Arquivo da categoria: Discos do dia

DEZ DISCOS ESSENCIAIS DA SEMANA

ÁRSTÍÐIR
«Nivalis»

Season of Mist

Misturar pós-rock e influências neo-clássicas é algo já relativamente batido. Mas se lhe juntarmos um forte sabor nórdico, por via dos islandeses Árstíðir, a coisa fica bem mais intensa e original. «Nivalis» prova-o com classe e qualidade e constitui-se uma das grandes surpresas da semana


CRAFT
«White Noise And Black Metal»

Season of Mist

Com um título destes, os suecos Craft não poderiam tocar outra coisa senão black metal. «White Noise And Black Metal» é o quinto disco do colectivo liderado pelo guitarrista Jon Doe (ex-Shining, ex-Watain) e que segue de forma muito decente as pisadas da escola sueca de bandas como Armagedda ou Pest.


GAEREA
«Unsettling Whisper»

Transcending Obscurity

A cena black metal nacional tem estado nos últimos anos mais activa que nunca e os Gaerea consubstanciam esta actividade. O trio, composto por gente de Pestifer, Loss Spectra Of Pure e Damage My God, estreia-se agora nos álbuns de estúdio, depois de um EP homónimo lançado em 2016, e as indicações não podiam ser melhores. Black metal negro, intenso e de pedigree death metal.


HACKEN
«L-1VE»

InsideOut Music

Universalmente considerados uma das mais brilhantes propostas da actual cena progressiva britânica, os Hacken editam, com «L-1VE», o seu primeiro registo ao vivo, depois de quatro álbuns de originais. E o resultado não podia ser mais elucidativo. Em palco, o sexteto londrino é tão coeso como em disco e os Hacken estão a caminho de algo verdadeiramente grade.


IMPENDING DOOM
«The Sin And Doom Vol. II»

eOne Music

Se, por um lado, o deathcore já teve melhores dias, por outro lado os norte-americanos Impending Doom continuam a representar o género como poucas bandas conseguem fazer hoje em dia. «The Sin And Doom Vol. II» é o sexto álbum do colectivo californiano e promete momentos de grande peso, breakdowns e violência.


KHEMMIS
«Desolation»

Nuclear Blast/20 Buck Spin

Depois de dois álbuns, lançados em 2015 e 2016, que conquistaram o underground, os norte-americanos Khemmis chegam, com o seu doom/heavy metal, à gigante Nuclear Blast e prometem conquistar o (que falta do) mundo. Se procuram a mistura certa entre Pallbearer e Candlemass, esta é a vossa solução.


MARDUK
«Viktoria»

Century Media

Os Marduk dispensam apresentações no que ao black metal diz respeito. «Viktoria», o 14.º álbum de originais dos suecos, volta a um registo mais rápido e abrasador, depois de alguns discos negros e ritualistas. E os Marduk nunca soaram melhor…


THE SEA WITHIN
«The Sea Within»

InsideOut Music

Juntar na mesma banda Tom Brislin (Yes), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Roine Stolt (The Flower Kings, Transatlantic), Marco Minneman (Steven Wilson, Joe Satriani) e Jonas Reingold (The Flower Kings) é o sonho molhado de qualquer fã de rock progressivo. E é precisamente a isso que «The Sea Within», o disco de estreia do super-projecto, soa.


WOLFEN
«Rise Of The Lycans»

Pure Steel Records

A tradição de power/thrash metal corre forte na Alemanha. Os Wolfen, oriundos de Colónia, cumprem-na ininterruptamente há 24 anos e editam esta semana o seu sexto álbum de originais. «Rise Of The Lycans» é uma autêntica lição de tradição, vitalidade e honestidade.


ZEAL & ARDOR
«Stranger Fruit»

MKVA Records

Juntar black metal e soul espiritual pode ser tão original quanto bizarro, mas a verdade é que o suíço-americano Manuel Gagneux consegue fazê-lo há já uns bons anos com Zeal & Ardor. «Stranger Fruit», o novo álbum, mostra o aperfeiçoamento da receita e entrou directamente para a segunda posição da tabela de vendas suíça. Teremos hype a caminho?

 

CINCO BANDAS DE BLACK METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Cinco novas brilhantes propostas da mais extrema e enigmática sonoridade que o metal tem, prontas a serem descobertas e a escurecerem um pouco o vosso fim-de-semana.

Devlouring Star 2015DEVOURING STAR
Os Devouring Star são a resposta escandinava aos Deathspell Omega ou, se quiserem, uma nova entidade nórdica a praticar black/death metal vanguardista e dissonante. No entanto, ao invés de ser uma mera cópia, a misteriosa entidade carrega nas atmosferas – ou não fossem eles finlandeses – e no disco de estreia «Through Lung And Heart», agora disponível pela Deamon Worship, conseguem uma equilibrada mistura entre o caos extremo do turbilhão black/death metal e um ambiente tão carregado, tão claustrofóbico que as comparações com os mestres franceses deixarão de fazer sentido após meia-dúzia de audições.


 

EarthAndPillars_LogoEARTH AND PILLARS
Praticamente do nada, o trio italiano Earth And Pillars, formado no ano passado, surge com um poderoso álbum de black metal atmosférico tão imergente e intenso, que é impossível passar ao lado dos fãs. O disco em questão – «Earth I», editado pela Avantgarde Music – contém quatro faixas («Earth», «Rivers», «Lakes» e «Tides») em que apenas uma (a inicial) está abaixo dos 12 minutos de duração. O modus operandi do trio, anónimo, é simples mas incrivelmente bem feito: black metal frio e intenso, com óbvias influências nórdicas, recheado de ambientes e melodias atmosféricas, temática ambientalista e longos e hipnóticos períodos instrumentais. Ideal para fãs de Wolves In The Throne Room, Fell Voices ou Ash Borer.


 

Infra_2015INFRA
Sabe-se que são oriundos de Portugal e que têm experiência de outros projectos, mas pouco mais se sabe sobre os Infra, projecto que se estreia nas edições com o EP em 7” «Initiation On The Ordeals Of Lower Vibrations», editado pela Nuclear War Now! Productions. Nos dois temas apresentados, o colectivo mostra uma personalidade musical bastante vincada, que se situa algures entre o black metal vanguardista e o black/death metal mais caótico e underground. A fusão entre ambas as abordagens é perfeita e transforma os Infra nas grandes esperanças do metal extremo das profundezas lusas, espécie de herdeiros espirituais do legado de southern black metal dos Morbid God e da inteligência dissonante e ritmicamente complexa dos Blut Aus Nord.


 

Odota2015ODOTA
Engendrado pelo estónio Jarmo Nuutre, o projecto Odota une a longa experiência do músico na cena local com a vontade de ir um pouco mais longe em termos de experimentalismo e vanguardismo sónico. «Fever Marshal», o disco de estreia auto-financiado que é agora lançado, mostra um doom/drone ensopado de distorção, com riffs e canções black metal (escute-se a arrasadora «Bad Medicine») e uma variedade rítmica que abre o espectro estilístico de Odota para coisas como o noise ou o industrial. São 40 minutos de pura descoberta aural, que compensam com texturas, ambientes e momentos de abandono doom/black metal de pureza e intensidade acima da média.


 

SelvansBand2015SELVANS
Imaginem o lado sinfónico e vanguardista do black metal dos Arcturus, misturado com uma pitada de folk metal que explora as tradições da música italiana. Os Selvans são essa mistura, com a experiência acumulada do tempo em que se chamavam Draugr (foram 11 anos e dois álbuns de estúdio) e uma vontade férrea em recuperar a atmosfera fascinante do black metal melódico dos anos 90. O resultado é um EP de estreia de 31 minutos, chamado «Clangores Plenilunio», agora editado em digipack pela Avantgarde, e que merece a pena ser conhecido.

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CINCO BANDAS DE DOOM QUE VALE A PENA OUVIR

Do doom funerário às “novas” propostas que, respeitando a tradição, arrebanham sludge, shoegaze e pós-metal para o género. Uma selecção de cinco jovens projectos que, definitivamente, os fãs de doom precisam de conhecer.

