CROSSED FIRE

Crossed Fire_logoOs algarvios Crossed Fire já tinham ameaçado em 2012, com o EP de estreia, deixar de ser necessário procurar lá fora para termos uma boa dose de stoner/groove metal. Mas agora, com o primeiro longa-duração, chamado «Life’s A Gamble», o quinteto dá um decidido passo em frente e junta uma qualidade de produção de topo ao som suado, fumarento e ensopado naquela mistura de aguardente de medronho e whisky que começa a ser um caso verdadeiramente sério na cena nacional. O vocalista David Rosa explicou-nos como funciona esta roleta russa.

crossed_fire_2014Qual é a vossa expectativa para o lançamento deste disco de estreia? O que esperam atingir a nível interno? Têm alguma expectativa para o mercado externo?
Principalmente divulgar tudo o que fizemos, com o mesmo gosto e feeling de quando compúnhamos o material. Divulgar um produto algarvio pelo país e, quem sabe, se surgir a hipótese, lá fora também.

Quais são as principais influências musicais – colectivas e individuais – dos Crossed Fire?
Temos algumas influências em comum e ao mesmo tempo outras bastante diferentes uns dos outros. Mas basicamente, do old school, vamos buscar influências aos Motörhead, Crowbar, Down ou até mesmo Black Sabbath mas também “cenas” mais recentes como Red Fang, Mastodon, Black Tusk, por aí. Mas, principalmente, o mais importante é a fusão de influências que cada um de nós leva para sala de ensaio, sejam elas de onde forem – desde o hardcore ao metal, do doom ao punk, não interessa… Juntamos um pouco de álcool e está feito o produto.

Têm tido, desde a vossa formação, uma intensa actividade ao vivo. A experiência desse lado da vida da banda foi algo que contribuiu também para a composição da música no disco ou nem por isso?
Claro, tanto esse lado como todos os outros contribuíram e contribuem para a composição das nossas músicas.

À medida que vão atingindo objectivos – primeiros concertos, primeiro lançamento, primeiro álbum de originais, tocar com esta ou aquela banda que apreciam – vai-se tornando mais complicado manter a motivação para ensaiarem regularmente e manterem o projecto activo ou a motivação é basicamente sempre a mesma?
A nossa motivação é sempre a mesma: fazer o que gostamos de fazer. Ou seja, compor malhas e tocá-las ao vivo. É lógico que, à medida que atingimos os nossos objetivos, outros vão surgindo.

crossed_fire_2014_2Existiu algum esforço consciente, logo desde o início do processo de produção, para que o «Life’s A Gamble» tivesse uma qualidade sonora ao nível internacional? Foi complicado lá “chegarem”?
Sim, à medida que compúnhamos as novas malhas começámos a pensar que este produto merecia um suporte de boa qualidade, tanto a nível sonoro como visual. E assim foi, não hesitámos. Falámos com o grande Carlos Rocha da Eyeball Recording Studios e delineámos de imediato como iriam ser as gravações. Quem estava a trabalhar nessa altura teve de tirar férias para nos focalizarmos somente nas gravações. Decidimos também que algumas malhas seriam feitas em estúdio, outras reajustadas. Foi tudo estudado para que a “coisa” funcionasse da melhor forma. No entanto, quisemos manter a mesma abordagem do EP e ter malta amiga a participar diretamente no disco tanto na parte lírica como nas vozes. No caso da «Drinking Club» temos o Carlinhos dos Mindlock e o Poli dos Devil In Me e Sam Alone participa na «Black Lightning». A parte visual também foi estudada com algum rigor: partilhámos a nossa ideia arrojada, que foi aceite e explorada pelo grande Samuel Lucas. Resumindo, foram cerca de dois intensos meses de trabalho de estúdio, oito horas por dia e muita dor de cabeça. [risos] Foram bons momentos de dedicação extrema fechados num estúdio em pleno verão no Algarve.

A formação da banda permanece inalterada desde o início do projecto, em 2010? Qual é o segredo?
Sim, a banda continua inalterada desde que me contactaram para fazer parte deste projeto. No entanto, durante a altura que o [guitarrista] Eduardo Cunha teve de se ausentar do país, achámos por bem pedir a um brother nosso uma ajuda nas cordas, tanto para tocar ao vivo como na composição de novos temas. Mas a gravação do disco foi apenas feita por quatro membros, com a expectativa que o Eduardo regressasse para as datas de apresentação, e assim foi. Sempre fomos, mesmo à distância, os mesmos cinco do início.

CrossedFire_LifesCoverO título do disco, bem como de algumas faixas como «Roleta Russa» ou «Believe In Yourself», parecem denotar uma temática de auto-confiança e motivação para se atingirem os objectivos. Existe mesmo essa temática subjacente a todo o disco ou há também outros temas em cima da mesa?
Tanto no disco como na nossa essência tentamos abordar essa temática, bem como outros temas atuais do nosso dia-a-dia, das nossas emoções, etc. Basicamente é isso, existem malhas brutas e raivosas, bem como outras recheadas de álcool e alegres.

Existe, nesta altura, uma “cena metálica” algarvia verdadeiramente forte, com um conjunto de bandas, salas de concertos e público que consubstanciam e apoiam o estilo? Ou já existiram melhores dias?
A cena algarvia é por fases; temos fases muito boas, e menos boas, é consoante a maré. [risos] Neste momento está de boa saúde e recomenda-se. A nível de locais para concertos, estamos cada vez melhor. Temos salas com excelentes condições acústicas, salas grandes ao nível de muitas que existem pelo país, e até mesmo salas pequenas mas bem aconchegadas para shows mais intimistas. O que te posso dizer, e é certo e sabido, é que existe uma grande união entre bandas e público. Existe um bom clima. Um dia de concerto é dia de uma real festa.

O vídeo «Got The Medicine» está extremamente bem conseguido e profissional. É necessário, em Portugal, gastar muito dinheiro para fazer um vídeo assim? E depois o esforço compensa, com os locais onde ele pode passar e passa realmente?
Antes de mais tenho que agradecer o elogio. Não é necessário gastar muito dinheiro para fazermos o que realmente queremos. Se tivermos de fazê-lo, tentamos arranjar meios para orientar capital como é lógico, se não o conseguirmos, avançamos com aquilo que temos. Aliás, sempre foi essa uma das nossas principais ideologias… Temos uma enorme força de vontade e trabalhamos com garra e com o maior gozo, e até agora tem funcionado tudo como “manda a lei”.

«Life’s A Gamble» foi editado em Dezembro pela Hellxis.
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