SLEEPING PULSE

SleepingPulse_Logo«Under The Same Sky» marca a estreia dos Sleeping Plse, projecto que une o inglês Mick Moss, dos Antimater, ao guitarrista dos portugueses Painted Black, Luís Fazendeiro. É uma colecção de canções que une de forma sublime a fragilidade e intimismo da música acústica com melodias fortes, algum experimentalismo e um invulgar sentido de bom gosto e sofisticação. Com edição da respeitável Prophecy Productions, «Under The Same Sky» é o disco certo para fãs de Antimatter que sempre desejaram que os ingleses fossem mais longe em termos de peso e variedade. Fazendeiro ajudou-nos a perceber a génese e os objectivos do projecto.

SleepingPulse_PromoComo surgiu esta colaboração?
Foi por volta de 2008, numa altura em que os Antimatter vieram tocar a Portugal. Na altura já conhecia o Duncan [Patterson], que ainda fazia parte da banda, encontrei-me com eles e o Duncan apresentou-me o Mick. Por sorte do destino eles acabaram por passar a noite em minha casa e, obviamente, não podia deixar passar a oportunidade de lhes mostrar alguma coisa. Na altura já tinha algumas ideias de fazer algo diferente e à parte dos Painted Black e acabei por mostrar-lhes um tema, que estava ainda um pouco embrionário, mas do qual o Mick gostou muito e disse logo nessa noite que podia “meter” voz em cima. A partir desse dia, foi ir fazendo temas ao longo do tempo e esperar pelo momento certo para gravarmos e termos tudo pronto para lançarmos o disco.

À medida que ias compondo esses temas, tiveste alguma preocupação consciente de separar musical e estilisticamente os Sleeping Pulse dos Antimatter?
Na altura a minha maior preocupação era mais fazer algo de diferente dos Painted Black. E obviamente que isso significaria enveredar por um caminho de coisas mais melódicas, calmas e atmosféricas, um pouco longe da linguagem do metal. Sei que os primeiros temas que fiz foram o «Parasite», que abre o álbum, e o «The Blind Lead The Blind». Esses temas foram feitos quando o Mick ainda não estava presente [no projecto]. Mas depois existiram algumas mudanças de direcção, porque ele me deixou à vontade para explorar um lado mais rockeiro e ligeiramente mais pesado, porque a minha ideia no início era fazer um álbum completamente mellow, mas as coisas foram levando um rumo diferente, o que acabou por trazer um equilíbrio. Mas em relação a Antimatter, nunca tive essa preocupação na minha cabeça. A minha ideia era mais dividir musicalmente e separar as águas entre Painted Black e Sleeping Pulse.

As influências que exploras em cada um dos projectos são necessariamente diferentes, então?
Não encaro bem assim as coisas, porque as duas bandas acabam por ser representações daquilo que eu sou, musicalmente. Obviamente que são produtos diferentes, mas acho que quem estiver um pouco mais atento consegue ver algo dos Painted Black também em algumas coisas de Sleeping Pulse, embora seja óbvio que depois, com a voz do Mick, e estando num contexto musical mais melódico e atmosférico, as coisas acabem por ir um pouco mais para a onda dos Antimatter. Mas são extensões de mim à mesma, só que num lado o material é mais vincado no peso e no outro é mais vincado na parte mais emocional e intimista, que por acaso os Painted Black já tiveram na sua origem, na altura das maquetas, mas ao longo do tempo isso foi desaparecendo. Diria que as influências acabam por ser as mesmas, só que a maneira como exploro a música é um bocado diferente.

Luis_1_As influências musicais que tens são as mesmas desde a tua adolescência ou ao longo dos anos foste conhecendo coisas novas e foste-as incorporando na tua “paleta” de referências?
Como todos os adolescentes, tive várias fases musicais. Houve uma altura nos anos 90 em que ouvia muito thrash metal, coisas como Metallica, Megadeth, Sepultura, Pantera e Slayer. Depois virei-me para coisas mais próximas do gótico e doom e, mais tarde, fui ficando um pouco mais adulto e comecei a ouvir coisas mais na onda do prog rock e prog metal, de bandas como Opeth, Katatonia ou Porcupine Tree. Obviamente, sem nunca perder o meu gosto pessoal de ouvir e de gostar muito de música acústica; isso ouvi sempre em toda a minha vida. Até posso dizer uma referência que tenho, que é o David Fonseca, que é um dos cantores mais melancólicos e do qual também gosto muito. É claro que os Antimatter também sempre foram uma influência para mim, a nível da sonoridade mais melancólica e acústica. Mas existiram várias fases e ao longo do tempo existiram coisas que me foram influenciando cada vez mais. Sinto que neste momento acabo por misturar tudo aquilo que fui absorvendo ao longo dos anos, um bocado à minha maneira também.

