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ARES – LOBO SOLITÁRIO

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João Pedro, aka Ares

João Pedro, mais conhecido no mundo da música como Ares, é um dos pilares da cena extrema portuguesa como a conhecemos. Foi co-fundador dos Moonspell em 1992 (juntamente com Fernando Ribeiro, Pedro Paixão e Mike Gaspar, que permanecem na banda, e com os guitarristas Mantus e Malah) e gravou registos essenciais da banda como «Under The Moonspell», «Wolfheart» ou «Irreligious». Antes disso já tinha gravado a maqueta «Os Métodos do Pentagrama» com os Filii Nigrantium Infernalium. Depois dos Moonspell, o baixista fundou projectos como Witchbreed e Deepskin, tendo também emprestado os seus talentos à segunda maqueta dos Monx Lvnae. Agora, o lobo solitário tem um novo projecto em mãos – Babel – e aproveitámos para interpelá-lo e fazer uma espécie de balanço de carreira.


Desde a morte do Quorthon e depois do Peter Steele que algo mudou na minha perspectiva pessoal. Parte do encanto e do mundo a que eu pertenci acabou.


Quais são os teus projectos – musicais e extra-musicais – actuais e para o futuro mais próximo?
Projectos musicais estão sempre a acontecer, primeiro na minha cogitação criativa, o que pode levar algum tempo até a ideia e a motivação ideal se concretizarem, depois no plano prático da gravação e montagem do projecto, que demora sempre outro tanto tempo. Neste momento, em fase de acabamento, tenho um projecto em formato de duo que verá a luz do dia este ano. Já está gravado e estamos na fase do vídeo, que vai ser filmado nas próximas semanas. Projectos extra-musicais consistem “apenas” em aproveitar a vida o melhor possível, usufruir da companhia dos amigos, da família, prestar atenção e auxílio a quem me é querido, comer bem e beber ainda melhor. Tudo o que não é criar música resume-se a lazer e tentar ignorar o máximo possível o ruído da “vida real”.

Como encaras a cena underground nacional actual? Como a classificarias?
Classifico-a como sendo constituída por bons músicos, projectos e bandas muito interessantes e bons meios técnicos de estúdios mas, principalmente, bons produtores. Faltam pessoas interessadas em management e booking agencies que permitam às bandas entrar no circuito das tours internacionais com regularidade e outros componentes desta natureza. A matéria prima criativa está cá, o know how musical também, a força de vontade tão característica dos portugueses também, faltam apenas colmatar algumas falhas crónicas para podermos ter uma cena underground ao nível da Grécia, Itália ou França.

Como recordas a tua saída dos Moonspell no final dos anos 90? Guardas alguma mágoa?
Foi um período conturbado da minha vida, não há como esconder, e tudo o que se passou a seguir não foi menos difícil. No entanto, o que conta são os grandes discos que escrevi e gravei naquele período, as tours com Morbid Angel, Type O Negative, Tiamat, Samael, Rotting Christ, The Gathering, etc. Por essa razão, não acho que hajam motivos para mágoas, apenas motivos de orgulho por ter criado uma banda que fez história. A nível pessoal, não tenho nada a lamentar e acho que posso dizer que num curto espaço temporal realizei muitos dos meus sonhos ao conhecer e tocar com grande parte das minhas bandas preferidas.

Como encaras a carreira da banda desde aí?
Não tenho muito a dizer pois só conheço algumas músicas e vídeos, com as quais me vou cruzando a espaços, principalmente na internet. Nunca assisti a nenhum concerto da banda após a minha saída e não estou ao corrente do percurso após a minha saída ou presente da banda. MoonSpell é um nome e conceito que eu criei e que me é muito precioso do ponto de vista pessoal, como tal prefiro mantê-lo onde o deixei, intacto e preservado no passado.


Foi um período conturbado da minha vida, não há como esconder, e tudo o que se passou a seguir não foi menos difícil. No entanto, o que conta são os grandes discos que escrevi e gravei naquele período.


Considerando a tua visão para os Moonspell na altura da sua formação, como imaginas a banda actualmente se tivesses permanecido na formação?
Não consigo fazer esse exercício de projecção. No entanto, seja qual for a visão da banda neste momento, acredito que a minha continuidade na banda apresentasse elementos distintos, obrigatoriamente. O mundo mudou muito desde 1992 – altura dos Morbid God – as pessoas também, as aspirações e ambições pessoais estão sujeitas a pressões muito mais exigentes e é comum as bandas comprometerem as suas origens e cederem a fórmulas fáceis no que toca às opções artísticas. No entanto, quer-me parecer que o público não está igualmente preocupado com conteúdos e substância; por norma as pessoas respeitam as manifestações de força e admiram tudo o que brilha. É tudo uma questão de percepção, presumo eu.

Nos últimos anos, uma série de ícones do metal têm desaparecido para sempre. Preocupa-te o facto de não existiram ainda substitutos à altura no “panteão” da música extrema?
Não me preocupa porque é algo natural, tem de acontecer. Desde a morte do Quorthon e depois do Peter Steele que algo mudou na minha perspectiva pessoal. Parte do encanto e do mundo a que eu pertenci acabou. Conheci esses dois músicos pessoalmente em situações distintas, e foi algo que me mudou, juntamente com o [desaparecimento] do Dimebag, Dio, Jeff Hanneman e agora recentemente do Lemmy. Não vejo nem procuro substitutos, acho apenas que o mundo que eu conheci e em que eu cresci acabou, há que aceitar e saber viver com esse facto.

