NEOPLASMAH

Neoplasmah_logoBastou uma fugaz passagem pela cena no início da década passada para os Neoplasmah deixarem os fãs de death/black metal, literalmente, siderados. O regresso, agora consumado com o segundo disco «Auguring The Dusk Of A New Era», actualiza e aperfeiçoa a receita musical da banda da Margem Sul, levando-a a píncaros de fusão cósmica que apenas um grupo com uma personalidade artística tão vincada conseguiria criar. A vocalista Sofia Silva e o guitarrista Vítor Mendes ajudaram-nos a perceber este universo de metal extremo com os olhos postos no cosmos.

Neoplasmah_Band2015_2Qual foi a principal motivação que vos fez reunirem-se e voltarem a compor, gravar e lançar um disco de Neoplasmah?
Sofia: Alguns de nós continuaram a tocar juntos durante estes oito anos noutros projectos e falava-se de vez em quando em reunir a banda. Até porque em 2005 não houve propriamente um ponto final, fomos apenas adiando o regresso aos ensaios e aos concertos e todos nos dedicámos a outros projectos, acabando por resultar numa dormência prolongada. Mas nessa altura, em 2005, tínhamos já compostas músicas suficientes para um segundo álbum. Por isso, em 2012 juntámo-nos à volta de umas cervejas e decidimos pôr mãos à obra e gravar o «Auguring The Dusk Of A New Era», nem que fosse só para termos um registo físico das músicas. Por essa mesma altura, recebemos alguns convites para tocar em festivais e, quando percebemos que as reacções ao álbum estavam a ser excelentes e conseguimos contrato com a Helldprod, decidimos voltar ao activo em força.

Tiveram alguma preocupação, ao longo do processo de escrita do disco, de manterem traços estilísticos do álbum anterior ou limitaram-se a escrever sem ter qualquer atenção ao passado da banda?
Vitor: Orgulhamo-nos muito do passado da banda e do nosso trabalho anterior. Mas de facto há diferenças entre os dois álbuns. Em parte devem-se ao facto do primeiro álbum ter sido composto entre 1999 e 2001 por mim e pelo Simão Santos – actualmente nos Martelo Negro – que começou este projecto comigo e com o Dário Duarte em 1997 com o nome Systematic Collision. O segundo álbum foi essencialmente composto por mim, com arranjos dos actuais elementos, entre 2001 e 2005.

Quando comparam os dois trabalhos de estúdio agora, quais sentem que foram os principais pontos de evolução da banda?
Vitor: A banda evoluiu em todos os sentidos, quer a nível pessoal quer a nível musical. E isso é perfeitamente notório na sonoridade das músicas, nas letras, na capacidade de execução, etc. O grande trabalho de mistura e masterização do André Tavares também ajudou a que este novo registo tivesse o resultado sonoro que teve: magnífico. As músicas do novo álbum já estavam compostas desde há muitos anos e agora, após este tempo todo, quando as gravámos, a nossa capacidade de execução permitiu-nos fazer novos arranjos e incluir algumas novidades que não teriam sido possíveis se os tivéssemos gravado há dez anos atrás.

Neoplasmah_Band2015_1Com estes temas finalmente editados e a banda de volta ao activo, existe alguma motivação acrescida para comporem música nova? Como vai ser a “nova” sonoridade dos Neoplasmah?
Vitor: Para já não temos planos para começar a compor música nova. Apesar de existir motivação e alguns riffs na gaveta, temos de ser racionais na forma como investimos o tempo que cada um tem disponível e, por isso, vamos dar prioridade à promoção deste novo álbum. De qualquer das formas, não creio que mudemos de sonoridade. Vamos continuar pelos meandros do death/black metal rápido e agressivo.

Existem alguns traços estilísticos de Emperor no início da faixa «Realm Of The Lost Souls», não concordas? Os Emperor são uma inspiração comum ao grupo? Que outras influências comuns possuem?
Vitor: Posso dizer-te que nunca compus qualquer musica com a intenção de a tornar parecida ou tendo por base este ou aquele grupo. Oiço muitas bandas, mas na sua maioria álbuns de speed/thrash/death dos anos 80 e 90 e não estou a ver muito sinceramente serem uma influência para a música que componho nos Neoplasmah. Oiço algumas bandas “recentes” mas tento sempre ficar um bocado afastado de colagens no que diz respeito à composição. Sei que é difícil isso acontecer porque, por exemplo, gosto mesmo muito dos Emperor, Dissection, Mork Gryning ou Dark Fortress e de tanto ouvir essas bandas, é natural que surjam alguns riffs parecidos ou que façam lembrar esses projectos. De qualquer forma, ter um riff que remete para os Emperor é sempre um grande elogio!

