Arquivo da categoria: Posto de escuta

DEZ DISCO ESSENCIAIS – SEMANA 26

BULLET FOR MY VALENTINE
«Gravity»

Spinefarm Records

Os galeses Bullet For My Valentine foram das primeiras bandas de metalcore a atingirem o estrelato e, mesmo duas décadas depois da sua formação, mantêm a relevância à conta de uma sábia gestão de carreira e poder evolutivo. «Gravity» é o sexto álbum de originais do quarteto e promete não desiludir os fãs.


CRYSTAL VIPER
«At The Edge Of Time» EP

AFM Records

Cerca de um ano depois do último álbum de originais e numa altura em que se sabe que a banda estará em Portugal em Dezembro, os polacos Crystal Viper regressam com um novo EP. Heavy metal clássico continua a ser a proposta, mas em «At The Edge Of Time» a banda arrisca um pouco, com um tema cantado em polaco e duas versões (de Giallo e Quartz), entre dois temas originais cantados em inglês.


FATES WARNING
«Live Over Europe»

InsideOut Music

Os Fates Warning são um dos expoentes máximos do metal progressivo e os seus concertos são testemunhos da exuberância técnica e dotes de composição invulgares que a banda possui. «Live Over Europe» é um disco duplo ao vivo que serve de documento da última digressão que a banda norte-americana fez na Europa. Disponível em edição “normal” e no Mediabook de dois CD que já é tradicional na InsideOut.


MOUNTAINEER
«Passage»

Lifeforce Records

Abram alas para o doom metal/shoegaze dos Mountaineer que, directamente da Bay Area, nos bombardeiam com os sons melancólicos e as emoções fortes contidos no seu segundo álbum, «Passage». Um dos lançamentos mais surpreendentes desta semana.


NECRYTIS
«Countersighns»

Pure Steel Records

Oriundos dos E.U.A. e com dois elementos de Sure’s Idol na formação, os Necrytis são um trio de heavy metal clássico que se estreia em disco com o álbum «Countersighns». A abordagem simples e eficaz destaca-se, assim como a composição honesta e a tendência para os riffs clássicos. Uma estreia auspiciosa de uma banda a seguir com atenção por parte dos fãs de heavy metal sem aditivos.


NONEXIST
«In Praise Of Death» EP

Mighty Music

Os suecos Nonexist praticam thrash/death metal melódico com a autoridade que a sua nacionalidade lhes dá e o talento de terem elementos de Andromeda, Skyfire e um músico (Johan Reinholdz) que toca com os Dark Tranquillity ao vivo. O novo EP, «In Praise Of Death», conta mesmo com um tema em que Mikael Stanne (Dark Tranquillity) e Michael Amott (Arch Enemy) participam como convidados.


SHYLMAGOGHNAR
«Transience»

Napalm Records

Os holandeses Shylmagoghnar surpreenderam a cena quando, em 2014, lançaram o auto-financiado disco de estreia «Emergence», que continha uma mistura quase perfeita de death metal melódico, metal progressivo e black metal. Agora regressam com o sucessor, numa editora grande, e com planos para conquistar o mundo.


THE EVIL
«The Evil»

Osmose Productions

Oriundos de Minas Gerais no Brasil, os The Evil são um quarteto de doom/stoner metal absolutamente negro e obscuro, cujo álbum de estreia homónimo, editado digitalmente pela banda há cerca de um ano, chamou a atenção da influente Osmose Productions. E agora aqui está ele, lançado em CD, vinil e cassete, pronto para ser a banda sonora de rituais vários e “viagens” mais ou menos ácidas.


THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA
«Sometimes The World Ain’t Enough»

Nuclear Blast

Começam a ser curtos os adjectivos superlativos para definir os The Night Flight Orchestra, projecto de AOR clássico gerido por Bjorn “Speed” Strid (Soilwork) e Sharlee D’Angelo (Arch Enemy). «Sometimes The World Ain’t Enough», o quarto álbum de estúdio da banda, é mais uma bela colecção de temas inspirados em Journey e Thin Lizzy que deixarão os metaleiros a cantar refrões.


VANHELGA
«Fredagsmys»

Osmose Productions

Oriundos da mesma escola SDBM dos Shining, os suecos Vanhelga têm tido uma carreira mais discreta, mas nem por isso menos interessante. «Fredagsmys» é o quinto álbum de originais do quarteto e não desiludirá os fãs de nomes como Lifelover, Apaty ou Woods Of Infinity.

DEZ DISCOS ESSENCIAIS DA SEMANA

ÁRSTÍÐIR
«Nivalis»

Season of Mist

Misturar pós-rock e influências neo-clássicas é algo já relativamente batido. Mas se lhe juntarmos um forte sabor nórdico, por via dos islandeses Árstíðir, a coisa fica bem mais intensa e original. «Nivalis» prova-o com classe e qualidade e constitui-se uma das grandes surpresas da semana


CRAFT
«White Noise And Black Metal»

Season of Mist

Com um título destes, os suecos Craft não poderiam tocar outra coisa senão black metal. «White Noise And Black Metal» é o quinto disco do colectivo liderado pelo guitarrista Jon Doe (ex-Shining, ex-Watain) e que segue de forma muito decente as pisadas da escola sueca de bandas como Armagedda ou Pest.


GAEREA
«Unsettling Whisper»

Transcending Obscurity

A cena black metal nacional tem estado nos últimos anos mais activa que nunca e os Gaerea consubstanciam esta actividade. O trio, composto por gente de Pestifer, Loss Spectra Of Pure e Damage My God, estreia-se agora nos álbuns de estúdio, depois de um EP homónimo lançado em 2016, e as indicações não podiam ser melhores. Black metal negro, intenso e de pedigree death metal.


HACKEN
«L-1VE»

InsideOut Music

Universalmente considerados uma das mais brilhantes propostas da actual cena progressiva britânica, os Hacken editam, com «L-1VE», o seu primeiro registo ao vivo, depois de quatro álbuns de originais. E o resultado não podia ser mais elucidativo. Em palco, o sexteto londrino é tão coeso como em disco e os Hacken estão a caminho de algo verdadeiramente grade.


IMPENDING DOOM
«The Sin And Doom Vol. II»

eOne Music

Se, por um lado, o deathcore já teve melhores dias, por outro lado os norte-americanos Impending Doom continuam a representar o género como poucas bandas conseguem fazer hoje em dia. «The Sin And Doom Vol. II» é o sexto álbum do colectivo californiano e promete momentos de grande peso, breakdowns e violência.


KHEMMIS
«Desolation»

Nuclear Blast/20 Buck Spin

Depois de dois álbuns, lançados em 2015 e 2016, que conquistaram o underground, os norte-americanos Khemmis chegam, com o seu doom/heavy metal, à gigante Nuclear Blast e prometem conquistar o (que falta do) mundo. Se procuram a mistura certa entre Pallbearer e Candlemass, esta é a vossa solução.