Que artistas e álbuns te têm surpreendido nos últimos tempos?
Mantar, Watain, Scour, Midnight, Triptykon, Ghost, Inquisition, SepticFlesh, Shinning, Rotting Christ, Primordial, Gojira, Godflesh, NIN…

Que balanço fazes da tua carreira artística até ao momento?
Não creio que possa apelidar de carreira o meu percurso musical, acho que o termo é mesmo este: percurso. Tenho um percurso algo errático em que sempre lutei contra monstros externos e fantasmas interiores e isso teve um custo enorme na minha exposição. Felizmente não me afectou em termos criativos, que foi algo sempre preservei, e para além das bandas em que participei esporadicamente consegui erguer Deepskin e Witchbreed, que me ajudaram a escoar muitas das ideias e conceitos que fui alimentando. Para além do trabalho em estúdio e de produção de bandas nacionais, tenho dezenas de músicas e ideias gravadas e arquivadas. Gosto de estar no meu espaço a tocar, experimentar e gravar… Aceito que sou eu que faço parte de outro tempo e de outro mundo e que o tempo presente move-se por valores e necessidades nos quais tenho dificuldade em encaixar.

NIGHTRAGE: PURISTAS E BRUTALMENTE HONESTOS

Nightrage_logoQuando os In Flames já são considerados uma banda de “rock alternativo” e os Soilwork navegam entre o groove metal e o metalcore, o que resta ao death metal melódico tradicional sueco? A resposta está no som dos Nightrage que, apesar da evolução e crescimento que apresenta a cada novo disco, “defende” o estilo há década e meia e há seis álbuns de originais. O mais recente chama-se precisamente «The Puritan» e foi um óptimo motivo para falarmos ao telefone com o guitarrista grego radicado na Suécia Marios Iliopoulos, fundador e líder do projecto.

Nightrage_Band_2015_1Quanto deste disco é resultado da parceria com o novo vocalista Ronnie [Nyman]? O que acrescentou ele à banda?
Foi uma óptima colaboração. Escrevemos o disco todos juntos e foi uma inspiração para mim poder partilhar a mesma paixão por esta música. Não posso ficar com todo o crédito por tudo. Escrevo apenas as minhas partes e é por isso que gosto de partilhar a responsabilidade da composição com as outras pessoas. Esse é o sentido de estarmos numa banda.

Quando olhas para trás, para o fundo de catálogo dos Nightrage, consegues “ver” quem eras nessas alturas ou os discos são mais do tipo fotos instantâneas das equipa com com trabalhavas nessa altura?
Acho que fazemos aquilo que sempre fizemos. Só que, quando escrevemos um disco novo, é sempre um pouco mais refrescante e actualizamos um pouco a nossa sonoridade. A composição, assim como os compositores, são sempre um pouco mais maduros. Por exemplo, neste disco sabíamos exactamente o que queríamos e se, nas gravações, não obtínhamos exactamente as interpretações perfeitas, repetíamos até termos o resultado pretendido. Mas ao longo do tempo esta banda foi sempre uma irmandade musical, fosse quem fosse que pertencesse ao grupo.

Sofreram algumas alterações na formação em 2013. O que aconteceu exatamente ao Johan [Nunez, baterista], ao Olof [Mörck, guitarrista] e ao Antony [Hämäläinen, vocalista]?
As pessoas enveredam por diferentes caminhos e são livres de fazê-lo. Não levo ninguém a mal por isso, mas aquilo de que estamos a falar aqui é de um caminho musical bastante definido que compreendo que acabe por cansar algumas pessoas. Também é uma actividade muito exigente e um estilo de música que não dá grande dinheiro. Por isso as pessoas acabam por cansar-se ou mudar de vida. Foi isso que aconteceu com o Johan, ao Antony e ao Olof. As pessoas mudam e não podemos prever como uma pessoa vai sentir-se daqui a alguns anos. Claro, podemos trabalhar com uma equipa que parece composta pelas pessoas certas durante algum tempo, mas quando tem tudo a ver com música, criatividade e criar laços uns com os outros, não podemos forçar as coisas. Se deixasse de me sentir inspirado, pararia de tocar nesse mesmo dia.

Nessa fase chegaram a tocar com o Jesper Strömblad, ex-In Flames, como segundo guitarrista. Como foi essa experiência?
Foi óptima. Acredito que o Jesper foi um dos criadores do death metal melódico sueco. Ele é fã dos Nightrage e um bom amigo nosso, por isso quando precisávamos de um guitarrista na altura para dar alguns concertos, ele ofereceu-se. Foi uma óptima experiência. Tocar com pessoas com o tipo de experiência dele é sempre divertido e inspirador. É uma óptima sensação poder partilhar o palco com um músico assim. Senti-me muito bem lá em cima.

Nightrage_Band_2015_3Não tentaste recrutá-lo definitivamente para a banda?
Claro que pensei que seria uma boa ideia, mas por outro lado ele é uma pessoa muito ocupada e nós temos a nossa agenda. Sei que será difícil e nunca se sabe o que pode acontecer, mas nesse período, nessa digressão, tivemos uma das formações mais fortes da nossa história. Tudo o que podemos fazer é certificar-nos que as pessoas que vêm ver-nos têm direito a isso – um dos grupos de músicos mais fortes que podemos dar-lhes – e é isso que acredito que temos agora também. Acho que temos os tipos certos. Mas também teremos a equipa certa se voltarmos a ter o Jesper como segundo guitarrista para mais alguns concertos.

