FÄULNIS

faulnis-logoChamar à sua música “black doom punk rock” pode dar azo a muita coisa, mas no caso do alemão Seuche e do seu projecto Fäulnis, a plataforma serve para editar música incrivelmente negra com uma atitude fuck off que lhe assenta bem. Ao terceiro álbum de originais, chamado «Snuff || Hiroshima», o multi-instrumentista rodeou-se de uma banda “a sério” e propõe um dos mais viscerais e impressionantes conjuntos de temas da sua carreira. Um blog com um título como “Misantropia Extrema” não podia deixar passar uma coisa assim sem falar com o seu mentor, pois não?

faulnis-fotoAbordaram a composição do «Snuff || Hiroshima» com algum objectivo específico em mente?
Sim, concentrámo-nos em transmitir sentimentos como ódio, raiva e estagnação. Ao contrário do [álbum anterior] «Gehirn zwischen Wahn und Sinn», que lidava com os dias cinzentos,o «Snuff || Hiroshima» é muito mais um murro na cara. De puro ódio!

O que reflecte o título do álbum? É também uma linha condutora para a temática das canções?
O título do disco é uma associação. “Snuff” é assassinato para entretenimento, “Hiroshima” é a bomba atómica. Ouvimos as palavras e formamos certas imagens mentais. O «Gehirn zwischen Wahn und Sinn» lidava com o vazio, concreto e centrado no eu interior, enquanto que no «Snuff || Hiroshima» lido mais com o todo, a natureza do homem entre os seus semelhantes. E sim, preciso destes conceitos como uma linha condutora para mim próprio.

Continuam a cantar e a expressarem-se em alemão. Porquê? É uma escolha puramente artística ou uma opção por não te expressares tão bem em inglês, por exemplo?
Ambos. Acho que dá às canções uma atmosfera especial importante. Soa de forma muito mais natural para mim e, quando escrevo sobre os meus próprios pensamentos e sentimentos, é natural que use a minha língua materna. Todas as expressões, os jogos de palavras…

Sentes que existe uma espécie de barreira para os Fäulnis, nos países que não falam alemão, devido a esta opção?
Talvez; quem sabe e quem quer saber? Se existisse a esperança de ficarmos famosos com os Fäulnis, queria atingir essa notoriedade com a minha própria ideia do que é o projecto, sem pensar nas opiniões dos outros e o que seria melhor para os Fäulnis. É isso que faz a cena actual uma farsa: todas as modinhas e imitações daquilo que já faz sucesso, segundo cada uma das regras impostas… O potencial comercial é uma merda; tenho um emprego fixo para ganhar dinheiro!

faulnis-coverDesta vez não gravaste as guitarras no disco e usaste os serviços de dois guitarristas. Porquê essa opção e o que acrescentou ela ao álbum?
Ambos os nossos guitarristas são tecnicamente muito melhores que eu. A grande vantagem foi, e é, o facto de eu poder focar-me mais nas letras em vez de praticar guitarra. Detesto praticar, para ser sincero.

Consideras neste momento os Fäulnis como um projecto pessoal ou uma banda onde és o líder?
Fäulnis é o meu instrumento de expressão. Mas também é uma banda onde discutimos as decisões em conjunto e para a qual toda a gente contribui com ideias. Tenho sempre a última palavra, mas na minha opinião um grupo precisa sempre de uma pessoa assim. Não sou grande amigo de comprometimentos.

Quais são, neste momento, as tuas principais influências musicais e até que ponto deixas que elas influenciem a música de Fäulnis? São muito diferentes das influências que tinhas no início do projecto?
Essa é uma questão difícil; as minhas influências estão basicamente em tudo o que me rodeia e isso inclui a música. Quando ouvimos Fäulnis podemos detectar influências explícitas do punk alemão. Ao princípio gostava muito mais de black metal, apesar de ter crescido a ouvir punk. Actualmente, a nossa sonoridade é uma mistura de tudo e nada. Entre 1996 e 2003 – ano em que comecei o projecto – talvez tenha ouvido exclusivamente black metal, mas isso entretanto mudou radicalmente.

Onde produziram o álbum e como decorreram as gravações? São o tipo de banda que vai super-preparada para o estúdio ou deixam algum espaço para improvisação e/ou espontaneidade?
Gravámos o «Snuff || Hiroshima» no Blastbeat Studio em Kiel, aqui na Alemanha. E sim, somos tipos ultra-preparados. Foi a primeira vez que não produzi as guitarras eu próprio, por isso não queria deixar nada ao acaso. Todos necessitámos de cerca de cinco dias para as captações. Mas tínhamos algum espaço para a espontaneidade, claro. Talvez da próxima vez até tenhamos mais e a improvisação tenha um pouco mais de protagonismo, como nos últimos álbuns.

Essa atitude de misturarem black metal com punk alguma vez te colocou em apuros perante as bandas de extrema-direita e os seus fãs?
Fora do domínio da internet? Nunca!

Estão mais activos em termos de concertos. Têm um público fiel ou a assistência depende muito do local onde actuam?
Andámos em digressão durante dez dias o mês passado. Nos anos anteriores tocávamos meia-dúzia de vezes por ano, a maior parte delas na Alemanha. Sorte ou não, até agora nunca demos um concerto numa sala vazia.

«Snuff || Hiroshima» foi editado em Fevereiro.
Site oficial

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Um pensamento sobre “FÄULNIS

  1. Pingback: FÄULNIS: ENTEVISTA EXCLUSIVA | Misantropia Extrema

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