WORDS OF FAREWELL

Words of Farewell LogoQualquer banda pode praticar death metal melódico, mas debitar a mistura de pura atmosfera melancólica, riffs demolidores e ritmos progressivos que os Words Of Farewell têm em mãos, não é para todos. Os alemães acabaram de editar o seu segundo disco, «The Black Wild Yonder» e os indicadores não podiam ser mais claros: eficiência técnica, emotividade e puro poder death metal. O vocalista Alex Otto e o guitarrista Erik Gassmus falaram à Misantropia Extrema e aproveitaram para escolher a playlist que passa na METV este sábado.

WF_TBWY-P03Tinham algum objectivo global em mente quando iniciaram o processo de composição deste disco?
Erik: Quando comparado com o nosso primeiro álbum «Immersion», tentei que o «The Black Wild Yonder» fosse um pouco mais agressivo e espero que isso se note em canções como a «Telltale Notion» e a «Temporary Loss Of Reason». Para levar essa decisão ainda mais longe, afinámos as nossas guitarras mais em baixo em meio tom. Ao mesmo tempo, queria incluir mais elementos progressivo neste disco, principalmente através de progressões de acordes ou ritmos complexos.

Têm algum tipo de preocupação consciente em equilibrar melodia com uma abordagem tão técnica e progressiva quanto possível?
Erik: A maior parte das vezes surge de forma natural. Assim que começo a escrever surgem-me instantaneamente ideias para continuar a canção. Ao princípio tenho apenas uma ideia vaga de como quero que a música soe e esteja estruturada e tento não perder essa ideia de vista durante o processo de composição. Por vezes a ideia que persigo implica colocar um toque mais progressivo, outras vezes seguir uma direcção mais melódica.

Quais são as vossas principais influências e como chegaram a este estilo?
Erik: As minhas influências vêm de todo o lado. Escuto todos os tipos de metal, música electrónica, alternativa e até mesmo pop e hip-hop.
Alex: Eu gosto principalmente de black metal e pós-rock actualmente, mas ainda escuto algum metal clássico de vez em quando. A maioria de nós começámos pelo bom e velho som de Gotemburgo e é por isso que nos inclinamos mais nessa direcção. É uma espécie de denominador comum em que todos desaguamos.

WF_TBWY_P04Repetiram o estúdio na gravação deste disco; porquê?
Erik: Gostámos muito de trabalhar com o produtor Andi Funke da primeira vez que lá fomos. Ele sabe perfeitamente que tipo de sonoridade procuramos e teve capacidade para implementá-la na perfeição. Por isso, decidimos gravar o «The Black Wild Yonder» com ele também e o resultado é tão satisfatório quanto o que conseguimos com o «Immersion».

Desta vez fizeram todo o trabalho de composição e gravação já cientes de que o disco seria editado mundialmente pela AFM e ter uma grande exposição. Sentiram algum tipo de pressão extra por causa disso?
Alex: Pessoalmente, para mim não mudou grande coisa, uma vez que tentamos dar sempre 100% pelo simples motivo que consideramos esse esforço essencial para quem quer pelo menos merecer esse tipo de exposição. Escrevi as letras com a mesma mentalidade, assim como gravei as vozes. Por isso, para mim, nada mudou.
Erik: Para mim também não. O que foi novidade foi a excitação pela reacção das pessoas aos trailers e vídeos. Nunca tínhamos tido tantos olhos postos em nós antes de um lançamento, por isso estava um pouco nervoso em relação ao modo como as pessoas reagiriam quando o ouvissem.

As primeiras reacções ao disco referem que a banda cresceu imenso desde o primeiro trabalho. Vocês sentiram que a vossa evolução era assim tão grande, quase ao ponto de serem uma banda diferente, ou encaram-na como uma coisa natural?
Alex: Sinto que o álbum é diferente; nem melhor nem pior. Comparar ambos os discos, tanto para nós como para os fãs, é uma questão de gosto pessoal. Alguns comentários no YouTube já mencionaram o facto de alguns dos nossos fãs mais antigos não gostarem do novo álbum, enquanto outros receberam a nossa mudança musical de braços abertos. Acho que o primeiro disco tem um toque mais atmosférico, com mais melodias e alguns momentos épicos, enquanto o novo é um pouco mais directo, com mais elementos prog e mais negro que o anterior. Ainda assim, ambos os trabalhos são fortes e apelativos, espero eu. E quem sabe como pode soar o terceiro álbum? Espero que seja alguma coisa nova outra vez, porque de outro modo torna-se aborrecido.