Albert Bell's Sacro SanctusALBERT BELL’S SACRO SANCTUS
Conhecido como baixista da bandas como Nomad Son e Forsaken, o maltês Albert Bell aventura-se agora numa carreira em nome próprio com «Deus Volt», um disco de doom/heay metal com óbvias ligações ao “true metal” e com uma forte componente dramática. Claramente direccionado a fãs de Candlemass antigo, Celtic Frost ou Saint Vitus, a proposta de Albert Bell’s Sacro Sanctus caracteriza-se por uma postura multifacetada e variada do mais tradicional, épico e verdadeiro género de doom metal. Vale a pena ouvi-lo.


 

Below The Sun 2015BELOW THE SUN
Oriunda da Rússia esta banda com nome de música dos Ahab mistura com mestria sludge, doom metal funerário e longas e intimistas partes ambientais, acústicas e/ou melódicas. O álbum de estreia chama-se «Envoy», está disponível pela Temple Of Torturous e é um dos mais excitantes pedaços de música extrema e emocional dos últimos meses. Os Below The Sun podem muito bem ser a resposta russa aos Process Of Guilt, com um lado muito [Before The Rain] na sua abordagem. Sim, é assim tão bom.


 

Latitude Egress 2014LATITUDE EGRESS
O doom funerário de Niklas e deste seu novo projecto (anteriormente editou dois discos sob o nome Licht Erlischt…) é fortemente baseado em vocalizações limpas, austeras e quase eclesiásticas. Consequentemente, o resultado é sinistro, solene e propositadamente afastado das tendências stoner/sludge modernas. Experimentem-no em «To Take Up The Cross», o disco de estreia agora editado pela Art Of Propaganda.


 

Mesmur logoMESMUR
Mergulhando de cabeça no mais opressivo funeral doom/death metal, os norte-americanos Mesmur, compostos por gente de bandas como Dalla Nebia, Funeral Age e Orphans Of Dusk, estreiam-se em grande com o disco homónimo lançado pela code666. A sonoridade do projecto é lenta, depressiva, pesada e melancólica como mandam as regras, mas sobra ainda espaço para alguma melancolia e atmosfera pós-metal, sobretudo na faixa que encerra o álbum, chamada «Osmosis». Talhado para agradar a fãs de Evoken, Esoteric ou Mar De Grises.


 

Nangilima 2014NANGILIMA
Se a vossa cena é doom/death metal tradicional, sem invenções, com músicas grandes, e ocasionais passagens melódicas e dolorosamente lentas, podem querer ouvir os Nangilima. O projecto é formado por dois suecos – o baterista e teclista Khalvst ov Mhurn (dos Marakhain) e o multi-instrumentista Nikolay Velev (dos Inspell) – e um vocalista espanhol. A abordagem ao doom/death metal que encetam no disco de estreia «The Dark Matter», disponibilizado pela Xtreem Music, é o ideal para fãs de bandas como Swallow The Sun, Saturnus e Novembers Doom.

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CINCO BANDAS DE ROCK – E MAIS ALÉM – QUE PRECISAM DE SER OUVIDAS

O bom e velho rock, baralhado e voltado a dar por cinco jovens projectos com sangue na guelra e a cabeça a fervilhar de ideias. Experimentem-nos!

Lae 2014LAE
Depois de uma primeira encarnação nos anos 90, que terminou em 2001 sem que tivessem editado um único disco, os canadianos LAE estão de volta à actividade e editam, com «Break The Clasp», uma colecção de temas de antigamente, rearranjados e reprogramados para agora. O pós-rock, pós-hardcore e noise do quarteto caracteriza-se por uma forte componente psicadélica e experimental, contrabalançada pela abordagem vocal suave e melódica, levada a cabo pelo produtor do disco, Steve Austin (dos Today Is The Day). O resultado é avassalador, comovente, original e surpreendente. Edições em CD digipack e LP duplo estão disponíveis pela The Compound e Battleground Records.


 

Shiran 2014SHIRAN
A israelita Shiran Avayou junta-se aos compatriotas Ferium para este projecto de rock/metal com vocalizações femininas. A abordagem é moderna (há influências de djent nos ritmos e guitarra), mas o enfoque vai para a voz forte e cheia de personalidade de Shiran. «Warm Winter Day», o EP de estreia que agora é auto-financiado pela banda, contém cinco músicas de um sólido equilíbrio entre melodias viciantes e um peso muito decente. Vale a pena para fãs de Lacuna Coil e afins.


 

South Of You 2014SOUTH OF YOU
Os South Of You são uma banda sueca de rock, ali algures entre o peso dos riff do quase-hard rock e a sensibilidade pop dos Khoma e Katatonia nas melodias. «Moments», o seu disco de estreia agora editado pela Killed By Records, revela uma tendência muito moderna para fundir uma série de coisas num “bolo” que é melódico, tem força e apela à melancolia. E com o ex-guitarrista dos Centinex Johan Ahlberg e o ex-baixista dos Katatonia Mattias Norrman na formação, o público do metal também terá interesse em ouvir «Moments».


 

The Black Lantern 2014THE BLACK LANTERN
Os The Black Lantern são um quarteto norte-americano que se está a cagar. A cagar para referências musicais, para conceitos estabelecidos e para o formato canção. Ainda assim, há algo de estranhamente harmónico na mistura de pós-punk, hardcore e noise rock que praticam no disco de estreia, «We Know The Future», lançado em CD, cassete, vinil e formato digital pela Wiener Records. Interessante para quem já alguma vez se questionou como soaria uma mistura de The Distillers, Rage Against The Machine e The White Stripes. Selvagem, cru, energético e sexy.
http://www.wienerrecords.org/


 

The Way I Am 2014THE WAY I AM
Misturando o rock alternativo de bandas como Muse e Radiohead, o metal moderno de Deftones, koRn ou Flyleaf e tímidos ambientes de banda-sonora, os franceses The Way I Am estreiam-se por estes dias com o EP «Apocalypse? No Way!», lançado pela Klonosphère. A voz feminina de Saturne é o joker do projecto, injectando melodias, emoções e intensidade nas seis faixas do registo, enquanto que instrumentalmente os The Way I Am cumprem o objectivo de apresentar uma mistura coesa, variada e minimamente sofisticada. É moderno, é alternativo, mas também tem muita carne no assador do peso.

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CINCO BANDAS DE THRASH QUE VALE A PENA OUVIR

O bom e velho thrash, renovado, expandido e tocado pela cartilha por cinco jovens bandas que, definitivamente merecem a vossa atenção.

BestialInvasion2015BESTIAL INVASION
Ah pois é. Os ucranianos Bestial Invasion são uma espécie de cuspidela na cara de todas as bandas que querem ser os novos heróis da cena old school e, ao mesmo tempo, de todos os candidatos a “novos Arch Anemy” que há por aí. A banda, liderada pelo ex-baixista dos Violent Omen, pratica thrash rápido e técnico (com o baixo bem alto!), de gravação crua e honesta, perfeito para quem gosta de Mekong Delta ou Atheist, enquanto a vocalista Anastasia tem uma prestação selvagem, punk e directa. «Silent Wonders» é um single de 7” com o tema-título e uma versão de «Damien», dos Morbid Saint, no lado B. A edição é da Archaic Sound e, acreditem em nós, vale bem a pena.


 

Blindeath_2015BLINDEATH
Novo rosto da fervilhante cena thrash italiana (que recentemente viu chegar às edições também os Ancient Dome, por exemplo), os Blideath inspiram-se nos anos 80 e fazem um misto do estilo norte-americano e europeu de thrash. É bem feito e pode encher as medidas dos thrashers mais fanáticos, pese embora lhes falte ainda um pouco de personalidade própria. O disco a ouvir chama-se «Into The Slaughter» e foi lançado pela Earthquake Terror Noise.


