NIGHTINGALE

Nightingale_Logo_02Quando um projecto de AOR/prog-rock/metal passa pela cabeça e mãos do mago sueco Dan Swanö, deixa obviamente de ser apenas mais um projecto de AOR/prog-rock/metal. Os Nightingale são uma espécie de parque de diversões brilhante e moderno cheio de carroceis clássicos e barraquinhas a venderem bugigangas old school. A compensar pelos sete anos de silêncio do projecto «Retribution», o oitavo álbum de originais dos Nightingale, é pura magia melódica e de composição. O que justificou, pois claro, uma conversa a fundo com o ilusionista que torna tudo isto possível. Dan Swanö em primeira pessoa.

Nightingale_Photo_01O comunicado de imprensa refere que a tua inspiração para escrever a música deste álbum surgiu quando compraste alguns instrumentos. Como funciona esse processo mental?
É uma boa pergunta. Todo o projecto Nightingale começou por ser inspirado pela afinação baixa e por uma afinação de guitarra especial que usei para os primeiro e segundo álbuns. E por vezes, para me certificar que o projecto não soa demasiado igual a coisas que já fiz, gosto da ideia de ter algumas regras, tipo posso usar isto ou aquilo. E [desta vez] queria apenas voltar a tocar instrumentos… Passei tantos anos a ser apenas um engenheiro de som e a fazer misturas e masterizações. Cada vez que pegava numa guitarra, sentia que ela não estava em boa forma, as cordas estavam velhas e tudo isso. Foi então que pensei “Talvez fosse melhor comprar uma carrada de material novo”. Comprei novos teclados, hardware, software, um baixo, uma guitarra e depois senti que tinha de tocar neles, porque tinha feito um investimento. E quando tocamos em instrumentos, normalmente sai material, riffs novos e coisas assim. Acabou por revelar-se a peça que faltava, porque quando não nos sentamos e tocamos, não há forma de escrevermos canções… Elas não aparecem, simplesmente. Foi isso que aconteceu, eu como que me “forcei” a ser de novo um músico, porque por vezes sinto-me um pouco culpado por comprar alguma coisa de três mil Euros e deixá-la estar num canto. Por isso, obriguei-me, disse “Agora tens de tocar naquela porra de teclado caro que compraste, porque o compraste”. E depois, quando comecei a tocar, “Ooops, eis uma óptima ideia para uma canção de Nightingale”. As ideias continuaram a aparecer e há cerca de três anos tinha material suficiente para dizer aos outros tipos “Ei, talvez tenhamos aqui um novo disco”.

Conheço o sentimento. É como quando compramos um caderno novo, ou uma caneta nova, e sentimento vontade de escrever ali imediatamente.
Exactamente. Se não comprares esse caderno, nunca vais sentir necessidade de ser criativo, nunca tens a motivação para voltar a escrever. Eu mantive-me afastado disso… Houve uma altura em que nem sequer tinha instrumentos no meu estúdio. Tinha-os mudado todos para a sala de ensaios ou estavam em caixas debaixo da cama. Não havia lá material… Apenas o computador de trabalho. E foi assim que me tornei um melhor engenheiro de som, mas passado algum tempo pensei “O que vou fazer agora? Preciso de fazer algo mais, senão isto torna-se chato”. Foi aí que voltei a comprar instrumentos e é assim que alguns artistas funcionam… Com um novo conjunto de pincéis, um novo suporte, a pintar nu ou pendurado de cabeça para baixo. [risos] Não sei mas, por vezes, quando escrevemos música há mais de 30 anos como eu faço, precisamos de mudar um pouco as regras, de modo a que voltemos a ter um sentimento de frescura. No final, talvez seja o mesmo velho material a sair. [risos] Mas é a forma como foi criado que é diferente.

