SOLACE OF REQUIEM

Solace-Of-Requiem-LogoOs Solace Of Requiem chegam ao seu quarto álbum de originais, «Casting Ruin», com a aura de serem uma das mais selvaticamente técnicas bandas de death/black metal dos Estado Unidos. Com uma colecção de temas coesa, onde a precisão rítmica, a proficiência de solos e os riffs progressivos imperam, o grupo olha para o futuro com esperança e o seu baixista, vocalista e mentor Jeff Sumrell é a imagem da esclarecimento, inteligência e determinação de toda uma geração de músicos “extremos”. E, no meio da conversa, faz um apelo: salvem a ciência dos males da religião.

2013promo_1Tinham algum objectivo específico antes de iniciarem a composição do «Casting Ruin», alguma ideia da direcção musical em que queriam seguir neste disco?
Mais ou menos. Tinha uma ideia bastante clara de como queria compor o novo disco, mas a direcção musical era outra conversa. Sabia como queria montar tudo, mas não sabia bem qual devia ser a direcção a seguir. No entanto, a resposta a essa questão apareceu de forma muito natural assim que as primeiras músicas foram escritas. Pensando bem agora, talvez soubesse qual a direcção a seguir pelo simples facto de já saber quais os diferentes instrumentos que incorporaria no álbum, mas por alguma razão nunca tive bem certeza do caminho que o trabalho iria tomar até ter as duas ou três primeiras canções completas. A música é o que é. Não escrevi uma única faixa com ambição de encaixá-la dentro de um género específico. Algumas pessoas consideram-nos uma banda de death metal por causa dos nossos níveis de agressividade e brutalidade. Somos considerados black metal por outros devido às partes mais “épicas” da nossa música, a que se juntam ocasionais vocalizações mais agudas. Há outros que dizem que praticamos death metal técnico porque somos muito complexos e rápidos. Mas a verdade do que somos é tão mais do que tudo isto e a vasta quantidade de influências incorporadas no nosso estilo é o que cria a nossa própria sonoridade. Limito-me a tentar escrever boa música. Não penso a que género pertence. Por isso, foi complicado perceber aquilo que o disco seria até as primeiras canções começarem a ganhar forma.

Têm um novo guitarrista, recrutado em 2011. O que é que o Richard [Gulczynski] acrescentou no processo de composição deste novo álbum?
O Richard foi o principal compositor da nossa quarta faixa, «Song Of Shards» e ajudou a compor os instrumentos midi da oitava faixa, «Pools Of Ablation». Também escreveu todos os solos de guitarra do disco, em que pessoalmente acho que fez um trabalho muito bom. Por isso teve uma participação muito activa na criação do novo disco. No entanto, espero que tenha um papel mais preponderante em álbuns futuros. Afinal ele era o “tipo novo” na altura em que este trabalho estava a ser escrito. Agora que é um veterano e tem um melhor entendimento de quais são os objectivos da banda, deve desempenhar um papel maior na composição futura.

Que nível de preparação precisam de ter para entrarem em estúdio e gravaram material como este sem perderem muito dinheiro? Deixam algum espaço para ideias de último minuto?
Pare responder primeiro à segunda parte da questão, existe apenas espaço para improvisação quando a nova ideia é melhor do que – e não apenas diferente da – ideia original. Entramos em estúdio a saber exactamente o que vamos tentar gravar. Por isso, se durante a gravação temos uma ideia melhor, tentamos ouvir as duas ideias lado a lado. Se é realmente melhor, usamo-la. É uma fórmula muito fácil de determinar qual é melhor. Quanto à nossa preparação para entrar em estúdio, é feita tendo várias reuniões, falando sobre o álbum e resolvendo quaisquer problemas ou questões que possamos ter em relação às guias. Assim que temos uma compreensão completa de como queremos as coisas, é apenas uma questão de ensaiar. Ensaiamos individualmente e encontramo-nos para as reuniões e para o próprio processo de produção. Por isso praticamos individualmente e preparamo-nos em segmentos para a gravação do álbum. Tocar este material requer muita prática, mas assim que o aprendemos, começa a ser fácil. [risos]