Foste sempre mostrando o material dos Sleeping Pulse ao Mick à medida que o ias compondo, e ele foi dando algum input ou ele entrou basicamente quando a parte instrumental já estava totalmente finalizada?
Na parte instrumental, obviamente que lhe ia mostrando coisas à medida que ia acabando, mas a forma de trabalhar foi um pouco similar à de Painted Black, que é basicamente eu escrever o esqueleto todo de uma música até ao fim, com a estrutura-base, numa demo completamente preenchida e completa, com bateria programada, baixo, guitarra, teclas e mais alguma coisa que sinta que a música precisa. Fui enviando temas ao Mick ao longo destes anos todos… Fiz 14 canções ao todo – só dez é que foram aproveitadas – mas lembro-me que houve uma altura em que o Mick teve um pouco mais de tempo livre na agenda e o processo teve um bocado mais de input do lado dele. Julgo que em metade dos temas que estão no álbum houve algum tipo de reestruturação, não a nível musical, mas por exemplo ele dizer-me que sentia que uma faixa estava demasiado longa ou que o refrão repetia muitas vezes para ele. Ele ia-me dando essas opiniões e, obviamente, eu depois do meu lado tentava reestruturar a música para que também fizesse sentido para mim. Nessa vertente foi um pouco um desafio para mim, porque não estava habituado a trabalhar assim, mas diria que foi metade-metade: o Mick apenas criou as melodias vocais e a letra e houve outros que fomos explorando e dos quais fizemos várias versões diferentes, para ver qual nos satisfazia mais. Mas o input musical foi basicamente nesse sentido e houve apenas uma excepção, que foi no tema «War», que por acaso foi o escolhido para fazermos o vídeo, em que o Mick chegou mesmo a contribuir com algumas partes de teclados.

E do lado dele, ele chegou a discutir contigo a abordagem às letras do álbum?
Desde o início que sabia que o Mick ia escrever um álbum conceptual a nível de letras, muito à base de uma experiência pessoal que o marcou bastante. E eu sabia à partida que todas as músicas iriam ter esse fio condutor. Mas da mesma maneira que ele raramente se intrometia na parte musical – pelo menos no contexto criativo, de criação da génese da música – eu também o deixei fazer as letras à medida dele e da forma como saíam. Ainda mais num tema tão pessoal para ele, obviamente que todo o meu input seria um bocado irrelevante. Mas por aí também compreendemos que, embora o Mick também seja compositor, para isto resultar, ele teria de focar-se mais nas melodias vocais e nessa parte, tirando a parte das letras, ele ia-me enviando testes por e-mail, íamos avaliando, vendo o que gostávamos mais e gostávamos menos. No final, tudo aquilo que está no álbum foi concebido pelos dois, mas a ideia também era cada um focar-se no seu trabalho e, no fim, estarmos os dois satisfeitos com todas as músicas. Essas eram as duas únicas condições que tínhamos em cima da mesa.

Podes revelar que experiência foi essa que inspirou o conceito das letras do disco?
Preferia não falar muito nisso. Se tiveres oportunidade podes perguntar directamente ao Mick, porque acho melhor ser ele a contar essa experiência.

Mick_1Onde foi gravado o disco?
A base das gravações portuguesas foi toda feita em Braga, nos Ultrasound Studios, com o produtor Pedro Mendes. Em Braga captámos a bateria, as guitarras, o baixo e quarteto de cordas. Eu acabei por produzir e gravar todas as partes de teclas em minha casa e as vozes, tanto femininas como masculinas, foram todas gravadas em Inglaterra, em casa do Mick.

Quem gravou a bateria e o baixo?
O Marcelo Aires, que tocou nos Heavenwood e aos Oblique Rain e pertence aos Colosso e aos Sullen, gravou a bateria e algumas percussões. Tive também um quarteto de cordas, composto por pessoas de que não me lembro o nome – peço desculpa. [risos] Tive também um amigo meu, chamado David Miguel, que me deu uma ajuda para transpor os meus arranjos para pautas, para serem entregues a alguém que as pudesse executar. O Pedro Mendes também tocou guitarra solo em dois temas. Depois, sei que a esposa do Mick gravou vozes femininas no álbum e a filha dele também gravou umas partes faladas. Em relação a todos os outros instrumentos – guitarra, baixo e teclas – fui tudo eu que gravei.

Depois a mistura e masterização foram feitas pelo Daniel Cardoso.
Certo. Depois tivemos a ajuda do Daniel Cardoso para misturar e masterizar o álbum, sempre com um bocado de supervisão minha e do Mick.