És popular como produtor e como músico. Achas que um dos lados do teu trabalho influencia, ou pelo menos motiva, o outro ou tratam-se de dois lados completamente distintos?
Julgo que um dos meus maiores problemas é que, a dada altura, tenho alguma dificuldade em separar esses dois lados. Quando me sento a escrever música nova em estúdio, acabo por interessar-me mais pelo som da guitarra do que naquilo que toco na guitarra. E isso pode ser um problema, porque posso sentir que o som da guitarra não é tão bom quanto pensava que seria e depois perco a inspiração. Mas assim que tenho um som de guitarra mesmo bom a sair da consola ou um bom som acústico, volto a inspirar-me e posso escrever um monte de riffs. É importante para mim tentar certificar-me que separo o músico do engenheiro de som; essa é a chave. Por exemplo, comprei um teclado de uma marca sueca chamada Nord, que faz uns teclados vermelhos, grandes e extremamente bons, e comecei a tocar nele com uns headphones, sem passar pelo computador nem pela mesa de misturas. O mesmo se passa com a guitarra acústica ou com a guitarra eléctrica… Sento-me e simplesmente toco neles. Normalmente, depois de ter escrito uma série de riffs e de os ter gravado no telemóvel ou algo do género, chego ao segundo passo, que é quando incluo todas as ideias, gravadas no voicemail ou assim, no computador e começo a acrescentar bateria e a editar. É nesse ponto que percebo se uma ideia é mesmo um bom bloco de música ou apenas um riff… Porque por vezes pensamos que escrevemos o riff mais genial de sempre, mas depois quando começamos a trabalhar com ele apercebemo-nos que aquele riff é apenas um riff. É bom, OK, mas não funciona muito bem quando lhe juntamos outras coisas. Soa melhor na nossa cabeça. Temos uma espécie de sonho de como deve soar, mas depois ouvimo-lo e pensamos “Não. Não funciona. Acaba por ser uma bridge ou uma ideia para um solo”. Mas depois há riffs nos quais não pensamos muito e acabam por revelar-se super-potentes. Essa noção surge quando passo tudo para o computador e começo a mexer no material. Com os Nightingale existe ainda uma outra fase, que é quando levo as canções para a sala de ensaios e tento tocá-las e cantá-las para obter aquele sentimento ao vivo. Nessa fase, algumas das canções sofrem grandes alterações, algumas devido a acidentes, quando os outros tipos não percebem bem os arranjos e começam a tocar um solo na parte do verso. Por vezes essas coisas soam muito bem e eu nunca tinha pensado nelas se não fossem esses acidentes felizes na sala de ensaios. Esse elemento é também muito importante para que a música seja mais real e não apenas a minha maqueta a solo tocada por outros músicos. Não consigo ter um sentimento de banda no meu trabalho… Continuo a ter necessidade de controlar as minhas próprias canções, mas também gosto dos instrumentos dos outros músicos na banda. Sobretudo na fase em que não tenho a certeza se uma faixa está finalizada ou não.

É como se eles insuflassem vida própria em algo que tu criaste.
Sim, podem dar as opiniões deles, tipo “Não achas que é demasiado repetir o refrão oito vezes?” e eu digo “OK, é uma boa ideia. Vamos repeti-lo apenas quatro vezes”. Apesar de ser eu o decisor principal, é complicado tomar todas as decisões de dez canções ao mesmo tempo. Por isso é bom ter este tipo de ajuda. Ainda assim, não gosto de levar-lhes as canções antes de estarem prontas em maqueta, porque aí existiram opiniões como “Não gosto deste coro” ou “Não gosto deste verso”. A canção é o que é, pode ser gravada amanhã, mas podemos fazer algo ainda melhor a partir disto? É este o tipo de questão que se coloca na sala de ensaios.