2013promo_2Desta vez trabalharam também com a tecnologia áudio biaural. De que se trata exactamente e qual foi a vossa aplicação dessa tecnologia?
O verdadeiro áudio biaural é composto por duas frequências ligeiramente diferentes, a entrelaçarem-se e a desantrelaçarem-se de um modo específico para criarem uma sensação de movimento e/ou mexerem com o equilíbrio do ouvinte. A diferença nas frequências foi possível porque temos duas guitarras e não há duas guitarras que criem a mesma frequência. Foi apenas criar uma homenagem ao verdadeiro áudio, porque não há mais para colocar nas frequências do que apenas aquilo, mas ainda assim fazia parte do espírito da experiência ter esse atributo. A parte que queria realmente emular era a modulação do áudio biaural. Já há muito que escrevemos música com duas partes de guitarra separadas e únicas que terminam as frases musicais uma da outra. No entanto, o processo de entrelaçamento usado no áudio biaural permitiu-nos criar uma terceira “voz” de guitarra que vem do centro das duas outras vozes de guitarras. Deu-me uma abordagem totalmente nova em relação ao modo como as duas guitarras podem entrelaçar-se para criar uma sensação de movimento em relação a um resultado final que pode ou não ocorrer. É quase um princípio quântico! [risos] O meu pequeno Gato de Schrödinger.

O vosso estilo evolui bastante desde o disco de estreia. As influências comuns e pessoais também mudaram nestes dez anos ou são basicamente as mesmas de sempre?
Descobri que, como todas as pessoas, sou um produto das minhas experiências e sou único em relação a todos os outros, nesse sentido. A maior parte do que realmente influencia as pessoas são coisas que aconteceram no passado, quando eram mais impressionáveis. Tenho muitos momentos de nostalgia dentro da minha música, como todos os compositores certamente têm. Mas tento seguir o meu próprio caminho tanto quanto possível. Isso também inclui a minha própria música e a forma como os meus álbuns anteriores soavam. Tento não deixar que alguma coisa me influencie em qualquer tipo de direcção. Tento apenas fazer o que quero e fazer a música que quero ouvir. Acho que é por isso que pode notar-se essa evolução nos nossos álbuns do passado para o presente. É que não ligo nenhuma a modas, ondas ou música de outras pessoas – nem sequer à minha. Tento apenas escrever o melhor que posso e, claro, sou obviamente influenciado por todas as coisas que fizeram de mim o homem que sou. Mas nunca existe qualquer tipo de intenção de fazer algo mais do que apenas escrever a melhor música que consigo escrever.

Em termos gerais, de que falam as letras do «Casting Ruin? Qual foi a abordagem que tiveram à escrita dessa parte específica?
As letras das nossas canções são escritas com um triplo sentido. Existe um significado superficial que pode ser obtido através da interpretação literal das letras. Existe também uma referência clara à musicalidade do momento em que as letras específicas são cantadas. Por último, existe também uma mensagem secular bem no fundo de cada canção. As mensagens seculares são normalmente os meus pontos de vista sobre a minha vida, a lidar com o deísmo e a ver em primeira mão o que pode fazer a uma cabeça jovem e impressionável. Também não é difícil olhar para o nosso mundo contemporâneo e reconhecer a necessidade de limpá-lo do deísmo e dos danos óbvios que inflige aos sugestionáveis e menos informados da nossa sociedade. É tão fácil encontrar fontes para as constantes atrocidades que são cometidas diariamente em nome de deus. Mas estou a divagar. O que queria dizer é que existem três significados nas letras, tal como existem três canções dentro de cada uma. Todos os três significados podem ser decifrados pelo ouvinte se ele se dispuser a perder algum tempo para fazê-lo.

SolaceOfRequiem_CastingRuinCoverTêm algum tipo de preocupação em passarem uma mensagem a quem ouve a vossa música ou lê as vossas entrevistas, sabendo que há mais pessoas a prestar atenção ao que dizem agora do que, por exemplo, no início da vossa carreira? Ou a única preocupação é agradarem-se a vocês próprios?
Não creio que passe o que digo por nenhum processo de filtragem que não usasse antes. Obviamente tenho algumas pessoas de quem não gosto ou que me fizeram coisas merdosas por um motivo ou por outro, mas nunca falaria mal delas numa entrevista. Isso pura e simplesmente não é profissional. Por isso existe definitivamente um filtro, de modo a certificarmo-nos que não dizemos coisas que nos fazem parecer crianças, mas não existe um processo no qual pense agora, que tenho uma audiência maior. Sempre ventilei bem alto a minha opinião sobre as coisas que são injustas e/ou ridículas de alguma forma. Sinto que a religião é absurda e ridícula, por exemplo. Precisamos de mais crianças a sonharem com as estrelas e em voar para outros planetas. Precisamos que a ciência inspire mais uma vez a próxima geração de grandes exploradores para iniciarem uma corrida tecnológica e criar mais empregos, sonhos e ambições realistas. Precisamos da ciência! E a religião é a antítese da ciência. Não podem coexistir ambas no mesmo mundo. Sinto que é meu dever fazer com que essa revelação seja conhecida e respeitada. Tenho apenas uma plataforma através da qual posso falar e essa plataforma é a música. E é isso que faço. Acho que todas as pessoas devem fazer tudo ao seu alcance para ajudar e esta é a melhor forma que conheço para me certificar que torno o mundo um lugar melhor para eu viver.