MARDUK
«Viktoria»

Century Media

Os Marduk dispensam apresentações no que ao black metal diz respeito. «Viktoria», o 14.º álbum de originais dos suecos, volta a um registo mais rápido e abrasador, depois de alguns discos negros e ritualistas. E os Marduk nunca soaram melhor…


THE SEA WITHIN
«The Sea Within»

InsideOut Music

Juntar na mesma banda Tom Brislin (Yes), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Roine Stolt (The Flower Kings, Transatlantic), Marco Minneman (Steven Wilson, Joe Satriani) e Jonas Reingold (The Flower Kings) é o sonho molhado de qualquer fã de rock progressivo. E é precisamente a isso que «The Sea Within», o disco de estreia do super-projecto, soa.


WOLFEN
«Rise Of The Lycans»

Pure Steel Records

A tradição de power/thrash metal corre forte na Alemanha. Os Wolfen, oriundos de Colónia, cumprem-na ininterruptamente há 24 anos e editam esta semana o seu sexto álbum de originais. «Rise Of The Lycans» é uma autêntica lição de tradição, vitalidade e honestidade.


ZEAL & ARDOR
«Stranger Fruit»

MKVA Records

Juntar black metal e soul espiritual pode ser tão original quanto bizarro, mas a verdade é que o suíço-americano Manuel Gagneux consegue fazê-lo há já uns bons anos com Zeal & Ardor. «Stranger Fruit», o novo álbum, mostra o aperfeiçoamento da receita e entrou directamente para a segunda posição da tabela de vendas suíça. Teremos hype a caminho?

 

POSTO DE ESCUTA 29.05.2015

A perspectiva de um fim-de-semana é sempre uma boa desculpa para vos revelarmos o que andamos a ouvir. eis mais um Posto de Escuta pleno de boas sugestões para aproveitarem os dias de calor que se adivinham.

Arcadia_AdhorribleAndDeathliciousARCADIA «Adhorrible And Deathlicious»
Beyond Prod.
A ideia nem é má. Os Arcadia pegam no metalcore de primeira geração, de bandas como Fear Factory, e dão-lhe um cunho ligeiramente pessoal, nomeadamente ao nível dos arranjos melódicos e de algum peso extra. O resultado justifica a alcunha de “Fear Factory italianos” que o grupo tem, mas ao quinto álbum de originais nota-se alguma estagnação da receita musical e uma ligeira repetição de ideias. A produção deveria ter também um pouco mais de push e brilho, para que a dinâmica dos Arcadia funcionasse um pouco melhor. Ainda assim, se a vossa cena é metalcore experimental, de vocalizações variadas e com um cunho pessoal, «Adhorrible And Deathlicious» pode ter alguma coisa para vocês. (6/10)


 

Chabtan_TheKissOfCHABTAN «The Kiss Of Coatlicue»
Mighty Music
Não deixa de ser impressionante os níveis de ambição e confiança que os franceses Chabtan apresentam logo no seu disco de estreia. Apesar de contarem na formação com músicos de alguma experiência (um dos guitarristas pertenceu aos Discordant e o baterista fa parte dos Song My), o projecto nasceu apenas em 2011 e agora, com «The Kiss Of Coatlicue», apresenta já uma interessante proposta de death metal/deathcore influenciada pela Mesopotâmia. As ligações dos Chabtan ao Médio Oriente são feitas essencialmente por via das letras, mas também de algumas atmosferas e melodias, que encaixam bem no death metal tecnicamente puxadinho e pesado apresentado pelos parisienses. O resultado final respira modernidade, intensidade, também algum exotismo e pode considerar-se uma aposta ganha. Faltam, naturalmente, limar arestas, nomeadamente ao nível da parte mais brutal da música da banda, que carece um pouco mais de personalidade e esclarecimento ao nível da composição, mas para disco de estreia «The Kiss Of Coatlicue» não está mesmo nada mau. (7/10)


 

Prefinal_1_StadtCOLD CELL «Lowlife»
Avantgarde Music
Não muito longe do universo dos compatriotas Schammasch, com quem compartilham o baterista, os suíços Cold Cell chegam ao segundo álbum de originais com uma versão um pouco mais esclarecida do black metal frio e vanguardista que tinham apresentado em 2013 na estreia «Generation Abomination». A variedade rítmica, entre o black’n’roll e a velocidade extrema que traz muita Escandinávia para a música dos Cold Cell, será porventura o departamento em que a banda mais evoluiu. De resto, «Lowlife» não foge muito ao espectro de black metal hermético, feito com os mesmos elementos sónicos de sempre, pese embora usados com parcimónia e alguma criatividade. Mas continua a ser, por opção própria, um disco de black metal para fãs de black metal. (7/10)


 

Exxiles_OblivionEXXILES «Oblivion»
Nightmare Records
Formado pelo ex-baterista dos Reign Of The Architect, Mauricio Bustamante, Exxiles é um novo projecto de heavy metal sinfónico e progressivo, ao estilo de rock-ópera e cheio de colaborações de convidados especiais de renome. A construção musical carece ainda de alguma simplicidade e assertividade, mas a estreia «Oblivion» mostra predicados interessantes para quem gosta de power metal multi-camadas, de melodias inteligentes e laivos progressivos. E depois, claro que gente como Mike Lepond (Symphony X), Chris Caffery (ex-Savatage), Marcelia Bovio (Stream Of Passion), Oddleif Stensland (Communic) ou Wilmer Waarbroek (Ayreon), entre outros, dão sempre um boost de qualidade (técnica e de interpretação) e mais-valia que enriquecem qualquer disco. (7/10)


 

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}HIDDEN ORCHESTRA «Reorchestrations»
Denovali Records
Não há grandes palavras para descreverem o que o multi-instrumentista Joe Acheson faz no seu projecto Hidden Orchestra. Digamos apenas que música electrónica e acústica são fundidas, domadas e apresentadas como nunca ouvimos antes. Neste projecto de remisturas, o senhor levou para o seu estúdio gente como Piano Interrupted, Poppy Ackroyd, Floex ou Long Arm para trabalhar em cima de faixas escritas desde o seu último álbum «Archipelago», de 2012. O resultado é um festim de experimentação musical, cheio de harmonias ricamente texturadas, breakbeat suave enrolado com jazz, música contemporânea fortemente atmosférica a puxar para a banda-sonora e coisas electrónicas que vão muito para além da mera electrónica. É Hidden Orchestra levado à quinta casa da perfeição sónica. (9/10)


 