Sentem que, em 2004, aquando da edição do «Sidereal Passage», os Neoplasmah foram de alguma forma vítimas de um certo alheamento da imprensa, promotores e público nacional em relação ao metal português?
Sofia: Não diria que fomos vítimas, uma vez que em grande parte a culpa foi nossa. Não traçámos qualquer tipo de plano na altura. Demos bastantes concertos durante 2003 e 2004, algumas entrevistas, inclusivamente à imprensa escrita – a LOUD!, por exemplo – por isso enquanto banda não nos sentimos minimamente postos de parte, tivemos até um grande reconhecimento. Mas, de facto, quando lançámos o primeiro álbum pela Dark Music Productions no final de 2004, este não teve a atenção que o segundo disco está agora a ter, que se deve ao excelente trabalho da nossa actual editora Helldprod e em particular ao Pedro Pedra. Por outro lado, o Facebook permite-nos agora fazer a nossa própria divulgação, inclusivamente fora de Portugal.

Neoplasmah_Band2015_3As letras neste disco voltam a incidir sobre aspectos cósmicos e espaciais, certo? Qual é a abordagem? Há mais camadas, para além dessa?
Sofia: Sim, as letras foram repensadas quando decidimos gravar o álbum em 2012, exactamente para que houvesse alguma coerência no trabalho. Quando entrei para os Neoplasmah foi não só por me identificar com a música mas também por achar as letras do primeiro álbum espectaculares; elas foram todas escritas pelo Simão, à excepção da primeira, que é da autoria do Vitor. Sabia também que era esta temática sci-fi que, entre outras coisas, definia a banda. Por isso, decidi continuar esse tema no segundo álbum, mas tornei-o mais abrangente. As letras descrevem cenários apocalípticos em torno da relação do Homem com a Terra e o Cosmos.
Vitor: Apenas uma letra deste novo álbum é da minha autoria. Não sei se algum dia vou escrever outras letras para os Neoplasmah, mas não é algo que por enquanto esteja nos meus objectivos. A total responsabilidade das letras está a cargo da Sofia; é ela quem toma conta dessa parte da composição

Tendo em conta que a motivação e as expectativas em relação à banda foram um dos motivos que vos levaram a um hiato de quase uma década, pode dizer-se que toda a banda está agora em sintonia em relação a isso? Qual a expectativa em relação ao projecto, num mercado minúsculo como o português e numa cena underground desse mercado?
Sofia: Sim, actualmente temos os pés bem assentes na terra e as nossas expectativas assentam na experiência que cada um acumulou ao longo dos anos. Cedo percebemos que, sem um plano bem definido, não íamos lá. Por isso, definimos esse plano ainda antes do lançamento do álbum. No fundo, funcionamos como uma empresa, em que cada um dos elementos da banda tem um papel definido com base na sua disponibilidade e também tirando partido daquilo que cada um sabe fazer melhor. Por outro lado, como já referimos, agora temos o apoio da nossa editora Helldprod. E posso-te dizer que, embora o mercado seja pequeno, esta estratégia conjunta já deu provas de funcionar. Temos mensagens de apoio, críticas e encomendas de CDs de toda a Europa, América do Norte e do Sul, apesar do álbum só ter saído há praticamente três meses.

Tendo em conta que são um projecto de gente com experiência na cena nacional e com outras bandas em mãos, podemos esperar uma agenda de concertos muito preenchida para os Neoplasmah na divulgação deste novo disco?
Sofia: Estamos a fazer por isso! Para já demos um grande concerto de lançamento do álbum no RCA em Lisboa a 22 de Novembro, juntamente com os Bleeding Display – que também lançaram o seu segundo álbum «Deviance» – os Goatfukk e os Trepid Elucidation. A reacção do público superou todas as nossas expectativas e encheu-nos de vontade de continuar a tocar! As pessoas não só não nos esqueceram como gostam deste novo trabalho. E nós pretendemos continuar a promovê-lo durante 2015 no máximo de locais onde consigamos chegar. Temos já um par de concertos agendados para este início de ano e estamos a trabalhar para agendar mais datas a revelar brevemente.

Sofia, a tua voz é incrivelmente agressiva, sem no entanto perder expressividade. Como e quando é que aprendeste que podias cantar assim? Os concertos desgastam-te muito, em termos vocais?
Sofia: Aprendi como todos os meus colegas homens… Nos ensaios! Comecei nas bandas há quase duas décadas a cantar com voz limpa, sempre em projectos de garagem, e depois a malta começou a desafiar-me para fazer este registo mais agressivo, na altura em que começaram a aparecer bandas com vocalistas femininas a fazê-lo também. Não tive nenhum treino especial ou aulas de canto. Quando entrei para os Neoplasmah já tinha tido os meus projectos e fui convidada porque já tocava com o Alex [Ribeiro, baixista]. Foi uma óptima coincidência o facto de eu já ser fã da banda. Em termos de concertos, é tudo uma questão de ensaiar e saber colocar a voz, que é algo que se treina nos ensaios. Da experiência que tenho, não vejo que me desgaste mais em termos vocais do que aos meus colegas do sexo masculino. Há dez anos lembro-me que andava muita gente do público à procura de um pedal de distorção de voz em palco…Mas não, nunca usei nada disso!

«Auguring The Dusk Of A New Era» foi editado em Novembro pela Hellprod.
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