POSTO DE ESCUTA 18.03.2015

Theories_Eis mais dez novidades fesquinhas para todos os gostos: black metal, death metal, thrash, metal progressivo, doom, heavy/speed metal, grindcore e mesmo uma proposta de música contemporânea/industrial com piscadelas de olho ao drone. Há de tudo para todos neste Posto de Escuta. Menos silêncio.

Beautality_EinfallenATaleBEAUTALITY «Einfallen: A Tale Ov Torment & Triumph»
Nordavind Records
Parte da nova geração britânica de black metal atmosférico desde que editaram em 2012 o disco de estreia, os Beautality estão de volta (desta vez numa editora portuguesa!) para confirmar as boas indicações dadas em «Providence». O novo trabalho é uma obra épica dupla de 105 minutos (!), com longos temas épicos em que o lado mais melancólico do black metal (incluindo boas passagens de pós-black metal) se mistura de forma interessante com o aspecto mais cru e extremo do género. A produção, directa e honesta, ajuda a criar uma espécie de atmosfera que beneficia «Einfallen: A Tale Ov Torment & Triumph», sobretudo quando misturada com a atitude entusiasta e meio inocente de um duo que parece ter absorvido plenamente a essência do estilo e faz uma versão muito própria do mesmo. (8/10)


 

Bleeding_BehindTransparentWallsBLEEDING «Behind Transparent Walls»
Pure Prog Records
Não se deixem enganar pela fraca capa de «Behind Transparent Walls». Os alemães Bleeding são (bem) inspirados por bandas como Psychotic Waltz, Nevermore e Sieges Even e apresentam neste seu disco de estreia uma mistura completa de thrash, metal progressivo e doom épico. Mais importante que tudo, aventuram-se por territórios musicais que ultrapassam a mera homenagem às bandas que admiram e roçam alguma originalidade. Nem tudo funciona na perfeição, mas basta lembrarmos que «Behind Transparent Walls» é um disco de estreia para percebermos o potencial do quinteto oriundo de Hamburgo. E, mesmo enquanto obra singular, este álbum propõe 44 minutos de heavy metal verdadeiramente progressivo e de personalidade musical vincada. É tão surpreendente quanto raro. (7/10)


 

CrimsonSwan_UnlitCRIMSON SWAN «Unlit»
Quality Steel Records
Os Crimson Swan, jovens alemães com três quintos da banda de rock gótico Embercrow, praticam um doom/death metal pleno de atmosfera e melancolia. Apesar de serem apenas seis temas, em 54 minutos, há três componentes distintas na música do projecto: doom/death metal tradicional (pensem nos Swallow The Sun), doom funerário (na onda dos Ahab) e uma série de vocalizações límpidas e melódicas que fazem lembrar os finlandeses Ghost Brigade. A mistura que os Crimson Swan fazem destes elementos musicais tornam «Unlit» um álbum com alguma dinâmica dentro do género em que se insere, sem nunca perder de vista a forte componente atmosférica e a melancolia desesperada. Uma boa estreia nos longa-duração, que confirma plenamente as boas indicações dadas com o EP editado em 2012. (8/10)


 

FatefulFinality_BatteryFATEFUL FINALITY «Battery»
Steamhammer
O thrash energético, ensopado em groove, death metal melódico, tendências old school dos Fateful Finality valeu-lhes a vitória no mega-concurso de bandas Wacken Metal Battle na Alemanha e deu-lhes um contrato discográfico com a Steamhammer, que é uma coisa de que poucos grupos com apenas um álbum se podem gabar. «Battery», a segunda proposta da jovem banda, justifica no entanto tudo o que lhes tem caído do céu. A uma espinha dorsal thrash algures entre os riffs cortantes dos Exodus e a robustez dos Machine Head, os Fateful Finality acrescentam apontamentos melódicos muito suecos, ocasionais piscadelas de olho ao groove gigantesco dos Pantera e Lamb Of God e uma abordagem vocal repartida entre o tom agressivo e a voz mais melódica dos dois cantores de serviço. É bom, é variado e tem uma qualidade de produção e maturidade de composição que não revelam os tenros oito anos do projecto. (8/10)


 

Ghold_OfRuinGHOLD «Of Ruin»
Ritual Productions
Sendo um duo composto por baixista e baterista (ambos cantam) e praticando doom metal tão grave e experimental quanto humanamente possível, os ingleses Ghold caíram nas boas graças da imprensa logo assim que editaram a sua maqueta homónima em 2012. Agora, cerca de um ano após o disco de estreia, estão de volta com mais um longa-duração e desenvolvem um pouco mais a abordagem lo-fi e intensa do seu doom. Aos monstruosos riffs do baixo e às intrincadas tapeçarias rítmicas já estamos habituados, mas em «Of Ruin» o duo vai um pouco mais longe em termos de vocalizações (mais ritualistas e eclécticas que nunca) e de variedade no seu material, o que acaba por tornar os 44 minutos um pouco mais interessantes do que “apenas” doom tocado com um baixo e bateria que, sejamos francos, era um pouco o espectro que os Ghold proporcionavam até aqui. (7/10)