Buscas conscientemente alguma originalidade quando compões música para os Nightrage ou, desde que a música funcione, não te importas muito em escrever riffs, solos e arranjos que nunca foram ouvidos antes?
Não planeio muito aquilo que vou escrever. Nunca planeamos um álbum e dizemos “Vamos fazer um disco mais isto ou aquilo”. Componho aquilo que me vai no coração e tento fazer as melhores músicas possíveis. Conheço bandas que seguem ondas, ou modas, para fugirem à rotina ou à previsibilidade ou o que seja. Mas a minha visão da música é que ela deve ser tão honesta quanto possível. Se escrevermos a música de que gostamos, nunca nos desiludimos a nós próprios ou aos nossos fãs. É essa a base da filosofia dos Nightrage, na minha opinião.

Quando estão lançados a escrever uma canção, nunca se apanham a tocar um riff ou um arranjo de uma das vossas músicas antigas ou de outra banda?
Não posso dizer que nunca tenha acontecido, embora não seja intencional. Por vezes damos por nós a repetir ideias, mas como disse há pouco temos de ver-nos a nós próprios essencialmente como fãs e escrever as músicas que gostamos de ouvir enquanto fãs. E é perfeitamente natural que de vez em quando a nossa escrita “escorregue” para coisas que já foram feitas antes, porque as achamos realmente boas e ficaram gravadas no nosso subconsciente. O que fazemos quando isso acontece é pensar “Será que podemos melhorar este riff?”. Mas é uma coisa normal, quando a nossa inspiração está precisamente ali.

Tens então o mesmo tipo de influências musicais que tinhas quando começaste a banda?
Sim, basicamente. Ainda somos o mesmo tipo de pessoas old school a tentar escrever bons riffs e a divertirem-se tanto quanto possível. O que se passa com as influências é que a maior parte das bandas evita falar delas para poder esconder-se por detrás de uma suposta originalidade, mas desde que sejamos nós próprios não existe qualquer problema em assumir as influências que temos. Desde que sejamos sinceros, a música será boa de qualquer modo, na minha opinião.

nightrage2015band_638Deste ao Ronnie liberdade total para escrever as letras ou compuseste algumas também?
Escrevemos a maior parte em conjunto. O Ronnie é uma pessoa muito capaz mas que também sabe aceitar sugestões e trabalhar em parceria. Passou-se o mesmo também com o [produtor] Daniel Bergstrand, com quem trabalhámos de forma muito próxima nos arranjos das letras e nas vocalizações. Desde que estejam dentro do espectro dos Nightrage, apreciamos todos a criatividade e a originalidade, de onde quer que venha. Isso permite-nos criar algumas coisas muito boas.

O Ronnie trouxe então alguns tópicos novos para as letras?
Sim, totalmente. Trabalhámos essencialmente juntos como te disse, mas existiram umas partes escritas por ele e outras que ele modificou. Ele abordou as temáticas que achou relevantes e, em conjunto, transformámos a abordagem em algo que espelha a personalidade dos Nightrage.

A canção «When Gold Turns To Rust» foi escrita em parceria com o Gus G. [guitarrista de Ozzy Osbourne e Firewind]. Como aconteceu isso?
Não foi planeado. O Gus disse-me um dia que tinha alguns riffs que não encaixavam na banda dele, os Firewind. Então ele enviou-mos e começámos a colaborar naturalmente, enviando ideias para a frente e para trás. Foi assim que acabámos por escrever essa faixa em conjunto. Não foi nada muito planeado. Mas, como sabes, nós começámos esta banda juntos e para mim é muito gratificante que ainda escrevamos coisas em conjunto como nos velhos tempos.

Ainda manténs então uma relação pessoal com ele?
Claro, ele continua a ser o meu melhor amigo, falamos frequentemente e vamos continuar a compor em conjunto no futuro. Vejo-o como um amigo, um grande músico e estou muito orgulhoso de tudo o que ele conseguiu na sua carreira.

nightrage_album-cover_the-puritanManténs contacto com a realidade político-social grega? Qual a tua visão sobre as mudanças que têm acontecido por lá?
Tivemos sérios problemas com a crise económica, mas acho que se trata de uma crise europeia e não exclusivamente grega. Estas recentes mudanças revelam uma real vontade de mudar; é a primeira vez que tentamos resolver os nossos problemas com uma real mudança política. E acho que isso nos dá uma luz ao final do túnel e que vamos sair desta crise mais cedo ou mais tarde. E, se o fizermos, acabamos por passar uma mensagem para o resto da Europa também.

Uma mensagem que diz “Temos o nosso próprio caminho”, certo?
Sim. A Grécia tem estado sob uma enorme pressão da Alemanha e de outros países europeus. Tivemos problemas graves mas acho que, depois de uma crise como esta, apenas podemos crescer. Temos de crescer a sentir-nos orgulhosos do nosso país, temos de crescer à nossa própria maneira. Se continuarmos com o tipo de abordagem que temos tido ultimamente, acho que estaremos no bom caminho.

