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POSTO DE ESCUTA 12.03.2013

(Quase) todos os dias fazemos uma revisão de alguns dos novos lançamentos, aconselhando novos projectos e “picando” discos de bandas consagradas, de forma resumida, de modo a que não escape nada aos nossos leitores. Boas audições.

NorthConsiderados até agora meio de tabela em termos de sludge metal atmosférico/pós-rock, os norte-americanos NORTH voltam à carga com «The Great Silence» (Cavity), o seu terceiro álbum de originais. A receita é a de sempre: longas partes atmosféricas sempre a crescer e depois riffs monolíticos com as vocalizações brutas do sludge. É bom, mas há melhor (3/5). Já os compatriotas SATANIC THREAT não têm problemas de identidade estilística e fazem punk/hardcore de inspiração thrash e black metal como se o mundo estivesse a acabar. «In To Hell» (Hells Headbangers) reúne o EP original, editado em 2008 em apenas 1.000 cópias, bem como uma actuação ao vivo de oito faixas desta banda que conta com elementos de Nunslaughter e um ex-membro de Midnight. Urgente, gravado caseiramente e delicioso (4/5). Do lado oposto do espectro musical, os fãs de power metal progressivo têm em «Coverin’ Thoughts» (Bakerteam), o disco de estreia dos italianos KARNYA, Karnyaanteriormente conhecidos como Zen, uma boa surpresa. Apesar do lado “progressivo” se limitar à habitual lambidela de botas aos Dream Theater, a coisa é suficientemente melódica e emocional para agradar à maior parte dos fãs do estilo (3/5). Já os gregos VALOR são bem menos prosaicos na sua abordagem musical e atiram com um power metal relativamente tradicional, menos melódico do que o estilo tipicamente europeu (ou italiano, se quiserem), mas igualmente interessante a nível de harmonias e arranjos. «The Yonder Answer» (Pitch Black), o seu terceiro álbum de originais, tem por isso de ser considerado uma proposta válida e bem interessante (4/5). Por falar em power metal italiano, quem Heimdalltambém está de volta às edições são os HEIMDALL. Os veteranos da cena sinfónica transalpina têm no seu quinto álbum de estúdio «Aeneid» (Scarlet) uma daquelas propostas irrepreensíveis em termos de produção, arranjos sinfónicos e composições em que os elementos musicais do power metal mais pomposo são usado em doses maciças. Infelizmente, já tudo feito antes – até pelos próprios – com mais originalidade e entusiasmo (3/5).

POSTO DE ESCUTA 11.03.2013

(Quase) todos os dias fazemos uma revisão de alguns dos novos lançamentos, aconselhando novos projectos e “picando” discos de bandas consagradas, de forma resumida, de modo a que não escape nada aos nossos leitores. Boas audições.

