LANCER

LANCER LogoA mais jovem geração de músicos suecos pode ter uma surpresa ou duas na manga para quem acha que o verdadeiro heavy/power metal clássico é coisa do passado. Bandas como Enforcer, Steelwing ou Lancer têm ressuscitado o estilo com um misto de homenagem e reinterpretação das sonoridades “clássicas” de nomes como Iron Maiden, Helloween ou Judas Priest. O quinteto oriundo de Arvika lança esta semana o seu segundo álbum de originais, «Second Storm» e tivemos com o seu vocalista Isak Stenvall ao telefone para uma lição de história de power metal.

LANCER Alt 2Tinham uma ideia clara, antes de iniciarem o processo de composição, sobre o que pretendiam musicalmente para este disco ou limitaram-se a começar a escrever e viram onde isso vos levaria?
O objectivo principal era escrever um álbum melhor do que o último, que a produção fosse melhor e que nós, enquanto músicos, tivéssemos uma prestação melhor. O objectivo é estar constantemente a melhorar e com este disco não foi excepção.

E, agora que o disco está terminado e editado, achas que cumpriram o objectivo? Achas que é um álbum melhor do que o último?
Sim. É um disco de que gostamos muito e que nos deixa extremamente orgulhosos

Lançaram anteriormente uma maqueta, um EP e um álbum e, com isso ficaram bem mais experientes. Mas mantêm a mesma inspiração e motivação para escrever música ou torna-se mais complicado compor a cada novo lançamento que fazem?
Estou constantemente motivado para escrever músicas melhores. É sempre divertido compor, ensaiar, escrever letras e todo o processo de gravação. Quer dizer, a maior parte destas coisas é divertimento, mas também envolve muito trabalho árduo. Ganhámos mais experiência, mas a paixão acompanhou-nos sempre durante todo o processo.

LANCER Alt 3Assinar por uma editora mais robusta como a Despotz Records é algo que deixaria algumas bandas com um bom bocado de pressão em cima. Vocês sentem essa pressão?
Julgo que não a sentimos. Temos sempre em mente, quando escrevemos música, que existem pessoas que vão ouvi-la e analisá-la. Mas acho que, se nos sentirmos orgulhosos com o produto não há mais nada que possamos fazer. Compomos a música que adoramos e, pelos vistos, é uma coisa que funciona. [risos]

Têm algum tipo de preocupação consciente, na música que escrevem, com originalidade ou pensam que já tudo foi inventado no heavy metal e devem soar tão próximos das vossas influências quanto possível?
Não tento inventar um novo género musical. Quando escrevo canções tento captar o ambiente que as bandas dos anos 80 tinham – grupos como Helloween, Iron Maiden, Judas Priest – e quando alguém me diz “Ei, escreveste uma música de Iron Maiden” eu encaro-o como algo positivo. Apesar de não ter sido esse o objectivo; escrevi simplesmente um tema de Lancer. Mas é aí que está a minha inspiração e, claro, vai soar um pouco assim. É heavy metal… Se não soar a heavy metal não quero cantá-lo. Porque quero escrever músicas heavy metal.

Ainda assim, parece claro que os Lancer e algumas outras jovens bandas têm um tipo de energia que os grupos mais veteranos já não parecem ter. Achas que essa energia existe porque vocês são jovens e estão motivados ou pura e simplesmente porque, em comparação, bandas como os Helloween perderam um pouco a “chama” ao longo dos anos?
Por acaso acho que os Helloween lançaram um dos seus melhores álbuns dos últimos tempos da última vez, com o «Straight Out Of Hell» [de 2013]. Por isso ainda existe muito combustível naqueles gajos. [risos] É o melhor disco deles desde o «The Dark Ride», na minha opinião; tem muita energia. Mas também os Iron Maiden… Não sou um grande fã do [último álbum] «The Final Frontier», mas tanto o «A Matter Of Life And Death» como o «Dance Of Death» são dois trabalhos muito, muito bons. Vi os Maiden ao vivo duas vezes no último Verão e ainda têm toda a energia que tinham nos anos 80. Mas, como foi dito, todas estas jovens bandas têm uma grande motivação, em termos de composição mas também na vontade de espalhar os nomes dos projectos e torná-los conhecidos. Por isso concordo absolutamente: os jovens grupos têm mais energia e mais motivação do que os mais velhos.

LANCER Alt 4Só que, hoje em dia, já não é tão fácil chegar a um nível global de popularidade.
Sim, é extremamente competitivo e difícil, especialmente aqui na Suécia, em que existem tantas bandas boas. Nós somos muito pequeninos e o nível de negócio aqui na Suécia é demasiado pequeno… Há imensas bandas que nem sequer conseguem um contrato discográfico. Limitam-se a continuar a tocar e nunca mostram a sua música ao resto do mundo.

Achas que, com o número de bandas que existem actualmente, com a internet e com o estado da indústria musical, se um projecto como os HammerFall surgisse hoje na Suécia, teria chegado tão longe quanto chegaram?
Os HammerFall foram únicos na época em que apareceram, porque o heavy metal estava na lista negra em quase todo o mundo e especialmente aqui na Suécia. A cena estava mais virada para o death metal aqui e aparecem os HammerFall e tocam metal inspirado nos anos 80, vestidos com couro e com picos, cantando sobre guerreiros gloriosos. Foi algo único nessa altura e, para além disso, a indústria musical era um pouco diferente e a internet não tinha a importância que tem hoje. Não sei se sobreviveriam neste clima que temos hoje, mas são excelentes compositores e músicos e julgo que foi por isso que prosperaram.

