CZAR OF CRICKETS PRODUCTIONS

Czar Main LogoPara além de fundador, vocalista e guitarrista dos indomáveis Zatokrev, o suíço Frederyk Rotter tem um lado empreendedor, materializado com a editora Czar Of Crickets, que fundou e gere há oito anos. Responsável pela descoberta e edição de nomes relevantes da cena local como King Legba & The Loas, Zlang Zlut ou Carma Star, a empresa é suficientemente liberta de amarras estilísticas e apaixonada para nos chamar a atenção e para que conversássemos com o seu fundador.

FredO que te levou a quereres fundar uma editora? O que despoletou a ideia?
Existiram diversas razões para fazê-lo. Obviamente, queria apoiar artistas underground e levá-los um pouco mais longe na carreira deles. De qualquer modo, o primeiro disco que lancei foi o «Bury The Ashes» da minha própria banda – os Zatokrev – para iniciar as actividade e me ambientar ao tipo de trabalho que precisava de ser feito. Outra razão era a minha vontade de perceber o mundo por detrás de uma editora. Enquanto músico, não sabia praticamente nada sobre isso.

Esse envolvimento com o outro lado da indústria musical retirou um pouco da “magia” de tocar música ou, pelo contrário, deu-te ainda mais motivação?
Ao início foi bastante duro. Existiam muitos factores que não eram muito motivantes. Era tanto trabalho que dei por mim várias vezes sem tempo para me dedicar à música. Só trabalhava, a tratar da promoção e de toda a merda burocrática, para além dos meus empregos normais. Para além disso, também perdi dinheiro. Por isso, até certo ponto, teria sido preferível manter-me um músico inocente. Mas actualmente estou mais organizado e sinto-me mais confortável com o meu trabalho.

Fizeste um grande investimento na criação da empresa e um plano de negócios como qualquer outra “companhia” ou encaraste as coisas de um modo um pouco mais leve e não tão profissional?
Sim, fiz um investimento. Comprei todos os códigos – código de barras, labelcode, ISRC, etc. E pagava a fabricação dos álbuns das nossas bandas e a sua promoção. Foi por isso que perdi uma série de dinheiro; não existia segurança. O risco estava do meu lado. Levei a coisa muito a sério porque queria fazer um bom trabalho. Actualmente as bandas da Czar têm de pagar todas as despesas inerentes ao seu disco e pagar-me a mim – ou prestar-me algum tipo de serviço – pelo meu trabalho, num tipo de acordo similar aos que se fazem com uma agência de promoção, mas com a diferença de que eu tenho uma rede de distribuição e faço promoção internacional. Pode parecer bizarro, mas é a única forma em que consigo trabalhar; não estou em posição de acarretar quaisquer riscos. Mas o lado positivo para as bandas é que recebem todo o lucro das vendas. Também mantêm os seus direitos de autor. E eu não perco dinheiro e posso fazer um trabalho a tempo inteiro para as bandas.

Zlang Zlut Live Pic copyExistia alguma ideologia da editora ao início e, se existia, foi mudando ao longo dos anos de actividade?
A grande ideologia nunca mudou. Quer dizer, mudei a forma como trabalho, devido ao simples motivo do mercado musical ter mudado também nos últimos anos. Mas ainda tenho a mesma paixão e é por isso que esta editora ainda existe. A minha ideologia é não colocar qualquer tipo de barreiras à música. A profundidade na música tem lados diferentes e quero manter-me aberto a isso. E continuo a querer apoiar artistas underground com talento.

Entretanto dividiste a editora em duas sub-editoras: a Czar Of Revelations e a Czar Of Bullets. Porquê?
Depois de alguns anos percebi que trabalhei com muitos artistas diferentes, de vários géneros. O catálogo da Czar Of Crickets tornou-se um pouco desfocado. Metade das bandas eram claramente de metal e outras eram completamente diferentes. Por isso, a Czar Of Bullets é para o lado metálico e para todas as bandas que se encaixam aí em termos de intensidade, volume de som e distorção de guitarras. A Czar Of Revelations inclui as outras. Podem ser de puro rock, rock’n’roll, folk, pop, country ou experimentais. Acho que este sistema ajuda as pessoas a fazerem uma ideia mais clara do que se passa na editora.