 

CycleBeating2015CYCLE BEATING
O lado mais robusto, groovy e core do thrash continua a alimentar a inspiração de toda uma geração de músicos de metal. Os Cycle Beating, com apenas dois anos de carreira, estão entre os mais inspirados e talentosos entre a referida geração na Alemanha, como o prova o disco de estreia «The Age Of Depression», agora disponibilizado pela própria banda. A produção é pujante, o groove é espesso e o quarteto saca uma série de riffs thrash que cobrem sem grandes problemas o terreno espiritual entre os Sepultura e os Machine Head, com ocasionais referências melódicas. Vale a pena conhecer.


 

Foreseen_2015FORESEEN HKI
Depois de uma maqueta, um split (com os Upright) e um single editados entre 2010 e 2013, os finlandeses Foreseen HKI estão prontos a entrar na nata do crossover contemporâneo com uma estirpe particularmente violenta e crua do género. O longa-duração de estreia do projecto, «Helsinki Savagery», agora lançado pela 20 Buck Spin, cumpre todas as regras estilísticas do crossover, mas a já mítica brutalidade e frontalidade nórdica acrescentam uns quilos extra ao peso, umas BPS à velocidade e um nível extra ao volume do thrash/speed/hardcore da banda, transformando-os em potenciais favoritos de quem acha que as maquetas dos Exodus é que eram a cena.


 

Insurrection2015INSURRECTION
As boas bandas europeias que misturam thrash e death metal melódico tendem a desaparecer em favor de propostas mais declaradamente old school ou death metal mais brutos, mas os holandeses Insurrection estão-se a cagar para isso. Com a experiência de uma formação que conta com elementos dos Enraged, Corda e Crushing Jackhammer, a banda funde a agressividade juvenil do thrash com o peso, a dinâmica e a melodia do death metal sueco e propõe um primeiro EP de seis faixas, chamado «Catatonic» e editado pela Big Bad Wolf, competente e convincente.

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CINCO BANDAS DE DEATH METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Cinco propostas para quem aprecia brutalidade, trevas, vozes guturais, morte e regresso dos mortos.

Cyhyraeth2014CYHYRAETH
Oriundos de Dallas, no Texas, os Cyhyraeth praticam uma furiosa e energética mistura de death metal melódico e thrash, com a particularidade de terem uma secção rítmica invulgarmente poderosa e precisa e de contar com uma vocalista – Jessica Mccain – que “trata” dos tons mais agressivos e, ocasionalmente, insere uma voz feminina melódica na música da banda. «Servant To The Fire», o disco de estreia auto-financiado pelo colectivo, é um bom exercício musical que não imita descaradamente nenhuma influência óbvia e que consegue atingir níveis de intensidade, velocidade e extremismo que facilmente convencem os fãs de death/thrash metal mais tradicional.


 

DireOmen2014DIRE OMEN
O death/black metal dos canadianos Dire Omen é das coisas mais obscuras, extremas e telúricas que poderão ouvir em muito tempo. «Wresting The Revelation Of Futility», o disco de estreia do trio agora editado pela Dark Descent, é uma amálgama de temas pára-arranca de dissonância odiosa, misantropia e death metal ensopado em black metal até ao mais profundo dos ossos. Pode ser uma boa alternativa para quem gosta de Mitochondrion ou Auroch e detesta dias soalheiros.


 

Oraculum2014ORACULUM
Bem das profundezas da cena sul-americana – ou seja, do Chile – os Oraculum praticam uma estirpe de death metal que arrebanha doom e black metal à medida que os quatro temas do seu EP de estreia lançado pela Invictus, «Sorcery Of The Damned», vão precisando. O ADN musical do projecto está bem definido: trevas, influências da intensidade de riffs dos Bolt Thrower, capacidade para o caos dos Sarcofago e para o terrorismo áudio dos compatriotas Pentagram. Dêem-lhes uma oportunidade e o vosso lado negro agradecer-vos-á.


 

VircolacVIRCOLAC
Elementos e ex-elementos de De Novissimis, Cruachan, Lamentations e Sol Axis juntam-se para fazer um death metal soturno, abrasivo e com fortes raízes no doom. Nos seus momentos mais extremos, os irlandeses Vircolac podem no entanto chegar aos mais caóticos e rápidos picos do death metal sul-americano, pese embora exista uma abordagem meio progressiva às estruturas dos temas. A banda tem cerca de um ano, mas a maqueta de quatro temas «Codex Perfida», editada em cassete pela Iron Bonehead, vale realmente a pena ouvir.


 

ZomZOM
Os irlandeses Zom unem death e black metal ao ponto da fusão nuclear, com uma abordagem musical extrema como poucas, uma gravação crua e directa e temáticas de letras que versam sobre perversão, feitiçaria, cosmos e morte. É um pouco atabalhoado na execução, mas com a negridão que apenas o mais profundo underground pode ter. Os ritmos variam entre o d-beat, o crust e o rock’n’roll, passando pelo blastbeat do black metal, enquanto as vocalizações são um rosno death metal que deliciará os fãs de Satistik Exekution. O disco de estreia chama-se «Flesh Assimilation» e pode ser encomendado na Europa através da Invictus.

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CINCO BANDAS DE BLACK METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Mais cinco propostas de novas bandas de black metal que não se arrependerão de descobrir. O género está bem, recomenda-se e o facto de já irmos no segundo artigo deste género em pouco menos de duas semanas demonstra que não é por falta de sangue novo que o black metal entrará em declínio. Por isso preparem os ouvidos, porque o que estão prestes a ouvir pode muito bem mudar-vos a vida.

AstrumMalum2014ASTRUM MALUM
Concebido pelo multi-instrumentista A. Mikonmäki, ao qual se juntaram pouco depois o vocalista A. Lewandowski e o letrista O. Mikonmäki, Astrum Malum é um projecto que junta black metal, música neoclássica, ambientes densos e um lado dramático/épico. Na maqueta de estreia, «Nether Knot», o trio mostra as suas primeiras três músicas, que resultam de forma interessante, ali a meio entre os universos musicais de Vinterriket e Za Frûmi. Um projecto a seguir com atenção. O lançamento é da Sixsixsix Music, vem em caixa de DVD (metade da dimensão standard) e com duplicação caseira.


 

Bhleg_2014BHLEG
Que a Suécia é terreno fértil para coisas de black metal, já se sabia. Agora, que seria de Gotemburgo que sairia o próximo cruzamento musical sem mácula dos universos clássicos de Burzum e Ulver, era algo difícil de imaginar. Os Bhleg são isso mesmo – um sucedâneo incrivelmente bem feito do black metal mais primitivo, misturado com laivos ambientais, experimentais e de contornos sónicos experimentais, que deixará a salivar os fãs da segunda vaga de black metal norueguês. Ainda para mais quando o seu disco de estreia, «Draumr Àst», agora editado pela Nordvis, tem letras em sueco. Uma fofura.


goatchrist-logoGOATCHRIST
Apesar de serem um projecto relativamente recente (foram formados este ano), os ingleses Goatchrist contam já com duas maquetas editadas, uma com 19 e outra com 45 minutos. O black metal da banda é abrasivo, rápido, distorcido e com ocasionais referências ao death metal, compreendendo no entanto pequenas secções ambientais e doom que, desconfiamos, estão lá só para realçar a fealdade da música do trio oriundo de Wakefield. «She Who Holds The Scrying Mirror» (reeditada pela Sixsixsix Music) e «Legion» podem ser boas surpresas para quem gosta do seu black metal rápido, selvagem e com um delicioso cheiro fétido a underground.


 

Stormcast_2014STORMCAST
Apesar de serem oriundos da periférica cidade de Nicosia, no Chipre, os Stormcast conseguem atingir um bom equilíbrio de parâmetros internacionais e de originalidade no seu black metal, no disco de estreia «Frame Of Mind» agora editado pela Pitch Black. A base do som do quinteto é um black metal relativamente atmosférico, com espaço e talento na sua composição para incorporar referências épicas, de death metal melódico ou doom sem soar forçado ou sobre-variado. Trata-se sem dúvida de uma proposta válida para fãs de black metal melódico e atmosférico que gostam de ouvir uma sonoridade moderna sem, no entanto, deixar de prestar o devido respeito às raízes do género.