É complicado juntares todas as partes de músicas e ideias num álbum coerente e coeso de Nightingale ou encaixa tudo como por magia? É trabalho duro ou magia?
É trabalho mesmo muito duro. Essa coisa da magia não acontece muitas vezes. [risos] Temos de ser um pouco sistemáticos, temos de perceber numa fase bastante embrionária que este riff tem 132 bpm e tem o tipo de ambiente que precisa de ter voz por cima. O que pode ser um verso, uma ponte ou outra coisa. É preciso começar a destinar coisas. Lembro-me que gravei todo o material que tinha no computador, os ritmos estavam sempre a mudar, as notas mudaram e mesmo a afinação da guitarra mudou. Existe um período caótico… Por exemplo, a faixa de abertura, «On Stolen Wings», chegou a ter um riff que acabou por ser usado no álbum «Inheritance» dos Witherscape; achei que já eram demasiadas ideias apenas para uma canção, por isso tirei essa de lá. Depois, quando gravei o disco de Witherscape apercebi-me que funcionaria ali. Escrevemos melodias para uma certa roupagem, mas por vezes apercebemo-nos de que não encaixam bem ali… Isso não significa que a ideia não presta, simplesmente não funciona naquele momento específico. Houve muita coisa dessa a acontecer. A «Warriors Of The Dawn», por exemplo, teve um coro muito alegre, tipo Supertramp, Toto ou algo desse género. E na altura pareceu-me uma boa ideia para equilibrar a faixa, mas depois quando ouvi a canção algumas semanas mais tarde pensei “Mas que raio, quem é que entrou na sala, deu uma tareia na banda de metal e cantou esta parte de disco-sound?! Isto é uma merda!”. E deitei aquele coro fora – que era um bom coro – e talvez o use para algum outro projecto. Por vezes juntamos ideias para podermos seguir em frente, mas de vez em quando saem coisas completamente estúpidas. E não temos um processo longo, de cerca de um ano, em que deixamos as canções serem simplesmente aquilo que são e, por isso, nunca as passamos por um processo de envelhecimento. E isso faz com que de vez em quando, acidentalmente, lancemos música horrível. Creio que no passado, mas também agora, há bandas que são forçadas a entrar em estúdio com quaisquer ideias que tenham na altura, lançam o álbum e vão em digressão. E depois percebem ao fim de alguns anos “Ei, o que aconteceu a esta música? É uma grande merda”. Mas na altura não se aperceberam porque estavam demasiado absorvidos a fazer o disco e a despacharem-se para irem para a estrada de novo. [risos]

Tens muitos momentos desses na tua discografia?
Existem algumas partes de algumas canções da minha carreira de que não gosto muito. Também existem momento, como por exemplo o primeiro disco de Unicorn, em que toda a banda estava a passar por uma fase muito anti-rock progressivo, em que pegámos nas maquetas de todas as canções e colocámos saxofone e guitarras funky por cima daquilo tudo. Não tivemos qualquer respeito pelos originais e fizemos uma espécie de versão do álbum como se fossemos uma banda de soul/funk durante 25 segundos de cada tema. E não posso ouvir aquilo. Quase vomito só de pensar como fomos capazes de violar aquelas músicas espantosas, mas às vezes estas coisas acontecem. Éramos novos, ainda mal tínhamos chegado aos 20 anos e essa é uma fase em que temos grandes mudanças na nossa vida, tipo um dia adoramos um determinado tipo de música e no dia seguinte odiamo-lo. Agora as minhas mudanças são muito suaves, não acordo um dia e deixei de gostar de prog rock. [risos] Tenho alguns casos desses e também tenho vergonha de muitas misturas e masterizações que fiz quando não estava especialmente inspirado ou estava mais stressado. Principalmente no trabalho de misturas. A masterização surgiu um pouco depois, mas reconheço que o meu erro foi, por vezes, escutar demasiado as bandas. Elas dizem “Queremos soar altos e poderosos” e acabava por tornar a gravação deles nada dinâmica e musical, embora estivesse alta. São coisas que, quando me recordo agora do passado e de quando tinha 20 e tal anos, me arrependo, mas não é nada de especial. Existem alguns momentos mais embaraçantes, mas não é nada do género do «Cold Lake» dos Celtic Frost. [risos]

