Arquivo da categoria: Discos do dia

DEZ DISCOS ESSENCIAIS DA SEMANA

ÁRSTÍÐIR
«Nivalis»

Season of Mist

Misturar pós-rock e influências neo-clássicas é algo já relativamente batido. Mas se lhe juntarmos um forte sabor nórdico, por via dos islandeses Árstíðir, a coisa fica bem mais intensa e original. «Nivalis» prova-o com classe e qualidade e constitui-se uma das grandes surpresas da semana


CRAFT
«White Noise And Black Metal»

Season of Mist

Com um título destes, os suecos Craft não poderiam tocar outra coisa senão black metal. «White Noise And Black Metal» é o quinto disco do colectivo liderado pelo guitarrista Jon Doe (ex-Shining, ex-Watain) e que segue de forma muito decente as pisadas da escola sueca de bandas como Armagedda ou Pest.


GAEREA
«Unsettling Whisper»

Transcending Obscurity

A cena black metal nacional tem estado nos últimos anos mais activa que nunca e os Gaerea consubstanciam esta actividade. O trio, composto por gente de Pestifer, Loss Spectra Of Pure e Damage My God, estreia-se agora nos álbuns de estúdio, depois de um EP homónimo lançado em 2016, e as indicações não podiam ser melhores. Black metal negro, intenso e de pedigree death metal.


HACKEN
«L-1VE»

InsideOut Music

Universalmente considerados uma das mais brilhantes propostas da actual cena progressiva britânica, os Hacken editam, com «L-1VE», o seu primeiro registo ao vivo, depois de quatro álbuns de originais. E o resultado não podia ser mais elucidativo. Em palco, o sexteto londrino é tão coeso como em disco e os Hacken estão a caminho de algo verdadeiramente grade.


IMPENDING DOOM
«The Sin And Doom Vol. II»

eOne Music

Se, por um lado, o deathcore já teve melhores dias, por outro lado os norte-americanos Impending Doom continuam a representar o género como poucas bandas conseguem fazer hoje em dia. «The Sin And Doom Vol. II» é o sexto álbum do colectivo californiano e promete momentos de grande peso, breakdowns e violência.


KHEMMIS
«Desolation»

Nuclear Blast/20 Buck Spin

Depois de dois álbuns, lançados em 2015 e 2016, que conquistaram o underground, os norte-americanos Khemmis chegam, com o seu doom/heavy metal, à gigante Nuclear Blast e prometem conquistar o (que falta do) mundo. Se procuram a mistura certa entre Pallbearer e Candlemass, esta é a vossa solução.


MARDUK
«Viktoria»

Century Media

Os Marduk dispensam apresentações no que ao black metal diz respeito. «Viktoria», o 14.º álbum de originais dos suecos, volta a um registo mais rápido e abrasador, depois de alguns discos negros e ritualistas. E os Marduk nunca soaram melhor…


THE SEA WITHIN
«The Sea Within»

InsideOut Music

Juntar na mesma banda Tom Brislin (Yes), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Roine Stolt (The Flower Kings, Transatlantic), Marco Minneman (Steven Wilson, Joe Satriani) e Jonas Reingold (The Flower Kings) é o sonho molhado de qualquer fã de rock progressivo. E é precisamente a isso que «The Sea Within», o disco de estreia do super-projecto, soa.


WOLFEN
«Rise Of The Lycans»

Pure Steel Records

A tradição de power/thrash metal corre forte na Alemanha. Os Wolfen, oriundos de Colónia, cumprem-na ininterruptamente há 24 anos e editam esta semana o seu sexto álbum de originais. «Rise Of The Lycans» é uma autêntica lição de tradição, vitalidade e honestidade.


ZEAL & ARDOR
«Stranger Fruit»

MKVA Records

Juntar black metal e soul espiritual pode ser tão original quanto bizarro, mas a verdade é que o suíço-americano Manuel Gagneux consegue fazê-lo há já uns bons anos com Zeal & Ardor. «Stranger Fruit», o novo álbum, mostra o aperfeiçoamento da receita e entrou directamente para a segunda posição da tabela de vendas suíça. Teremos hype a caminho?