 

Toxoid_2014TOXOID
Parece existir uma cena black metal emergente na Índia e os Toxoid são apenas uma das últimas propostas de um icebergue que tem todo o potencial para ser tornar grande e poderoso. «Aurora Satanae», o disco de estreia do trio de Nova Deli, é fortemente inspirado pelo movimento escandinavo do estilo, nomeadamente por bandas como Gorgoroth ou Naglfar, com as obrigatórias referências melódicas geladas bem enquadradas no uso de riffs e leads “maldosos” e de uma vocalização que, colando-se de forma relativamente óbvia às suas influências, consegue imitá-las de forma satisfatória. A produção é directa e crua – o que acaba por resultar bem na mistura sonora dos Toxoid – e as letras de temas como «Mystical Misanthropic Doctrine» ou «Baphomet Enraged» prometem dar pequenos prazeres aos amantes de black metal clássico escandinavo.

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CINCO BANDAS DE BLACK METAL QUE VALE A PENA OUVIR

Black metal, o mais extremo e controverso dos estilos de metal, é também um dos mais amados e odiados, sendo actualmente espaço para todo o tipo de projectos, dos mais ousados aos mais teimosamente conservadores. Para quem aprecia a rispidez, provocação e emoções fortes – e também descobrir novos projectos – aqui fica uma pequena lista de grandes promessas do género.

Morodh2014MORODH
Misturar black metal depressivo, doom dos anos 90 e pós-rock deixa os russos Morodh com uma receita musical plena de melancolia e beleza triste. O primeiro material (uma cassete a meias com os People Are Mechanisms e uma maqueta de três faixas limitada a 100 cópias) deixava antever um futuro promissor para o quarteto russo, e o álbum de estreia – «The World Of Retribution», agora editado pela Witching Hour – confirma cada um dos predicados da banda. Emoção, desolação e capacidade para pintar tudo de preto à sua volta, envolta numa aspereza sonora que contrasta com a quietude do lado mais pós-rock melancólico. Um disco para dias de Inverno.


 

Orcultus2014ORCULTUS
Líderes destacadas da nova geração de black metal underground sueco, os Orcultus editam agora uma cassete de sete faixas de pura maldade crua e old school. «Black Rust» respira aquela aura de mistério e poder bruto dos primeiro tempos de Judas Iscariot e Horna, que pode apenas ser encontrada no mais profundo underground escandinavo. Apesar de directo na abordagem vocal, contém longas passagens instrumentais – sempre extremas – que justificam outras comparações que têm sido feitas com os primeiros registos de Deathspell Omega. A edição é limitada a 200 cópias.


 

Selva2014SELVA
Pós-black metal, screamo e enquadramentos melódicos pós-rock são os ingredientes usados pelos italianos Selva no seu disco de estreia. Os 37 minutos, divididos por sete faixas, de «Life Habitual» são intensos, suados e respiram dinâmica, podendo ser comparados (como a editora faz) aos trabalhos de Celeste, Russian Circles e, na sua faceta mais serena, Alcest. É sangue novo e isso nota-se.


 

TheDeathtrip2014THE DEATHTRIP
Aldrahn, seminal vocalista dos Dødheimsgard, junta-se a Host (guitarrista dos Thine) e a Dan Mullins (baterista dos My Dying Bride) e, juntos, invocam um black metal que fará as delícias de fãs dos anos 90 escandinavos. Apesar da voz de Aldrahn nos remeter automaticamente para Dødheimsgard, apesar da maior parte do material de «Deep Dron Master», o disco de estreia editado pela Svart Records, ser rápido e directo, há momentos de black/doom’n’roll, numa espécie ainda mais retorcida de Khold, e algumas outras surpresas à espera de serem descobertas. Este é um dos discos de black metal do ano.


 

Wayfarer2014WAYFARER
Directamente das Montanhas Rochosas do Denver, no Colorado, o black metal dos Wayfarer é atmosférico, meio folk e incrivelmente bem feito. Nomeadamente, black metal do tipo “Pensem numa mistura de Winterfylleth, Wolves In The Throne Room e Agalloch”. A coisa é bem feita, respira autenticidade, tem uma excelente qualidade de gravação e composição no disco de estreia da banda, chamado «Children Of The Iron Age», que agora é editado pela Prosthetic Records. A maqueta da banda, de 2012, inteiramente instrumental, pode ser um com complemento também.

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DISCOS DO DIA

Blindeath_IntoTheSlaughterBLINDEATH «Into The Slaughter» Earthquake Terror Noise
Novo rosto da fervilhante cena thrash italiana (que esta semana vê chegar às edições também os Ancient Dome, por exemplo), os Blideath inspiram-se nos anos 80 e fazem um misto do estilo norte-americano e europeu de thrash. É bem feito e pode encher as medidas dos thrashers mais fanáticos, mas falta-lhes ainda um pouco de personalidade própria. (6/10)

IMitiEterni_HistoriaCumaeI MITI ETERNI «Historia Cumae» Jolly Roger Records
Bruno Masulli, guitarrista dos In Aevum Agere e de algumas outras bandas, atira-se de cabeça para um projecto a solo de power metal épico em que explora a história da Grécia antiga, com vocalizações em grego, latim, italiano e inglês. É ambicioso e cumpre expectativas, embora denote ainda algumas limitações ao nível da produção. Fãs de Virgin Steele… Alerta! (7/10)

NuclearPerversion_DesolationRitualsNUCLEAR PERVERSION «Desolation Ritual» Iron Bonehead
Maqueta de estreia deste projecto de death/black metal nuclear, cujo extremismo vai muito para além do convencional. Títulos como «Fistfuckchrist» ou «Sodomic Nuclear Sunrise» encaixam como uma luva na acidez distorcida da abordagem musical do projecto, que oscila entre o hiper-rápido, o morbidamente lento e o desconfortavelmente atmosférico. A perversidade levada ao seu expoente máximo. (7/10)

Subservience_UpheavalSUBSERVIENCE «Upheaval» Auto-financiado
Os britânicos Subservience misturam com particular maldade o death metal old school com influências modernas de groove metal e metalcore. O resultado final é, sobretudo neste terceiro EP, intenso, pesado como o raio e cheio de surpresas. Para terem uma ideia, imaginem uma mistura das sonoridades de Bolt Thrower e The Rotted. (8/10)

Zapruder_FallInLineZAPRUDER «Fall In Line» Apathia Records
Afinal, o EP de estreia de 2012 de Zapruder não foi um mero acaso. A pós-mathcore da banda francesa é mesmo bom, agregando passagens selvaticamente técnicas, atmosferas pós-rock, ocasionais intervenções de saxofone e clarinete e um fundo de noise rock que dá espessura à música da banda. «Fall In Line», o disco completo de estreia, é obrigatório. (8/10)

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DISCOS DO DIA

BeyondTheMorninglight_LifelinesBEYOND THE MORNINGLIGHT «Lifelines» WormHoleDeath
Novo EP do projecto norueguês Beyond The Morninglight, que pratica um rock/folk cheio de atmosferas densas e vocalizações límpidas e emocionais. As melodias estão, no entanto, entregues a vocalizações a que falta alguma densidade, enquanto que musicalmente a abordagem acústica resulta de forma satisfatória. (6/10)

BleachEverything_VorsBLEACH EVERYTHING/VORS «Split» Magic Bullet Records
Vinil de 7” (há uma versão digital) que junta um tema de um minuto e meio dos Bleach Everything (membros dos Iron Reagan e Suppression) com o seu noise-rock ultra distorcido e groovy, e outro de três minutos e meio de Vors (projecto de J. Bennett dos Ides Of Geminy), que leva o trip-rock electrónico dos Manes um nível mais acima em termos de acidez, ambiente e decadência. (7/10)

Maplerun_RestlessMAPLERUN «Restless» Pavement Entertainment
São gregos, praticam uma mistura de metal e rock alternativo de alta sensibilidade melódica e de teor original. Nem sempre todos os temas resultam cinco estrelas, mas se é um bom disco para Serj Tankian, dos System Of A Down (que chegou a levá-los para banda de abertura numa digressão em nome próprio) é certamente bom para nós. (7/10)