Quando compões tens “bolsas” dos projectos onde vais enfiando as ideias ou escreves de forma completamente livre e só depois percebes onde uma determinada parte pode encaixar?
Como referi, tive uma espécie de coma de composição e passaram vários anos até eu completar uma canção de novo. Mas estive constantemente a escrever riffs e ainda tenho no meu computador várias pastas: “Witherscape”, “Nightingale”, “Second Sky”, “Álbum de death metal”… E, sempre que pego numa guitarra, componho alguma coisa e sinto que, por exemplo, aquilo é uma coisa mais para Witherscape ou Nightingale. E começo a trabalhar na ideia e aí percebo claramente que é mais Nightingale do que Witherscape. E começo a juntar-lhe material. É por isso que tenho todos estes projectos diferentes; é que não me agrada nada a ideia de pegar numa boa ideia e tentar encaixá-la à força, obrigá-la a funcionar. O que quero é que um disco inteiro tenha aquele ambiente. Queria muito que este álbum de Nightingale soasse como um álbum de Nightingale. A única inspiração foi mesmo apenas Nightingale. Ouvi os nossos trabalhos anteriores e pensei “Esta música pode ter uma faixa-irmã, esta outra também pode ter uma faixa-irmã… E se este disco tivesse mais um tema, como soaria?”. Como se fosse um fã do nosso fundo de catálogo, entrei totalmente em “modo Nightingale”. Não queria introduzir demasiados elementos novos; já tínhamos sete discos para nos inspirarmos e essa é uma das coisas que me agrada em montar novos projectos. Tipo “OK, os Nightingale nasceram a partir do estilo destas bandas, retiro um bocadinho daqui, um bocadinho dali e é essa a fórmula. Agora vou trabalhar nela”. Não vamos tentar reinventar-nos ou mudar o estilo musical, senão quando repararmos soamos como uma banda de rock dos Ídolos. Podemos flirtar um pouco com o material numa canção ou noutra, mas a espinha dorsal tem de soar a Nightingale. Não quero que as pessoas fiquem confusas e pensem que compraram o disco errado.

NightingaleRetribution_Cover_01Pode então dizer-se que foram os próprios Nightingale a influenciar este disco. Não houve influências do prog rock dos anos 70, dos Journey nem nada disso?
Já fizemos isso. Houve um tempo em que eu dizia “Ouvi Foreigner hoje; vamos escrever uma música à Foreigner” ou “Ouvi Gamma; vamos fazer uma música à Gamma” ou “Ouvi Spock’s Beard, vamos tentar ser os Spock’s Beard”. Isso foi há dez anos atrás. E já nessa altura as músicas acabavam por se transformar noutra coisa – não eram músicas que podiam ter sido escritas pelos Spock’s Beard, pelos Giant ou pelos Gamma – soavam a Nightingale. E desta vez não queria trazer muitas influências novas, queria apenas deixar-me inspirar pelo nosso material antigo. Só que esse material já tinha sido fortemente influenciado por outras bandas… Não digo que inventámos um estilo musical só nosso. Mas não via vantagem em diluir a sonoridade de Nightingale com mais influências exteriores. Já temos um belo espectro de referências, podemos ir de um som mais pesado e doomy como na [faixa] «Nightfall Overture» a um mais poppy e bonitinho como na «Glory Days». Temos uma grande variedade de material, por isso basta-nos ser inspirados por aquilo que fizemos no passado.

Uma vez que a Century Media já tinha lançado o disco de Witherscape, não tiveste receio que, fazendo agora um disco de outro projecto, eles já não o quisessem?
A ideia era, desde o início, ter um acordo discográfico com a Century Media e, através dela, disponibilizar os meus diferentes projectos. Vai haver uma espécie de disco a solo que vou lançar não no próximo ano, mas no ano seguinte, vai haver outro disco de Witherscape e há este disco de Nightingale. Não assinei um contrato discográfico com Witherscape, assinei um contrato eu próprio, enquanto artista. É o mesmo tipo de coisa que o Arjen Lucassen tem com eles. Eles perguntam-lhe “O que vais fazer a seguir? Um disco de Arjen Lucassen, um de Star One ou um novo projecto a solo?”, mas sabem que serão eles a lançá-lo. Era esse o tipo de acordo que eu queria para mim. Para que possa manter todas as opções em aberto. A opção desta vez recaiu em Nightingale, mas a próxima vai recair em Witherscape, que terá um novo álbum a sair dentro de cerca de um ano. Esperemos. [risos]