 

CINCO BANDAS DE BLACK METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Cinco novas brilhantes propostas da mais extrema e enigmática sonoridade que o metal tem, prontas a serem descobertas e a escurecerem um pouco o vosso fim-de-semana.

Devlouring Star 2015DEVOURING STAR
Os Devouring Star são a resposta escandinava aos Deathspell Omega ou, se quiserem, uma nova entidade nórdica a praticar black/death metal vanguardista e dissonante. No entanto, ao invés de ser uma mera cópia, a misteriosa entidade carrega nas atmosferas – ou não fossem eles finlandeses – e no disco de estreia «Through Lung And Heart», agora disponível pela Deamon Worship, conseguem uma equilibrada mistura entre o caos extremo do turbilhão black/death metal e um ambiente tão carregado, tão claustrofóbico que as comparações com os mestres franceses deixarão de fazer sentido após meia-dúzia de audições.


 

EarthAndPillars_LogoEARTH AND PILLARS
Praticamente do nada, o trio italiano Earth And Pillars, formado no ano passado, surge com um poderoso álbum de black metal atmosférico tão imergente e intenso, que é impossível passar ao lado dos fãs. O disco em questão – «Earth I», editado pela Avantgarde Music – contém quatro faixas («Earth», «Rivers», «Lakes» e «Tides») em que apenas uma (a inicial) está abaixo dos 12 minutos de duração. O modus operandi do trio, anónimo, é simples mas incrivelmente bem feito: black metal frio e intenso, com óbvias influências nórdicas, recheado de ambientes e melodias atmosféricas, temática ambientalista e longos e hipnóticos períodos instrumentais. Ideal para fãs de Wolves In The Throne Room, Fell Voices ou Ash Borer.


 

Infra_2015INFRA
Sabe-se que são oriundos de Portugal e que têm experiência de outros projectos, mas pouco mais se sabe sobre os Infra, projecto que se estreia nas edições com o EP em 7” «Initiation On The Ordeals Of Lower Vibrations», editado pela Nuclear War Now! Productions. Nos dois temas apresentados, o colectivo mostra uma personalidade musical bastante vincada, que se situa algures entre o black metal vanguardista e o black/death metal mais caótico e underground. A fusão entre ambas as abordagens é perfeita e transforma os Infra nas grandes esperanças do metal extremo das profundezas lusas, espécie de herdeiros espirituais do legado de southern black metal dos Morbid God e da inteligência dissonante e ritmicamente complexa dos Blut Aus Nord.


 

Odota2015ODOTA
Engendrado pelo estónio Jarmo Nuutre, o projecto Odota une a longa experiência do músico na cena local com a vontade de ir um pouco mais longe em termos de experimentalismo e vanguardismo sónico. «Fever Marshal», o disco de estreia auto-financiado que é agora lançado, mostra um doom/drone ensopado de distorção, com riffs e canções black metal (escute-se a arrasadora «Bad Medicine») e uma variedade rítmica que abre o espectro estilístico de Odota para coisas como o noise ou o industrial. São 40 minutos de pura descoberta aural, que compensam com texturas, ambientes e momentos de abandono doom/black metal de pureza e intensidade acima da média.


 

SelvansBand2015SELVANS
Imaginem o lado sinfónico e vanguardista do black metal dos Arcturus, misturado com uma pitada de folk metal que explora as tradições da música italiana. Os Selvans são essa mistura, com a experiência acumulada do tempo em que se chamavam Draugr (foram 11 anos e dois álbuns de estúdio) e uma vontade férrea em recuperar a atmosfera fascinante do black metal melódico dos anos 90. O resultado é um EP de estreia de 31 minutos, chamado «Clangores Plenilunio», agora editado em digipack pela Avantgarde, e que merece a pena ser conhecido.

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CINCO BANDAS DE DOOM QUE VALE A PENA OUVIR

Do doom funerário às “novas” propostas que, respeitando a tradição, arrebanham sludge, shoegaze e pós-metal para o género. Uma selecção de cinco jovens projectos que, definitivamente, os fãs de doom precisam de conhecer.

