MACHINERGY

Machinergy Official Logo White copySujeitos a uma evolução auto-imposta mas cheia de derivações de ADN (thrash, industrial, death metal e crust), os Machinergy chegam a 2014 com um novo disco, chamado «Sounds Evolution», e uma abordagem musical cheia de raiva crua, sorrisos irónicos e uma incomodativa tendência para colocarem o dedo em todas as feridas que encontram. A banda de Arruda dos Vinhos aceitou, através do seu vocalista e guitarrista Ruy, falar connosco sobre o sucessor de «Rhythmotion» e escolher a playlist que passa este sábado na METV.

Machinergy 2014Havia alguma ideia pré-definida para este álbum antes de iniciarem a composição dos temas, alguma coisa que sabiam que queriam mesmo fazer ou queriam mesmo evitar?
Não posso dizer que tenha existido uma regra mandatória. Talvez que o novo material fosse mais rápido. Depois de começarmos a tocar ao vivo, as coisas como que “aceleraram” um pouco e isso acabou por traduzir-se nas novas composições. Mas acho que o nosso método de composição e aquilo que vai sair já está, mais ou menos, estabelecido nesta banda. Depois depende da envolvente da altura, do que andamos a ouvir mais, do nosso estado de espírito, etc.

A vossa “paleta” de influências é gigante e vai do thrash ao industrial, passando pelo death metal e pelo crust/punk. No entanto, os temas do novo disco são muito focados e baseados em menos ideias por faixa e melhor exploração das mesmas. Existe algum trabalho em “concentrar” poucas ideias por música ou é algo que já sai naturalmente quando escrevem?
O «Sounds Evolution» é o produto final de quatro anos de intenso trabalho e dedicação. Foram muitos meses de composição e ensaios até as músicas estarem suficientemente “enxutas” e prontas para gravar. É difícil fazer/ser simples mas procuramos isso nesta banda. Criar música que fique, que oiças daqui a uns anos e continues satisfeito é o nosso objectivo. No fundo, algo que até sendo, por vezes, intrincado tecnicamente, te soe simples e bem. A tua observação é certeira pois foi isso que tivemos sempre em mente: não complicar.

Rui MachinergyAs vossas influências musicais são diferentes dos gostos pessoais de cada um? Não pude deixar de reparar que colocaste Lita Ford na tua playlist para a METV, mas o hard rock clássico não é uma coisa que seja muito audível na sonoridade dos Machinergy.
De um modo geral, gostamos todos das mesmas bandas de metal e até dos mesmos álbuns e cultivamos o gosto pela música enquanto arte. Andamos os três na casa dos 40, começámos a tocar juntos, há muita coisa em comum entre nós. Depois cada um leva o seu gosto mais aqui ou acolá mas há em nós uma base old school e também abertura ao que é moderno e isso traduz-se na nossa sonoridade. Quanto à Lita Ford, escolhi porque foi marcante, sempre admirei o seu trabalho e atitude e continua a ser uma guerreira. [A música] «Kiss Me Deadly» é uma autêntica tatuagem musical gravada nas nossas mentes!

Qual é o método de composição do grupo? O Nuno Mariano já teve algum input na escrita do «Sounds Evolution»?
O Mariano entrou numa altura em que o álbum já estava composto. Gravou o baixo e contribuiu com algumas opiniões no geral para além de ajudar tecnicamente o Helder. Sobre o método de composição, normalmente levo uma ideia ou uma estrutura de casa e depois trabalhamo-la em estúdio. Também surgem algumas coisas em jams mas o habitual é apresentar algo já concreto, uma base razoavelmente sólida. Por vezes acontece o produto final não ser nada do que se apresentou inicialmente. [A faixa] «Fúria» foi um dos casos em que a música deu uma volta de 180 graus e andámos a “partir pedra”nos ensaios até obter o resultado final.

Machinergy_Sounds_Evolution_coverA biografia que acompanha o lançamento do disco descreve cada uma das fases da banda em cores. Porquê esta conotação cromática?
A cor é uma forma de marcar visualmente os discos e determinada fase da banda. Faz parte do processo como um todo onde entram as músicas, as letras, os conceitos. É também uma forma de te lembrares imediatamente do seu conteúdo, de seres transportado para essa altura. Pode parecer que não mas a predominância de uma cor no quadro geral, fica-te gravado no subconsciente.