Não é um pouco ofensivo para um país com a história e o legado da Grécia quando países como a Alemanha lhe tentam dizer o que fazer?
O que sentimos é que isto é uma guerra. Não uma guerra no sentido literal, mas uma guerra económica. Não odeio a Alemanha, é um país simpático… Apenas acho que o seu sistema político está minado por uma série de “tubarões” que tentam predar os países do sul da Europa. Não acho que as nossas centenas de anos de história e o facto de sermos o berço da civilização ocidental nos dê direitos especiais, porque afinal é o que fazemos agora que conta e não o que fizemos no passado. Gosto de saber a história, mas não interessa para o que podemos fazer hoje. Não acho que a Europa em si esteja cheia de gente que queira que o novo governo grego se dê mal; acho apenas que os políticos estão mais focados nos seus próprios interesses do que propriamente em que a Grécia saia desta crise de uma forma sustentada e eficaz. Mas continuo a achar que há esperança e que a tal luz ao fim do túnel está efectivamente lá para toda a Europa. Porque é um enorme erro pensar que este é um problema exclusivamente grego. E um problema também alemão e de toda a Europa. Não é um país que está em jogo… É uma solução para toda a União Europeia.

Sim, tens razão. É toda a dinâmica da União Europeia que está em jogo e não apenas um país “lá em baixo”.
As pessoas têm tendência para olhar para a Grécia como o mau aluno da União Europeia. Mas os nossos problemas são os mesmos de inúmeros outros países europeus. Para além disso, somos credores de uma enorme dívida da Alemanha do tempo da Segunda Guerra Mundial. Por isso temos todos de empenhar-nos em encontrar uma boa solução.

Sim, a Alemanha tem de sair do papel de professora e tem de encarnar o papel de parceira.
Sim, todos os países são parceiros. Todo o projecto europeu foi construído no pressuposto da igualdade, julgo eu. Não de uma liderança, ou de um regime ditatorial. [risos]

Com a indústria musical em constante mudança, alguma vez foste capaz de ganhar a vida apenas com a banda?
Por vezes. Não vou mentir… Por vezes ganha-se algum dinheiro, mas não o suficiente para ganhar a vida apenas com isto. Temos de trabalhar noutras coisas. Não quero ser repetitivo, mas não estamos nisto por causa do dinheiro. O que interessa é a música, a integridade, as canções e os sentimentos que temos. Esse tipo de coisas nunca vai mudar por mais que a “indústria” mude e por mais que as pessoas lá forem comprem ou não os nossos discos, vão ou não aos nossos concertos. Sei perfeitamente que muitas bandas andam nisto apenas à procura de fama e dinheiro, mas esse é um estilo de vida muito falso. Eu só quero tocar a música de que gosto… Se for preciso ir pela estrada mais difícil para chegar lá, claro, vamos a isso. Porque é mesmo isto que quero fazer na minha vida.

Tens então de procurar por vezes alguns trabalhos fora da música que te ajudem a sobreviver.
Sim, não estou nisto para ficar rico, mas o trabalho serve apenas para sobreviver. Por causa da música já desperdicei algumas boas oportunidades profissionais, porque tinha de ir em digressão, de compor ou de gravar. Não me importo com isso. Desde que tenha comida em cima da mesa e possa pagar as contas, estarei satisfeito. Sei de pessoas que querem poupar ou acumular uma pequena fortuna… Não me importo nada com esse tipo de coisas. Sinto-me rico nos Nightrage. Apesar de ser literalmente pobre, os Nightrage são uma satisfação pessoal tão grande que me sinto a pessoa mais rica do mundo.

Esse tipo de atitude retira a pressão de terem de fazer dinheiro com as digressões e com as vendas de discos, certo?
Exacto. Não me importo mesmo nada com isso. [risos] Tento sempre fazer o melhor possível, mas quando se fala de vida de rock’n’roll, sei bem o que significa. Sou paciente e estou disposto a trabalhar sempre mais e a nunca ser rico. E isso não significa que nunca tenha sucesso, porque enquanto compositor sinto que já cheguei ao sucesso. E claro que quero chegar à fama, mas quero chegar lá nos meus próprios termos. Não quero chegar lá a vender-me, a fazer música de merda que odeio. Prefiro fazê-lo pouco a pouco, com os conhecimentos que vou obtendo e as pequenas vitórias que vamos contabilizando. E se o sucesso global nunca chegar, bem, pelo menos divertimo-nos a tentar.

Sim porque quando acabar – e um dia vai tudo acabar – é o legado musical que fica, certo?
Exactamente. Quando eu estiver morto, talvez ainda existam algumas pessoas que descubram a nossa banda e os nossos discos e os apreciem. É uma espécie de marca que deixamos para sempre e que sobreviverá muito para além de nós. É por isso que o sucesso comercial não me diz muito… Para mim esta actividade tem tudo a ver com fazer aquilo que nos parece certo. E acho que estamos a fazer isso com os Nightrage.

Estás sempre assim tão motivado ou por vezes, quando estás à espera quatro horas num aeroporto por exemplo, existem períodos em que não estás tão contente com esta actividade?
Existem sempre alturas em que as coisas não correm bem e em que temos algumas dúvidas. Colocar este álbum cá fora teve alguns períodos desses, porque cada novo disco é como se fosse um filho e sempre que as coisas não correm tão bem quanto o previsto, bate-nos mesmo no mais fundo dos sentimentos. O processo de criar um disco é globalmente bom, mas há sempre a incerteza se vamos fazer um bom álbum, o certificar-nos de que temos o material certo, as canções certas… Foi também por isso que demorámos um pouco mais do que o habitual a editá-lo. Tivemos alguns problemas na formação, eu tive de mudar-me de novo para a Suécia… Todas estas coisas são factores de incerteza que nos perturbam. Mas senti-me muito bem durante a composição e, quando tenho esse tipo de sentimentos na fase criativa, ando sempre muito feliz.