Primitive ManComeçamos hoje com o sludge/doom puro e duro dos norte-americanos PRIMITIVE MAN, que contam na sua formação com o vocalista e guitarrista Elm (Clinging To The Trees Of A Forest Fire, Withered), mais duas pessoas de identidade desconhecida. O álbum de estreia «Scorn» (Throatruiner/Mordgrimm) é uma coisinha viciosa e maldosa e pesada como tudo (4/5). Já os compatriotas EVIL ARMY regressam às edições com o 7” EP «I, Commander» (Hells Headbangers) e a habitual dose de thrash visceral, feito pela cartilha e mal gravado. Tem boas ideias e pode agradar a três ou quatro maníacos do underground, mas no geral há projectos mais válidos a fazerem isto bem melhor (3/5). Os compatriotas COLD STEEL tiveram uma carreira ente meados Cold Steeldos anos 80 e meados dos 90, regressando em 2012 com uma compilação e agora com o EP «America Idle» (Stormspell), composto por meia dezena de faixas que mostram porque nunca chegaram a ter sucessso na primeira encarnação. É que o thrash da banda é genérico, parco em boas ideias e nem as fugazes referências ao groove/thrash dos anos 90 o safam (2/5). No espectro oposto do metal, os cipriotas ASTRONOMIKON estreiam-se com «Dark Gorgon Rising» Astronomikon(Pure Legend), um álbum de heavy/power metal que agradará a fãs de melodia, mas também de true metal, ou não fosse este um projecto paralelo de quatro elementos dos irrepreensíveis Arrayan Path. Pesada onde deve, sem demasiado açúcar nas melodias, trata-se de uma das mais interessantes propostas de heavy/power metal dos últimos tempos (4/5). Igualmente tradicionalistas são os argentinos HELKER, que chegam à AFM e à verdadeira internacionalização com o seu quarto álbum «Somewhere In The Circle». E em boa altura, a julgar pela energia libertada pelo seu power metal de influências europeias triunfal e de produção bombástica (3/5). Já o norueguês JORN não tem problemas em “vestir” as suas principais faixas (incluindo versões de «Rock And Roll Children» de Dio, «Time To Be King» dos Masterplan e «The Mob Rules» dos Black Sabbath) de arranjos sinfónicos, no seu novo trabalho «Symphonic» (Frontiers). A voz de ouro do senhor está lá, como sempre, e os arranjos são grandiosos e a propósito, mas 14 faixas disto tornam a proposta apenas apreciável por quem gosta desta coisada orquestral toda (4/5). Igualmente sinfónicos, mas num grau muito mais modesto e inserido num black Luna Ad Noctummetal de riffs secos e que revelam claras influências de Satyricon, os polacos LUNA AD NOCTUM editam «Hypnotic Inferno» (Massacre) e são bem capazes de recolher algumas fichas na mesa de jogo de quem aprecia som bruto, precisão técnica e melodias arrepiantes (4/5). Bem mais depressivos – e até minimais, a espaços – os hondurenhos FAILURE movem-se com um à-vontade impressionante dentro do black metal suicida e não revelam, no novo EP «Perfect Isolation» (Pagan Forest), qualquer problema em piscar o olho ao pós-rock ou a melodias mais vincadas, embora sempre tristes e desoladas, parcamente cantadas e com um sentimento de desespero bem entranhado (4/5). Já os suecos CRASHDÏET respondem na mesma moeda ao avanço glam rock/heavy metal dos compatriotas Hardcore Superstar e editam «The Savage Playground» (Frontiers), trabalho de veneração aos Mötley Crüe bem feito, bem produzido e com malhas. Os fãs de glam estão a ter um grande ano (4/5). Old FuneralFinalmente, uma palavra para a compilação «Our Condolences (1988-1992)» (Soulseller), que junta as primeiras sete (!) gravações em maqueta dos noruegueses OLD FUNERAL, que entre 1988 e 1992 conseguiram ter na sua formação gente como Vars Vikernes, Demonaz e Abbath. Apesar de cobrir um lado mais death metal da sua sonoridade, esta compilação, editada em CD e vinil, não deixa de revelar as raízes do black metal podre e cru dos pioneiros escandinavos do estilo e constitui, por isso, um documento de interesse inegável, quase académico (4/5).

POSTO DE ESCUTA 10.03.2013

Todos os dias fazemos uma revisão de alguns dos novos lançamentos, aconselhando novos projectos e “picando” discos de bandas consagradas, de forma resumida, de modo a que não escape nada aos nossos leitores. Boas audições.

