ANTÓNIO PARADA

António ParadaAntónio Parada, natural de Sesimbra, tem 43 anos, é licenciado em direito e investigador criminal na área económica durante o dia. À noite, no entanto, este funcionário público, homem casado, transforma-se num escritor de literatura sci-fi e fantástica, fortemente influenciado pela iconografia heavy metal. Prestes a editar a sua primeira obra, “A Guardiã”, falámos com Parada sobre o livro que escreveu, sobre o estado da literatura fantástica nacional e, claro está, sobre o metal.

RSCN0863O livro “A Guardiã” é a tua primeira obra?
“A Guardiã” é a minha primeira obra literária. Aqui há uns anos cheguei a escrever uns poemas mas não dei sequência a esse trabalho. A ideia de escrever um livro que versasse sobre uma temática fantástica surgiu de modo natural e espontâneo. Regressava da praia com a minha mulher e filha a ouvir W.A.S.P. E, enquanto contemplava a Serra da Arrábida, a ideia materializou-se na minha cabeça: “Belo cenário para desenvolver um enredo de ficção científica pontuado de sobrenatural”. O primeiro impulso foi este. Depois a ideia foi maturando durante alguns dias até que comecei a escrever a obra.

Qual a história por detrás de “A Guardiã”?
Como resulta da sinopse, o que está em causa é o surgimento de uma raça de alienígenas no nosso planeta, mais concretamente no nosso país, dotada duma abissal capacidade de metamorfose, que rapidamente e de forma dissimulada cria as condições para se perpetuar como espécie dominadora. Acontece que as criaturas são extremamente bélicas e sanguinárias, fazendo de determinados rituais sexuais e caçadas o seu modo de vida. Porém, quis dar um certo cunho policial no enredo e na narrativa que se entrecruza, em simultâneo, com uma componente erótica muito forte. É a justificação para Henrique, inspector da Polícia Judiciária (fanático por heavy-metal), ser a figura central da história, que, inexplicavelmente passa a ser atormentada por terríveis pesadelos e visões que retratam de forma dantesca alguns desses homicídios eminentes.

Quais são as tuas principais influências literárias? Chegas a “filtrá-las” de modo a que apenas as mais adequadas a este género literário tenham lugar na tua escrita ou o processo é mais subconsciente e involuntário?
Sou um leitor compulsivo. Leio um pouco de tudo, desde biografias – neste momento estou a ler as biografias de todos os reis portugueses – a romances históricos ou ensaios. Claro que a área do fantástico, nomeadamente a ficção científica e sobrenatural, são o meu prato forte. Portanto, tudo acaba por me influenciar, desde José Saramago à Sandra Carvalho, embora reconheça que as obras de Stephen King sejam aquelas com as quais o meu tipo de narrativa mais se identifica.

Como consideras estar a literatura de fantasia/ficção científica em Portugal? Que obras e autores te surpreenderam ultimamente, no nosso país, dentro desses géneros?
Está a crescer, mas ainda não é devidamente reconhecida. Dentro da área da literatura de fantástico nacional prezo muito, entre outros, a Sandra Carvalho, o Filipe Faria e o Ricardo Pinto.

Capa A Guardia_3 (2)Actualmente as editoras tendem a apostar menos nos livros que lançam, deixando o ónus das vendas do lado dos autores e funcionando mais como plataforma de promoção do que como “casa” das obras. O acordo que tens com a Chiado Editora é também nesses moldes?
Como bem se entende não vou revelar o teor do contrato que celebrei. Porém, é uma evidência que existem cada vez mais autores na praça que escrevem sobre uma multiplicidade de realidades, ficcionadas ou não, e que o mercado nacional é limitado, pelo que dificilmente absorverá toda essa literatura. As editoras não querem ter prejuízo. Uma das formas que encontraram é partilhar esse risco com os novos autores, que, ou aceitam publicar o livro nessas condições, ou fazem-no por iniciativa própria. Cada um avaliará o resultado final, sabendo-se à partida que se uma obra tiver êxito e vender, em melhores condições estará o seu autor para celebrar mais e melhores contratos com essa ou outras editoras.