As vossas letras são rápidas e simples, mas são tudo menos vazias. Qual a mensagem que tentas passar através das canções dos Machinergy, neste disco?
O álbum aborda várias temáticas, entre as quais, o planeta Terra. Mas não é um álbum conceptual de assuntos relacionados com ecologia ou “salvem as baleias”. No tema-título «Sounds Evolution» tentei desmascarar e alertar para as inúmeras campanhas “verdes” que alimentam grandes multinacionais na venda dos seus produtos e do bombardeamento massivo imposto às pessoas com toneladas de (des)informação subliminar de modo a sentirem-se “culpadas” e obrigadas a comprar, a praticar a sua boa acção em torno do planeta. No fim, interessa o dinheiro. Falamos em Terra, mas em sentido ficcionado, na «Venomith», uma suposta viagem ao centro da Terra para eliminar todo o mal da humanidade, uma espécie de complemento à obra de Júlio Verne. Voltamos a falar do planeta – real – em «Waterwar», tema que tem a convidada especial deste disco, Célia Ramos, e a guerra do futuro: a água. Já se guerreia por causa dela em várias partes do globo e será o futuro negro, seco, árido como um deserto? Talvez, mas a esperança também é a última a morrer, dizem. E verde é a cor da esperança… Resumindo, o «Sounds Evolution» é um disco de pessoas vividas, encantadas mas também desiludidas com muitas coisas neste mundo. No fundo, é o nosso grito de revolta carregado de distorção.

Têm uma faixa em português e várias em que fazem o crossover entre o português e o inglês. Como decidem o que é escrito em que língua e porque usam os dois idiomas?
O crossover, não só instrumental mas também lírico, é uma das nossas características e surgiu naturalmente. Temos o inglês como língua principal mas há expressões e sentimentos que têm mais força em português. Por exemplo, a letra da [música] «Antagonista» é mais incisiva por estar em português e também porque tem as palavras certas. Decidimos fundir ambas as línguas e criar este cocktail exótico que, curiosamente, é uma particularidade comentada e até apreciada por quem nos ouve.

Célia Ramos (Mons Lvnae)Gravaram o álbum no vosso próprio estúdio. Tiveram um grande investimento em montá-lo? Trabalhando no vosso próprio espaço, sentem alguma falta da “pressão de tempo” que o aluguer de um estúdio implica e que obriga a tomar decisões objectivas em pouco tempo e “largar” as músicas logo que estão captadas?
Esse stress do estúdio alugado tem um lado bom, não podes andar a “engonhar” muito e tens de pensar e decidir rápido. Infelizmente, a nossa experiência de estúdios pagos ao longo dos anos não foi muito feliz e isso desgastou-nos um pouco. Quando arrancámos com os Machinergy, decidimos montar um pequeno estúdio e adquirir algum software e hardware – o investimento não foi muito avultado – e formarmo-nos, mais concretamente o Helder, em técnicas de som, mistura, efeitos, etc. O Mariano vem completar o quadro, pois é técnico de som. Oito anos depois, o balanço é francamente positivo e a cada novo trabalho vamos tentando melhorar as nossas técnicas e produto final.

Qual vai ser a editora responsável pelo lançamento do trabalho?
Decidimos iniciar a divulgação do álbum digitalmente mas estamos a tratar da sua edição física, que verá a luz do dia brevemente. Será um lançamento em conjunto, uma parceria de editoras e banda à semelhança do 3-way-split de 2013. Sairá novamente pela portuguesa Metal Soldiers Records e pela grega Secret Port Records. O Fernando Roberto da Metal Soldiers tem sido uma preciosa ajuda nestes últimos anos, pelo que lhe estamos muito gratos. Sobre o cenário geral, é muito complicado arranjar uma editora, alguém que ajude a divulgar a tua banda de forma consistente, a levar o teu som a outras partes do globo. Neste momento estamos com alguém – a Metal Soldiers – que o faz e isso é o que nós procuramos também: mostrar os Machinergy ao mundo.

Isso traz-nos à seminal questão da “cena” nacional. Como a encaram actualmente? Está melhor ou pior do que há dez anos atrás, por exemplo?
Tendo esse espaço temporal como referência, sinceramente, não vejo nenhuma mudança drástica. Há bandas que acabam, outras começam, os bares a mesma coisa, alguns “velhotes” – RAMP, Tarantula, etc – vão-se mantendo, os Moonspell continuam a sua cruzada lusitana… Enfim, não vejo nada de especial que tenha acontecido e que tenha abanado o establishment, que fosse um passo em frente, que tenha subido a parada. Continuamos na mesma. Isso também não significa que estamos mal.

Podes dar-nos umas luzes das tuas principais escolhas para a playlist da METV e as razões das tuas principais opções?
A escolha da playlist incidiu, em primeiro lugar, sobre as bandas nacionais. Tendo esta oportunidade, há que dar tempo de antena aos companheiros de luta. Mas é pena constatar que a produção vídeográfica nacional ainda seja tão residual. As escolhas internacionais mostram o leque variado de influências e gostos nesta banda. Vai da brutalidade de uns Watain ou Belphegor até aos clássicos Motörhead passando pelos “modernos” TDEP ou os experimentais Downfall Of Gaia. E como isto é pessoal que não gosta só de barulho, sai uma Lita Ford para a mesa do canto!

«Sounds Evolution» foi editado no início de Junho.
Site oficial

3 pensamentos sobre “MACHINERGY

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