Nos processos de composição, gravação e concertos, sentem algum tipo de pressão acrescida devido ao crescimento do estatuto a banda?
Não… E nem por isso sinto que a minha banda está num ponto em que muita gente saiba quem nós somos. A maioria das pessoas que ouve falar de nós, é a primeira vez que o faz. Acho que componho a música quase da mesma maneira. Escrevo a música nova sem ter qualquer base na nossa música antiga, mas baseado naquilo que quero que soe naquele momento. Por isso é uma coisa nova para mim também. Tento sempre estar no meu melhor e compor o melhor possível. Cada um dos meus álbuns é uma espécie de janela para a minha vida e para a minha mente. Ao ouvirmos a minha música e as letras estamos a olhar directamente para os meus pensamentos, para a minha alma, no exacto momento da minha vida em que aquilo foi escrito. Este novo álbum, «Casting Ruin», não é diferente. É uma janela para a minha alma em 2012 e 2013. É como se fosse o meu diário. Dentro dele estão os meus pensamentos, objectivos, medos, aspirações e muito mais. Por isso não creio que tente superar-me nem a qualquer outro artista quando escrevo a música dos Solace Of Requiem. Tento simplesmente escrever a melhor música e letras que for capaz. O facto das pessoas tenderem a pensar que é cada vez melhor a cada novo disco é apenas uma coisa que significa que ainda não chegou a altura de desistir. [risos]

2013promo_3Quanto tempo têm de ensaiar e praticar para manterem estes níveis técnicos e de coesão enquanto banda?
A resposta a esta questão depende da pessoa a quem a colocares. Pessoalmente, pratico todos os dias. Mas nem sempre é com o baixo. Por vezes escrevo ritmos ou experimento novos sons. Outras vezes faço experiências com novos acordes ou modos de separar certas técnicas para que encaixem dentro da voz uma da outra e as possa combinar discretamente. Por isso estou sempre a praticar uma capacidade qualquer. Os outros tipos praticam os seus instrumentos específicos um pouco mais do que eu. Diria que os outros elementos da banda têm cerca de 15 horas semanais investidas nos seus instrumentos específicos. Talvez chegue às 20, não tenho a certeza. Eu talvez pratique especificamente no baixo cerca de quatro ou cinco horas por semana.

Por outro lado, praticarem este estilo de música tecnicamente exigente permite-vos divertirem-se nos concertos, enquanto tocam e antes de subirem ao palco, quando a maioria das outras bandas está nos copos?
Odiamos ver bandas que são tão técnicas como nós mas se limitam a estar num sítio no palco e tocam a sua música de forma muito chata. Nós não fazemos isso! Somos muito energéticos em palco e tocamos para os nossos fãs de forma muito agressiva. Temos muito orgulho em sermos explosivos em palco e darmos 110% em cada concerto. Temos uma digressão europeia marcada, com os Ulcerate, em Novembro e Dezembro, por isso a nossa esperança é que muita gente possa ter oportunidade de assistir ao nosso espectáculo e constatar quão doidos somos em palco. [risos] Vai ser muito divertido e estamos ansiosos por essa digressão. Quero agradecer-te por me dares oportunidade de falar aos vossos leitores e espero que as pessoas percam algum tempo para conhecer-nos online. Temos um novo vídeo disponível, do tema «Soiling The Fields Of Pudrity», que é uma expressão artística contra a opressão da religião sobre a ciência, bem como um trailer do nosso novo álbum. Também doamos 10% das vendas de roupa que fazemos online para uma instituição infantil de educação científica, artística, musical e valores seculares. Toda a informação sobre as nossas doações, banda, digressão com os Ulcerate e muito mais está disponível no nosso site. Mostrem o vosso apoio! Hail ciência!

«Casting Ruin» foi editado em Agosto.
Site oficial

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Um pensamento sobre “SOLACE OF REQUIEM

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