Tens de lutar conscientemente contra a tentação de escrever apenas canções em “piloto automático” ou este tipo de abordagem musical sempre refrescante é algo natural em ti?
Não quero definitivamente entrar em piloto automático e é por isso que sinto que tenho de estar constantemente a desafiar-me a mim próprio. Não quero apenas lançar outro disco dos Nightrage… Quero que seja uma coisa excitante, refrescante e desafiadora. Sempre que fazemos um novo álbum sentimos isto enquanto grupo, enquanto banda. Esta foi a primeira vez que gravámos todos juntos, ao vivo em estúdio, e foi óptimo. A música flui ali, com uma energia e uma espontaneidade incríveis.

É talvez por isso que não tens uma série de projectos paralelos como muitos músicos têm. Porque tudo o que tens aplicas nos Nightrage, certo?
Sim, não quero saber de projectos paralelos. Porque se gastamos a nossa energia – mesmo que seja apenas parte dela – noutras coisas, ela não vai para o nosso foco principal, faltará ali. É por isso que tudo o que tenho, tanto em termos de inspiração como de tempo, quero dar aos Nightrage. Porque me sinto genuinamente bem nesta banda e sinto que é definitivamente uma banda e não um projecto a solo meu. Sempre tive problemas na formação, com pessoas que escolhem seguir por outro caminho, mas não posso fazer nada em relação a isso. [risos]

«The Puritan» foi editado em Abril pela Despotz Records.
Site oficial

LANCER: SER OU NÃO SER [POWER METAL]

Lancer_2014_BBfullA mais jovem geração de músicos suecos pode ter uma surpresa ou duas na manga para quem acha que o verdadeiro heavy/power metal clássico é coisa do passado. Bandas como Enforcer, Steelwing ou Lancer têm ressuscitado o estilo com um misto de homenagem e reinterpretação das sonoridades “clássicas” de nomes como Iron Maiden, Helloween ou Judas Priest. O quinteto oriundo de Arvika lança esta semana o seu segundo álbum de originais, «Second Storm» e tivemos com o seu vocalista Isak Stenvall ao telefone para uma lição de história de power metal.

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MELECHESH: ENTREVISTA

Melechesh2014cNo que diz respeito a metal extremo de sabor mesopotâmico os Melechesh são, cada vez mais, uma respeitável alternativa aos Nile, oferecendo aos fãs uma coerente e exótica mistura de black metal, thrash e folk do Médio Oriente. Numa altura em que o colectivo lança o seu sexto disco de originais, «Enki», e em que emerge de uma das mais conturbadas fases da sua história, depois de dois anos de quase intermináveis alterações de formação, falámos com o baixista americano da banda, Scorpios.

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ENTREVISTA: UNHOLD

Unhold Band 2015Há mais de duas décadas a moldar, experimentar e fazer progredir o sludge europeu, os suíços Unhold podem muito bem ser um dos maiores tesouros que o underground tem por descobrir. Ao chegar a «Towering», o seu quarto álbum de originais, o colectivo de Berna é uma besta imprevisível de sludge progressivo, pós-hardcore e rock vanguardista que trabalha atmosferas, texturas e emoções como poucos colectivos conseguem fazer. Thomas Tschuor, guitarrista e um dos três vocalistas de serviço, pintou-nos o retrato deste incrível projecto.

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ENTREVISTA: CANCER BATS

Cancer Bats_Band 2015Misturar hardcore, punk e metal é uma coisa que qualquer um faz, mas poucas bandas o conseguem fazer com a mestria, energia e emergência dos Cancer Bats. Ao chegar ao quinto álbum de originais, «Searching For Zero», o colectivo canadiano mistura ainda mais homogeneamente as suas influências e apresenta uma massa pulsante que inclui uma renovada paixão pelo doom rock dos Black Sabbath. O vocalista Liam Cormier falou connosco sobre a proposta, a sua composição e a vida na estrada.

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ENTREVISTA SULLEN

SullenBand2015Nascidos das cinzas dos Oblique Rain, os Sullen pegam no legado de metal progressivo e atmosférico da extinta banda portuense e acrescentam-lhe vectores mais extremos de ambos os lados do espectro musical. O resultado, audível no disco de estreia «Post Human», respira maturidade, musicalidade e experimentalismo adulto. O guitarrista André Ribeiro e o baterista Marcelo Aires ajudam-nos a conhecer melhor este que será porventura o mais interessante projecto de metal progressivo dos últimos anos em Portugal.

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ENTREVISTA MABEL GREER’S TOYSHOP

MabelGreersToyshop_Band2015_3As raízes dos icónicos Yes remontam aos obscuros e longínquos meados dos anos 60 e, se perguntarem a cada um dos seus elementos, todos têm uma versão própria de onde e quando a banda começou. O que é mais ou menos unânime é que Robert Hagger e Clive Bayley foram essenciais na génese do rojecto, formando uma banda de rock/bues psicadélico chamada Mabel Greer’s Toyshop que, após algumas alterações – incluindo a saída dos dois elementos – se metamorfoseou nos Yes. Agora, quatro décadas depois, os dois músicos reencontraram-se em França, e decidiram reactivar os Mabel Greer’s Toyshop, juntamente com dois ex-elementos dos Yes (Tony Kaye e Billy Sherwood) e o baixista Hugo Barré. O resultado chama-se «New Way Of Life», vem em forma de disco, e foi o ponto de partida para a nossa conversa com Clive Bayley, que não se escusou a fazer a inevitável comparação entre a sonoridade da “sua” banda e os Yes.