Primeiro O Senhor dos Anéis, agora As Crónicas De Gelo E Fogo… A literatura de fantasia parece estar melhor que nunca, muito por culpa do audiovisual. Consideras inteiramente benéfico este “casamento” entre obra literária e filme/série ou preferes quando uma obra fica apenas na cabeça do leitor, sem imagens concretas que limitem a sua imaginação?
Esses são apenas dois exemplos. Existem muitas mais obras, tão boas ou melhores que essas, a começar por aquilo que se faz no nosso país. Mas eu não sou contrário aos filmes ou séries que se baseiam em livros. Claro que é raro gostar mais do filme do que do livro no qual se baseou. São duas realidades que se podem complementar. Às vezes resulta bem, outras nem por isso. Tenho a certeza que para muitos escritores (não todos claro), seria uma honra e um privilégio verem o resultado da sua obra reproduzido no audiovisual, e eu seria um deles!

Uma das tuas principais influências não-literárias é, assumidamente, o heavy metal. Como é que esse género musical se reflecte na tua escrita, em tua opinião?
O som, a força, a composição das letras, a iconografia e a irreverencia daí resultante, contestando e criticando todo um conjunto de realidades e injustiças, nomeadamente, no meu caso, uma das que mais abomino – a igreja – passaram a moldar, não apenas agora, a minha escrita, como também, e desde sempre, a minha própria personalidade. Ora, toda essa pujança e sentido crítico, próprio de um fã de heavy-metal, estão, explícita ou implicitamente, contidos na própria narrativa do livro: as acções que se pretendem retratar, as imagens daí resultantes são rapidamente associadas e coladas a uma ideia cultural de fã incondicional de heavy metal no qual me revejo em absoluto.

Qual o teu percurso nesse gosto? Como chegaste ao metal, que bandas cresceste a ouvir e que géneros preferes actualmente?
A partir dos nove, dez anos passei a respirar heavy metal. Ainda não sabia sequer o que era isso e já gostava. A primeira banda mais pesada que ouvi foi AC/DC. Aquela batida, aquelas vocalizações deixaram-me de imediato siderado. Mais tarde ouvi o grupo que mais me influenciou e que ainda hoje considero como a melhor banda de heavy metal de sempre: Iron Maiden. Nunca me canso de ouvir álbuns como «The Number Of The Beast». Sou portanto um filho dos anos oitenta e do metal criado nessa década. Basta consultarem a minha página no Facebook, relativo à “Guardiã”. Talvez 80% dos grupos e álbuns lá mencionados espelham o brilhante metal que se fez nessa altura. Mas concretizando melhor, para além dos incontornáveis Metallica, Slayer ou Megadeth, cresci a ouvir todos os género de metal, desde o doom metal dos Candlemass ao death metal dos Death, Obituary, Possessed ou Morbid Angel. Para além da “velha escola” de heavy metal “puro” aprecio, como referi, death metal, black metal e doom. Ultimamente ando a ouvir Machine Head e Amon Amarth. Aliás o álbum «Surtur Rising» e a faixa «Destroyer Of The Universe», destes últimos, foram uma constante durante a composição da “Guardiã”…

Estás aberto a experiências de crossover, como a que o José Luis Peixoto chegou a fazer há uns anos com os Moonspell? Caso estejas, que bandas – nacionais e internacionais – considerarias interessantes e ideais para uma experiência desse género, considerando as características da tua escrita?
O que o José Luis Peixoto e os Moonspell fizeram, nomeadamente a propósito do álbum «The Antidote», foi simplesmente brilhante. Claro que se um dia algum dos meus livros desse origem a algo semelhante seria fantástico. Portanto estou 100% disponível (caso a minha actividade profissional o não impeça) para todas as experiências que se traduzam numa mais-valia para a projecção do actual e futuros livros, e para com todos os grupos ou eventos de heavy metal que comigo se queiram associar. Divulga-se o grupo ou evento, divulga-se o livro e vice-versa. Uma simbiose perfeita. Concretizando, a nível nacional: Moonspell, Factory Of Dreams, Ava Inferi, Ramp, Fili Nigrantium Infernalium, Malevolence… Internacional: Amon Amarth, Kreator, Iron Maiden; Motörhead, etc.

Estás a trabalhar em algum novo projecto? Caso estejas, o que nos podes dizer sobre ele?
“A Guardiã” ainda não saiu mas eu já concluí outro livro. Estou neste momento a trabalhar o texto. Trata-se duma história menos virada para a ficção científica e mais para o sobrenatural. A narrativa versa sobre um trio de jovens metálicos e a acção está dividida em dois espaços temporais: os anos 80 e a actualidade. A história vai-se centrar num lugar mágico de Portugal: O Gerês. Podem contar com muita fantasia, espectros demoníacos, erotismo e metal a fazer o enquadramento!

“A Guardiã” é lançado em breve pela Chiado Editora.
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2 pensamentos sobre “ANTÓNIO PARADA

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