CANCER BATS

Cancer Bats 2014 Logo LongMisturar hardcore, punk e metal é uma coisa que qualquer um faz, mas poucas bandas o conseguem fazer com a mestria, energia e emergência dos Cancer Bats. Ao chegar ao quinto álbum de originais, «Searching For Zero», o colectivo canadiano mistura ainda mais homogeneamente as suas influências e apresenta uma massa pulsante que inclui uma renovada paixão pelo doom rock dos Black Sabbath. O vocalista Liam Cormier falou connosco sobre a proposta, a sua composição e a vida na estrada.

Cancer Bats_Band 2015Tinham uma ideia clara, antes de iniciarem o processo de composição, sobre o que pretendiam musicalmente para este disco ou limitaram-se a começar a escrever e viram onde isso vos levaria?
Quando começámos a escrever este álbum propusemo-nos a fazer tantas jams quantas fosse possível e ver onde isso nos levaria. Parámos quando tínhamos 25 canções, olhámos para o que tínhamos e tentámos perceber quais as músicas que mais se destacavam para nós. Foi a primeira vez que experimentámos esta abordagem. Normalmente estamos tão pressionados pelo tempo que gravamos as primeiras 14 canções que temos. Desta vez conseguimos mergulhar a fundo nas ideias e tentámos obrigar-nos a fazer algo realmente diferente.

Como comparas o resultado final, o «Searching For Zero», com os vossos lançamentos anteriores?
Estávamos todos impressionados com a forma como o «Dead Set On Living» tinha resultado, por isso quando chegou a altura de escrever um novo álbum não pretendíamos apenas evitar escrever um “Dead Set On Living Parte 2”, mas queríamos progredir a partir do ponto em que tínhamos ficado nesse disco e levar as ideias ainda mais longe. Estávamos também cheios de confiança pela forma como o «Dead Set On Living» tinha sido recebido e pela maneira calorosa como os nossos fãs tinham encarado as novas ideias que lhes tínhamos proposto. Canções como as «Dead Set On Living» e «Drunken Physics» continham muito mais elementos melódicos e, depois de montes de miúdos nos pedirem todas as noites para as tocarmos ao vivo, sentimos que tínhamos muito mais espaço para desenvolver esse tipo de ideias. Sempre senti que tínhamos muita sorte por estarmos tão próximos dos nossos fãs, ao ponto de eles nos darem o seu feedback directamente sobre o que gostam e não gostam, por isso estamos todos juntos nesta viagem e processo de crescimento.

O press release que acompanha o disco refere que esta ideia de “zero absoluto” vem de algumas coisas que se passaram à volta da banda nos últimos dois anos. Consideras que as canções são tão honestas e directas quanto possível ou colocam-lhes algum tipo de filtro artístico, de modo a não se exporem demasiado?
Uma das vantagens de trabalharmos com o Ross [Robinson, produtor] é que ele nos obriga a usar emoções reais nas músicas e não ter qualquer tipo de filtro. Foi muito refrescante ter alguém como o Ross a questionar até o porquê de eu estar a gritar numa canção, de onde vinham esses gritos e o que estava eu a tentar comunicar. Acho que há muitas ocasiões em que tudo o que fazemos é berrar todas as linhas vocais porque é o que é suposto fazermos no hardcore, enquanto que ali estava uma pessoa a fazer-me justificar o motivo pelo qual me sentia compelido a gritar aquelas palavras a alguém. Foi a coisa mais real que já fiz em toda a minha vida.

cb_searchingforzero1400Em termos de letras, qual é a abordagem? Tentam conscientemente passar uma mensagem ou o fraseamento e a métrica são mais importantes que o significado e o conteúdo?
Para mim a mensagem é tão importante quanto as letras encaixarem na música. Tento escrever todas as letras com as músicas já terminadas, de modo a não forçar nada que não flua naturalmente com a canção. Também acho que, por mais ideias que venham de trás, é a própria canção que define sobre o que as letras vão falar. A atmosfera já está lá; é só encontrar as palavras certas para descrevê-la bem.

Existe também uma considerável influência de Black Sabbath na composição da música do «Searching For Zero». Essa influência vem também do projecto Bat Sabbath que vocês iniciaram há relativamente pouco tempo, certo?
Fazemos versões de músicas de Black Sabbath há já alguns anos e aprendemos imenso com esse processo, por isso acho perfeitamente natural que, ao aprendermos com os mestres, o seu estilo acabe por ter impacto no nosso. Os Sabbath foram, para nós quatro, a primeira banda verdadeiramente pesada de que gostámos quando éramos muito novos e que ainda hoje ouvimos. Todos achamos muito inspirador, quando escrevemos música, pensar no que faz uma canção ser suficientemente boa para que continuemos a gostar dela depois de a ouvirmos durante 30 anos da nossa vida. É verdadeiramente impressionante, se pensarmos bem nisso.

Ter punk, hardcore, thrash, noise rock e, agora, doom rock na vossa “paleta” musical não torna difícil o arranjo das canções e o processo de torná-las simples e eficazes?
Julgo que nunca tentámos misturar demasiados estilos numa única canção. Escrevemos uma faixa thrash e tentamos mesmo focar-nos nesse género e fazê-la a melhor faixa de thrash que conseguirmos. O mesmo se passa com as canções stoner ou com as canções punk. Acho que essa é a fórmula mais fácil para não nos enfiarmos no buraco sem fundo que é a tentativa de reinventar a roda. Diria que aprendemos a lição quando tentámos misturar demasiados estilos num só tema no passado e descobrimos que não funciona assim tão bem ao vivo e que nem sequer soa bem na nossa sala de ensaios. [risos]

Os Cancer Bats tiveram uma grande exposição mediática no passado e um incrível aumento de digressões seguiu-se quase imediatamente. Ainda te recordas bem da tua vida pré-banda ou parece uma coisa de há 40 anos atrás?
Felizmente não foi assim há tanto tempo que começámos esta banda e talvez o facto de sermos um pouco mais velhos quando iniciámos o projecto tenha ajudado. Tínhamos todos 25 anos quando começámos as digressões a sério e acho que isso ajudou imenso. Também temos imensos amigos espantosos em casa, que nos conhecem desde antes de começarmos a banda e que vão continuar lá quando o projecto tiver terminado; acho que este tipo de coisas nos ajuda a mantermos os pés bem assentes na terra.

Lidam todos bem com as exigências físicas e mentais das digressões mais longas?
Sim, todos adoramos andar em digressão e foi por isso que começámos a banda. Acho que, agora que somos um pouco mais velhos e temos as nossas esposas e namoradas em casa, existem menos motivos para embarcarmos em viagens de sete meses e vivermos numa carrinha. Todos temos muito bons motivos para voltarmos para casa, o que equilibra as coisas de forma harmoniosa.

«Searching For Zero» foi editado no dia 8 de Março.
Site oficial

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