POSTO DE ESCUTA 03.04.2015

Capitol Photography ParntersEm pleno fim-de-semana grande, trazemos uma mão-cheia de propostas para (quase) todos os gostos: do doom /heavy rock ao thrash crossover, do black metal ao trip-hop/folk e tudo o que está pelo meio. Uma dezena de discos a descobrir urgentemente, a que não falta nem qualidade nem a magia que nos puxa, como um imane, para todos estes diferentes géneros. Feliz Eostre!

AcidWitch_MidnightMoviesACID WITCH «Midnight Movies»
Hells Headbangers Records
Cada vez mais senhores de um doom/death metal de contornos crust e psicadélico, os norte-americanos Acid Witch editam agora um MLP de 12” com quatro versões de quatro temas de “horror”, de quatro bandas obscuras: «I’m Back» dos Sorcery, «After Midnight» dos Fastway, «Soldiers Of The Night» dos Black Roses e «Partytime» dos Grave 45. O trio lá consegue dar um fio condutor a tudo, à conta de bem metidos samples de filmes e de uma abordagem honesta e descontraída. Por isso, «Midnight Movies» vale o que vale: é um artefacto engraçado, de interesse sobretudo para fãs de “horror metal”, que engrossa o legado desta que é uma das mais deliciosas surpresas do actual underground americano. (7/10)


 

BioCancer_TormentingTheInnocentBIO-CANCER «Tormenting The Innocent»
Candlelight Records
Bandas de thrash há muitas, mas propostas com a agressividade e a contundência dos gregos Bio-Cancer são tão difíceis de encontrar como no tempo de “seca” do estilo. Em «Tormenting The Innocent», a sua segunda proposta de originais, o quinteto de Atenas volta a misturar uma velocidade verdadeiramente furiosa com elementos crossover e vocalizações cortantes e agressivas ao nível dos Sodom ou Toxic Holocaust. Rifs acutilantes, solos tocados à velocidade da luz, refrões para cantar de punho no ar e ritmos que deixam o ouvinte sem saber se deve fazer headbang ou praticar air drum são dominados pelos Bio-Cancer na perfeição em «Tormenting The Innocent», possivelmente a melhor coisa que aconteceu ao thrash desde a estreia dos Municipal Waste. (8/10)


 

Corpo-Mente_Corpo-MenteCORPO-MENTE «Corpo-Mente»
Blood Music
Quem aprecia o mindfuck barroco-core do projecto Igorrr tem nos Corpo-Mente um projecto interessante para descobrir. O duo é composto pelos franceses Gautier Serre (mentor de Igorrr) e Laure Le Prunenec (colaboradora habitual também de Igorrr) e explora as zonas cinzentas entre o trip-hop, o folk e a voz operática de influências neo-clássicas. A coisa é feita com um lado melancólico sempre presente, o sentido de imprevisibilidade a que Gautier Serre já nos habituou e uma dicotomia equilibrada entre beleza esplêndida e experimentação sónica. É original, fascinante, exótico e possui profundidade suficiente para horas de descoberta musical entretida. (8/10)


 

Ergot_VictimsOfOurERGOT «Victims Of Our Same Dreams»
De Tenebrarum Principio
«Victims Of Our Same Dreams», o disco longa-duração de estreia dos italianos Ergot, mostra um tipo – Lord Ergot – fascinado com o black metal norueguês dos anos 90 mas que, contrariamente a muitos outros projectos com as mesmas características e objectivos, consegue recuperar de forma muito decente a sonoridade. Riffs gélidos mas sempre com um lado melódico, ligeiras camadas de teclados, passagens atmosféricas e/ou acústicas, vocalizações borbulhantes e o tipo de estrutura que tornou o black metal norueguês o fenómeno que todos conhecemos entrelaçam-se de forma interessante nesta estreia. A produção é clara mas contém rugosidade suficiente para dar força à música, num tipo de proposta extremamente específica mas que, neste domínio, cumpre o seu objectivo sem mácula. (7/10)


 

Fulgora_StratagemFULGORA «Stratagem»
Housecore Records
A secção rítmica dos Pig Destroyer (o baterista Adam Jarvis também pertence aos Misery Index), juntamente com o guitarrista e vocalista B.L. LaMew são a formação dos Fulgora, que atacam o grindcore coma precisão do death metal progressivo e a dinâmica do hardcore. É uma mistura que resulta incrivelmente bem, groovy e cheia por vezes, cortante e punkish noutras. É, sobretudo, o som de uma nova geração de músicos norte-americanos para quem as barreiras de géneros musicais (neste caso death metal técnico, grind e hardcore) pouco importam, desde que as canções sejam enérgicas, originais e poderosas. É o caso das sete faixas que perfazem os 21 intensos minutos de «Stratagem», a estreia com que os Fulgora entram com grande espalhafato na cena. (8/10)