Albert Bell's Sacro SanctusALBERT BELL’S SACRO SANCTUS
Conhecido como baixista da bandas como Nomad Son e Forsaken, o maltês Albert Bell aventura-se agora numa carreira em nome próprio com «Deus Volt», um disco de doom/heay metal com óbvias ligações ao “true metal” e com uma forte componente dramática. Claramente direccionado a fãs de Candlemass antigo, Celtic Frost ou Saint Vitus, a proposta de Albert Bell’s Sacro Sanctus caracteriza-se por uma postura multifacetada e variada do mais tradicional, épico e verdadeiro género de doom metal. Vale a pena ouvi-lo.


 

Below The Sun 2015BELOW THE SUN
Oriunda da Rússia esta banda com nome de música dos Ahab mistura com mestria sludge, doom metal funerário e longas e intimistas partes ambientais, acústicas e/ou melódicas. O álbum de estreia chama-se «Envoy», está disponível pela Temple Of Torturous e é um dos mais excitantes pedaços de música extrema e emocional dos últimos meses. Os Below The Sun podem muito bem ser a resposta russa aos Process Of Guilt, com um lado muito [Before The Rain] na sua abordagem. Sim, é assim tão bom.


 

Latitude Egress 2014LATITUDE EGRESS
O doom funerário de Niklas e deste seu novo projecto (anteriormente editou dois discos sob o nome Licht Erlischt…) é fortemente baseado em vocalizações limpas, austeras e quase eclesiásticas. Consequentemente, o resultado é sinistro, solene e propositadamente afastado das tendências stoner/sludge modernas. Experimentem-no em «To Take Up The Cross», o disco de estreia agora editado pela Art Of Propaganda.


 

Mesmur logoMESMUR
Mergulhando de cabeça no mais opressivo funeral doom/death metal, os norte-americanos Mesmur, compostos por gente de bandas como Dalla Nebia, Funeral Age e Orphans Of Dusk, estreiam-se em grande com o disco homónimo lançado pela code666. A sonoridade do projecto é lenta, depressiva, pesada e melancólica como mandam as regras, mas sobra ainda espaço para alguma melancolia e atmosfera pós-metal, sobretudo na faixa que encerra o álbum, chamada «Osmosis». Talhado para agradar a fãs de Evoken, Esoteric ou Mar De Grises.


 

Nangilima 2014NANGILIMA
Se a vossa cena é doom/death metal tradicional, sem invenções, com músicas grandes, e ocasionais passagens melódicas e dolorosamente lentas, podem querer ouvir os Nangilima. O projecto é formado por dois suecos – o baterista e teclista Khalvst ov Mhurn (dos Marakhain) e o multi-instrumentista Nikolay Velev (dos Inspell) – e um vocalista espanhol. A abordagem ao doom/death metal que encetam no disco de estreia «The Dark Matter», disponibilizado pela Xtreem Music, é o ideal para fãs de bandas como Swallow The Sun, Saturnus e Novembers Doom.

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CINCO BANDAS DE ROCK – E MAIS ALÉM – QUE PRECISAM DE SER OUVIDAS

O bom e velho rock, baralhado e voltado a dar por cinco jovens projectos com sangue na guelra e a cabeça a fervilhar de ideias. Experimentem-nos!

Lae 2014LAE
Depois de uma primeira encarnação nos anos 90, que terminou em 2001 sem que tivessem editado um único disco, os canadianos LAE estão de volta à actividade e editam, com «Break The Clasp», uma colecção de temas de antigamente, rearranjados e reprogramados para agora. O pós-rock, pós-hardcore e noise do quarteto caracteriza-se por uma forte componente psicadélica e experimental, contrabalançada pela abordagem vocal suave e melódica, levada a cabo pelo produtor do disco, Steve Austin (dos Today Is The Day). O resultado é avassalador, comovente, original e surpreendente. Edições em CD digipack e LP duplo estão disponíveis pela The Compound e Battleground Records.


 

Shiran 2014SHIRAN
A israelita Shiran Avayou junta-se aos compatriotas Ferium para este projecto de rock/metal com vocalizações femininas. A abordagem é moderna (há influências de djent nos ritmos e guitarra), mas o enfoque vai para a voz forte e cheia de personalidade de Shiran. «Warm Winter Day», o EP de estreia que agora é auto-financiado pela banda, contém cinco músicas de um sólido equilíbrio entre melodias viciantes e um peso muito decente. Vale a pena para fãs de Lacuna Coil e afins.