 

Lago_TyrannyLAGO «Tyranny»
Blood Harvest
Com uma sonoridade solidamente enraizada no death metal da Florida, os norte-americanos Lago não se coíbem de beber outras influências, nomeadamente às harmonias extremas de bandas escandinavas como Emperor ou Dissection. O resultado é plenamente satisfatório no disco de estreia «Tyranny», editado o ano passado em tiragens limitadas em formato CD e agora disponível em LP pela Blood Harvest. É um festim para os ouvidos de fãs de Morbid Angel, sempre técnico mas com constantes piscadelas de olho ao lado mais imediatamente bruto do death metal e a uma componente atmosférica e melódica que resulta bem na abordagem sem limites do quarteto. (7/10)


 

Ranger_WhereEvilDwellsRANGER «Where Evil Dwells»
Spinefarm Records
Não é muito difícil perceber o charme underground de uma banda como os Ranger. São jovens, estão cheios de energia e a rebentar de heavy/speed metal old school pelas costuras dos blusões de cabedal. Bastou-lhes um par de EPs para se tornarem as novas estrelas da sempre efervescente cena metálica finlandesa e a Spinefarm, como não anda a dormir, percebeu o potencial do quarteto. «Where Evil Dwells», o longa-duração de estreia, confirma-lhes os predicados: velocidade, agressividade, estética retro e um sentido de divertimento que lhes retira toda a qualquer vergonha de usar os lugares-comuns mais batidos do heavy, thrash e speed metal. O que inclui longos solos, guitarras duais, shred sem limites e vocalizações agudas como se fosse 1980. Entusiasmante e divertido. (8/10)


 

Sorcerer_InTheShadowSORCERER «In The Shadow Of The Inverted Cross»
Metal Blade
Até agora os Sorcerer eram uma obscura banda de heavy/doom metal épico apenas ao alcance de quem tinha dado pelas duas maquetas que a banda sueca editou entre o final dos anos 80 e o início dos 90, antes do baixista Johnny Hagel se juntar aos Tiamat e o projecto entrar em hiato. Agora reactivado, o projecto edita o seu disco de estreia oficial e mostra como pode o doom metal mais clássico soar moderno e intemporal ao mesmo tempo. Imaginem um cruzamento dos discos «Headless Cross» dos Black Sabbath com «Nightfall» dos Candlemass, com produção cristalina e um vocalista (Anders Engberg, ex-Lions’s Share, ex-Therion) que é uma mistura de Robert Lowe e Tony Martin. Verdadeiramente épico, obscuro, poderoso e atmosférico, isto é doom/heavy metal clássico no seu melhor! (8/10)


 

TheEyeOfTime_ANTITHE EYE OF TIME «ANTI»
Denovali Records
O francês Marc Euvrie volta a surpreender com a terceira proposta do seu projecto The Eye Of Time. Para quem não conhece, estamos a falar de música contemporânea, industrial e/ou atmosférica, com iguais influências de Neurosis, Godspeed You! Black Emperor, Portishead ou Third Eye Foundation. Em «ANTI» o músico deixa para trás o universo acústico do último disco e propõe uma série de faixas bem mais negras, industriais e de ocasional drone, complementadas com uma série de texturas atmosféricas cinematográficas e soluções sónicas muito pouco convencionais para estruturas verdadeiramente alternativas. Inteiramente instrumental, «ANTI» é daqueles discos capazes de nos transportar nas asas da mais arrebatadora construção musical e, ao mesmo tempo, induzir-nos num transe catatónico de banda-sonora de fim de mundo. Brilhante. (8/10)


 

Theories_RegressionTHEORIES «Regression»
Metal Blade
Não foi preciso mais do que um EP em 2011 para que os norte-americanos Theories chegassem a uma editora como a Metal Blade. «Regression», o disco de estreia, “explica” porquê: grindcore feito com mestria, brutalidade, velocidade e intensidade, validado pelos argumentos técnicos de uma banda que conta com elementos e ex-elementos dos Samothrace, Skarp e Book Of Black Earth. No topo da lista de características que separa os Theories da concorrência está um lado dissonante quase sempre presente nas suas músicas (pensem em Cattle Decapitation) e alguns leads de guitarra, rápidos e inesperados, que surgem de vez em quando. O resto é grindcore feito à antiga: com castanhada de meia-noite, guturais demoníacos e uma secção rítmica absolutamente devastadora. (8/10)

MisantropiaExtrema_TheNealMorseBand_468x60_0215

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s