NorthernCrown_InTheHandsNORTHERN CROWN «In The Hands Of The Betrayer» Auto-financiado
Nova banda americana de doom/heavy metal clássico, com fortes influências de Candlemass (há uma versão de «Crystal Ball» neste EP) e Solitude Aeternus, mas com uma forte componente de teclados também. É material sóbrio mas competente e sólido e, em si, uma promissora estreia de doom metal clássico. (7/10)

Wormwood_WormwoodWORMWOOD «Wormwood» Magic Bullet Records
Chris Pupecki e Chris Bevalaqua, respectivamente os guitarrista e ex-baterista dos Doomriders, apresentam o EP de estreia do seu novo projecto. Doom/sludge que se afunda na nossa cabeça com distorção parva, gravação analógica e feedbacks abundantes. Como se os Kylesa não se preocupassem em serem progressivos nem em vender discos. (7/10)

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DISCOS DO DIA

Capsize_TheAngstInCAPSIZE «The Angst In My Veins» Impericon Records
Os norte-americanos Capsize estreiam-se nos discos longa-duração com uma receita que mistura hardcore com uma forte componente emocional, materializada na música através de interlúdios atmosféricos e de algumas passagens mais pós-rock. A mistura funciona estranhamente bem e, em consequência, «The Angst In My Veins» não apenas proporciona meia hora de bom hardcore como promete um grande futuro aos tipos. (7/10)

CD 3 panel accordion fold templateMIDNIGHT SIN «Sex First» Bakerteam Records
Hard rock/sleaze à antiga (pensem em Danger Danger e Little Angels) é algo que é muito feito actualmente, mas poucas vezes acerta na mouche como os italianos Midnight Sin fazem neste disco de estreia. É datado, sim senhores, mas quem procura este género específico de hair metal dificilmente encontrará melhor nos dias de hoje. (7/10)

Mutagenocide_DevolveMUTAGENOCIDE «Devolve» Rednauseam Records
Power/groove/thrash metal com apontamentos progressivos e thrash metal é a proposta dos ingleses Mutagenocide, que chegam a este segundo EP com a mesma motivação e fúria que tinham apresentado na estreia. É agressivo, abrasivo, ocasionalmente técnico e raramente baixa a intensidade. Não é particularmente original ou inovador, mas funciona bem. (7/10)

Riwen_RiwenRIWEN «Riwen» Indie Recordings
Johannes Persson, dos Cult Of Luna, regressa às raízes de hardcore metálico com três furiosos temas gravados numa noite em ambiente de banda com gente de Totalt Jävla Mörker e AC4. É directo, é pesado, é feio e é do hardcore mais urgente e bruto que se pode ouvir hoje em dia. Edição exclusiva em vinil. (7/10)

Shades&Peters_LetTheRecordSHADES & PETERS «Let The Record Spin» Target Records
Rene Shades (baixista dos Pretty Maids) e Martie Peters (dos hard rockers Push) voltam a juntar-se para fazer a sua cena de rock melódico à Brian Adams, Bruce Springsteen e Rod Stewart e editam o primeiro álbum de originais em três décadas. É bem feitinho para o estilo que ostenta mas enfim, vale o que vale. (6/10)

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DISCOS DO DIA

ConventGuilt_GunsForHireCONVENT GUILT «Guns For Hire» Cruz Del Sur Music
Hard rock dos anos 70, NWOBHM e heavy metal clássico, misturados com a abordagem honesta produção crua típicas da cena australiana fazem deste disco dos Convent Guilt um bom acepipe para fãs de true metal. Daqueles que gostam de Iron Maiden do tempo de «Killers», de Saxon antigo e de Brocas Helm. (7/10)

omslag_2_AHEROES OF VALLENTOR «The Warriors Path Part I» Inverse Records
Depois de uma primeira encarnação há quase uma década atrás (que lhes valeu apenas duas maquetas), os suecos Heroes Of Vallentor estão de regresso à vida e editam o seu primeiro álbum de originais. Heavy/power metal retro exactamente a meio entre os Sabaton e os Judas Priest é a proposta do grupo. E não é nada má. (7/10)

InLoveYourMother_TheGreatApeIN LOVE YOUR MOTHER «The Great Ape Project» Dr. Music Records
O mathcore dos In Love Your Mother padece daquela saudável loucura que os pode levar a qualquer lado em qualquer uma das 18 curtas faixas de «The Great Ape Project». É progressivo, é experimental, rebenta de energia, tem humor e é fisicamente perigoso, precisamente como os fãs de Iwrestledabearonce, The Dillinger Escape Plan e Car Bomb gostam. (7/10)

4 panel.epsINNSMOUTH «The Shadow Over Innsmouth» Crime Records
Estreia promissora dos dinamarqueses Innsmouth, que conseguem aliar com sucesso uma abordagem ultra-técnica ao death metal (pensem em Obscura ou Necrophagist) a um ambiente obscuro muito Lovecraft e a uma atmosfera de produção que lembra os anos 80. Apesar de algo batida, a combinação resulta bem. (8/10)

MausoleumGate_MausoleumGateMAUSOLEUM GATE «Mausoleum Gate» Cruz Del Sur Music
Os finlandeses Mausoleum Gate podiam ser apenas mais uma banda em busca do pote de ouro retro, mas o seu NWOBHM é bom demais para isso. Com uma atmosfera densa (dada pelo uso de teclados Mellotron e Organ), uma tendência para a tragédia melancólica e uma produção que fará os fãs dos Cirith Ungol espumarem, «Mausoleu Gate» pode muito bem ser o clássico que o “novo” heavy metal estava a precisar. (8/10)

Morbo_AddictionToMusickalMORBO «Addiction To Musickal Dissection» Duplicate Records/No Posers Please
O death metal old school tem tendência para o mórbido e obscuro, mas os italianos Morbo arriscam-se a redefinir a expressão “death metal das trevas” com este seu disco de estreia. Nove temas de pura podridão inspirada em Autopsy, Necrophagia, Master e Repulsion, disponível apenas em vinil, pois claro, numa edição limitada a 500 unidades, com poster. (7/10)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMY OWN GHOST «Love Kills» Secret Entertainment
Pop/rock de influências góticas e electrónicas e de vocalização feminina é a proposta dos luxemburgueses My Own Ghost, que com este disco de estreia procuram agradar a fãs de Evanescence, Brave e The Cure. A missão não fica totalmente cumprida, mas também não são uma desilusão completa. (7/10)

Slasher_KatharsisSLASHER «Katharsis» Auto-financiado
Apesar dos contornos do thrash praticado pelos brasileiros Slasher neste segundo álbum de originais serem algo modernos (a produção de Tue Madsen ajuda), existe um bom equilíbrio com elementos tradicionais e conservadores do género, nomeadamente ao nível dos riffs. Ainda assim, há ainda um caminho a percorrer para chegarem a uma sonoridade mais própria. (7/10)

Zelorage_SoYoureAZELORAGE «So You’re a Mess» Inverse Records
O nu-metal segundo os Zelorage, oriundos de Renmark, na Austrália, é uma mistura meio manhosa das sonoridades antigas de Korn e Deftones. A produção é um pouco plástica, a composição é estéril e, pese embora algumas das melodias mais melancólicas sejam vagamente interessantes, ainda não é ao terceiro álbum que o trio acerta na receita musical. (5/10)

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DISCOS DO DIA

AlgomA_ReclaimedByTheALGOMA «Reclaimed By The Forest» Dead Beat Media
Os jovens canadianos AlgomA despejam a primeira dose de doom/sludge/stoner fortemente influenciado por Electric Wizard, Eyehategod, Sleep e afins, em formato de álbum de originais. É intenso, pesado e peganhoso, mas não tem nada de novo ou de especialmente forte. (6/10)

Ascendancy_TheAmazingAscendancyASCENDANCY «The Amazing Ascendancy Versus Count Illuminatus» MetalGate Records
Considerados uma banda de “power metal” pela própria editora, os Ascendancy são muito mais que isso. Os teclados e a abordagem vocal, neste segundo álbum, puxam a música para território de Devin Townsend, enquanto alguns dos riffs são de power metal moderno, sim senhores. A mistura poderia funcionar melhor, mas não lhes falta dinâmica nem ambição. (6/10)