 

South Of You 2014SOUTH OF YOU
Os South Of You são uma banda sueca de rock, ali algures entre o peso dos riff do quase-hard rock e a sensibilidade pop dos Khoma e Katatonia nas melodias. «Moments», o seu disco de estreia agora editado pela Killed By Records, revela uma tendência muito moderna para fundir uma série de coisas num “bolo” que é melódico, tem força e apela à melancolia. E com o ex-guitarrista dos Centinex Johan Ahlberg e o ex-baixista dos Katatonia Mattias Norrman na formação, o público do metal também terá interesse em ouvir «Moments».


 

The Black Lantern 2014THE BLACK LANTERN
Os The Black Lantern são um quarteto norte-americano que se está a cagar. A cagar para referências musicais, para conceitos estabelecidos e para o formato canção. Ainda assim, há algo de estranhamente harmónico na mistura de pós-punk, hardcore e noise rock que praticam no disco de estreia, «We Know The Future», lançado em CD, cassete, vinil e formato digital pela Wiener Records. Interessante para quem já alguma vez se questionou como soaria uma mistura de The Distillers, Rage Against The Machine e The White Stripes. Selvagem, cru, energético e sexy.
http://www.wienerrecords.org/


 

The Way I Am 2014THE WAY I AM
Misturando o rock alternativo de bandas como Muse e Radiohead, o metal moderno de Deftones, koRn ou Flyleaf e tímidos ambientes de banda-sonora, os franceses The Way I Am estreiam-se por estes dias com o EP «Apocalypse? No Way!», lançado pela Klonosphère. A voz feminina de Saturne é o joker do projecto, injectando melodias, emoções e intensidade nas seis faixas do registo, enquanto que instrumentalmente os The Way I Am cumprem o objectivo de apresentar uma mistura coesa, variada e minimamente sofisticada. É moderno, é alternativo, mas também tem muita carne no assador do peso.

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CINCO BANDAS DE THRASH QUE VALE A PENA OUVIR

O bom e velho thrash, renovado, expandido e tocado pela cartilha por cinco jovens bandas que, definitivamente merecem a vossa atenção.

BestialInvasion2015BESTIAL INVASION
Ah pois é. Os ucranianos Bestial Invasion são uma espécie de cuspidela na cara de todas as bandas que querem ser os novos heróis da cena old school e, ao mesmo tempo, de todos os candidatos a “novos Arch Anemy” que há por aí. A banda, liderada pelo ex-baixista dos Violent Omen, pratica thrash rápido e técnico (com o baixo bem alto!), de gravação crua e honesta, perfeito para quem gosta de Mekong Delta ou Atheist, enquanto a vocalista Anastasia tem uma prestação selvagem, punk e directa. «Silent Wonders» é um single de 7” com o tema-título e uma versão de «Damien», dos Morbid Saint, no lado B. A edição é da Archaic Sound e, acreditem em nós, vale bem a pena.


 

Blindeath_2015BLINDEATH
Novo rosto da fervilhante cena thrash italiana (que recentemente viu chegar às edições também os Ancient Dome, por exemplo), os Blideath inspiram-se nos anos 80 e fazem um misto do estilo norte-americano e europeu de thrash. É bem feito e pode encher as medidas dos thrashers mais fanáticos, pese embora lhes falte ainda um pouco de personalidade própria. O disco a ouvir chama-se «Into The Slaughter» e foi lançado pela Earthquake Terror Noise.


 

CycleBeating2015CYCLE BEATING
O lado mais robusto, groovy e core do thrash continua a alimentar a inspiração de toda uma geração de músicos de metal. Os Cycle Beating, com apenas dois anos de carreira, estão entre os mais inspirados e talentosos entre a referida geração na Alemanha, como o prova o disco de estreia «The Age Of Depression», agora disponibilizado pela própria banda. A produção é pujante, o groove é espesso e o quarteto saca uma série de riffs thrash que cobrem sem grandes problemas o terreno espiritual entre os Sepultura e os Machine Head, com ocasionais referências melódicas. Vale a pena conhecer.