 

Gloomball_TheQuietMonsterGLOOMBALL «The Quiet Monster»
Steamhammer
Depois de se estrearem com um disco muito decente, os alemães Gloomball continuam o seu processo evolutivo e a exploração do seu rock/metal alternativo com «The Quiet Monster». Consequentemente, esta segunda proposta é um pouco mais variada e ecléctica, com momentos menos rápidos, mantendo no entanto a melodia, o groove e um sentido muito decente de canção como pedras basilares da abordagem musical do grupo. Não reinventando nada, os Gloomball conseguem resultados muito interessantes na exploração do formato típico de canção verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão sobretudo devido à qualidade das melodias dos seus coros e das letras dos temas. Não é o fim do mundo em cuecas, mas é um disco que nos pode “apanhar” com relativa facilidade. (7/10)


 

LaySiege_HopeisnowhereLAY SIEGE «hopeisnowhere»
Lifeforce Records
Misturando hardcore, pós-metal e sludge, os Lay Siege colocam-se no grupo de bandas que não receiam mostrar a sua admiração pelos Cult Of Luna. No caso da estreia destes ingleses, os processo e a sonoridade andam mesmo muito perto dos mestres suecos, embora seja tudo mais vincado – os riffs são mais directos, as composições são mais assertivas e as atmosferas mais carregadas. Nota-se ainda alguma inexperiência e “pressa” em chegarem ao âmago das canções, bem como o uso de alguns lugares-comuns do pós-harcore/metal, mas depois de ouvido e digerido «hopesinowhere» a conclusão a que se chega é que há coisas bem piores para se ouvir quando se procuram sucedâneos mais pesados e directos dos Cult Of Luna. (7/10)


 

Oceanwake _SunlesOCEANWAKE «Sunless»
ViciSolum Productions
Espantoso segundo disco dos finlandeses Oceanwake, que misturam doom/death metal e influências pós-metal ao nível do que os Process Of Guilt fizeram na estreia «Renounce». Como se não bastasse, o quinteto acrescenta ainda um sentido melódico tipicamente finlandês, que os faz incluírem algumas passagens de vocalizações “limpas”, bem como leads de guitarra atmosféricos e melancólicos, na melhor tradição dos compatriotas Omnium Gatherum ou Insomnium. Finalmente, há a ter em conta dois factores em que os Oceanwake apresentam francas melhorias em relação à proposta de estreia: a coesão, na composição, de todos os diferentes elementos musicais que compõem a sua abordagem e a qualidade da produção, que dá a «Sunless» um som cristalino, com rugosidade nos “locais” certos. Um disco para a melancolia de dias primaveris. (8/10)


 

RoyalThunder_CrookedDoorsROYAL THUNDER «Crooked Doors»
Relapse Records
Em modo de crescimento acelerado, os norte-americanos Royal Thunder chegam, com «Crooked Doors», ao segundo álbum e mostram porque são considerados uma das grandes esperanças da música alternativa. Heavy rock, doom, pós-grunge, melodias que nos perseguem dias a fio e uma abordagem vocal assombrosa de Miny Parsonz conjugam-se para 11 temas que, logo por volta da segunda audição, apaixonam qualquer pessoa com um mínimo de bom gosto. É misterioso, profundo e tridimensional, sem nunca perder o encanto imediato do rock/hard rock psicadélico intemporal. Um dos grandes registos deste ano, sem qualquer dúvida. (9/10)


 

TheGentleStorm_TheDiaryTHE GENTLE STORM «The Diary»
InsideOut Music
Anneke van Giersbergen (ex-The Gathering, Agua De Anique) e Arjen Lucassen (Ayreon, Star One) são velhos conhecidos, que colaboram regularmente nos discos dos projectos do multi-instrumentista. Neste novo offshot, no entanto, trabalharam apenas os dois, com Lucassen a concentrar-se quase exclusivamente nas melodias vocais para o belo tom de Anneke. “Quase” porque «The Diary», o disco de estreia do projecto, acaba por ser uma mistura quase perfeita de folk, metal progressivo, música neo-clássica e étnica. À tendência de Arjen Lucassen para os arranjos inteligentes juntam-se os mais variados instrumentos acústicos clássicos, um conceito sobre a idade de ouro holandesa (o Século XVII) e melodias exploradas em dois contextos diferentes: cada música tem duas versões, uma totalmente acústica e folkish, e outra “metálica”, em dois CDs diferentes. Ou seja, o tratamento grandioso e épico habitual de Lucassen, com a melhor das melhores vocalistas e um resultado final que poderia ser The Blackmore’s Night num dia especialmente inspirado. (8/10)

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