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GUSTAVO VIEIRA: ENTREVISTA

Standup01É possível que, ou nunca tenham ouvido falar de Gustavo Vieira, ou o nome vos diga alguma coisa mas não se recordem bem de onde se lembram dele. A verdade é que este ex-teclista dos Firstborn Evil é um dos mais activos e criativos autores dentro do panorama metálico e fora dele. Na entrevista que se segue, focamo-nos principalmente no mais recente dos seus projectos – heavy metal portuguesa transformada em canções de embalar para bebés – mas Vieira é também humorista, actor, músico e redactor de um blog. E vale a pena conhecer o seu trabalho.

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ANCIENT RITES: ENTREVISTA

achtercd-collageNove anos depois do último disco, uma das mais emblemáticas bandas de black metal está de volta às edições. Os belgas Ancient Rites lançam, com «Laguz», o seu sexto disco de estúdio e relembram os fãs que, em termos de black metal sinfónico de inspiração histórica, não há quem os bata. O fundador, mentor e vocalista Gunther Theys explicou-nos o que reteve o projecto na penumbra quase uma década e quais as principais diferenças entre o underground onde os Ancient Rites prosperaram nos anos 90 e a actual indústria musical.

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NEOPLASMAH: ENTREVISTA

Neoplasmah_Band2015_1Bastou uma fugaz passagem pela cena no início da década passada para os Neoplasmah deixarem os fãs de death/black metal, literalmente, siderados. O regresso, agora consumado com o segundo disco «Auguring The Dusk Of A New Era», actualiza e aperfeiçoa a receita musical da banda da Margem Sul, levando-a a píncaros de fusão cósmica que apenas um grupo com uma personalidade artística tão vincada conseguiria criar. A vocalista Sofia Silva e o guitarrista Vítor Mendes ajudaram-nos a perceber este universo de metal extremo com os olhos postos no cosmos.

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CROSSED FIRE: ENTREVISTA

crossed_fire_2014Os algarvios Crossed Fire já tinham ameaçado em 2012, com o EP de estreia, deixar de ser necessário procurar lá fora para termos uma boa dose de stoner/groove metal. Mas agora, com o primeiro longa-duração, chamado «Life’s A Gamble», o quinteto dá um decidido passo em frente e junta uma qualidade de produção de topo ao som suado, fumarento e ensopado naquela mistura de aguardente de medronho e whisky que começa a ser um caso verdadeiramente sério na cena nacional. O vocalista David Rosa explicou-nos como funciona esta roleta russa.

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NIGHTINGALE: ENTREVISTA

Nightingale_Photo_Quando um projecto de AOR/prog-rock/metal passa pela cabeça e mãos do mago sueco Dan Swanö, deixa obviamente de ser apenas mais um projecto de AOR/prog-rock/metal. Os Nightingale são uma espécie de parque de diversões brilhante e moderno cheio de carroceis clássicos e barraquinhas a venderem bugigangas old school. A compensar pelos sete anos de silêncio do projecto «Retribution», o oitavo álbum de originais dos Nightingale, é pura magia melódica e de composição. O que justificou, pois claro, uma conversa a fundo com o ilusionista que torna tudo isto possível. Dan Swanö em primeira pessoa.

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SLEEPING PULSE: ENTREVISTA

SleepingPulse_Promo«Under The Same Sky» marca a estreia dos Sleeping Pulse, projecto que une o inglês Mick Moss, dos Antimater, ao guitarrista dos portugueses Painted Black, Luís Fazendeiro. É uma colecção de canções que une de forma sublime a fragilidade e intimismo da música acústica com melodias fortes, algum experimentalismo e um invulgar sentido de bom gosto e sofisticação. Com edição da respeitável Prophecy Productions, «Under The Same Sky» é o disco certo para fãs de Antimatter que sempre desejaram que os ingleses fossem mais longe em termos de peso e variedade. Fazendeiro ajudou-nos a perceber a génese e os objectivos do projecto.

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PAIN OF SALVATION: ENTREVISTA

Press_Photo_01Nada na carreira dos metálicos progressivos suecos Pain Of Salvation acontece de modo fácil. Por isso, quando a banda decidiu gravar ao vivo um disco acústico, não poderia ser apenas um disco acústico ao vivo. O concerto na Alemanha em que era suposto acontecer a captação acabou por não reunir as condições técnicas necessárias e o grupo acabou a gravar «Falling Home» num estúdio, com um tipo de intimidade e ambiente que resumem bastante bem o que os Pain Of Salvation têm de tão especial. O mentor, guitarrista e vocalista Daniel Gildenlöw falou-nos do álbum, dos fãs e da assustadora bactéria devoradora de carne humana que quase lhe ceifou a vida no início do ano.

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HOURSWILL: ENTREVISTA

HOURSWILL_PROMO_PHOTO_3Como já vimos tantas vezes por aqui, qualidade é o que não falta à cena portuguesa mas, com a falta de motivação a fazer frequentemente “vítimas” entre os bons projectos, é sempre bom ver aparecer sangue novo. É o caso dos lisboetas Hourswill que, com uma intrigante mistura de death metal melódico, heavy metal, thrash e metal progressivo, estreiam-se nos álbuns de originais com «Inevitable», uma colecção de canções maduras, fortes e coesas. O vocalista Nuno Damião ajudou-nos a conhecer um pouco melhor o grupo.