 

Foreseen_2015FORESEEN HKI
Depois de uma maqueta, um split (com os Upright) e um single editados entre 2010 e 2013, os finlandeses Foreseen HKI estão prontos a entrar na nata do crossover contemporâneo com uma estirpe particularmente violenta e crua do género. O longa-duração de estreia do projecto, «Helsinki Savagery», agora lançado pela 20 Buck Spin, cumpre todas as regras estilísticas do crossover, mas a já mítica brutalidade e frontalidade nórdica acrescentam uns quilos extra ao peso, umas BPS à velocidade e um nível extra ao volume do thrash/speed/hardcore da banda, transformando-os em potenciais favoritos de quem acha que as maquetas dos Exodus é que eram a cena.


 

Insurrection2015INSURRECTION
As boas bandas europeias que misturam thrash e death metal melódico tendem a desaparecer em favor de propostas mais declaradamente old school ou death metal mais brutos, mas os holandeses Insurrection estão-se a cagar para isso. Com a experiência de uma formação que conta com elementos dos Enraged, Corda e Crushing Jackhammer, a banda funde a agressividade juvenil do thrash com o peso, a dinâmica e a melodia do death metal sueco e propõe um primeiro EP de seis faixas, chamado «Catatonic» e editado pela Big Bad Wolf, competente e convincente.

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CINCO BANDAS DE DEATH METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Cinco propostas para quem aprecia brutalidade, trevas, vozes guturais, morte e regresso dos mortos.

Cyhyraeth2014CYHYRAETH
Oriundos de Dallas, no Texas, os Cyhyraeth praticam uma furiosa e energética mistura de death metal melódico e thrash, com a particularidade de terem uma secção rítmica invulgarmente poderosa e precisa e de contar com uma vocalista – Jessica Mccain – que “trata” dos tons mais agressivos e, ocasionalmente, insere uma voz feminina melódica na música da banda. «Servant To The Fire», o disco de estreia auto-financiado pelo colectivo, é um bom exercício musical que não imita descaradamente nenhuma influência óbvia e que consegue atingir níveis de intensidade, velocidade e extremismo que facilmente convencem os fãs de death/thrash metal mais tradicional.


 

DireOmen2014DIRE OMEN
O death/black metal dos canadianos Dire Omen é das coisas mais obscuras, extremas e telúricas que poderão ouvir em muito tempo. «Wresting The Revelation Of Futility», o disco de estreia do trio agora editado pela Dark Descent, é uma amálgama de temas pára-arranca de dissonância odiosa, misantropia e death metal ensopado em black metal até ao mais profundo dos ossos. Pode ser uma boa alternativa para quem gosta de Mitochondrion ou Auroch e detesta dias soalheiros.


 

Oraculum2014ORACULUM
Bem das profundezas da cena sul-americana – ou seja, do Chile – os Oraculum praticam uma estirpe de death metal que arrebanha doom e black metal à medida que os quatro temas do seu EP de estreia lançado pela Invictus, «Sorcery Of The Damned», vão precisando. O ADN musical do projecto está bem definido: trevas, influências da intensidade de riffs dos Bolt Thrower, capacidade para o caos dos Sarcofago e para o terrorismo áudio dos compatriotas Pentagram. Dêem-lhes uma oportunidade e o vosso lado negro agradecer-vos-á.


 

VircolacVIRCOLAC
Elementos e ex-elementos de De Novissimis, Cruachan, Lamentations e Sol Axis juntam-se para fazer um death metal soturno, abrasivo e com fortes raízes no doom. Nos seus momentos mais extremos, os irlandeses Vircolac podem no entanto chegar aos mais caóticos e rápidos picos do death metal sul-americano, pese embora exista uma abordagem meio progressiva às estruturas dos temas. A banda tem cerca de um ano, mas a maqueta de quatro temas «Codex Perfida», editada em cassete pela Iron Bonehead, vale realmente a pena ouvir.


 

ZomZOM
Os irlandeses Zom unem death e black metal ao ponto da fusão nuclear, com uma abordagem musical extrema como poucas, uma gravação crua e directa e temáticas de letras que versam sobre perversão, feitiçaria, cosmos e morte. É um pouco atabalhoado na execução, mas com a negridão que apenas o mais profundo underground pode ter. Os ritmos variam entre o d-beat, o crust e o rock’n’roll, passando pelo blastbeat do black metal, enquanto as vocalizações são um rosno death metal que deliciará os fãs de Satistik Exekution. O disco de estreia chama-se «Flesh Assimilation» e pode ser encomendado na Europa através da Invictus.