Teethgrinder_MisanthropyTEETHGRINDER «Misanthropy»
Lifeforce Records
Se quisermos ser rigorosos, temos de descrever a sonoridade dos holandeses Teethgrinder, neste disco de estreia, como uma mistura de grindcore, powerviolencce, black metal, noise e crust. Mas a coisa é feita com tamanha violência e maldade que a última coisa que nos apetece é sermos rigorosos. «Misanthropy» é castanhada da boa, feita com o mesmo tipo de mentalidade que orienta os Napalm Death há décadas: derrubar cada uma das barreiras existentes entre os mais extremos géneros musicais, fazê-lo com inteligência, um olho na experimentação mas sem um pingo de ponderação ou bom senso. Porque o que interessa, no mundinho perfeito dos Teethgrinder, é acelerar até ao ponto da fusão nuclear, desacelerar para atmosferas doom/industriais e depois voltar a acelerar até o ouvinte estar feito numa polpa. Estão avisados. (8/10)


 

TheGreatDiscord_DuendeTHE GREAT DISCORD «Duende»
Metal Blade
Misturam metal progressivo moderno, influenciado por The Dillinger Escape Plan e Meshhugah, com vocalizações femininas de personalidade forte e momentos de uma melancolia que lhes revela a alma sueca. Chamam-se The Great Discord e o seu disco de estreia, «Duende», é uma vertigem de coisas muito interessantes, outras apenas vagamente interessantes e algumas – poucas – que revelam bem a tenra idade do quinteto. A grande vantagem da proposta o projecto é, definitivamente, a forma como conseguem aliar melodia, harmonias clássicas e arranjos tecnicamente puxados. O grande ponto negativo de «Duende» é a falta de foco das canções, que se “limitam” a ser fatias da abordagem musical da banda, sem uma grande personalidade musical vincada. Ainda assim, trata-se de uma estreia reveladora, por parte de uma banda que pode tornar-se bem válida. Assim saiba crescer e evoluir.. (7/10)


 

ThirdIon_13-8BitTHIRD ION «13/8 Bit»
Glasstone Records
Fundados em 2010, os Third Ion são daqueles projectos destinados a fazer grande música que depois, de acordo com sorte, conjuntura e os conhecimentos certos, podem ou não ter o reconhecimento que merecem. Mas uma banda que junta nas suas fileiras um ex-baixista da The Devin Townsend Band (Mike Young), um guitarrista que esteve oito anos nos Into Eternity (Justin Bender),o vocalista dos doomsters The Highest Leviathan (Tyler Gilbert) e um baterista com as qualidades técnicas de Aaron Edgar, só pode mesmo escrever e gravar música de qualidade. É o caso de «13/8 Bit», disco de estreia do projecto, cujo metal progressivo oscila entre a melodia e atmosferas de uns Soen, a libertinagem de uns Fair To Midland e a selvajaria técnica de uns Contortionist. O quarteto une todos os elementos musicais da sua receita com um misto de inspiração, coesão e fluidez natural de grandes músicos. Pode ser o disco certo para tirar o vício Soen do corpo de muito boa gente. (8/10)


 

Vargnatt_GrausammlerVARGNATT «Grausammler»
Eisenwald
Não foram necessários mais do que duas maquetas e um EP para que os Vargnatt se destacassem na competitiva cena alemã de black metal. O motivo é uma abordagem “clássica” (ler “como nos primeiros discos de Burzum e Ulver”) ao black metal escandinavo e naturista. «Grausammler», o primeiro longa-duração do projecto, vem agora confirmar totalmente os predicados do colectivo: uma sólida parede sonora composta por riffs gélidos e evocativos, ocasionalmente “cortada” por passagens acústicas e sempre adornada por atmosferas espessas e pela voz gritada em desespero do mentor Evae. Dentro do black metal nórdico, naturista e atmosférico, não há muito melhor que isto. (8/10)


 

Witchwood_LitaniesFromTheWITCHWOOD «Litanies From The Woods»
Jolly Roger Records
Já sabemos o que vocês vão pensar quando descrevermos o disco de estreia dos Witchwood como “hard/doom rock psicadélico e progressivo”. O que vão pensar é “Mais hippies”. E sim, estes italianos são hippies. O problema, meus amigos, é que também conseguiram fazer um disco do caraças, cheio de recantos de devaneios prog, canções de blues/rock que gritam Led Zeppelin em todos os riffs e uma atmosfera que é preciso ser experimentada para ser verdadeiramente percebida. O facto dos Witchwood se terem formado a partir das raízes de uma banda já algo experiente – os Buttered Bacon Biscuits – ajuda a explicar, mas não justifica toda a genialidade de «Litanies From The Woods». Por isso sim, este é mais um disco que cai no hype do doom/hard rock retro e vintage. Mas não, não é um disco qualquer. (8/10)

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POSTO DE ESCUTA 23.05.2015

Fim-de-semana sem Posto de Escuta não é verdadeiramente um fim-de-semana, por isso eis a nossa lista de disquinhos que nos têm estado a animar os MP3, leitores de CDs e gira-discos nos últimos dias. Descubram o vosso novo vício e não digam que vão daqui.

Charlie Front Square copyCHARLIE BARNES «More Stately Mansions»
Superball Music
Charlie Barnes, colaborador habitual dos ingleses Amplifier, tem um fraquinho pelo pós-rock melancólico. Por isso, é perfeitamente natural que este seu segundo álbum de originais seja uma espécie de mistura da quietude do universo musical dos Sigur Rós, do lado mais intimista dos Oceansize, das texturas vocais de Freddy Mercury e de Chris Martin e de alguma da imprevisibilidade dos Amplifier. «More Stately Mansions» é, sobretudo, uma colecção de faixas atmosféricas de texturas variadas e que se prestam à descoberta lenta e prazenteira. Não é nenhum clássico em potência, mas propõe 45 minutos de um belo pós-rock independente, preguiçoso e de beleza delicada. (7/10)


DarkCircles_MMXIVDARK CIRCLES «MMXIV»
Moment Of Collapse Records
Os canadianos Dark Circles praticam uma daquelas misturas de hardcore e d-beat a que é impossível ficar indiferente. O disco de estreia, «MMXIV», é cru, violento e rápido, numa espécie de grito primordial de hardcore/punk de garagem, ocasionalmente complementado com um lado pós-rock (há um elemento dos Milanku na formação) que torna a música mais densa, tridimensional e interessante. Quem aprecia, pois, d-beat ou hardcore mais directo, tem aqui meia-hora de boa música, disponível em vinil, numa edição limitada a 500 unidades (300 em vinil branco, 200 em preto). Comprem-na aqui. (7/10)


GeorgeKollias_InvictusGEORGE KOLLIAS «Invictus»
Season of Mist
O grego George Kollias é muito mais do que “apenas” o proficiente baterista dos Nile. E neste primeiro disco em nome próprio, em que compôs toda a música, gravou todos os instrumentos e cantou, prova-o em grande estilo. «Invictus» é um trabalho de death metal brutal, técnico e com um exótico travo médio-oriental, algures entre os universos dos Nile, Rotting Christ e Melechesh. Inteligentemente arranjado, impecavelmente executado e muito bem estruturado, trata-se de um conjunto de temas que fica muito pouco atrás do dayjob de Kollias e que, ainda por cima, conta com o “patrão” Nile Sanders entre os convidados que contribuem com alguns solos de guitarra. Estreia auspiciosa e um bom disco de death metal brutal, técnico e étnico. (8/10)