Tinhas uma ideia clara de como um disco deste género deveria soar, até pelas tuas influências, ou foste-te apercebendo da sonoridade que o álbum iria ter à medida que as gravações foram decorrendo?
Tinha uma ideia muito clara, que até cheguei a discutir com o Mick. Por acaso, acho que concordámos sempre em tudo, em cerca de 90 por cento das vezes… Sabia que queria um som o mais orgânico possível, mas sem perder aquela sonoridade mais moderna. Na altura, quando falei com o Daniel – também já somos amigos há alguns anos – sabia que ele era a pessoa indicada para criar algo moderno e acho que ele conseguiu criar um tipo de produção que creio que não ouvi ainda em nenhum outro álbum gravado ou misturado por ele. Penso que é o disco mais orgânico produzido pelo Daniel Cardoso e a nossa ideia era precisamente ter algo orgânico, com muita dinâmica, com muitos altos e baixos nas músicas. Essa era a coisa mais importante que queríamos fazer; que realmente se notassem muito bem as dinâmicas e não ser algo completamente linear como a maioria das produções hoje em dia são. Acho que nesse sentido a aposta foi ganha e que o Daniel fez um grande trabalho juntando algo mais orgânico a um toque mais moderno que o som também pedia.

Este é um projecto apenas de estúdio ou estão a pensar dar concertos?
Já falámos na possibilidade de dar um concerto, mas isso implicaria eu arranjar uma banda de suporte em Portugal para poder ensaiar. Mas neste momento não há planos nenhuns. Poderá haver algum tipo de participação especial, num concerto pontual, em que eu possa aparecer num concerto dos Antimatter ou ele num concerto dos Painted Black, mas por enquanto não há planos. Obviamente que, se surgir alguma oportunidade que nós achemos que vale mesmo muito a pena, é algo a que certamente estaremos abertos.

SleepingPulse_UnderTheSameSky1Tens ideia que, quem ler isto, vai a partir de agora andar à procura do Mick nos concertos dos Painted Black.
[risos] Posso dizer que, ainda não está nada confirmado, mas há sempre hipótese de um dia destes os Painted Black tocarem com os Antimatter em Portugal. Mais não digo. [risos]

Imagino que, pelo menos para o Mick, vir a Portugal, seja tudo menos trabalho.
Sim. Eventualmente ele até poderá vir mais vezes a Portugal para vir ter comigo, caso vejamos que assim seja necessário. Se formos ver bem, as viagens daqui para lá também não são assim tão caras se compradas com antecedência. Tanto ele como eu gostamos imenso de trabalhar juntos, obviamente que queremos fazer mais, mas Sleeping Pulse é um projecto paralelo para nós, não é a principal banda para cada um de nós. Ainda não sabemos muito bem quando voltará a aparecer outro álbum, mas obviamente queremos fazê-lo.

O lançamento do disco foi encarado por ti como uma espécie de fim de capítulo no projecto ou, como estás tão habituado a ir compondo música pata Sleeping Pulse, continuaste sempre a escrever temas para a banda apesar da edição do álbum?
Posso confessar-te que compor para Sleeping Pulse libertou-me a cabeça para compor o próximo álbum dos Painted Black. Comecei a escrever para Sleeping Pulse na altura em que estávamos a gravar o álbum de estreia dos Painted Black, em 2008, e desde essa altura até 2014 compus os dois álbuns mais ou menos em simultâneo. Para mim, ao fim de seis anos – se contarmos mesmo da altura do génese da ideia até hoje – obviamente que sinto que é um capítulo fechado e é tempo agora para respirar fundo e voltar a compor. Mas posso dizer que ando em ciclo de gravações há quase dois anos e, desde que entrei em estúdio para captar Sleeping Pulse, não escrevi mais nada. Neste momento estou em fase de gravações do segundo álbum dos Painted Black, por isso muito honestamente estou quase a desejar que volte a ter aquele tempo em que consiga estar com a mente suficientemente vazia e limpa para voltar a compor, porque já sinto um bocado falta disso.

Estás então plenamente envolvido no trabalho de produção do novo disco dos Painted Black, neste momento.
Sim, já gravámos a bateria, 90 por cento das guitarras e o baixo. A gravação ainda vai durar até ao final do ano, mas o álbum está praticamente composto. É só uma questão de gravá-lo, misturar e depois tentar arranjar alguma editora para lançá-lo no próximo ano. Pelo menos é esse o nosso plano.