VirusAinda com o último «The Agent That Shapes The Desert», de 2011, a queimar-nos os ouvidos, os noruegueses VIRUS regressam às edições com o EP «Oblivion Clock» (Duplicate Records), composto por quatro faixas novas mais três raridades num total de 30 minutos que são uma espécie de estacionamento na evolução em fast forward do seu rock vanguardista e metálico. É uma espécie de complemento de «The Agent…» que nos permite respirar um pouco enquanto aguardamos pelo próximo passo genial (4/5). Já os compatriotas MAN THE MACHETES têm pouco de progressivo na mistura de punk, hardcore, rock e melodias pop que apresentam na estreia «Idiokrati» (Indie Recordings). Pode ser interessante para fãs de Architects, embora os jovens noruegueses tenham menos genialidade e mais sangue na guelra (3/5). Bem mais a sul, os sul-africanos JUGGERNAUGHT continuamJuggernaught a evoluir o seu heavy/southern metal com o segundo longa-duração «Bring The Meat Back» (auto-financiado), cheio de pó como se quer mas ainda longe da solidez ríffica de uns Alabama Thunderpussy, pelos quais todas as bandas deste estilo devem religiosamente guiar-se. Salva-os um lado psicadélico apurado e alguns dos leads de guitarra (3/5). De volta a norte, os suecos HARDCORE SUPERSTAR regressam para reclamar o trono do glam rock/metal com «C’mon Take On Me» (Nuclear Blast), um disco de irrepreensível cinismo, melodias viciantes e sexy como poucos (4/5). Para desenjoar de tanto açúcar, os jovens norte-americanos RINGS OF SATURN propõem uma mistura explosiva de deathcore e death metal técnico em «Dingir» (Unique Leader), o seu segundo disco de originais. Notas a voar por todo o lado a grande velocidade, bateria bem pronunciada e vocalizações over the top e gritadas. O hábito, mas bem feito (3/5). Mais prosaicos são os germânicos Milking The GoatmachineMILKING THE GOATMACHINE que, por esta altura já deviam ter esgotado as piadas caprinas do seu death metal brutal que lambe o leite (vêem?) do grindcore, mas a julgar por títulos como «Hornbreaker», «Milk ‘Em All» ou «When A Goat Loves A Woman», a coisa está para durar. «Stallzeit» (NoiseHead Records), o seu quarto álbum de estúdio, tem por isso de ser considerado uma boa proposta, levando em linha de conta a versão ultra-brutal e gorda que têm do género (4/5). Já os compatriotas e companheiros de editora WOLFCHANT não demoraram muito (concretamente, dois anos) para regressar depois do promissor «Call Of The Black Winds». «Embraced By Fire» segue o mesmo caminho de folk metal pagão das quatro propostas anteriores do septeto, acrescentando uma camada extra de influências sinfónicas, o que torna tudo bem mais épico, maior e irresistível para quem aprecia o estilo. Nortwin, dos Rebellion, volta a fazer um bom trabalho nas vocalizações limpas, o que torna o disco mais melódico e acessível que todas as outras propostas dos Wolfchant, sem perderem no entanto a agressividade e peso de outros tempos. Um bom disquinho (4/5). Quem também está de volta são os norte-americanos JOLLY, cuja mistura de rock progressivo, melodias pop e metal/grunge lhes Jollyvaleu uma reacção considerável à primeira parte de «The Audio Guide To Happiness» há um par de anos. Agora, «The Audio Guide To Happiness (Part II)» (InsideOut Music) vem explorar o mesmo filão, com melodias um pouco menos memoráveis, mas com o mesmo tipo de abordagem que vicia passadas três ou quatro audições (3/5). Do lado mais negro do espectro, os fãs de horror dark ambient que conheciam os Stalaggh devem agora conhecer os GULAGGH, que é basicamente um projecto da mesma gente, mas feito para explorar os horrores dos campos de concentração russos (em oposição aos campos de concentração nazis, dissecados em Stalaggh). «Vorkuta» (Coma Section) é a primeira parte da trilogia, foi completado em 2008 com o uso apenas de instrumentos clássicos (violino, trompete, etc) da maneira mais bizarra imaginária, enquanto as vozes foram gravadas por doentes mentais profundos por mais de 30 crianças internadas num asilo para doentes mentais. Imaginem vocês o resultado (3/5). Menos perturbante mas igualmente fascinante é a estreia, homónima, dos suecos HEAD OF THE DEMON, cujo percussionista e vocalista Head Of The Demonpassaram juntos por bandas como Kaamos, Gods Of Grief e A Mind Confused. Imaginem o death metal old school sueco que agora está tão em voga tocado à velocidade do doom rock dos anos 70 e não andarão longe do que se passa em «Head Of The Demon» (The Ajna Offensive), que tem alguma dificuldade em passar da fase do “estranhar” para a do “entranhar”, mas que ainda assim rende (3/5). Finalmente, uma menção para a compilação de tributo aos Dark Tranquillity «The Final Resistance» (Suspiria Records), em que participam os portugueses Shadowsphere e Thee Orakle, respectivamente com versões dos temas «Focus Shift» e «Dream Oblivion». Outras bandas integrantes do projecto são os Dawn Of Tears, Agónica, Apotheus ou The Agonist, numa colecção de músicas tão variada quanto os seus intérpretes e que, apesar de ter o clássico interesse limitado das compilações, vale por algumas preciosidades (3/5).