E esse disco a solo, como vai ser?
Queria começar a trabalhar no material a solo assim que terminasse o disco de Nightingale e o entregasse, só que não parava de escrever músicas de Witherscape. Foi muito estranho… Fiz o EP de Witherscape que acabou de ser lançado e não consegui sair desse modo de escrita. Tentei escrever músicas de death metal brutal e rápido – o tipo de death metal que eu gosto de compor – mas senti que não estava a fazê-lo com alma suficiente. Escrevi uns bons riffs, mas quando comecei a juntá-los em canções, senti que aquilo precisava de mais tempo e que eu precisava de estar com outro estado de alma. Tinha de deixar o material de Witherscape sair primeiro. Por isso disse à editora “Ei, desculpem lá, mudança de planos… O disco a solo vai ser mais tarde e o próximo projecto vai ser um álbum de Witherscape, porque simplesmente não consigo parar de compô-lo”. [risos] Neste momento a minha expectativa é que faça um álbum com o mesmo tipo de variedade maluca que o [álbum dos Edge Of Sanity] «The Spectral Sorrows», em que nos comportámos como autênticos lunáticos… Olhando agora para esse disco, tínhamos uma canção gótica, um tema hardcore, uma versão de Manowar, tínhamos faixas de todos os tipos de death metal, desde lento e doomy até rápido quase ao ponto do black metal. Quero fazer de novo esse tipo de disco, totalmente esquizofrénico, em que nem todas as dez canções tenham a mesma atmosfera. Estou a pensar também aí em algo do género “Se tivesse feito mais uma canção para o «Purgatory Afterglow», como seria?”. Quero voltar à mentalidade que tinha quando escrevi o material do «Purgatory Afterglow» e por aí fora. Esse é o plano, mas ainda não há nada gravado, não há demos, não há nada. Apenas um monte de riffs que eram demasiado brutais para pertencerem a Witherscape ou Nightingale. [risos]

Tendo em conta que o teu nome já é quase uma marca registada dentro do metal, sentes algum tipo de pressão adicional quando escreves música para um projecto que terá simplesmente o nome “Dan Swanö”?
Já usei o meu nome do disco «Moontower», que foi um trabalho muito específico que nunca vou repetir, porque aquele estilo, para mim, começou e acabou nesse álbum. Fazer outro disco que soasse da mesma forma não iria funcionar, porque seria um “sabor” demasiado intenso; teria de ter o mesmo tipo de canções e o mesmo tipo de estruturas básicas. Não posso sair daquela sonoridade sem fazer com que não parecesse o «Moontower». Por isso o que vou fazer é usar possivelmente o meu nome neste disco a solo, em vez de chamar-lhe outra coisa qualquer. Mas o que quero mesmo fazer é criar todo este sub-nível de bandas, tipo agora trabalho nesta banda, depois trabalho noutra, mas sou sempre eu, sou eu que faço tudo. Mas não preciso de pensar “Como soaria um álbum «Moontower 2»?”. Talvez numa única canção tente fazer esse exercício mental, mas vou também tentar revisitar todo os outros projectos antigos, como Pan.Thy.Monium ou Infesdead para escrever temas nesses estilos e também para me inspirar apenas pelo meu próprio passado, mas aplicando todo o conhecimento que tenho agora, com mais dez ou 15 anos do que quando esse material foi originalmente escrito. Em alguns casos mesmo 20 ou 25 anos depois. [risos] Acho que isso vai tornar o disco muito interessante e espero que os fãs percebam que não vão ter um «Moontower 2». Os Nightingale e Witherscape são o mais próximo de um novo disco «Moontower» que alguma vez vou fazer. Os discos desses projectos são também uma coisa coesa, como se fosse uma faixa gigante. O meu disco a solo vai ser bastante esquizofrénico e é isso que sou enquanto músico: tenho todo o tipo de gostos, escrevo uma canção de amor, a seguir uma canção de death metal brutal, tudo em 20 minutos. Vai ser tão alto quanto puder ser: vai. haver uma carrada de grunhidos, uma carrada de material brutal… O mais suave que vai ser possível ouvir naquele disco talvez seja alguma coisa que pudesse funcionar nos [discos] «Crimson II» ou «Moontower». Quero apenas divertir-me um pouco e sim, creio que sairá com o meu nome porque seria estúpido inventar mais um projecto. [risos]