HammerKing_KingdomOfTheHAMMER KING «Kingdom Of The Hammer King»
Cruz Del Sur Music
Os franceses Hammer King praticam heavy/power metal que preenche o espaço imaginário que vai de bandas mais formalmente melódicas, como Drakkar ou Helloween antigo, ao heavy-metal-até-ao-tutano de nomes como Manowar ou Virgin Steele. O vocalista do projecto é, aliás, o cantor da banda de Ross The Boss. «Kingdom Of The Hammer King» que enche, assim, as medidas de quem acha que o heavy/power metal deve ser épico, que os coros nunca são suficientemente grandes e que as guitarras foram feitas para solar. É suficientemente true e bem feito para convencer, sem soar forçado ou ridículo. Mais uma boa aposta da Cruz Del Sur Music. (7/10)


KingParrot_DeadSetKING PARROT «Dead Set»
Agonia Records
O mundo pode ter descoberto um pouco tarde os encantos do thrash/grindcore dos King Parrot, mas os australianos estão dispostos a fazer o mundo pagar por isso. Em «Dead Set», segundo álbum de originais, a banda viajou de Melbourne até ao estúdio de Phil Anselmo, no Louisiana, e gravou um dos mais viciosos discos de 2015. Produzido por – e com participação de – Anselmo, o registo contém 35 minutos de pura violência sónica, onde a rapidez e o shred encontram maneira de se aliarem de forma perfeita ao registo humorístico, ritmicamente variado e inspiração punk do grindcore de tradição tão deliciosamente australiana. E o resultado é a melhor coisa que já aconteceu ao metal extremo e bem disposto desde a estreia dos Gorerotted. (8/10)


Livhzuena_DarkMirrorNeutronsLIVHZUENA «Dark Mirror Neurons»
Klonosphere Records
Os franceses Livhzuena precisaram apenas de uma maqueta de dois temas para chegarem à Klonosphere, através da qual lançam agora este disco de estreia. «Dark Mirror Neurons» percorre de maneira satisfatória o terreno que separa o djent ensopado de atmosfera dos compatriotas Gojira do death metal seco e groovy e dos Lamb Of God. A coisa é feita com um ataque vocal que chega a fazer os Anaal Nathrakh mas que, no resto do tempo, não anda longe dos Dagoba. Pelo desenrolar de nomes percebe-se bem que os Livhzuena não andam à procura de renovar nada, mas como nova proposta de death metal técnico, robusto e dado à atmosfera, não são nada maus. (7/10)


Mist_InanMIST «Inan’»
Soulseller Records
Iniciados em 2012 como uma banda feminina de doom metal clássico, os eslovenos Mist (actualmente há um guitarrista no grupo que os impede de terem a pinta de serem uma banda de miúdas) editam, com «Inan’», o EP que sucede à famosa maqueta de 2013 que os colocou na cena com grande estrondo. E os quatro temas (três originais, um regravado da maqueta) seguem a mesma lógica: doom metal/rock fortemente influenciado por Black Sabbath, Pentagram, Candlemass e afins, de voz feminina limpa a fazer lembrar The Blues Pills, e toda a atracção e previsibilidade da estética retro. É certinho, bem feito e tem carisma, mas chove um pouco no molhado se atendermos a todo o movimento old school que assola o género. (7/10)


OsculumInfame_TheAxisOfOSCULUM INFAME «The Axis Of Blood»
Battlesk’r Productions
Os Osculum Infame chegaram a ser, nos anos 90, uma das grandes esperanças de uma cena black metal francesa em franca ascensão, até que umas palavras mal medidas numa entrevista lhes deram uma reputação de extrema-direita e mandaram o projecto para as urtigas. O mentor D. Deviant dedicou-se então aos Arkhon Infaustus e deixou assentar a poeira, até ressuscitar a banda em 2008 e começar a compor de novo. «The Axis Of Blood» é, pois, o segundo longa-duração oficial dos Osculum Infame e mostra o black metal como ele era precisamente na segunda metade dos anos 90: cru, pesado, inexorável e indomável. Há traços dos primeiros discos dos Satyricon, dos Mayhem e de outras coisas nórdicas, mas a imagem de marca da caneta de D. Deviant é suficientemente forte para que «The Axis Of Blood» possa também ser considerado um registo com alma própria. Algo datado, mas definitivamente a cumprir o que promete: black metal sem aditivos como se os anos 90 tivessem sido ontem. (7/10)


SteveNSeagulls_FarmMachineSTEVE’N’SEAGULLS «Farm Machine»
Spinefarm Records
De vez em quando aparecem projectos da natureza dos Steve’n’Seagulls e o que escrevemos no passado sobre os Los Los ou os Van Canto aplica-se também ao disco de estreia destes finlandeses. Certo, tem mesmo piada tocar versões bluegrass de clássicos do heavy metal e do hard rock vestido de rednecks americanos e quem mostrar isto lá em casa, nas festas, aos amigos, vai certamente fazer sensação. Mas não há muito mais em canções como «Thunderstruck», «Over The Hills And Far Away», «Nothing Else Matters», «Paradise City» ou «Run To Hills», tocados com banjo, acordeão, violino e contrabaixo, do que apenas uma piada fugaz. Mesmo que, como é o caso, seja tudo bem tocado e com uma ética de profissionalismo de gravação que se alinha anacronicamente com a natureza “que-se-foda” do projecto. (6/10)


TheBloodline_WeAreOneTHE BLOODLINE «We Are One»
Another Century
Das cinzas dos Dirge Within surgem agora os The Bloodline, com o mesmo tipo de thrash/metalcore, mas com um refinamento melódico que lhes melhora a receita musical. «We Are One», o disco de estreia do projecto, contém o peso dos Machine Head, a sensibilidade melódica dos Killswitch Engage e o poder de dinâmica dos Bullet For My Valentine. A composição tira o melhor proveito de todos os trunfos da banda e a produção é límpida e bombástica. E, pese embora este tipo de thrash melódico/metalcore já não seja propriamente uma novidade, «We Are One» é um belo exercício de género e pode facilmente fazer as delícias de quem não passa sem uma generosa dose de melodias, peso e groove. (8/10)

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POSTO DE ESCUTA 09.05.2015

Eis uma lista do que andámos a ouvir esta semana e que pode dar uma boa banda-sonora para um fim-de-semana de churrascada, de praia, de passeio à beira-mar ou de depressão profunda numa casa de janelas bem fechadas.