WF_TBWY-C_1500x1500Sobre o que falam nas letras deste álbum? Qual é a abordagem?
Alex: Para ser sincero não existiu qualquer “abordagem” ou, digamos assim, qualquer tipo de assunto comum ao início. O progresso do trabalho das letras surgiu de forma natural. O facto de existir efectivamente uma temática que acompanha as letras de todas as canções menos as três últimas foi mais ou menos coincidência e surgiu das minhas experiências pessoais, convicções e literatura que consumi. Por isso, a temática que ecoa nas canções é principalmente a da condição humana e a forma como se constitui através de pensamentos e emoções que formam o carácter de uma pessoa. As diferentes faixas colocam questões sobre essas situações específicas que definem um ser humano, observando que nos ficamos a conhecer melhor quando expostos a condições extremas como a perda de alguém chegado, o final de uma amizade ou relacionamento, sob pressão extrema do que nos rodeia ou quando estamos sós com os nossos pensamentos durante um período prolongado. Cada canção é uma peça do puzzle a tentar que tudo isto faça algum sentido e exigindo um pouco de reflexão por parte do ouvinte. Não gosto muito de formular as minhas respostas a este tipo de questões para que as pessoas possam simplesmente lê-las e concordar; prefiro que pensem por si próprias e observem a sua própria conjuntura, detectando os pontos de contacto e tentando concretizar o potencial que têm.

Consideram que o facto da Alemanha ter um mercado musical tão forte impede as bandas realmente boas daí de terem um grande impacto no estrangeiro?
Alex: Acho que isso pode acontecer. No entanto, pensando num perspetiva puramente local, não posso falar muito da situação noutros países. Mas gosto de pensar que existem outros mercados como o alemão. Especialmente na Escandinávia, nos Estados Unidos ou no Reino Unido a situação pode não ser muito diferente. Nunca reparei que as pessoas nos procurassem apenas porque somos uma banda alemã, pelo menos até agora. Mas em relação ao impacto que temos, julgo que acaba por estar um pouco dependente do mercado, sim. Observando que o mercado endémico alemão de 80 milhões de pessoas é mais pequeno que o mercado americano, é difícil vender discos suficientes para nos lançarmos definitivamente a uma escala global, embora por outro lado o mercado europeu seja maior do que o norte-americano, se esquecermos as fronteiras do lado de cá do Atlântico. Feitas bem as contas é uma faca de dois gumes, acho eu. Para nós ainda está por decidir se é uma vantagem ou uma desvantagem na cena internacional. Para ser absolutamente sincero, sempre pensei que as bandas alemãs tinham uma boa imagem internacional, mas julgo que há ainda muito para descobrirmos assim que passamos as fronteiras do nosso país.

WF_TBWY_P07Até onde acham que um álbum com a qualidade do «The Black Wild Yonder» vos pode levar, em termos de estatuto, enquanto banda?
Alex: Até agora temos obtido principalmente críticas satisfatórias, apesar de algumas outras serem mais medianas. É possivelmente um trabalho muito polarizante, uma vez que muitos críticos que não tiveram assim tanto tempo para conhecer o álbum – e ele exige certamente uma boas audições antes de se revelar completamente – colocaram-no “apenas” em cerca de 70% ou 6/10 e assim. Mas os críticos que não trabalham em grandes publicações e fazem esse tipo de trabalho com mais algum tempo em mãos gostaram bastante do disco. Podemos então concluir que o lançamento pode levar algum tempo a ter um impacto efectivo nas massas porque algumas pessoas podem comprá-lo e ouvi-lo, depois colocá-lo na prateleira e passado meio ano retirá-lo e apreciá-lo devidamente. Pode levar algum tempo, mas estou convencido de que pode chegar a ter uma espécie de estatuto de culto no futuro, sem querer soar como um megalomaníaco.

As actividades da banda são suficientes para se sustentarem todos economicamente? Vocês trabalham ou estudam, para além da carreira nos Words Of Farewell?
Alex: Somos todos estudantes e acho que todos os nossos elementos trabalham em part time para ajudar. Até agora a banda não nos trouxe qualquer independência financeira, antes pelo contrário: temos de reinvestir todo o dinheiro que fazemos e gastamos também grandes quantias que normalmente gastaríamos em prazeres pessoais. Duvido que na era da internet, com a pirataria e o YouTube, pequenos grupos como nós alguma vez tenham possibilidade de viver da sua música. E não creio que esta situação mude num futuro próximo.
Erik: Para mim a banda começou como um hobby, mas desde que assinámos pela AFM Records requer muito mais responsabilidade por parte de cada um de nós. E, como o Alex apontou, provavelmente não substituirá os nossos empregos em part time no futuro mais próximo, mas se virmos bem as coisas não é por isso que o fazemos. Queremos divertir-nos com a banda e mostrar a nossa música a tantas pessoas quanto possível.

Quais são os vossos planos? Sonham viver a vida do rock’n’roll ou têm perfeita consciência de que as coisas agora não são como há 20 anos e mantêm os pés bem assentes na terra?
Alex: Ao que disse há pouco tenho a acrescentar que somos muito realistas em relação à nossa situação. Estamos muito satisfeitos por termos chegado até aqui e vamos tentar chegar ainda mais longe e, quem sabe, um dia viver da música. Mas não ao ponto de deixarmos de ter uma plano B sempre pronto para quando as coisas começarem a correr pior. Por isso, todos nós temos meios secundários de sustento.

«The Black Wild Yonder» foi editado em Fevereiro.
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A METV pode ser vista na posição 187164 do MeoKanal

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