Arquivo da categoria: Críticas

SKINLESS

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}SKINLESS
«Only The Ruthless Remain»
Relapse Records
8/10
Depois de atirarem a toalha ao chão em 2011, não foi preciso mais do que um par de anos para que os norte-americanos Skinless regressassem à actividade e, depois, mais outro par até os termos de volta aos discos. «Only The Ruthless Remain» recupera a formação “clássica” da banda, completa com um segundo guitarrista (Dave Matthews, dos Incontinence) e traz de volta o death metal igualmente “clássico” que é a imagem de marca do projecto. Que é como quem diz, aquela mistura sábia e visceral do lado mais técnico do estilo e de uma consciência de groove ao nível dos Suffocation ou Cannibal Corpse. A banda concentra os seus esforços em 35 minutos, divididos por sete faixas, e remove qualquer tipo de “gordura” desnecessária da música, terminando o processo com um death metal algo batido, mas infalivelmente pesado, tecnicamente evoluído e com um bom balanço. Nestas contas não entram as parcelas da criatividade, que neste tipo de death metal valem o que valem, mas em termos de competência, capacidade de acelerarem, fazerem breaks, dispararem riffs contundentes e enfiarem pormenores de guitarra deliciosos em poucos décimos de segundo, os Skinless estão tão em forma como se não estivessem em “silêncio” há oito anos. E mantêm-se bem relevantes. Quantas bandas de death metal brutal podem orgulhar-se disso?

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ARMORED SAINT

ArmoredSaint_WinHandsDownARMORED SAINT
«Win Hands Down»
Metal Blade
7/10
Os Armored Saint estão, para o metal, como aquela tia solteirona e simpática está para a família. Toda a gente gosta deles, dão presentes simpáticos mas nunca chegaram realmente a lado nenhum e não são levados realmente a sério. Mas a verdade é que o grupo tem a combinação certa para ser a banda preferida de qualquer um de nós: John Bush (ex-Anthrax) na voz, Phil Sandoval (ex-Life After Death) e Jeff Duncan (ex-Bird Of Prey) nas guitarras, Joey Vera (Fates Warning) no baixo e Gonzo Sandoval (ex-Life After Death) na bateria, com uma boa mistura de heavy metal e power thrash. Em mais de três décadas de carreira (interrompida um par de vezes) o projecto editou meia-dúzia de álbuns de originais que oscilam entre o excelente e o vagamente dispensável mas, chegados a esta fase da sua vida, qualquer coisa que lançassem ia ser sempre interessante. «Win Hands Down» parece, no entanto, reflectir uma banda que se está a borrifar para o que é esperado e parte para uma série de canções feitas a pensar em si própria. É por isso que há baladas sentidas, temas uptempo com secções musicais maiores do que o habitual e outras bizarrias que, não interrompendo o ritmo ou a atmosfera de um bom álbum dos Armored Saint, lhe dão um pouco de sobre-variedade. «Win Hands Down» não é, por isso, a desarmante obra prima que foi «Symbol Of Salvation», mas também nem isto são os anos 90 e nem a banda parece estar para aí virada. Ao invés, temos um disco mais honesto, mais profundo e mais adulto. Lidem com isso à vossa maneira.

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MARUTA

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}MARUTA
«Remain Dystopian»
Relapse Records
7/10
O grindcore é uma espécie de novo doom metal e parece ser, actualmente, um crime de lesa-pátria não se gostar ou ser-se indiferente a tudo o que tenha um bom blastbeat, vocalizações graves e som abrasivo. Os Maruta apanharam uma boa boleia desta onda nos dois primeiros álbuns de originais (editados pela Wilowtip) e chegam agora em brasa à Relapse para um mais que provável recolher de louros. E «Remain Dystopian», o seu novo trabalho discográfico, presta-se a isso com uma generosa dose de 17 faixas em que o grindcore se submete a uma camada de noise (providenciada por Jay Randall dos Agoraphobic Nosebleed) e ocasionais incursões pelos ritmos mais lentos do doom. Tomas Lindberg (At The Gates) e J.R. Hayes (Pig Destroyer) ainda dão uma “perninha” nas vocalizações a ver se a coisa fica mais convincente e distinta, mas os Maruta não conseguem ainda ultrapassar a barreira do “mero” grindcore competente e bem feito para aquele ataque imparável e desumano que bandas como Noisear (paradoxalmente, a outra banda do vocalista dos Maruta) ou Murder Construct conseguem montar. Ficam 27 minutos de uma mistura de death metal e grind técnico, pesado e com aspirações noise e doom que, no papel, resulta às mil maravilhas mas que ainda soa um pouco genérico em disco. Nada que um pouco mais de experiência e um pouco menos de concorrência não resolvam. Dizemos nós.