AtTheDawn_LandInSightAT THE DAWN «Land In Sight»
Bakerteam Records
O power metal italiano já não é o que era mas se, por um lado, perdeu grande parte do brilho que tinha na era de ouro dos Rhapsody, a verdade é que nunca chegou a enferrujar. Os At The Dawn enriqueceram a cena em 2013 com o disco de estreia e voltam agora com «Land In Sight», mais uma generosa dose de power metal melódico, metal progressivo e influências sinfónicas. Não é deslumbrante e nem lhes augura o título de próximos Stratovarius, mas mesmo para os elevados padrões italianos «Land In Sight» é um conjunto de canções bem compostas, bem executadas e com um bom som, que cumpre todos os requisitos de quem ouve power metal mais ou menos tradicional à italiana. (6/10)


 
Biopsy_FractalsOfDerangementBIOPSY «Fractals Of Derangement»
Transcending Obscurity
Noutro lado qualquer – mais nos Estados Unidos, admitamo-lo – os Biopsy seriam “apenas” mais uma banda a praticar death metal bruto e técnico fortemente inspirado por nomes como Gorguts, Disgorge ou Devourment. Existem muitas (não as suficientes, se perguntarem a qualquer fanático por este género específico), pese embora sejam menos as que equilibrem com parcimónia peso sem limites, argumentos técnicos invejáveis e uma produção clara e poderosa. Mas o que realmente distingue os Biopsy da concorrência é o facto de fazerem isto tudo e serem indianos. Convenhamos que uma banda de death metal bruto e magnanimamente técnica oriunda daqueles lados tem uma aura de exotismo pela qual e difícil não nutrir simpatia. (7/10)


 
CivilWar_GodsAndGeneralsCIVIL WAR «Gods And Generals»
Napalm Records
Não demorou muito (o primeiro disco saiu em 2013) até que os suecos Civil War regressassem aos álbuns de originais. «Gods And Generals», a segunda proposta da banda composta por elementos amotinados dos Sabaton em 2012, a que se junta o vocalista dos Astral Doors, segue o mesmo caminho da sua antecessora. Heavy/power metal fortemente inspirado por história de batalhas e guerra, de abordagem vocal mais aguda que os Sabaton e poucas outras diferenças. Ainda assim, os Civil War procuram ocasionalmente derivar para coisas um pouco diferentes («Braveheart» tem, por exemplo, uma abertura de piano e voz), mas o pendor do disco é claramente heavy/power metal tradicional feito à boa maneira sueca. (7/10)


 
Infernus_GrindingChristianFleshINFERNUS «Grinding Christian Flesh»
Moribund Records
Seriamente comprometidos com o lado mais cru e directo do black metal, os norte-americanos Infernus encontram, ainda assim, espaço na sua música para outros componentes. Existe, por exemplo, uma série de riffs e ritmos muito black/thrash, que farão as delícias de fãs de bandas como Desaster ou Deströyer 666, mas também uma camada de guitarra acústica em faixas como «Worms Of The Casket» que faz lembrar o equilíbrio precário, inocente mas delicioso que os Dissection faziam entre brutalidade e melodia. «Grinding Christian Flesh», o segundo álbum dos Infernus, ainda não é tão genial como os termos de comparação aqui empregues, mas consegue ser algo mais do que apenas despejar black metalhada conservadora para cima do ouvinte. (7/10)


 
KiskeSomerville_CityOfHeroesKISKE/SOMERVILLE «City Of Heroes»
Frontiers Music
No segundo disco colaborativo entre Michael Kiske (ex-vocalista dos Helloween, actualmente nos Unisonic) e a cantora norte-americana Amanda Somerville, agulhas são acertadas e receitas são aperfeiçoadas. E, com uma banda que, para além da baterista checa relativamente desconhecida Veronika Lukešová, conta com o baixista Matt Sinner (Primal Fear, Sinner) e com o guitarrista Magnus Karlsson (Primal Fear), não há como errar. Se, a todos estes factores, juntarmos os “pequenos” pormenores das duas vozes encaixarem e serem perfeitamente compatíveis (ao contrário de inúmeros outros projectos colaborativos montados pela Frontiers apenas para “vender” os nomes) e a dupla Karlsson/Sinner ser a melhor equipa de composição do power metal melódico actual, percebemos que «City Of Heroes» não é um disco qualquer. É, de facto, o novo candidato a vício de quem gosta de metal melódico, rock sinfónico, power metal europeu ou female fronted metal. Ou tudo junto. (8/10)


 
Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdLANCER «Second Storm»
Despotz Records
Os Lancer continuam o seu glorioso caminho para a liderança do novo power metal melódico com um segundo álbum de originais que cruza os universos de Helloween e Iron Maiden, com a irreverência da juventude e o poder das produções modernas. A banda consegue apurar um pouco a composição, apresentando temas ainda mais assertivos onde o power metal é reduzido à sua essência mais melódica, crua e irreverente. Não é original e nem sequer consegue ser muito diferente de algumas outras propostas contemporâneas que procuram recuperar o power metal europeu “clássico” dos anos 80. Mas é feito sem complexos e com um sentido de divertimento assinalável e isso, para os fãs do género, será mais do que suficiente. (8/10)


 
Outre_GhostChantsOUTRE «Ghost Chants»
Godz ov War/Third Eye Temple/Essential Purification
A escola polaca de metal extremo é sobejamente conhecida e, a julgar pelo primeiro longa-duração dos Outre, continua a produzir projectos de qualidade acima da média. A abordagem do colectivo em «Ghost Chants» anda algures entre o black/death metal cheio, rápido e técnico (comparações com Behemoth são inevitáveis) e o rugido multi-camadas, dissonante e francamente ameaçador dos Deathspell Omega. A jovem banda parece dominar todos os aspectos da sua sonoridade, produzindo 35 minutos de música que respiram confiança, competência e uma aura de negridão muito polaca. O black metal de última geração está bem entregue nas mãos dos Outre. (8/10)


 
Pinkroom_UnlovedToyPINKROOM «Unloved Toy»
Auto-financiado
Os polacos Pinkroom bebem influências no prog-rock mais marado dos anos 70 (pensem em King Crimson), no jazz, em alguma música electrónica e no prog de última geração dos Porcupine Tree até se empanturrarem. Depois, quando escrevem e gravem, sai uma espécie de mistura de tudo, feita com uma demanda artística ao nível da cena inglesa de final dos anos 60 (Yes, The Mabel Greer’s Toyshop), feita sempre com um olho na progressão de acordes intrigante e outro nos padrões rítmicos complexos e intrincados. Os exageros técnicos são inevitáveis, mas os Pinkroom sabem evitá-los melhor nesta segunda proposta do que no disco de estreia. E acabam por propor um interessante festim de música progressiva que cruza de modo gracioso e natural as três fases do género. (7/10)