BigBangBayEyes_LittleNothingBIGBANGBAYBEES «Little Nothing» Auto-financiado
Terceiro EP desta banda de power pop/rock francesa, que apresenta três temas originais e duas regravações de canções antigas. O melhor são as melodias viciantes que agraciam os refrões, assim à Filter. O pior é o que os BigBangBayBees fazem até chegarem lá, que por vezes é meio maçudo e batido. (6/10)

Colosus_BlestemCOLOSUS «Blestem» Kaotoxin Records
Editado há cerca de um ano em formato digital, este disco de estreia do projecto a solo de Krhudd (baterista dos Sidious) chega finalmente à edição física, para gáudio dos poucos fãs da estirpe particularmente negra e underground do black-metal-misturado-com-dark-ambient que pratica. Fãs de Xasthur, Leviathan e Blut Aus Nord deverão ter algum interesse nisto. (7/10)

MaidMyriad_WIthHasteOnMAID MYRIAD «With Haste On Its Breath» Nefarious Industries
Oriundos de Akron, no estado americano do Ohio, os Maid Myriad estreiam-se em grande com um disco que mistura pós-rock, rock progressivo, música alternativa e pop. Na prática, parece uma mescla emotiva e completa de Three, Coheed And Cambria, The Dillinger Escape Plan e Incura. Mas com alma musical própria e boas soluções ao nível da composição. (8/10)

Morost_SolaceInSolitudeMOROST «Solace In Solitude» Auto-financiado
Os eslovenos Morost têm uma boa receita em mãos neste seu disco de estreia: death metal com groove e padrões rítmicos djent, cheio de atmosferas densas e com uma vocalização muito death-black-metal-anos-90. A experiência vem-lhe dos anos passados nos Cold Dew, mas o talento parece ser-lhes inato. (7/10)

Singularity_SingularitySINGULARITY «Singularity» Auto-financiado
É incrivelmente sólida a estreia nos discos de estúdio dos norte-americanos Singularity, que propõem uma estirpe rápida de black metal sinfónico e técnico. Longe dos trejeitos de estrelas dos Winds Of Plague e afins, mais muito mais dinâmicos do que a maioria da concorrência. (7/10)

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DISCOS DO DIA

9000JohnDoe_RedneckIsThe9000 JOHN DOE «Redneck Is The New Black» Mighty Music
Rock’n’roll e heavy metal juntos, à boa maneira crua dinamarquesa, é a proposta dos 9000 John Doe neste seu segundo disco de estúdio. Riffs pesados mas melódicos (pensem em Pantera), solos funcionais (pensem em Guns N’ Roses) e uma voz a dever a alma ao hardcore (pensem em We Are The Damned) dão uma boa alma ao corpo working class destes rednecks nórdicos. Um bom álbum para ganhar músculo. (7/10)

Chainfist_ScarredCHAINFIST «Scarred» Mighty Music
Compostos por ex-elementos de bandas como Panzerchrist, Frozen Sun e Infernal Death, os dinamarqueses Chainfist propõem uma segunda dose de heavy/thrash com um pé em influências dos Big Four e outro em coisas mais modernas como Disturbed, Bullet For My Valentine ou Mercenary. O resultado é dinâmico, pesado, melódico, intenso e bem feito. Falta-lhe originalidade, mas não qualidade. (7/10)

Exoto_BeyondTheDepthsEXOTO «Beyond The Depths Of Hate» Vic Records
Death/thrash metal derivativo será sempre death/thrash metal derivativo, nem que seja feito por uma banda com a credibilidade de ter editado dois álbuns de originais na primeira metade da década de 90, para regressar agora. Os belgas Exoto não têm uma má sonoridade em mãos, só que estes temas das maquetas dos anos 90 não têm nada que os separe da concorrência de meio de tabela, da altura e de agora. (5/10)

KeepOnRotting_UnforseenConsequencesKEEP ON ROTTING «Unforeseen Consequences» MetalGate Records
Os Keep On Rotting conseguem, até certo ponto, ressuscitar a supremacia que o death metal bruto checo chegou a ter no início dos anos 00. O seu disco de estreia é técnico, progressivo, brutal e cheio de riffs contundentes, misto da mentalidade dos Death com a violência gratuita dos Vader. Uma boa surpresa que urge descobrir. (8/10)

Lavatory_MorbidTerrorLAVATORY «Morbid Terror» Pulverised Records
O death metal da velha guarda sueco segundo os malaios Lavatory é, neste disco de estreia, uma coisa disforme, feia e cheia de riffs pujantes e vocalização odiosas. Nada que os fãs de Dismember, Entombed, Carcass e Obituary não tenham ouvido já, mas feito com uma urgência e uma motivação renovados e uma atmosfera underground inimitável. (6/10)

Ohhms_BloomOHHMS «Bloom» Holy Roar Records
Caindo exactamente no turbilhão de doom, pós-metal e pós-rock progressivo que constitui o hype, a estreia dos Ohhms em disco consegue fugir aos lugares comuns do género com uma estruturação inteligente e um invulgar sentido de intensidade nas duas faixas do álbum, que perfazem 32 minutos. Uma estreia auspiciosa. (8/10)

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DISCOS DO DIA

Alexanred_AlwaysActiveALEXANRED «Always Active» Inverse Records
Novo projecto de rock industrial do finlandês Aleksi Susi, dos 2 Wolves e TupakkaPappa, Alexanred está ali no muro entre as ideias refrescantes e o sobre-esforçado. «Always Active» surge ainda um pouco colado às influências mais óbvias dentro do rock industrial/electro, mas as melodias finlandesas estão lá e isso chega para os serviços mínimos. (6/10)

Kreyskull_TowerWitchKREYSKULL «Tower Witch» Inverse Records
Com ex-elementos de bandas como Total Devastation, Demonic Death Judge e Kaihoro, os finlandeses Kreyskull apresentam-nos o seu “heavy rock’n’doom” neste disco de estreia. A mistura é distinta e funciona bem: riffs stoner, groove e bastas influências do rock progressivo e psychadelia dos anos 70, com ocasionais incursões por coisas mais jazzísticas. Vale a pena descobri-los. (7/10)

ssSHEENSss_StrappingStallionsssSHEENSss «Strapping Stallions» Soulseller Records
O stoner rock do deserto dos finlandeses ssSHEENSss continua a evoluir neste segundo álbum de originais e aparece com uma sonoridade mais convincente e melodias mais distintas. Os riffs são efectivamente relevantes, o que é mais do que se pode dizer de 90% das bandas de stoner rock actual. (7/10)

Vomitile_MasteringTheArtVOMITILE «Mastering The Art Of Killing» Pitch Black Records
Death metal bruto e técnico de meio de tabela, por parte de uma banda cuja principal característica é vir do Chipre. Bem produzido, tecnicamente competente e com alguns bons apontamentos mais melódicos mas, por ora, o generalismo e a colagem às influências mais óbvias continuam a imperar. (6/10)

WomitAngel_HolyGoatsieWÖMIT ANGEL «Holy Goatsie» Inverse Records
Este trio finlandês leva muito a sério o cruzamento das sonoridades de Impaled Nazarene, Motörhead e Carpathian Forest a que chama “black metal/sado-punk”. A verdade é que, neste segundo álbum de originais, a intensidade é tal (há também thrash na mistura sonora) que as portas do Inferno se abrem e mostram aquilo que por lá vai dentro. Esta é a cena punk/black metal. (7/10)

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DISCOS DO DIA

BlastOff_WorldOfLiesBLAST OFF «World Of Lies» Suspiria Records
Thrash descomplicado feito na Galiza e gravado nos Ultrasound Studios, em Braga, com produção de Pedro Mendes. Os Blast Off têm, como dezenas de outras bandas, influências directas de Testament, Anthrax e Metallica, mas neste EP de quatro faixas despejam-nas com uma intensidade, coerência e coesão absolutamente invulgares. (8/10)