PARADISE LOST

ParadiseLost_ThePlagueWithinPARADISE LOST
«The Plague Within»
Century Media
9/10
Todos os fãs de metal gostam de criticar bandas que mudam, que evoluem. É possivelmente uma das características mais irritantes dos metaleiros. Os Paradise Lost descobriram-no quando, numa primeira fase, cambiaram o seu doom/death metal para um metal de contornos mais góticos e, mais tarde, para um estilo de contornos electrónicos e sinfónicos. No entanto, e devido a uma impressionante qualidade musical presente em todos os discos que editaram, nunca puseram em risco o respeito da cena global, perdendo alguns fãs mais radicais pelo caminho mas ganhando muitos mais com o seu crescimento e evolução musical. E agora, numa altura em que regressam, em parte, ao doom/death metal do primeiro terço da sua carreira, os Paradise Lost continuam a cheirar a evolução e a caminho para a frente. Certamente porque «The Plague Within», não é um disco igual a «Lost Paradise» e é claramente feito aqui-e-agora, por uma banda que percebe um bocado de dinâmicas, arranjos e de equilibrar melodias, atmosfera e peso de uma densidade quase impenetrável. Depois, porque existem pedaços das “fases” gótica e sinfónica, a espreitarem em temas como «Victims Of The Past», para tornarem a música mais rica e completarem esta espécie de círculo que parece um decidido passo em frente por parte dos Paradise Lost. E, no meio disto tudo, os ingleses voltaram a lançar um álbum de peso, melodia e atmosfera sem paralelo, não repetindo a receita mas também não traindo as suas raízes e o seu próprio caminho musical. Seria um feito assinalável para qualquer outra banda, mas é apenas o business as usual dos Paradise Lost, pelos vistos.

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MY SLEEPING KARMA

MySleepingKarma_MokshaMY SLEEPING KARMA
«Moksha»
Napalm Records
7/10
É impossível dissociar o pós-rock instrumental, de influências stoner, dos alemães My Sleeping Karma daquele que é apresentado pelos norte-americanos Karma To Burn, mas ao fim de nove anos e cinco álbuns de originais, o quarteto de Aschaffenburg começa finalmente a ter um pouco de alma musical própria. «Moksha», o quinto longa-duração do projecto, apresenta indeléveis influências étnicas orientais que, pese embora se diluam por vezes na força do pós-rock da banda, lhe dão um aroma e uma personalidade que tem efectivamente alguma originalidade. Partindo dessa base, os My Sleeping Karma fazem, em «Moksha» um álbum competente e sem erros, de pós-rock/stoner instrumental que toca em todas as teclas do estilo – da mais crua e visceral à mais ambiental e melódica – e, pese embora não atinja a genialidade em nenhum momento, possui uma coesão e nível de qualidade que chegam para convencer, e até entusiasmar, os mais acérrimos fãs do género. Quem, no entanto, procura mais do que “mero” pós-rock instrumental competente e bem feito, nesta altura de vacas gordas, terá de procurar noutro sítio.

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DIABOLICUM

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«Ia Pazuzu (The Abyss Of The Shadows)»
code666
8/10
Os DiabolicuM foram uma das primeiras bandas a explorar todo o potencial do black metal industrial, nomeadamente com o seu segundo álbum «The Dark Blood Rising», editado em 2001. No entanto, depois disso o projecto eclipsou-se e, apesar de ter editado o split «Hail Terror» com os Angst em 2005 (que continha apenas um tema seu), nunca mais deu sinal de vida. «Ia Pazuzu (The Abyss Of The Shadows)» surge pois, agora, com a enorme responsabilidade de cobrir praticamente 14 anos de silêncio e renovar o estatuto de reis do black metal industrial para os suecos. E a colecção de nove faixas acaba por mostrar-se à altura, com uma mistura inteligente de distorção visceral e de ritmos maquinais, com o convidado Niklas Kvarforth (esse mesmo, o dos Shining) a fazer a sua voz funcionar como o joker dos temas. No entanto, nem tudo é drama e excelente interpretação vocal; os DiabolicuM fazem um óptimo trabalho a aliar momentos mais melódicos, atmosféricos e mesmo ligeiramente sinfónicos ao lado desumano, frio e incrivelmente intenso que o seu black metal chega a atingir, num disco pleno de surpresas, criatividade e densidade. É o trabalho que se esperava e, tendo em conta as expectativas acumuladas em cerca de década e meia, já não é nada mau.

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HARDCORE SUPERSTAR

HardcoreSuperstar_HCSSHARDCORE SUPERSTAR
«HCSS»
Gain Music
8/10
Como é sobejamente conhecido, a Suécia é a capital mundial do rock. De coisas mais clássicas como The Poddles ao novo rock de garagem escandinavo despelotado pelos Blackyard Babies, passando pelo punk/metal podre dos Nihilist e pelo death’n’roll dos Entombed até acabar no crossover de heavy metal clássico com doom ocultista dos Ghost, o país tem de tudo em grande qualidade e quantidade. E depois tem também uma banda como os Hardcore Superstar, que consegue misturar grande parte dos géneros mencionados num “bolo” praticamente irresistível. Sobretudo num disco como «HCSS», em que a banda pega em vários temas da sua maqueta de estreia, os espana, regrava e depois completa o disco com uma série de canções inspiradas neles. O resultado é um hard/sleaze rock renovado, cheio de trejeitos punk, piscadelas de olho ao heavy metal e mesmo um claro gamanço vocal aos Janes Addiction no tema «Growing Old». O que mais desarma na dezena de temas de «HCSS» é a naturalidade e espontaneidade com que os Harcore Superstar conseguem criar temas com melodias memoráveis, força e simplicidade rock’n’roll, cada um deles um autêntico study case do que é o caldeirão de influências sueco dos anos 10.

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