 
SecretSymmetry_EmergeSECRET SYMMETRY «Emerge»
Ethereal Sound Works
Com um rock alternativo enrobustecido por riffs pesados e uma queda para o metal progressivo, os lisboetas Secret Symmetry (ex-Ipsis Verbis) estreiam-se com este MCD de cinco faixas e dão boas indicações. Sobretudo porque têm arte e bom gosto para colocar um lado atmosférico acompanhar quase todos os temas, o disco goza de uma boa produção e é tudo feito da um modo invulgarmente profissional. Do outro lado do espectro estão melodias que precisam de um pouco mais de força e uma maior fatia de experiência na composição, que lhe permita “cortar” algumas partes desnecessárias e tornar as canções em verdadeiras máquinas de rock/metal progressivo de contornos melancólicos e progressivos. Que é o que os Secret Symmetry, eventualmente, acabarão por ser. Porque quem escreve e grava música assim logo ao primeiro registo não é parvo. (6/10)


 
Turbowolf_TwoHandsTURBOWOLF «Two Hands»
Spinefarm Records
Os Turbowolf pertencem à nova geração de músicos ingleses para quem as barreiras estilísticas são meras convenções. «Two Hands», o segundo álbum, aperfeiçoa a abordagem perfeitamente experimental do colectivo cuja sonoridade, a espaços, pode ser descrita como uma mistura entre Mindless Self Indulgence e Pure Reason Revolution e, noutros, como uma espécie de The Mars Volta a testar batidas electrónicas e melodias de Black Sabbath. O grupo lá consegue, ao longo de 11 faixas e 40 minutos, fazer sentido desta incrível mistura de diferentes elementos musicais mas por vezes não consegue escapar ao espectro da sobrevariedade e perde-se ali um pouco no meio dos ingredientes todos. Ainda assim, «Two Hands» vale a pena pela ousadia e por um par de temas francamente entusiasmantes. (7/10)

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

POSTO DE ESCUTA 03.04.2015

Capitol Photography ParntersEm pleno fim-de-semana grande, trazemos uma mão-cheia de propostas para (quase) todos os gostos: do doom /heavy rock ao thrash crossover, do black metal ao trip-hop/folk e tudo o que está pelo meio. Uma dezena de discos a descobrir urgentemente, a que não falta nem qualidade nem a magia que nos puxa, como um imane, para todos estes diferentes géneros. Feliz Eostre!

AcidWitch_MidnightMoviesACID WITCH «Midnight Movies»
Hells Headbangers Records
Cada vez mais senhores de um doom/death metal de contornos crust e psicadélico, os norte-americanos Acid Witch editam agora um MLP de 12” com quatro versões de quatro temas de “horror”, de quatro bandas obscuras: «I’m Back» dos Sorcery, «After Midnight» dos Fastway, «Soldiers Of The Night» dos Black Roses e «Partytime» dos Grave 45. O trio lá consegue dar um fio condutor a tudo, à conta de bem metidos samples de filmes e de uma abordagem honesta e descontraída. Por isso, «Midnight Movies» vale o que vale: é um artefacto engraçado, de interesse sobretudo para fãs de “horror metal”, que engrossa o legado desta que é uma das mais deliciosas surpresas do actual underground americano. (7/10)


 

BioCancer_TormentingTheInnocentBIO-CANCER «Tormenting The Innocent»
Candlelight Records
Bandas de thrash há muitas, mas propostas com a agressividade e a contundência dos gregos Bio-Cancer são tão difíceis de encontrar como no tempo de “seca” do estilo. Em «Tormenting The Innocent», a sua segunda proposta de originais, o quinteto de Atenas volta a misturar uma velocidade verdadeiramente furiosa com elementos crossover e vocalizações cortantes e agressivas ao nível dos Sodom ou Toxic Holocaust. Rifs acutilantes, solos tocados à velocidade da luz, refrões para cantar de punho no ar e ritmos que deixam o ouvinte sem saber se deve fazer headbang ou praticar air drum são dominados pelos Bio-Cancer na perfeição em «Tormenting The Innocent», possivelmente a melhor coisa que aconteceu ao thrash desde a estreia dos Municipal Waste. (8/10)


 

Corpo-Mente_Corpo-MenteCORPO-MENTE «Corpo-Mente»
Blood Music
Quem aprecia o mindfuck barroco-core do projecto Igorrr tem nos Corpo-Mente um projecto interessante para descobrir. O duo é composto pelos franceses Gautier Serre (mentor de Igorrr) e Laure Le Prunenec (colaboradora habitual também de Igorrr) e explora as zonas cinzentas entre o trip-hop, o folk e a voz operática de influências neo-clássicas. A coisa é feita com um lado melancólico sempre presente, o sentido de imprevisibilidade a que Gautier Serre já nos habituou e uma dicotomia equilibrada entre beleza esplêndida e experimentação sónica. É original, fascinante, exótico e possui profundidade suficiente para horas de descoberta musical entretida. (8/10)


 

Ergot_VictimsOfOurERGOT «Victims Of Our Same Dreams»
De Tenebrarum Principio
«Victims Of Our Same Dreams», o disco longa-duração de estreia dos italianos Ergot, mostra um tipo – Lord Ergot – fascinado com o black metal norueguês dos anos 90 mas que, contrariamente a muitos outros projectos com as mesmas características e objectivos, consegue recuperar de forma muito decente a sonoridade. Riffs gélidos mas sempre com um lado melódico, ligeiras camadas de teclados, passagens atmosféricas e/ou acústicas, vocalizações borbulhantes e o tipo de estrutura que tornou o black metal norueguês o fenómeno que todos conhecemos entrelaçam-se de forma interessante nesta estreia. A produção é clara mas contém rugosidade suficiente para dar força à música, num tipo de proposta extremamente específica mas que, neste domínio, cumpre o seu objectivo sem mácula. (7/10)


 

Fulgora_StratagemFULGORA «Stratagem»
Housecore Records
A secção rítmica dos Pig Destroyer (o baterista Adam Jarvis também pertence aos Misery Index), juntamente com o guitarrista e vocalista B.L. LaMew são a formação dos Fulgora, que atacam o grindcore coma precisão do death metal progressivo e a dinâmica do hardcore. É uma mistura que resulta incrivelmente bem, groovy e cheia por vezes, cortante e punkish noutras. É, sobretudo, o som de uma nova geração de músicos norte-americanos para quem as barreiras de géneros musicais (neste caso death metal técnico, grind e hardcore) pouco importam, desde que as canções sejam enérgicas, originais e poderosas. É o caso das sete faixas que perfazem os 21 intensos minutos de «Stratagem», a estreia com que os Fulgora entram com grande espalhafato na cena. (8/10)


 