HowToDisappearCompletely_DaughtersOfEveHOW TO DISAPPEAR COMPLETELY «Daughters Of Eve» The Path Less Traveled Records
Boa mistura de hardcore e pós-rock com fortes elementos melódicos, ambientais e emocionais. Imaginem uns Deftones mais energéticos a fazer uma jam com uns earthtone9 menos screamo e não andarão longe do que os How To Disappear Completely propõem neste seu disco de estreia. (7/10)

Overcharge_AccelerateOVERCHARGE «Accelerate» Unspeakable Axe
Aquilo que se diz dos Motörhead – muitas vezes alvos de imitação, poucas vezes com sucesso – perde força quando se ouve o disco de estreia dos Overcharge. A banda italiana pratica um speed metal/punk de riffs tão simples e contagiosos, de ritmos tão rock’n’roll e de solos tão entusiasmantes que é impossível não pensarmos num Lemmy todo contente a ouvir «Accelerate». Grande estreia. (8/10)

SempiternalDusk_SempiternalDuskSEMPITERNAL DUSK «Sempiternal Dusk» Dark Descent Records
Disco de estreia desta trupe norte-americana de death metal obscuro formada por gente dos Shroud Of The Heretic, The Howling Wind, The Warwolves e Weregoat. De sonoridade seca, gravalhona e injectado de trevas ao ponto da comparação com Necros Christos, o disco homónimo da banda é uma coisinha preta e odiosa que fará as delícias de fãs de death metal Lovecraftiano. (7/10)

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DISCOS DO DIA

AncestralLegacy_TerminalANCESTRAL LEGACY «Terminal» Whispering Voice Records
Apesar da mistura algo heterogénea de doom metal e metal gótico, o terceiro álbum dos noruegueses Ancestral Legacy funciona de forma estranhamente dinâmica. A vocalista feminina – a mexicana Isadora Cortina – tem formação clássica (e isso nota-se) e o seu tom complementa a abordagem ríspida de Eddie Risdal, enquanto as melodias formais e inteligentes se sucedem, embaladas num ambiente rico e denso. (7/10)

ChaosEngineResearch_TheLegendWrittenCHAOS ENGINE RESEARCH «The Legend Written By An Anonymous Spirit Of Science» Mighty Music
A estrearem-se nos álbuns de originais, os polacos Chaos Engine Research não se safam mal com a mistura de metal alternativo, groove metal e thrash que apresentam. A composição tem laivos progressivos, a produção tem aquele push de Tue Madsen e, ao longo das 12 faixas do álbum – que é concepual – há momentos de intensidade interessante. Há estreias bem piores. (6/10)

DarkMirrorOvTragedy_LunaticChaptersOfDARK MIRROR OV TRAGEDY «Lunatic Chapters Of Heavenly Creatures» WormHoleDeath Records
A estética do black metal gótico e sinfónico praticado pelos sul-coreanos Dark Mirror Ov Tragedy não é muito diferente daquela a que estamos habituados a ouvir por parte das bandas europeias. Mas, neste terceiro álbum de originais, as peças encaixam melhor e há uma dinâmica mais vincada entre melodia e intensidade, com excelentes passagens de violino a ajudar, num festim de luxuoso metal gótico extremo que se saúda. (7/10)

7x7_record_insert_outsideDIE CHOKING «II» The Compound
Segundo EP em poucos meses para este trio de grindcore composto por gente de Cop Problem, Burden e um ex-elemento dos Total Fucking Destruction. Powerviolence hiper-activa, com três faixas que totalizam menos de seis minutos, prensadas num EP de 7” vermelho. Fãs de Brutal Truth e Pig Destroyer chamar-lhe-ão um figo. (7/10)

Eosphorus_WindsOfApepEOSPHORUS «Winds Of Apep» WormHoleDeath Records
O black metal melódico sueco é uma fonte inesgotável de bandas e de discos, por isso é natural que não conheçam os Eosphorus, apesar deste já ser o seu segundo trabalho completo. É, no entanto, uma boa oportunidade para passarem a conhecer, se a mistura das sonoridades geladas de Dissection e Marduk antigo for a vossa praia. (7/10)

LeButcherettes_CryIsForLE BUTCHERETTES «Cry Is For The Flies» Ipecac Recordings
A vocalista, guitarrista e teclista Teri Gender Bender e o baterista Lia Braswell têm em mãos um belo projecto de garage-punk com tendência para as melodias e para a simplicidade marada. «Cry Is For The Flies», a segunda proposta, para além de colocá-los na Ipecac, parece ter atraído todo o tipo de freaks, uma vez que Henry Rollins participa com uma parte spoken word e Rodriguez-Lopez produziu o disco. (7/10)

Necroholocaust_HolocausticGoatMetalNECROHOLOCAUST «Holocaustic Goat Metal» Iron Bone Productions
Black/death metal do fundo das cavernas canadianas, feito com o mais profundo ódio pelo Cristo por um quarteto de gente dos Trajeto De Cabra e ex-Morbosidad. Aqui não há old school nem new school. Apenas o mais negro, extremo e cavernoso black/death metal que o underground cria no seu seio. Edição exclusivamente em vinil. (7/10)

SixDaysOfMay_LymphSIX DAYS OF MAY «Lymph» WormHoleDeath Records
Metalcore de roupagem moderna que inclui ocasionais influências electrónicas, rock alternativo e mesmo uma passagem de hip-hop é a proposta dos italianos Six Days Of May. Os riffs são dinâmicos e cortantes e as dinâmicas vocais funcionam igualmente bem. Uma espécie de More Than A Thousand transalpinos, num grau de desenvolvimento mais lento. (6/10)

JACKET2_wo_tempTORCH RUNNER «Endless Nothing» Southern Lord
Como já tinham provado na estreia «Committed To The Ground», os norte-americanos Torch Runner têm em mãos uma explosiva mistura de grindcore, hardcore, sludge, death metal e crust que corrompe tudo à sua volta. Os novos temas são ainda mais viciosos, maldosos, sujos e extremos. Para fãs de Napalm Death, Nails e Converge. (7/10)

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DISCOS DO DIA

Blood&Iron_VoicesOfEternityBLOOD & IRON «Voices Of Eternity» Pure Steel Records
Heavy/power metal feito na Índia já é uma coisa para se apoiar, seja qual for a qualidade que tenha. Se for o género inspirado pelo US power metal, de trejeitos progressivos e melodias vocais cristalinas dos Blood & Iron neste seu terceiro álbum de originais, melhor ainda. (7/10)

htd_cd_booklet_final.inddDEATHRONATION «Hallow The Death» Ván Records
Death metal underground old school feito à boa maneira alemã: com tomates, trevas e riffs simples. Suficientemente arcaico para agradar a fãs de Master e suficientemente mórbido para satisfazer quem gosta de Bloodbath. Boa estreia, personalidade forte e um disquinho que parece saber voltar ao leitor de CDs sozinho. (7/10)

EstadoNovo_EstadoNovoESTADO NOVO «Estado Novo» Inverse Records
Apesar do nome estranho (sobretudo para uma banda finlandesa), os Estado Novo praticam neste disco de estreia homónimo música descomprometida, nomeadamente rock alternativo com riffs que têm ocasionais proporções sludge. O nome do baterista – Hilli Hiilesmaa – é capaz de dizer alguma coisa a alguém. Se sobram dúvidas sobre a origem do nome da banda, uma das faixas do álbum chama-se «Salazar». (6/10)

Gormathon_FollowingTheBeastGORMATHON «Following The Beast» Napalm Records
O death metal melódico segundo os suecos Gormathon tem riffs orelhudos, sim senhor, mas também tem vocalizações guturais misturadas com um tom limpo e melódico à heavy metal, shread thrash, solos duais e algumas outras surpresas. É refrescante, mas por vezes ainda há exageros, normais num segundo disco de originais. Há-de melhorar. (6/10)

LostPray_ThatsWhyLOSTPRAY «That’s Why» Auto-financiado
Os turcos LostPray não têm qualquer receio de admiti-lo: os temas de «That’s Why», o seu álbum de estreia, são directamente inspirados pelos Metallica da era pós-«Black Album». Alguns resultam bem, outros precisam de elementos musicais mais distintos. O ambiente anatolian rock, que parece andar por ali às vezes, pode ajudar. (5/10)