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MANES: ENTREVISTA

manes4Em tempos um dos nomes queridos do black metal norueguês os Manes iniciaram, em 2007, uma viagem sem regresso ao mundo da música electrónica, trip-hop e experimental, com o provocador álbum «How The World Came To An End». Agora, sete anos depois, a trupe de Trondheim está de volta com «Be All End All», um disco que era suposto ser “irmão” de «How The World Came To An End», mas que se transformou numa criatura completamente diferente. O baixista Torstein Parelius explicou-nos o que é que o quinteto andou a fazer com estas músicas estes anos todos.

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VESANIA: ENTREVISTA

VESANIA_04Mais do que uma “super-banda” polaca que junta no seu seio elementos dos Behemoth, Dimmu Borgir e o ex-baixista dos Decapitated, os Vesania são uma das mais antigas e fiáveis entidades de black/death metal sinfónico do seu país. E, ao chegarem ao quarto álbum de originais, dão um decidido passo em frente, levando o seu estilo às fronteiras do que está estabelecido e montando um espectáculo de palco como raramente foi visto antes no metal. O guitarrista e vocalista Orion analisou «Deus Ex Machina» connosco e fez uma espécie de balanço da carreira do projecto.

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ENTREVISTA AMARANTHE: “FICAREMOS CONTENTES SE NOS TORNARMOS OS PRÓXIMOS IRON MAIDEN”

AMARANTH - GOTHENBUREG  2014 Photo copyright JOHN McMURTRIEJá são uma das grandes sensações do metal “moderno” escandinavo e regressam hoje às edições com o terceiro álbum, «Massive Addictive». A mistura de death metal melódico, power metal, metalcore, female fronted metal e pop dos Amaranthe nunca soou tão explosiva e atraente. Para o bem e para o mal. Numa semana em que começam um novo assalto aos tops de vendas um pouco por todo o mundo, o vocalista Jake E Berg partilhou connosco as expectativas de um projecto a um passo do estrelato.

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ENTREVISTA CRUCIFYRE: DEATH METAL SUECO, LETRAS REVOLUCIONÁRIAS E UM DOCUMENTÁRIO

crucifyre-photo3Estrearam-se em 2010 com o álbum «Infernal Earthly Divine» e, logo aí, os Crucifyre mostraram que estavam para além da típica banda sueca de death metal com estética retro, incluindo uma série de outros géneros na sua música. Agora, quatro anos depois, estão de regresso com «Black Magic Fire», ideias mais definidas e uma sonoridade sólida como uma rocha. O baterista Yassin Hillborg revelou-nos a sua visão lata do estilo e levantou um pouco do véu sobre o lado “sério” de letras de canções como «Baphomet’s Revenge» ou «Apocalypse Whore».

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DANIEL CARDOSO: “FUI SEMPRE MAIS BEM TRATADO FORA DE PORTUGAL DO QUE EM PORTUGAL”

AnathemaDanielCardoso2014É já esta semana (sexta-feira no Paradise Garage, sábado no Hard Club) que os britânicos Anathema regressam a Portugal para tocar ao vivo. Só que desta vez, a banda contará com um português em palco: Daniel Cardoso, baterista de serviço no grupo, ocasional teclista em gravações, produtor com nome firmado no mercado e ex-elemento de uma série de bandas nacionais, a começar nos influentes Sirius e a terminar nos geniais SinDroMe. Em semana de regresso a casa, fomos ver o estado de alma de um dos mais internacionais portugueses do mundo musical.

AnathemaBand2014Como tem decorrido a digressão europeia dos Anathema até agora?
Bastante bem. Muitas das datas esgotaram, principalmente no Reino Unido, para surpresa da banda. A reacção está a ser impressionante, e está tudo como que um nível acima das tours anteriores, tanto da parte da banda como da parte do público.

Como te entrosaste na dinâmica de grupo? É uma banda totalmente profissional ou existe também uma grande componente de amizade e relações pessoais envolvidas?
Os Anathema são essencialmente uma banda familiar. Eu sou o único na formação actual que não tem ligações familiares com nenhum dos outros membros. Mas tem havido uma preocupação em tornar tudo o mais profissional e sólido possível. Acho honestamente que é uma das razões porque me têm mantido na equipa. Consigo um distanciamento das ligações familiares que ajudam na criação de uma base mais sólida a nível de profissionalismo, mantendo o equilíbrio entre o que é familiar e o que é no fundo profissional.

Tens algum sentimento especial por voltares a Portugal para tocar com uma grande banda?
Claro, há-de ser sempre um regressar a casa. Infelizmente fui sempre mais bem tratado fora de Portugal do que em Portugal, mas não guardo qualquer tipo de rancor. As coisas funcionam um bocado assim. Essencialmente quero estar com a minha família e amigos o mais possível, dentro das limitações de horários da digressão.

DanielCardoso2014Estás a trabalhar num disco em nome próprio. O que nos podes adiantar sobre ele?
Não está pronto. Mas vai estar.

Estás claramente numa nova fase da tua vida pessoal e profissional. Estás completamente realizado ou aspiras a algo mais e continuas a ter objectivos por cumprir e metas a alcançar?
Nunca completamente realizado. Sempre em busca de algo mais. Gosto muito da fase profissional em que estou, mas acho que o acomodar é o primeiro passo na falha da evolução pessoal e profissional. Com isto não digo que não esteja feliz nos Anathema, antes pelo contrário. Mas tudo para mim há-de ser sempre um degrau a subir. Seja para algo exterior ou algo dentro do próprio cenário em que estou agora. Sou um ser humano com extrema necessidade de evolução e construção.