Gloomball_TheQuietMonsterGLOOMBALL «The Quiet Monster»
Steamhammer
Depois de se estrearem com um disco muito decente, os alemães Gloomball continuam o seu processo evolutivo e a exploração do seu rock/metal alternativo com «The Quiet Monster». Consequentemente, esta segunda proposta é um pouco mais variada e ecléctica, com momentos menos rápidos, mantendo no entanto a melodia, o groove e um sentido muito decente de canção como pedras basilares da abordagem musical do grupo. Não reinventando nada, os Gloomball conseguem resultados muito interessantes na exploração do formato típico de canção verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão sobretudo devido à qualidade das melodias dos seus coros e das letras dos temas. Não é o fim do mundo em cuecas, mas é um disco que nos pode “apanhar” com relativa facilidade. (7/10)


 

LaySiege_HopeisnowhereLAY SIEGE «hopeisnowhere»
Lifeforce Records
Misturando hardcore, pós-metal e sludge, os Lay Siege colocam-se no grupo de bandas que não receiam mostrar a sua admiração pelos Cult Of Luna. No caso da estreia destes ingleses, os processo e a sonoridade andam mesmo muito perto dos mestres suecos, embora seja tudo mais vincado – os riffs são mais directos, as composições são mais assertivas e as atmosferas mais carregadas. Nota-se ainda alguma inexperiência e “pressa” em chegarem ao âmago das canções, bem como o uso de alguns lugares-comuns do pós-harcore/metal, mas depois de ouvido e digerido «hopesinowhere» a conclusão a que se chega é que há coisas bem piores para se ouvir quando se procuram sucedâneos mais pesados e directos dos Cult Of Luna. (7/10)


 

Oceanwake _SunlesOCEANWAKE «Sunless»
ViciSolum Productions
Espantoso segundo disco dos finlandeses Oceanwake, que misturam doom/death metal e influências pós-metal ao nível do que os Process Of Guilt fizeram na estreia «Renounce». Como se não bastasse, o quinteto acrescenta ainda um sentido melódico tipicamente finlandês, que os faz incluírem algumas passagens de vocalizações “limpas”, bem como leads de guitarra atmosféricos e melancólicos, na melhor tradição dos compatriotas Omnium Gatherum ou Insomnium. Finalmente, há a ter em conta dois factores em que os Oceanwake apresentam francas melhorias em relação à proposta de estreia: a coesão, na composição, de todos os diferentes elementos musicais que compõem a sua abordagem e a qualidade da produção, que dá a «Sunless» um som cristalino, com rugosidade nos “locais” certos. Um disco para a melancolia de dias primaveris. (8/10)


 

RoyalThunder_CrookedDoorsROYAL THUNDER «Crooked Doors»
Relapse Records
Em modo de crescimento acelerado, os norte-americanos Royal Thunder chegam, com «Crooked Doors», ao segundo álbum e mostram porque são considerados uma das grandes esperanças da música alternativa. Heavy rock, doom, pós-grunge, melodias que nos perseguem dias a fio e uma abordagem vocal assombrosa de Miny Parsonz conjugam-se para 11 temas que, logo por volta da segunda audição, apaixonam qualquer pessoa com um mínimo de bom gosto. É misterioso, profundo e tridimensional, sem nunca perder o encanto imediato do rock/hard rock psicadélico intemporal. Um dos grandes registos deste ano, sem qualquer dúvida. (9/10)


 

TheGentleStorm_TheDiaryTHE GENTLE STORM «The Diary»
InsideOut Music
Anneke van Giersbergen (ex-The Gathering, Agua De Anique) e Arjen Lucassen (Ayreon, Star One) são velhos conhecidos, que colaboram regularmente nos discos dos projectos do multi-instrumentista. Neste novo offshot, no entanto, trabalharam apenas os dois, com Lucassen a concentrar-se quase exclusivamente nas melodias vocais para o belo tom de Anneke. “Quase” porque «The Diary», o disco de estreia do projecto, acaba por ser uma mistura quase perfeita de folk, metal progressivo, música neo-clássica e étnica. À tendência de Arjen Lucassen para os arranjos inteligentes juntam-se os mais variados instrumentos acústicos clássicos, um conceito sobre a idade de ouro holandesa (o Século XVII) e melodias exploradas em dois contextos diferentes: cada música tem duas versões, uma totalmente acústica e folkish, e outra “metálica”, em dois CDs diferentes. Ou seja, o tratamento grandioso e épico habitual de Lucassen, com a melhor das melhores vocalistas e um resultado final que poderia ser The Blackmore’s Night num dia especialmente inspirado. (8/10)

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POSTO DE ESCUTA 18.03.2015

Theories_Eis mais dez novidades fesquinhas para todos os gostos: black metal, death metal, thrash, metal progressivo, doom, heavy/speed metal, grindcore e mesmo uma proposta de música contemporânea/industrial com piscadelas de olho ao drone. Há de tudo para todos neste Posto de Escuta. Menos silêncio.

Beautality_EinfallenATaleBEAUTALITY «Einfallen: A Tale Ov Torment & Triumph»
Nordavind Records
Parte da nova geração britânica de black metal atmosférico desde que editaram em 2012 o disco de estreia, os Beautality estão de volta (desta vez numa editora portuguesa!) para confirmar as boas indicações dadas em «Providence». O novo trabalho é uma obra épica dupla de 105 minutos (!), com longos temas épicos em que o lado mais melancólico do black metal (incluindo boas passagens de pós-black metal) se mistura de forma interessante com o aspecto mais cru e extremo do género. A produção, directa e honesta, ajuda a criar uma espécie de atmosfera que beneficia «Einfallen: A Tale Ov Torment & Triumph», sobretudo quando misturada com a atitude entusiasta e meio inocente de um duo que parece ter absorvido plenamente a essência do estilo e faz uma versão muito própria do mesmo. (8/10)


 

Bleeding_BehindTransparentWallsBLEEDING «Behind Transparent Walls»
Pure Prog Records
Não se deixem enganar pela fraca capa de «Behind Transparent Walls». Os alemães Bleeding são (bem) inspirados por bandas como Psychotic Waltz, Nevermore e Sieges Even e apresentam neste seu disco de estreia uma mistura completa de thrash, metal progressivo e doom épico. Mais importante que tudo, aventuram-se por territórios musicais que ultrapassam a mera homenagem às bandas que admiram e roçam alguma originalidade. Nem tudo funciona na perfeição, mas basta lembrarmos que «Behind Transparent Walls» é um disco de estreia para percebermos o potencial do quinteto oriundo de Hamburgo. E, mesmo enquanto obra singular, este álbum propõe 44 minutos de heavy metal verdadeiramente progressivo e de personalidade musical vincada. É tão surpreendente quanto raro. (7/10)


 

CrimsonSwan_UnlitCRIMSON SWAN «Unlit»
Quality Steel Records
Os Crimson Swan, jovens alemães com três quintos da banda de rock gótico Embercrow, praticam um doom/death metal pleno de atmosfera e melancolia. Apesar de serem apenas seis temas, em 54 minutos, há três componentes distintas na música do projecto: doom/death metal tradicional (pensem nos Swallow The Sun), doom funerário (na onda dos Ahab) e uma série de vocalizações límpidas e melódicas que fazem lembrar os finlandeses Ghost Brigade. A mistura que os Crimson Swan fazem destes elementos musicais tornam «Unlit» um álbum com alguma dinâmica dentro do género em que se insere, sem nunca perder de vista a forte componente atmosférica e a melancolia desesperada. Uma boa estreia nos longa-duração, que confirma plenamente as boas indicações dadas com o EP editado em 2012. (8/10)