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CINCO BANDAS DE BLACK METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Mais cinco propostas de novas bandas de black metal que não se arrependerão de descobrir. O género está bem, recomenda-se e o facto de já irmos no segundo artigo deste género em pouco menos de duas semanas demonstra que não é por falta de sangue novo que o black metal entrará em declínio. Por isso preparem os ouvidos, porque o que estão prestes a ouvir pode muito bem mudar-vos a vida.

AstrumMalum2014ASTRUM MALUM
Concebido pelo multi-instrumentista A. Mikonmäki, ao qual se juntaram pouco depois o vocalista A. Lewandowski e o letrista O. Mikonmäki, Astrum Malum é um projecto que junta black metal, música neoclássica, ambientes densos e um lado dramático/épico. Na maqueta de estreia, «Nether Knot», o trio mostra as suas primeiras três músicas, que resultam de forma interessante, ali a meio entre os universos musicais de Vinterriket e Za Frûmi. Um projecto a seguir com atenção. O lançamento é da Sixsixsix Music, vem em caixa de DVD (metade da dimensão standard) e com duplicação caseira.


 

Bhleg_2014BHLEG
Que a Suécia é terreno fértil para coisas de black metal, já se sabia. Agora, que seria de Gotemburgo que sairia o próximo cruzamento musical sem mácula dos universos clássicos de Burzum e Ulver, era algo difícil de imaginar. Os Bhleg são isso mesmo – um sucedâneo incrivelmente bem feito do black metal mais primitivo, misturado com laivos ambientais, experimentais e de contornos sónicos experimentais, que deixará a salivar os fãs da segunda vaga de black metal norueguês. Ainda para mais quando o seu disco de estreia, «Draumr Àst», agora editado pela Nordvis, tem letras em sueco. Uma fofura.


goatchrist-logoGOATCHRIST
Apesar de serem um projecto relativamente recente (foram formados este ano), os ingleses Goatchrist contam já com duas maquetas editadas, uma com 19 e outra com 45 minutos. O black metal da banda é abrasivo, rápido, distorcido e com ocasionais referências ao death metal, compreendendo no entanto pequenas secções ambientais e doom que, desconfiamos, estão lá só para realçar a fealdade da música do trio oriundo de Wakefield. «She Who Holds The Scrying Mirror» (reeditada pela Sixsixsix Music) e «Legion» podem ser boas surpresas para quem gosta do seu black metal rápido, selvagem e com um delicioso cheiro fétido a underground.


 

Stormcast_2014STORMCAST
Apesar de serem oriundos da periférica cidade de Nicosia, no Chipre, os Stormcast conseguem atingir um bom equilíbrio de parâmetros internacionais e de originalidade no seu black metal, no disco de estreia «Frame Of Mind» agora editado pela Pitch Black. A base do som do quinteto é um black metal relativamente atmosférico, com espaço e talento na sua composição para incorporar referências épicas, de death metal melódico ou doom sem soar forçado ou sobre-variado. Trata-se sem dúvida de uma proposta válida para fãs de black metal melódico e atmosférico que gostam de ouvir uma sonoridade moderna sem, no entanto, deixar de prestar o devido respeito às raízes do género.


 

Toxoid_2014TOXOID
Parece existir uma cena black metal emergente na Índia e os Toxoid são apenas uma das últimas propostas de um icebergue que tem todo o potencial para ser tornar grande e poderoso. «Aurora Satanae», o disco de estreia do trio de Nova Deli, é fortemente inspirado pelo movimento escandinavo do estilo, nomeadamente por bandas como Gorgoroth ou Naglfar, com as obrigatórias referências melódicas geladas bem enquadradas no uso de riffs e leads “maldosos” e de uma vocalização que, colando-se de forma relativamente óbvia às suas influências, consegue imitá-las de forma satisfatória. A produção é directa e crua – o que acaba por resultar bem na mistura sonora dos Toxoid – e as letras de temas como «Mystical Misanthropic Doctrine» ou «Baphomet Enraged» prometem dar pequenos prazeres aos amantes de black metal clássico escandinavo.

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