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ENTREVISTA A SOLACE OF REQUIEM: “SALVEM A CIÊNCIA DAS GARRAS DA RELIGIÃO!”

2013promo_5Os Solace Of Requiem chegam ao seu quarto álbum de originais, «Casting Ruin», com a aura de serem uma das mais selvaticamente técnicas bandas de death/black metal dos Estado Unidos. Com uma colecção de temas coesa, onde a precisão rítmica, a proficiência de solos e os riffs progressivos imperam, o grupo olha para o futuro com esperança e o seu baixista, vocalista e mentor Jeff Sumrell é a imagem da esclarecimento, inteligência e determinação de toda uma geração de músicos “extremos”. E, no meio da conversa, faz um apelo: salvem a ciência dos males da religião.

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MYRKUR: ENTREVISTA

AmalieBruunPraticamente do nada, surge no panorama black metal um projecto revolucionário e misterioso. Myrkur, engendrado e levado a cabo pela multi-instrumentista do mesmo nome, mistura música coral, clássica e black metal escandinavo de uma forma que a própria considera “desconfortável”. Junte-se a isso uma capa de anonimato e um brilhante EP de estreia editado pela influente Relapse e temos uma das revelações do ano. Myrkur levantou-nos um pouco da ponta do véu de trevas que cobre o seu projecto.

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EMPYRIUM: ENTREVISTA

_MG_0195O ano editorial vai ficar marcado pelo regresso aos discos dos alemães Empyrium, um dos grupos que marcou o boom de música melancólica, atmosférica e neo-folk do final da década de 90. Depois de criar, fomentar e levar à fama um outro projecto – os The Vision Bleak – o multi-instrumentista Ulf Theodor Schwadorf chamou Thomas Helm e, juntos, engendraram «The Turn Of The Tides», novo álbum dos Empyrium que promete recolocar a boa e velha melancolia alemã no mapa. Schwadorf explicou-nos o móbil e o processo de trabalho.

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DEADLOCK: ENTREVISTA

DL-band-highresAs últimas semanas têm sido uma montanha-russa emocional para os alemães Deadlock. A meio de Agosto, a banda bávara lançou a compilação dupla «The Re-Arrival», que apresenta os seus grandes temas re-arranjados, em parte regravados, remisturados e algumas faixas novas, bem como versões alternativas e demo. Desde aí, tem sido sempre a subir, com gente como Alex Krull (Atrocity), Niklas Sundin (Dark Tranquillity) ou Richard Sjunesson (The Unguided) a mostrarem o seu apreço pelo lançamento e o anúncio da gravidez do primeiro filho da vocalista Sabine Scherer. Até que, esta terça-feira, o estado de graça se transformou em calamidade: Tobias Graf, o ex-baterista e fundador da banda, morreu repentinamente aos 35 anos. Esta entrevista com o guitarrista Sebastian Reichl foi feita antes da trágica notícia e mostra bem o nível familiar de uma das mais interessantes bandas de death metal melódico e moderno da actualidade.

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PARZIVAL: ENTREVISTA

Parzival-fotoA menos de uma semana do início da edição deste ano do Festival Entremuralhas, em Leiria, falámos com um dos mais interessantes e antigos projectos musicais a marcar presença no certame: os Parzival. O vocalista, fundador e líder da banda, Dimitrij Bablevskij, revelou-nos as raízes da abordagem étnica ao neofolk gótico marcial e altamente cinematográfico que o novo disco «Casta» contém e de uma relação muito especial e pessoal que mantém com Portugal.

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MACHINERGY: ENTREVISTA EXCLUSIVA

Machinergy 2014Sujeitos a uma evolução auto-imposta mas cheia de derivações de ADN (thrash, industrial, death metal e crust), os Machinergy chegam a 2014 com um novo disco, chamado «Sounds Evolution», e uma abordagem musical cheia de raiva crua, sorrisos irónicos e uma incomodativa tendência para colocarem o dedo em todas as feridas que encontram. A banda de Arruda dos Vinhos aceitou, através do seu vocalista e guitarrista Ruy, falar connosco sobre o sucessor de «Rhythmotion» e escolher a playlist que passa este sábado na METV.

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ANTÓNIO PARADA: ENTREVISTA EXCLUSIVA

RSCN0863António Parada, natural de Sesimbra, tem 43 anos, é licenciado em direito e investigador criminal na área económica durante o dia. À noite, no entanto, este funcionário público, homem casado, transforma-se num escritor de literatura sci-fi e fantástica, fortemente influenciado pela iconografia heavy metal. Prestes a editar a sua primeira obra, “A Guardiã”, falámos com Parada sobre o livro que escreveu, sobre o estado da literatura fantástica nacional e, claro está, sobre o metal.

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CZAR OF CRICKETS PRODUCTIONS: ENTREVISTA EXCLUSIVA

FredPara além de fundador, vocalista e guitarrista dos indomáveis Zatokrev, o suíço Frederyk Rotter tem um lado empreendedor, materializado com a editora Czar Of Crickets, que fundou e gere há oito anos. Responsável pela descoberta e edição de nomes relevantes da cena local como King Legba & The Loas, Zlang Zlut ou Carma Star, a empresa é suficientemente liberta de amarras estilísticas e apaixonada para nos chamar a atenção e para que conversássemos com o seu fundador.

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