 

FatefulFinality_BatteryFATEFUL FINALITY «Battery»
Steamhammer
O thrash energético, ensopado em groove, death metal melódico, tendências old school dos Fateful Finality valeu-lhes a vitória no mega-concurso de bandas Wacken Metal Battle na Alemanha e deu-lhes um contrato discográfico com a Steamhammer, que é uma coisa de que poucos grupos com apenas um álbum se podem gabar. «Battery», a segunda proposta da jovem banda, justifica no entanto tudo o que lhes tem caído do céu. A uma espinha dorsal thrash algures entre os riffs cortantes dos Exodus e a robustez dos Machine Head, os Fateful Finality acrescentam apontamentos melódicos muito suecos, ocasionais piscadelas de olho ao groove gigantesco dos Pantera e Lamb Of God e uma abordagem vocal repartida entre o tom agressivo e a voz mais melódica dos dois cantores de serviço. É bom, é variado e tem uma qualidade de produção e maturidade de composição que não revelam os tenros oito anos do projecto. (8/10)


 

Ghold_OfRuinGHOLD «Of Ruin»
Ritual Productions
Sendo um duo composto por baixista e baterista (ambos cantam) e praticando doom metal tão grave e experimental quanto humanamente possível, os ingleses Ghold caíram nas boas graças da imprensa logo assim que editaram a sua maqueta homónima em 2012. Agora, cerca de um ano após o disco de estreia, estão de volta com mais um longa-duração e desenvolvem um pouco mais a abordagem lo-fi e intensa do seu doom. Aos monstruosos riffs do baixo e às intrincadas tapeçarias rítmicas já estamos habituados, mas em «Of Ruin» o duo vai um pouco mais longe em termos de vocalizações (mais ritualistas e eclécticas que nunca) e de variedade no seu material, o que acaba por tornar os 44 minutos um pouco mais interessantes do que “apenas” doom tocado com um baixo e bateria que, sejamos francos, era um pouco o espectro que os Ghold proporcionavam até aqui. (7/10)


 

Lago_TyrannyLAGO «Tyranny»
Blood Harvest
Com uma sonoridade solidamente enraizada no death metal da Florida, os norte-americanos Lago não se coíbem de beber outras influências, nomeadamente às harmonias extremas de bandas escandinavas como Emperor ou Dissection. O resultado é plenamente satisfatório no disco de estreia «Tyranny», editado o ano passado em tiragens limitadas em formato CD e agora disponível em LP pela Blood Harvest. É um festim para os ouvidos de fãs de Morbid Angel, sempre técnico mas com constantes piscadelas de olho ao lado mais imediatamente bruto do death metal e a uma componente atmosférica e melódica que resulta bem na abordagem sem limites do quarteto. (7/10)


 

Ranger_WhereEvilDwellsRANGER «Where Evil Dwells»
Spinefarm Records
Não é muito difícil perceber o charme underground de uma banda como os Ranger. São jovens, estão cheios de energia e a rebentar de heavy/speed metal old school pelas costuras dos blusões de cabedal. Bastou-lhes um par de EPs para se tornarem as novas estrelas da sempre efervescente cena metálica finlandesa e a Spinefarm, como não anda a dormir, percebeu o potencial do quarteto. «Where Evil Dwells», o longa-duração de estreia, confirma-lhes os predicados: velocidade, agressividade, estética retro e um sentido de divertimento que lhes retira toda a qualquer vergonha de usar os lugares-comuns mais batidos do heavy, thrash e speed metal. O que inclui longos solos, guitarras duais, shred sem limites e vocalizações agudas como se fosse 1980. Entusiasmante e divertido. (8/10)


 

Sorcerer_InTheShadowSORCERER «In The Shadow Of The Inverted Cross»
Metal Blade
Até agora os Sorcerer eram uma obscura banda de heavy/doom metal épico apenas ao alcance de quem tinha dado pelas duas maquetas que a banda sueca editou entre o final dos anos 80 e o início dos 90, antes do baixista Johnny Hagel se juntar aos Tiamat e o projecto entrar em hiato. Agora reactivado, o projecto edita o seu disco de estreia oficial e mostra como pode o doom metal mais clássico soar moderno e intemporal ao mesmo tempo. Imaginem um cruzamento dos discos «Headless Cross» dos Black Sabbath com «Nightfall» dos Candlemass, com produção cristalina e um vocalista (Anders Engberg, ex-Lions’s Share, ex-Therion) que é uma mistura de Robert Lowe e Tony Martin. Verdadeiramente épico, obscuro, poderoso e atmosférico, isto é doom/heavy metal clássico no seu melhor! (8/10)


 

TheEyeOfTime_ANTITHE EYE OF TIME «ANTI»
Denovali Records
O francês Marc Euvrie volta a surpreender com a terceira proposta do seu projecto The Eye Of Time. Para quem não conhece, estamos a falar de música contemporânea, industrial e/ou atmosférica, com iguais influências de Neurosis, Godspeed You! Black Emperor, Portishead ou Third Eye Foundation. Em «ANTI» o músico deixa para trás o universo acústico do último disco e propõe uma série de faixas bem mais negras, industriais e de ocasional drone, complementadas com uma série de texturas atmosféricas cinematográficas e soluções sónicas muito pouco convencionais para estruturas verdadeiramente alternativas. Inteiramente instrumental, «ANTI» é daqueles discos capazes de nos transportar nas asas da mais arrebatadora construção musical e, ao mesmo tempo, induzir-nos num transe catatónico de banda-sonora de fim de mundo. Brilhante. (8/10)


 

Theories_RegressionTHEORIES «Regression»
Metal Blade
Não foi preciso mais do que um EP em 2011 para que os norte-americanos Theories chegassem a uma editora como a Metal Blade. «Regression», o disco de estreia, “explica” porquê: grindcore feito com mestria, brutalidade, velocidade e intensidade, validado pelos argumentos técnicos de uma banda que conta com elementos e ex-elementos dos Samothrace, Skarp e Book Of Black Earth. No topo da lista de características que separa os Theories da concorrência está um lado dissonante quase sempre presente nas suas músicas (pensem em Cattle Decapitation) e alguns leads de guitarra, rápidos e inesperados, que surgem de vez em quando. O resto é grindcore feito à antiga: com castanhada de meia-noite, guturais demoníacos e uma secção rítmica absolutamente devastadora. (8/10)

MisantropiaExtrema_TheNealMorseBand_468x60_0215