Como encaras esta segunda vaga de death metal sueco old school? De uma forma totalmente séria ou com uma abordagem ligeiramente irónica?
Para mim, toda aquela cena death metal de que eu acabei por fazer parte, foi já uma espécie de segunda vaga, dependendo de quando começamos a contar. Ainda ouvia Richard Marx quando os Nihilist lançaram a primeira maqueta. [risos] Foi já um pouco tarde quando me juntei à cena no início dos anos 90. Mas foi o maior movimento de que alguma vez fiz parte, em toda a minha vida. Nunca mais vai haver nada assim, em termos musicais. Fazer parte de tudo aquilo não tem nenhuma ironia envolvida, não me arrependo por um segundo e, em boa verdade, tornou-me aquilo que sou. Deu-me tudo. Se eu não tivesse sido contagiado por essa febre thrash/speed/death no final dos anos 80, não tinha acontecido nada na minha vida. Não teria uma família, não teria um filho, não teria um estúdio… Não seria ninguém. Foi um evento muito feliz na minha vida e estou eternamente grato por isso. Continuo a adorar a sonoridade e a ouvir bandas como Entrails e Revel In Flesh, que sabem mesmo escrever boas canções e que têm essa capa de swedeath por cima. Gosto da brutalidade crua e maldosa da distorção da guitarra, da abordagem não muito técnica… É a minha cena. Também vou prestar tributo a esse som no meu disco a solo, numa espécie de regresso ao ambiente dos Bloodbath. Vou pensar da mesma maneira que pensei quando escrevi os meus temas do [disco dos Bloodbath] «Resurrection Through Carnage» e compor mais uma «Like Fire», «So You Die» ou «Eaten» e ver o que acontece. [risos]

Quando surge uma nova banda a fazer esse tipo de sonoridade, ouves com atenção ou tens algum tipo de preconceito, porque já ouviste tantas jovens bandas a fazerem o mesmo tipo de cena tantas vezes antes?
Não tenho qualquer tipo de preconceitos, absolutamente. Porque são jovens, é uma sonoridade nova para eles. Acho que há uma série de velhos que também nos dizem “Ah, estão a tocar aquele estilo prog rock antigo dos Genesis”. Mas quando temos 15 ou 16 anos é uma coisa nova para nós, descobrimos os discos antigos na colecção do nosso pai há uns anos e todo o nosso universo explodiu. E se um miúdo de 15 anos descobrir por acaso o disco «Unorthodox» dos Edge Of Sanity e isso inspirá-lo para começar uma banda de death metal old school, terá todo o meu apoio. Acho que é super cool. Não tenho qualquer tipo de preconceito contra isso. Misturo muitas dessas bandas, adoro a intensidade delas, mas o que por vezes sinto é que, membros dos grupos de antigamente que recomeçam a tocar aos 40 e tal anos, parecem ser motivados por uma cena qualquer monetária. E isso sim, acho um pouco estranho. Mas quando são os mais jovens a fazê-lo, adoro.

«Retribution» foi editado no dia 20 de Novembro pela InsideOut Music.
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