Qual é a logística da editora? Tens um escritório e um armazém? Trabalhas sózinho?
Na verdade, nem sequer tenho casa. Durante anos habituei-me a viver em quartos alugados porque estava sempre em digressão. Tornei-me insensível à ideia de ter o meu próprio apartamento. Trabalho onde tenho internet. Por vezes vou a um lendário ponto de reunião punk, outras vezes a um bar de metal aqui em Basileia, porque têm wi-fi. Sento-me lá e envio todos os e-mails, actualizo o site, etc. A ideia do trabalho actualmente é poder desenrascar-me mesmo quando estou em digressão com uma das bandas em que todo. E finalmente fartei-me de viver em quartos alugados. Gostaria de andar para a frente com a editora também para ter possibilidade de um dia pagar o meu pequeno apartamento com um emprego de que realmente goste e deixar de estar dependente de trabalhos temporários – estou um pouco farto disso também.

Artwork Serafyn SingleO que procuras nas bandas? Qual é o processo que usas para recrutá-las para a editora?
Sinceramente, gosto de conhecer as pessoas com que trabalho. Quero trabalhar com pessoas boas e honestas. Conheço pelo menos um tipo de cada banda. Alguns deles são meus amigos, outros são amigos de amigos. Muitas vezes, antes de começarmos a trabalhar juntos encontramo-nos para uma reunião. Vou ao local de ensaio deles e pergunto-lhes de que falam as letras, por exemplo. Preciso de compreender a energia que os torna criativos e de perceber qual a relevância que têm, para poder fazer com que os seus discos aconteçam. Sou musicalmente muito aberto, por isso gosto de muitos géneros e não me coloco qualquer tipo de barreiras nesse aspecto. Preocupo-me principalmente com a autenticidade das bandas e, claro, tenho de gostar do que oiço.

Qual dos lançamentos do teu fundo de catálogo te deixa especialmente orgulhoso e qual é o que achas que não teve, injustamente, a devida atenção de imprensa e fãs?
Obviamente, de certa forma, tenho orgulho em todas as bandas. Mas acho que os King Legba & The Loas mereciam mais atenção. É uma banda que toca um rock’n’roll bastante simples, mas com um grande grau de profundidade, alma e cheia de grandes músicos. O disco deles tem uma sonoridade muito porca e crua, mas eles gravaram ao vivo de uma forma muito old school sem grandes edições, por isso o som deles é groovy como o raio. Se os vires ao vivo eles soam exactamente como no disco e isso é excelente. Não receiam uma sonoridade crua e isso significa que não têm medo de mostrar quem são. Não precisam de toda a maquinaria para fazer o disco soar de forma perfeita e para esconder os erros, como tantos fazem actualmente, embora não tenha nada contra isso, porque é a escolha de cada um e respeito-o. Só que admiro os King Legba pela escolha que fizeram. Conheço bem o sentimento de ouvir um disco a soar todo bonitinho e depois, quando ouvimos a banda a tocar ao vivo pensamos “Foda-se, que farsa!”. Os King Legba & The Loas são precisamente o oposto disso, mas é difícil para eles obter algum reconhecimento no meio de todas as coisas sobreproduzidas que se ouvem todos os dias.

Porque estão os Zatokrev na Candelight Records e não na Czar Of Crickets?
A Candlelight é uma editora bastante grande com óptimas possibilidades em termos de promoção, que faz os Zatrokrev crescerem. São um óptimo apoio. Quero principalmente trabalhar com outras bandas na Czar Of Crickets. Escrever um disco, gravá-lo, tocar as músicas ao vivo, fabricá-lo, fazer promoção e tudo isso seria demais e não quero perder o prazer daquilo que mais gosto. Apesar de estar um pouco envolvido no lado burocrático dos Zatokrev, prefiro manter a actividade na banda para me expressar tanto quanto possível e não estar muito envolvido no lado negocial.

Como estão os Zatokrev actualmente? Há material novo composto e algum lançamento prester a ser editado?
Sim, temos o novo disco quase terminado. Ainda precisamos de gravar as vozes, mas deve estar tudo terminado em breve.

Tens alguma estratégia específica de crescimento para a editora no futuro? Quais são os teus planos?
Estou a tentar aumentar os meus contactos promocionais. Tenho planos para, no futuro, renovar o nosso site e arranjar uma infraestrutura melhor. Tudo isto basicamente significa trabalho, trabalho, trabalho. Fico muito contente quando falo da minha editora e dos artistas da Czar Of Crickers, de modo a que algumas pessoas compreendam quem somos e que o que fazemos é uma coisa boa. Estamos sempre a pensar em formas de nos reinventarmos e à nossa paixão.

Os últimos lançamentos da Czar Of Crickets foram «Fragments» dos The Burden Remains e o álbum homónimo dos King Legba & The Loas.
Site oficial

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