POSTO DE ESCUTA 20.02.2015

Fogh Depot copyMais um Posto de Escuta com propostas para todos os tipos de gostos, do hard rock melódico ao black metal cru e feio. Os destaques vão direitinhos para a estreia dos portugueses Terror Empire, para a melancolia nada convencional dos finlandeses At The Hollow e para o turbilhão de dark ambient e drone do projecto russo Fogh Depot. Bom fim-de-semana!

AtTheHollow_WhatIHoldAT THE HOLLOW «What I Hold Most Dear»
Spinefarm Records
Mais uma surpresa chegada da efervescente cena finlandesa. Os At The Hollow praticam pós-rock melancólico com uma guitarra, percussão e um contra-baixo tocado com um arco. Assim mesmo. Acrescente-se a «What I Hold Most Dear», disco de estreia do duo, a seminal melancolia nórdica, sensibilidade indie rock e uma liberdade estilística que os torna literalmente um híbrido entre géneros. Como se os Sammal, os Tenhi, os Apocalyptica e os Sólstafir fizessem uma festa e convidassem alguém para gravar as “conversas” musicais. Uma das grandes surpresas não-metálicas deste início de ano que, devido ao carácter emocional, negro e artístico da proposta, pode perfeitamente agradar a quem gosta de música extrema. (8/10)


 

FoghDepot_StFOGH DEPOT «Fogh Depot»
Denovali Records
Impressionante estreia deste trio instrumental russo, que mistura jazz downtempo com música electrónica, sampling, ambientes melancólicos e ocasionais distorções drone. Sempre com um olho no experimental, «Fogh Depot» leva o ouvinte até à mais doce das melodias, empurra-o para corredores escuros de dark ambient e salva-o em vagas repetidas de jazz subtilmente electrónico. A música do projecto é tão sofisticada, tão deliberadamente nocturna que é impossível não nos deixarmos levar nesta montanha russa de texturas, ambientes e sentimentos díspares e tão bem misturados. Mesmo para os padrões de qualidade a que a Denovali Records nos habituou, este é um lançamento soberbo. Aconselhamos o seu consumo na luxuosa edição em vinil. (9/10)


 

Johansson&Speckmann_MaskOfTheJOHANSSON & SPECKMANN «Mask Of The Treacherous»
Vic Records
Segundo longa-duração do projecto conjunto de dois nomes incontornáveis do death metal old school: Paul Speckmann dos Master e Rogga Johansson, dos Paganizer e The Grotesquery, entre muitas outras bandas. Em «Mask Of The Treacherous» nada muda na postura e música do trio (completo com o baterista norueguês dos The Grotesquery, Brynjar Helgetun). Ou seja, o ouvinte é brindado com uma generosa dose de death metal retro, com as típicas vocalizações de Speckmann (os fãs de Master e Obituary já sabem do que estamos a falar) e aquela estirpe sueca do género, ali a bater à porta do punk, crust e thrash. São nove canções inspiradas, competentes e feitas com a mentalidade e as razões certas. Puro death metal clássico e mórbido. (8/10)


 

LonelyRobot_PleaseComeHomeLONELY ROBOT «Please Come Home»
InsideOut Music
John Mitchell, dos Arena, é mais um daquele maluquinho dos projectos que, qualquer coisa nova que faça – e faz muitas – edita-a com um novo nome. Fê-lo com os *Frost, Kino, It Bites e With The Urbane. Lonely Robot é, supostamente, o seu projecto mais “livre” e, por isso, «Please Come Home» é aquele que mais se assemelha a um disco a solo, ou em nome próprio. O problema é que, por mais convidados especiais que Mitchell chame para duetos, solos, partes narradas ou vozes de coro (e são muitos), o estilo, as canções e as melodias dos 11 temas do álbum de estreia deste disco são em tudo semelhantes aos dos outros projectos do senhor, com alguma variedade aqui e ali. Isso não significa, no entanto, que «Please Come Home» seja um mau disco de rock progressivo atmosférico. Só que podia perfeitamente ser o novo trabalho de qualquer um dos outros projectos de John Mitchell, com o grau de (não) novidade que (não) tem. (7/10)


 

Muck_YourJoyousFutureMUCK «Your Joyous Future»
Prosthetic Records
São islandeses e chamam “punk” à sua música. Isto, pelos níveis de hype actual, deveria chegar aos Muck para serem notados mas, de alguma forma, os vários EPs e o disco de estreia que editaram até agora passaram despercebidos ao grande público. Nada que «Your Joyous Future», agora lançado pela Prosthetic, não resolva, com uma altamente energética e crua mistura de hardcore, punk e indie-noise. É imediato, cheira a suor e mijo e pode agradar aos intelectuais que se dizem amantes de crossover (seja o que for que achem que isso é) mas, na verdade, o verdadeiro público dos Muck está nas ruas, com uma garrafa de vinho numa mão e um cão amarrado com uma corda na outra. É pena que, mesmo com um certo deficit de frescura, «Your Joyous Future» não chegue lá, porque é a esse tipo de punk que verdadeiramente pertence. (7/10)