Lyriel_SkinAndBonesLYRIEL «Skin And Bones» Massacre Records
Metal gótico, sinfónico, de influências celtas e de rock alternativo, é o “prato” servido pelos alemães Lyriel. Voz feminina, violoncelo e violino dão alguma côr à coisa, mas as melodias neste quinto álbum continuam tão discretas como nos seus antecessores e a falta de auto-confiança parece imperar. Ainda assim, uma proposta válida para fãs de metal female fronted. (6/10)

PoppyAckroyd+Lumen_EscapementVisualisedPOPPY ACKROYD + LUMEN «Escapement Visualised» Denovali Records
A música melancólica e evocativa de Poppy Ackroyd, feita unicamente com piano e violino, encontra finalmente o correspondente visual nesta colaboração com o artista visual britânico Lumen. O resultado é um DVD de clips musicais que exponenciam todo o potencial sonhador da abordagem contemporânea, electrónica, experimental e citatina de «Escapement», o disco de estreia de Poppy Ackroyd. (8/10)

Stench_VentureSTENCH «Venture» Agonia Records
O death metal primitivo e atmosférico levado ao seu extremo mais básico e primordial. É assim que «Venture», o segundo disco dos suecos Stench, se caracteriza. O trio, que conta com dois elementos dos Tribulation, repete riffs básicos mas trabalha nas estruturas e pormenores como apenas os génios têm capacidade de fazer. Resultado: um disco de horror death metal old school de pura magia sónica. (8/10)

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DISCOS DO DIA

Bask_AmericanHollowBASK «American Hollow» The Path Less Traveled Records
Pensem em Mastodon ou Red Fang em modo de melodia melancólica e terão uma ideia do que os norte-americanos Bask representam. É stoner/sludge, sim senhores, mas também tem fortes raízes no rock, na música rural americana, no pós-rock e um refrescante e original sentido de harmonias. Porque a classe operária também precisa de sonhar. (8/10)

Harmjoy_SilverLiningOfHARMJOY «Silver Lining Of The Mushroom Cloud» 73 Seconds Bismarck Records
Novo duo na cena electro (composto pelo compositor dos Tyske Ludder Olaf Reimers e pelo vocalista dos Titans Dan von Hoyel), os Harmjoy estreiam-se com um conjunto de temas bastante dançável, mas suficientemente melódico para ser considerado também pop – muito devido ao tom crooner de Hoyel. Uma das surpresas EBM/electro-pop do ano. (8/10)

Madrost_IntoTheAquaticMADROST «Into The Aquatic Sector» Auto-financiado
Os californianos Madrost editam, com «Into The Aquatic Sector», o seu segundo álbum de originais e apresentam um death/thrash metal desenvolto, dinâmico e energético. Cumpre as regras essenciais do estilo, é intenso, mostra entusiasmo mas raramente sai do espectro das influências que os guiam. Ainda assim, é suficientemente extremo para agradar. (7/10)

Moonland_MoonlandMOONLAND «Moonland» Frontiers Records
Projecto hard rock (descrito, e bem, como uma mistura das sonoridades clássicas de Heart, Europe e Roxette), levado a cabo pelo italiano Alessandro Del Vecchio e pela cantora e actriz estónia Lenna Kuurma que, com as Vanilla Ninja, chegou ao sucesso nos anos 00, incluindo num Festival da Eurovisão, em que ficaram em oitavo. Hard rock melódico clássico de voz feminina, sem ambição mas também sem falhas. (6/10)

Stryper_LiveAtTheSTRYPER «Live At The Whisky» Frontiers Records
Depois do brilhante «No More Hell To Pay», os regressados Stryper editam agora um disco ao vivo, gravado num Whisky Club esgotado em Outubro do ano passado, e voltam a passear a classe do seu heavy metal/hard rock, tanto dos fantásticos novos temas como de clássicos como «Calling On You», «Free» ou «To Hell With The Devil». Os fãs não darão o dinheiro por mal empregue. (7/10)

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DISCOS DO DIA

Os outros discos que são disponibilizados no mercado hoje e que, por um motivo ou por outro (normalmente é falta de tempo), não tivemos tempo de analisar com críticas ou no Posto de Escuta. Aqui ficam duas frases para cada um. Aproveitem as dicas para a vossa lista de compras.

image descriptionDISASTERHATE «Mirroring The Abyss» Club Inferno
Três senhoras e um baterista a praticarem death/thrash metal agressivo e com doses mais ou menos bem aviadas de progressão, speed metal e mesmo algum industrial tímido. É agressivo, ocasionalmente melancólico e vale pela voz tridimensional de Reitia e Klaudia, mas pouco mais. (6/10)

Energumen_VoidSpiritualismENERGUMEN «Towards The Light» Blood Harvest
Os Energumen são dois tipos suíços a despejarem black/death metal da forma mais intensa e extrema que é reconhecida ao underground. Este EP 7” (também há uma versão em cassete) tem três faixas e a nenhuma delas falta negridão, extremismo, blastbeats ou grunhos bem graves. Falta é um pouco de esclarecimento e visão ara além do típico black/death underground. (6/10)

HangTheBastard_SexInTheHANG THE BASTARD «Sex In The Seventh Circle» Century Media/Siege Of Amida
Aqui está uma mistura sonora interessante. Os ingleses Hang The Bastard começam com uma base de sludge/doom de riffs robustos e leads sulistas e depois colocam um topping de metalcore em que a voz demoníaca (pensem em Blacksunrise ou Raging Speedhorn) de Tom Hubbard faz a diferença. Ao segundo disco, a banda atinge o seu ponto de rebuçado. (7/10)

InSearchOfSun_TheWorldIsIN SEARCH OF SUN «The World Is Yours» Raging Demon Entertainment
Rock alternativo, ecos de metalcore e um lado progressivo são os ingredientes do “bolo” dos ingleses In Search Of Sun, que regam tudo com uma abordagem vocal “limpa” e um lado épico nos refrões que torna os temas orelhudos como o raio. Requer alguma habituação e tem erros normais num disco de estreia, mas é promissor e original. Vale a pena conhecer. (8/10)

MindSnare_AncientCultsSupremacyMIND SNARE «Ancient Cults Supremacy» The Spew Records
Veteranos da cena italiana de death metal brutal, os Mind Snare regressam este ano com o seu quarto longa-duração e o mesmo sentido doentio de combinar velocidade, padrões rítmicos complexos e uma vocalização que parece saída do fundo dos infernos. Para fãs de Gory Blister, Antropofagus e afins. (6/10)

OrdoInferus_InvictusEtAeternusORDO INFERUS «Invictus Et Aeternus» Doomentia Records
Com elementos e ex-elementos de bandas como Excruciate, Malfeitor, Godhate e Necrophobic, os Ordo Inferus tinham obrigação de fazer um disco de death metal autoritário e competente. É isso mesmo que fazem com «Invictus e Aeternus». Baseado na história de Roma e cheio de riffs pujantes, e estreia deste grupo internacional é brutal, coesa e épica, como se os Vader e os Ex Deo se juntassem para um disquinho. (7/10)

RebelliousSpirit_ObsessionREBELLIOUS SPIRIT «Obsession» Steamhammer/SPV
Oriundos do sul da Alemanha, os Rebellious Spirit têm tudo para ser um caso sério de vendas no seu país-natal: refrões orelhudos, uma inteligente ligação aos Accept no lado hard rock da sua música e um sabor metálico moderno. Há, no entanto, também hard rock, sleaze rock, pós-grunge e algum dark rock na lista de infLuências de «Obsession», o que torna este segundo disco da banda por vezes um pouco confuso e disperso. (6/10)

Warstorm_GoatspellWARSTORM «Goatspell» Earthquake Terror Noise
Há piores maneiras de manter a roda do thrash old school a correr do que a abordagem afincada, entusiasta e ocasionalmente speed metal dos jovens italianos Warstorm. Nesta estreia, tudo funciona sem grandes entraves, pese embora o generalismo impere e a personalidade musical própria pareça ausente. (7/10)

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