CRUCIFYRE

crucifyre-logoEstrearam-se em 2010 com o álbum «Infernal Earthly Divine» e, logo aí, os Crucifyre mostraram que estavam para além da típica banda sueca de death metal com estética retro, incluindo uma série de outros géneros na sua música. Agora, quatro anos depois, estão de regresso com «Black Magic Fire», ideias mais definidas e uma sonoridade sólida como uma rocha. O baterista Yassin Hillborg revelou-nos a sua visão lata do estilo e levantou um pouco do véu sobre o lado “sério” de letras de canções como «Baphomet’s Revenge» ou «Apocalypse Whore».

crucifyre-photo1Existia algum objectivo definido ou idea de qual a direcção musical que queriam seguir na composição do «Black Magic Fire»?
Queríamos fazer um disco melhor do que o último. As canções foram escritas durante um período bastante longo, mas o título do álbum está na minha cabeça há muito tempo. Num certo sentido, há uma linha condutora entre as faixas, ou melhor, todas elas têm o seu local específico no disco. Por isso pode dizer-se que havia pelo menos um objectivo intuitivo.

É mais fácil ou mais complicado trabalhar sob um padrão musical bem definido como o “death metal sueco old school”? Tem certamente uma estética atraente, mas tem também alguma limitação em relação aos elementos de outros estilos que se possam utilizar?
Não nos considero uma banda típica de death metal sueco. Nem sequer tenho a certeza se tocamos death metal per se. A maior parte das vezes há mais influências black metal e heavy metal na nossa música. Bandas como Black Sabbath, Mercyful Fate e Slayer têm uma influência maior em nós do que a maioria das bandas suecas. Por isso a resposta à tua questão é: não, não nos limitamos a praticar apenas um estilo. A ideia principal é: tocamos música.

Como funciona a composição no seio do grupo? É uma democracia? Quando alguém traz uma ideia musica, é geralmente aceite ou existem discussões?
Escrevo a maioria da música e das letras. O [guitarrista] TG apareceu com um riff para a canção que se tornou a «Faces Of Death» – o verso, na primeira parte da faixa. O [vocalista Erik] Tormentor escreveu uma parte das letras da «Annelise». Eu tinha um tema para a canção, mas queria que fosse instrumental, uma vez que tem uma estrutura totalmente épica. Não existe um riff ou qualquer outra parte repetidos durante toda a faixa. O Erik insistiu que devíamos experimentá-la com voz, o que acabámos por fazer e funcionou bem desse modo também, por isso acabeou por contribuir com uma parte das letras. Geralmente não discutimos sobre as músicas. Ou melhor, sou eu que discuto comigo mesmo sobre como melhorá-las. A arte não é “democrática”. Existe boa música e má música, bem como boa e má arte.

crucifyre-photo2Quais são as vossas maiores influências dentro e fora do death metal sueco, individual e colectivamente? Até que ponto se deixam influenciar?
As bandas que mencionei há pouco. Tentamos inspirar-nos nos originais, em vez de em bandas que vieram depois. Os clássicos, como Motörhead, Venom, Judas Priest, Bathory… Mas sou influenciado por uma série de coisas que oiço, sejam grupos de rock como os The [Rolling] Stones ou bandas góticas como os Bauhaus, punk como os Discharge ou os The Damned. Música clássica também. Posto isso, não significa necessariamente que sejamos uma banda de death/goth/punk metal ou algo desse género. Mantemos as nossas influências dentro da entidade que é Crucifyre e Crucifyre representa música heavy metal negra, violenta e mágica. Do ponto de vista estritamente metálico, creio que temos influências um pouco diversas, mas podem todas ser resumidas naquilo que se tornou thrash e death metal. A dada altura, o Lemmy chegou a tocar baixo nos The Damned! É tudo música.

Qual a sensação de gravarem este tipo de música num estúdio que tem os Abba, Roxette e Lady Gaga ainda a ecoar nas suas paredes?
Quando tocamos não há mais nada que ecoe nas paredes. Os estúdios XLVL costumavam ser os estúdios da EMI aqui na Suécia. É um dos melhores estúdios do país, se não o melhor. Não vejo qualquer diferença entre o Rick Rubin trabalhar com os Slayer ou uma banda como eles gravar num estúdio de topo. Os Entombed, por exemplo, gravaram no Polar Studio em Estocolmo, em que os Abba e os Led Zeppelin, entre outros, também produziram discos. Para além disso, o trabalho foi tão focado durante a gravação do «Black Magic Fire» que não tivemos tempo para pensar na Lady Gaga ou em quem quer que fosse; apenas nos sentimos extremamente satisfeitos por termos o privilégio de gravar com tão boas condições.

O grupo tem uma série de elementos activos também noutras bandas. Ensaiam e tocam ao vivo regularmente? É complicado manter o projecto activo com tudo isto a acontecer e mais as vidas profissionais e familiares?
É claro que é complicado manter as agendas de toda a gente sincronizadas. Mas todos sabemos o que os Crucifyre representam e, se queremos fazer parte de uma coisa ao nível que estamos a tentar alcançar, temos mesmo de fazer um esforço. Se não queremos fazê-lo, podemos sempre fazer outra coisa qualquer. Gostaríamos de tocar mais ao vivo do que aquilo que temos feito, mas temos sido algo criteriosos também, recusando algumas propostas.

crucifyre-coverPosto isso, qual é exactamente o estatuto dos Crucifyre para todos vocês? É uma banda mais descontraída ou com uma atitude mais séria, com a qual tentam construir uma carreira sólida e duradoura?
Crucifyre é definitivamente uma banda concentrada e séria. Não sei se é possível ter uma carreira neste tipo de música nesta era, mas por outro lado, porquê riscar cenários?

Existe algum outro nível nas vossas letras, que não apenas o lado negro e satânico mais directo que a maioria das letras têm? São apenas letras e palavras divertidas para acompanhar as músicas, ou têm uma mensagem?
Para ser o mais sincero possível, detesto “bandas divertidas” tanto quanto odeio letras sem profundidade. E sim, existe uma mensagem mais ou menos espelhada em cada uma das nossas letras. Mesmo uma canção como a «Hail Satan», do [álbum anterior] «Infernal Earthly Divine» tem uma mensagem de rebelião e não submissão à autoridade. Isso não significa que não possamos ter sentido de humor, quer dizer, quem pode ouvir uma frase como “Fuck you an the horse you rode on” e não ver o humor que tem?

Fizeste recentemente um filme sobre a história do metal sueco. O que nos podes contar sobre as dificuldades de produção que enfrentaste?
Sim, em 2011 o meu documentário sobre a história do hard rock e heavy metal sueco, “Så jävla metal” estreou aqui na Suécia. Tem sido mostrado em alguns festivais no estrangeiro também. O motivo pelo qual não tem sido exibido em muitos países é o alto custo de licenciar a música incluída no filme. Foi um projecto de produção longa e morosa, que demorou quase cinco anos a completar. O filme foi bem recebido e, apesar de ser um trabalho árduo que alguém tinha de ter, fui eu que o tive.

«Black Magic Fire» foi editado em Agosto.
Site oficial

Exodus_728x90_EU+UK

Um pensamento sobre “CRUCIFYRE

  1. Pingback: ENTREVISTA CRUCIFYRE: DEATH METAL SUECO, LETRAS REVOLUCIONÁRIAS E UM DOCUMENTÁRIO | Misantropia Extrema

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s