais experimentais, por outro não consegue escapar do espectro de projecto paralelo que vai acumulando partes sem grande coesão ou sentido. E, como noutros discos de projectos paralelos, apesar se a espaços «Rebellion» ter momentos bem interessantes, enquanto álbum deixa algo a desejar e esvazia-se após as primeiras audições. (6/10)


 

HeavingEarth_DenouningTheHolyHEAVING EARTH «Denouncing The Holy Throne»
Lavadome Productions
Apesar de cumprirem os trâmites estilísticos do death metal à risca, os checos Heaving Earth apresentam, com «Denouncing The Holy Throne», um belo exemplo de como o género pode continuar a funcionar sem precisar de olhar para fora de si mesmo. Precisão técnica, brutalidade ao nível do legado deixado pelos Krabathor ou Hypnos e, mais para o final do disco, uma série de solos com uma componente atmosférica e ambiental que não é muito habitual ouvirmos numa banda que quer “apenas” tocar death metal bruto, técnico e blasfemo. Ao segundo álbum de originais esta banda, que se inspirou numa música dos Morbid Angel para nome do projecto, está pronta a ser descoberta pelos mais ávidos fãs de música verdadeiramente extrema. (7/10)


 

InZekt_IndustrialScaleMurderIN_ZEKT «Industrial-Scale Murder»
Auto-financiado
Peter Vindel e Kjetil Ottersen aventuram-se pelos mundos da música industrial, electrónica e noise/experimental com este novo disco do seu projecto In_Zekt. Para além de revelarem boas ideias ao nível das texturas orgânicas e dos ambientes densos que se vão sucedendo na longa – e única – faixa do trabalho, que perfaz 20 minutos, os dois noruegueses conseguem atingir bons níveis de intensidade e uma fusão entre electrónica e industrial quem nem sempre é fácil de conseguir. Por isso, fãs de dark ambient, do universo industrial de Front Line Assembly e todos os que achem que as melodias dos Deathstars estão ali a mais, podem ter uma boa surpresa com «Industrial-Scale Murder». (7/10)


 

WellsValley_MatterAsRegentWELLS VALLEY «Matter As Regent»
Bleak Recordings/Chaosphere/Raging Planet
Saídos do “nada” (não desconsiderando a cabeça de músicos como Filipe Correia dos Concealment, Pedro Lopes e Pedro Mau dos Kneel), os Wells Valley estreiam-se com um superior álbum de originais que mistura de forma original e imprevisível sludge, doom, metal progresssivo e atmosferas carregadas. A coisa pode ser descrita como um cruzamento de Cult Of Luna, Triptykon e Voivod, mas a verdade é que os Wells Valley vão muito mais além do que apenas cruzar sonoridades diferentes: criam a sua própria personalidade musical e fazem um disco cheio de profundidade e qualidade com ela. Pronto a ser descoberta lenta e prazenteiramente, como uma das melhores obras de estreia do metal português dos últimos tempos, a par com o primeiro lançamentos dos Sullen. (8/10)


 

WithAllTheRage_ChainedWITH ALL THE RAGE «Chained»
Auto-financiado
Nascidos em 2010 na província italiana de Sicília, os With All The Rage praticam uma mistura muito decente de death metal melódico e groove metal. A intensidade e dinâmica da banda não ficam nada atrás dos lançamentos mais influentes dos Machine Head – certamente uma das referência musicais do quinteto – mas depois há muito death metal melódico europeu, nomeadamente sueco, atirado para a mistura sonora da banda, com resultados francamente entusiasmantes. A composição poderia, no entanto, ser um pouco mais simplificada em favor de uma maior clareza de ideias por faixa e «Chained», o segundo disco de originais do projecto, merecia definitivamente uma produção mais explosiva. Mas em termos meramente artísticos há muito material bom no álbum em que fincar o dente. (7/10)


 

Wolfheart_WinterbornWOLFHEART «Winterborn»
Spinefarm Records
Tuomas Saukkonen já provou o que tinha a provar em projectos como Before The Dawn, Black Sun Aeon ou Dawn Of Solace, por isso quando o senhor decidiu suspender todas as suas bandas e dedicar-se apenas a Wolfheart, inicialmente um projecto a solo, os amantes de death metal melódico/melancólico ficaram em pulgas. Em 2013 saía «Winterborn», o álbum de estreia de Wolfheart, que cumpria todas as expectativas: death metal pesado e melódico, com os leads tipicamente finlandeses que fazem os fãs de Amorphis felizes e ocasionais acelerações death/black metal. Afinal, todas as influências de Tuomas Saukkonen cabiam mesmo num só projecto e a coesão, inspiração e envolvência de «Winterborn» provavam-no para além de qualquer sobra de dúvida. O disco, agora a ser reeditado para o mercado global pela Spinefarm, chega numa altura em que os Wolfheart – actualmente uma banda completa – se preparam para lançar o segundo trabalho de estúdio. Que, certamente, será outra obra-prima de death metal melódico gelado. (8/10)


 

Zoax_IsEverybodyListeningZOAX «Is Everybody Listening»
Century Media
Os jovens ingleses Zoax fazem parte daquela geração que interiorizou que não existem barreiras estilísticas e que não faz mal nenhum misturar hardcore, pop/rock de sensibilidade melancólica e hard rock moderno. E não faz mesmo, a julgar pelo resultado das seis faixas deste seu segundo EP, agora editado em formato digital. «Is Everybody Lisnening» não é particularmente inspirado ou original, mas imprime uma força às canções que apenas as bandas que misturam juventude e talento genuíno conseguem congregar. Se não conhecem, esta é uma boa oportunidade. (7/10)

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