Achas que esse factor de originalidade ainda é possível nos dias de hoje? É possível uma banda aparecer hoje e ter algo realmente original e único?
A mistura de diferentes elementos musicais pode ser relativamente original, mas não creio que isso seja necessariamente bom. Se pensares em bandas como os Amaranthe, que combinam techno, death metal e música pop… Isso faz-nos pensar “Porquê?”. Quem quiser techno que oiça techno, quem quiser death metal pode ouvir death metal… Não gosto dessas misturas que aparecem apenas porque é “original” criá-las. Podemos tocar heavy metal à nossa maneira e não temos de reinventar a roda. Se olharmos para uma banda como os Enforcer… Eles praticam heavy metal à sua maneira e ganharam muita notoriedade e respeito tocando apenas um estilo de metal.

Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdA produção e o som são aspectos importantes deste tipo de música e o vosso disco tem qualidade nesse departamento. Onde gravaram o álbum e como correu o processo de produção?
Gravámos o disco aqui em Karlstad. Os Enforcer também já fizeram discos aqui neste estúdio, tal como os Sister Sin, os Steelwing e os Mustasch. Chamam-se Leon Studios e foi óptimo trabalhar com a equipa que lá está. É um óptimo estúdio, com um óptimo ambiente e fica no meio da floresta. E, como foi referido, a produção [do disco] é muito sólida e poderosa e, ainda assim, tem um som muito cru de heavy metal. Não é demasiado polido nem plástico… Tem um som orgânico, mas muito poderoso.

Conseguiram este tipo de produção naturalmente ou tiveram de esforçar-se um pouco para chegarem lá?
Não trabalhámos sob pressão, porque desta vez decidimos ter o produto final na mão antes de começarmos a procurar uma nova editora. No primeiro álbum trabalhámos sob pressão e o disco não resultou exactamente como queríamos. Por isso desta vez levámos o tempo que foi preciso e trabalhámos sempre juntos em todo o processo de escrita e em toda a produção.

O que oferece uma editora como a Despotz Records a uma banda como os Lancer que vocês não pudessem fazer sozinhos?
Toda a rede de contactos. Acho que esta indústria musical gira muito à volta dos contactos. Não creio que estivesse ao telefone contigo agora se não tivéssemos um tipo impecável, num escritório em Estocolmo, a trabalhar para nós 24 horas por dia. A parte dos contactos é excelente, mas eles também têm distribuição em todo o mundo. E, claro, se lançarmos um álbum numa editora conhecida como a Despotz e olharmos para o catálogo de bandas deles, percebemos que existe uma certa substância na música que eles editam. E, por isso, as pessoas acabam por levar-nos mais a sério do que se editarmos o álbum sozinhos.

Lancer_2014_BBfullOutra coisa de vital importância actualmente é fazer digressões. Vocês estão totalmente disponíveis para um aumento de actividade de concertos ou as vossas vidas pessoais e profissionais são complicadas?
Queremos fazer tantas digressões quanto possível. Como foi referido, é essencial nos dias de hoje mas é preciso não esquecer que é também muito caro fazer uma digressão com uma banda. Temos, obviamente, os nossos empregos, mas são muito flexíveis e somos suficientemente afortunados ao ponto de todos os elementos poderem estar envolvidos a 100% nisto. Por isso estamos apenas à espera das ofertas certas.

Uma coisa que acontece normalmente às bandas mais jovens é, quando os seus elementos começam a trabalhar ou constituem família, há sempre um ponto de cisão com alterações de formação e mesmo alguns projectos que terminam. Receias que esse ponto chegue aos Lancer?
Não sabemos o que pode acontecer, mas como é conhecido temos agora um novo guitarrista [Per-Owe “Ewo” Solvelius] na banda, que entrou para gravar este álbum, porque o guitarrista antigo [Peter Ellström] nos disse “Já não quero fazer isto”. Por isso tivemos uma discussão bastante aberta dentro do grupo sobre o que significava pertencer a uma banda e dar tudo por ela. E todos os elementos parecem ter neste momento o mesmo tipo de mentalidade e acreditamos que podemos manter este projecto mesmo que alguns de nós constituam família ou algo desse género. Acho que esse tipo de problemas pode ser resolvido.

Consideras que o power metal, enquanto estilo, tem hipótese de se tornar popular de novo como antigamente, aproveitando esta onda revivalista que anda por aí com o doom rock, o thrash e mesmo o heavy metal tradicional?
Não sei. Acho que se pode tornar popular outra vez. Já existiram duas vagas de power metal… Tivemos a primeira vaga nos final dos anos 80, com bandas como Scanner, Helloween, os Gamma Ray no início dos anos 90 e tudo isso. E depois de novo nos anos 00 com os Edguy, os HammerFall e todas as outras bandas. Essa foi a segunda vaga. Sinto que as pessoas que gostam de power metal, quando ouvem um jovem projecto, pensam algo do género “Oh, foi há tanto tempo” e têm flashbacks do início dos anos 90 ou assim. Existem muitas bandas de power metal a surgirem agora, por isso espero que as pessoas apreciem este tempo de quantidade e qualidade. Tem tudo a ver com a qualidade da música… Há muitas bandas boas de power metal lá fora, na mesma medida em que existe uma série de bandas menos boas.

O difícil é o público perceber, entre o mar de lançamentos de power metal que são feitos todos os meses, o que tem qualidade e o que não tem.
Sim. Ao princípio estávamos um pouco receosos em descrever a nossa música como power metal, porque o power metal é visto em muitos círculos de fãs como um estilo cheio de tons e letras azeiteiros. E os Lancer não são nada disso; os Lancer são heavy metal puro e duro tocado com velocidade, e não daquela forma manhosa que o power metal começou a soar a partir de meados dos anos 90.

«Second Storm» foi editado no dia 10 de pela Despotz Records.
Site oficial

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