 

Grunge rust metal surface with vignette.REVOLUTION SAINTS «Revolution Saints»
Frontiers Music
Os Revolution Saints são mais um daqueles típicos projectos levados a cabo por Serafino Perugino, presidente da Frontiers, que gosta de juntar alguns dos seus artistas preferidos de hard rock. No caso, temos o baterista e vocalista Dean Castronovo (Journey), o baixista e vocalista Jack Blades (Night Ranger) e o ex-guitarrista dos Whitesnake, Doug Aldricht. Juntos, fazem um hard rock/AOR melódico, tradicional e com produção actualizada. Está bem feito e tem qualidade, mas não se desvia um milímetro do que é esperado de uma banda de AOR conservadora hoje em dia e não acumula o talento, na composição, dos três importantes nomes envolvidos. É “apenas” mais um projecto com a chancela da Frontiers. (6/10)


 

RubyTheHatchet_ValleyOfTheRUBY THE HATCHET «Valley Of The Snake»
Tee Pee Records
Depois de dois EPs e um álbum de originais que os colocaram nas bocas do hype do doom rock psicadélico retro, os norte-americanos Ruby The Hatchet chegam à Tee Pee e preparam-se para o domínio global. E vêm armados com um bom disquinho de seis faixas (e 40 minutos) de pura subtileza doom rock adornada com teclados psicadélicos e suavemente ornamentada com as vocalizações melódicas e obscuras de Jillian Taylor. É apenas mais um capítulo na era dourada do doom de segunda geração, mas um capítulo feito de canções muito decentes, uma boa sonoridade e várias camadas de ambientes psicadélicos, especialmente “feitos” para serem consumidos na edição em vinil do disco. (7/10)


 

TerrorEmpire_TheEmpireStrikesTERROR EMPIRE «The Empire Strikes Black»
Nordavind Records
Era preciso um grande disco para certificar os Terror Empire como a banda que prometeram ser com o EP de estreia «Face The Terror», de 2012. E é um grande disco que a banda de Coimbra edita com «The Empire Strikes Black». Thrash mais ou menos tradicional levado a extremos de groove, rapidez e dinâmica, com rápidas e cortantes piscadelas de olho ao southern rock e/ou ao death metal escandinavo. Tudo feito com assertividade, contundência e uma produção tão directa e pujante que, à primeira audição, é bem capaz de mandar uns quantos fãs de Pantera da cadeira abaixo. Mais uma prova – não que ela fosse necessária, como vos dirá qualquer fã de Switchtense, Revolution Within ou Echidna – que o thrash moderno português está bem e recomenda-se. (8/10)


 

TheWhorehouseMassacre_AltarOfTheTHE WHOREHOUSE MASSACRE «Altar Of The Goat Skull/VI»
Transcending Obscurity
Depois de lançarem o disco de estreia em 2008, os canadianos The Whorehouse Massacre dedicaram-se a lançamentos mais pequenos e underground, adequados ao tipo de doom/sludge absolutamente mórbido, ensopado em distorção e misantropo que praticam. Este disco reúne os dois EPs editados em 2013, num total de 13 faixas e 45 minutos de doom funerário, drone e sludge feio capaz de gelar o entusiasmo do mais excitado dos hipsters. O som é saturado e a produção é directa, mas a gravação tem qualidade e o duo que opera a partir da Columbia Britânica entretém-se a montar uma série de temas, camada de morbidez por cima de camada de morbidez, que não defraudam os fãs de Hooded Menace e outras coisas (ainda) mais subterrâneas. (8/10)


 

Wende_TheThirdAndWENDE «The Third And The Noble»
Moribund Records
Depois de espantar os fãs de Burzum com a estreia de 2011, o norte-americano Zamiel volta à carga com o seu projecto Wende e lança «The Third And The Noble» que, basicamente, é uma regravação da sua maqueta de 2009 com uma versão de «Towards Ragnarok», de Burzum, acrescentada. Quem aprecia black metal atmosférico, fortemente inspirado na natureza (Zamiel reside na zona rural de Washington), fantasia e trevas, tem em «The Third And The Noble» motivos para apreciar o trabalho de Wende. Não é especialmente evocativo ou original, mas é suficientemente bem feito para convencer os mais fanáticos amantes da primeira fase de carreira de Burzum. (6/10)

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