Sentes que o material que escreveste para Sleeping Pulse esvaziou de alguma forma o lado mais melódico e intimista da música dos Painted Black?
Como disse há pouco, na génese dos Painted Black existiam esses elementos intimistas mas, de uma forma muito natural e muito orgânica, o som começou a ser cada vez mais pesado, embora estivesse sempre presente um lado melódico e atmosférico. Mas dentro de mim sentia que o caminho dos Painted Black não era em direcção aos sons mais intimistas. Para mim, ter dois projectos dá-me uma liberdade muito maior e, sem ter de comprometer nem um projecto nem o outro, posso explorar coisas em Sleeping Pulse que sei que não vou explorar nos Painted Black e isso, de certa forma, complementa-me. Mas sinto que, pelo menos do meu lado, de vez em quando poderão haver músicas, em termos de composição, com um ou outro ponto de contacto entre o que se pode ouvir em Sleeping Pulse e Painted Black. Porque, como deves ter percebido, em Sleeping Pulse há um lado também bastante rockeiro em alguns temas, com ligeiros pormenores a roçarem o metal. E penso que os Painted Black no próximo álbum também poderão ter algum tema mais rock e não tão metaleiro. Nessa faixa poderá haver algum ponto de contacto a nível de influências e que me fez pensar duas vezes “Será que isto é Painted Black ou Sleeping Pulse?”. Mas agora vai ser interessante, com o desenrolar do tempo e à medida que for voltando a mexer em composição, tentar perceber esses dois mundos, obviamente sem nunca fechar o círculo. Porque na realidade sinto que com Painted Black, neste segundo álbum, vamos definir um bocadinho mais a nossa identidade e, talvez num próximo disco de Sleeping Pulse, as realidades fiquem um pouco mais distantes uma da outra. Mas pronto, isto também são só pensamentos e uma pessoa nunca sabe bem o que vai acontecer. [risos]

Revolta-te que os Painted Black sofram de alguma falta de atenção em Portugal e que possam agora ter um pouco mais de exposição apenas porque “É o tipo dos Sleeping Pulse”?
[Risos] A mim nunca nada me revoltou no mundo da música, porque acabamos sempre por fazer o máximo e o melhor que conseguimos para promover e fazer o melhor trabalho possível à volta de uma banda. Obviamente que, se as pessoas pensarem que pelo menos eu tenho dois projectos neste momento, também tenho um trabalho normal que me ocupa o dia inteiro… E o que faço no meu tempo livre é tentar ocupá-lo com os meus dois projectos. Até costumo dizer que, com o tempo livre que tenho, já faço bastante. Com isto quero dizer que estamos conscientes que fazemos o que é humanamente possível para promover a banda. Obviamente que estou consciente que este novo projecto poderá ter um pouco mais de projecção a nível do mercado musical e toda a atenção que isso possa derivar para cima dos Painted Black, para mim e para o resto da banda é completamente bem vindo. Não me chateia, porque também sei que são nichos diferentes e, se olharmos pelo lado mais negocial, também são mercados diferentes. O meu trabalho é mais criar música que sinta que vem mesmo de dentro de mim e que seja o mais honesta possível. Quanto ao resto… É tentar arranjar alguém que possa assumir esse tipo de papel e preocupar-se com promoção, com divulgação e vendas. Mas eu tento focar mais o meu tempo na parte musical e não tanto no outro lado.

Mas reconheces que a Prophecy seria uma boa editora para os Painted Black, ou não?
Posso confessar-te que enviámos o primeiro álbum para a Prophecy e eles foram suficientemente simpáticos para enviar um e-mail a dizer “Não, obrigado”. [risos] Na altura disseram que era um estilo de música que não se encaixava no catálogo deles, que éramos um bocado pesados demais, possivelmente por causa do uso de vozes guturais na altura, não sei. Na altura em que tivermos o [novo] álbum na mão, poderei fazer chegar um CD à Prophecy, mas sabemos que neste momento o mercado não está famoso para as bandas, que cada vez são assinados menos projectos e cada vez se vendem menos CDs. Por isso acho que vamos sempre ter os pés assentes na terra e saber avaliar aquilo que aparecer. Teremos sempre de aproveitar o melhor de todas as situações, seja a Prophecy seja uma editora mais pequena como a Ethereal [Sound Works] em Portugal, que lançou o [primeiro álbum dos Painted Black] «Cold Comfort». Se conseguirmos arranjar alguma editora que tenha um pouco mais de arcaboiço, um bocado mais de poder de distribuição e chegar a mais sítios, obviamente que essa é a nossa ambição para o segundo álbum dos Painted Black. Mas essa é daquelas coisas que nos fogem ao controlo, em que apenas podemos dar o nosso melhor e fazer a melhor música que podemos fazer. O resto já não nos cabe a nós.

«Under The Same Sky» foi editado no dia 31 de Outubro pela Prophecy Productions.
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