Arquivo de etiquetas: Death Metal

ANALEPSY EM DIGRESSÃO EUROPEIA NO VERÃO

Analepsy tourOs lisboetas Analepsy vão passar boa parte do Verão numa digressão pela Europa. A The Curse Of Earth Tour juntará a banda de death metal brutal nacional aos norte-amerianos AngelMaker, aos espanhóis Cannibal Granpa e aos ingleses Osiah e terá duas dezenas de datas, com a banda portuguesa a participar entre 5 e 25 de Agosto. Nenhum dos concertos é, no entanto, em Portugal. O périplo visitará países como a Inglaterra, Alemanha, Itália, Suíça, Bélgica, Eslováquia e Áustria.

Os Analepsy foram formados em 2014 por elementos e ex-elementos de outras bandas nacionais como Brutal Brain Damage, Festering e Formaldehyde. Lançaram, até ao momento, um álbum de originais («Atrocities From Beyond», de 2017), um EP («Dehumanization By Supremacy», de 2015) e um split com os noruegueses Kraanium.

SKINLESS

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}SKINLESS
«Only The Ruthless Remain»
Relapse Records
8/10
Depois de atirarem a toalha ao chão em 2011, não foi preciso mais do que um par de anos para que os norte-americanos Skinless regressassem à actividade e, depois, mais outro par até os termos de volta aos discos. «Only The Ruthless Remain» recupera a formação “clássica” da banda, completa com um segundo guitarrista (Dave Matthews, dos Incontinence) e traz de volta o death metal igualmente “clássico” que é a imagem de marca do projecto. Que é como quem diz, aquela mistura sábia e visceral do lado mais técnico do estilo e de uma consciência de groove ao nível dos Suffocation ou Cannibal Corpse. A banda concentra os seus esforços em 35 minutos, divididos por sete faixas, e remove qualquer tipo de “gordura” desnecessária da música, terminando o processo com um death metal algo batido, mas infalivelmente pesado, tecnicamente evoluído e com um bom balanço. Nestas contas não entram as parcelas da criatividade, que neste tipo de death metal valem o que valem, mas em termos de competência, capacidade de acelerarem, fazerem breaks, dispararem riffs contundentes e enfiarem pormenores de guitarra deliciosos em poucos décimos de segundo, os Skinless estão tão em forma como se não estivessem em “silêncio” há oito anos. E mantêm-se bem relevantes. Quantas bandas de death metal brutal podem orgulhar-se disso?

MOON_Collection2015_468x60

MARUTA

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}MARUTA
«Remain Dystopian»
Relapse Records
7/10
O grindcore é uma espécie de novo doom metal e parece ser, actualmente, um crime de lesa-pátria não se gostar ou ser-se indiferente a tudo o que tenha um bom blastbeat, vocalizações graves e som abrasivo. Os Maruta apanharam uma boa boleia desta onda nos dois primeiros álbuns de originais (editados pela Wilowtip) e chegam agora em brasa à Relapse para um mais que provável recolher de louros. E «Remain Dystopian», o seu novo trabalho discográfico, presta-se a isso com uma generosa dose de 17 faixas em que o grindcore se submete a uma camada de noise (providenciada por Jay Randall dos Agoraphobic Nosebleed) e ocasionais incursões pelos ritmos mais lentos do doom. Tomas Lindberg (At The Gates) e J.R. Hayes (Pig Destroyer) ainda dão uma “perninha” nas vocalizações a ver se a coisa fica mais convincente e distinta, mas os Maruta não conseguem ainda ultrapassar a barreira do “mero” grindcore competente e bem feito para aquele ataque imparável e desumano que bandas como Noisear (paradoxalmente, a outra banda do vocalista dos Maruta) ou Murder Construct conseguem montar. Ficam 27 minutos de uma mistura de death metal e grind técnico, pesado e com aspirações noise e doom que, no papel, resulta às mil maravilhas mas que ainda soa um pouco genérico em disco. Nada que um pouco mais de experiência e um pouco menos de concorrência não resolvam. Dizemos nós.

PARADISE LOST

ParadiseLost_ThePlagueWithinPARADISE LOST
«The Plague Within»
Century Media
9/10
Todos os fãs de metal gostam de criticar bandas que mudam, que evoluem. É possivelmente uma das características mais irritantes dos metaleiros. Os Paradise Lost descobriram-no quando, numa primeira fase, cambiaram o seu doom/death metal para um metal de contornos mais góticos e, mais tarde, para um estilo de contornos electrónicos e sinfónicos. No entanto, e devido a uma impressionante qualidade musical presente em todos os discos que editaram, nunca puseram em risco o respeito da cena global, perdendo alguns fãs mais radicais pelo caminho mas ganhando muitos mais com o seu crescimento e evolução musical. E agora, numa altura em que regressam, em parte, ao doom/death metal do primeiro terço da sua carreira, os Paradise Lost continuam a cheirar a evolução e a caminho para a frente. Certamente porque «The Plague Within», não é um disco igual a «Lost Paradise» e é claramente feito aqui-e-agora, por uma banda que percebe um bocado de dinâmicas, arranjos e de equilibrar melodias, atmosfera e peso de uma densidade quase impenetrável. Depois, porque existem pedaços das “fases” gótica e sinfónica, a espreitarem em temas como «Victims Of The Past», para tornarem a música mais rica e completarem esta espécie de círculo que parece um decidido passo em frente por parte dos Paradise Lost. E, no meio disto tudo, os ingleses voltaram a lançar um álbum de peso, melodia e atmosfera sem paralelo, não repetindo a receita mas também não traindo as suas raízes e o seu próprio caminho musical. Seria um feito assinalável para qualquer outra banda, mas é apenas o business as usual dos Paradise Lost, pelos vistos.

Helloween_728x90_EU_UK

NOVOS LANÇAMENTOS: VAI SER UM VERÃO QUENTE

Nile_Band_2014Longe vai o tempo em que o Verão era uma altura morna para novos lançamentos discográficos. A maior ligação das pessoas à internet, com dispositivos mais portáteis, aliada a uma cada vez mais presente mudança na forma como a música é consumida, faz com que o Verão seja uma altura igual – ou mesmo melhor, se pensarmos no dinheiro extra, de subsídios de férias, que anda a circular – para lançar disquinhos das bandas preferidas das pessoas.

Por isso, entre 21 de Junho e 21 de Setembro vai ser um festim de coisas boas a chegarem. Logo no inicio da estação, vamos ter o regresso de dois nomes veteranos dentro de dois estilos díspares: os Virgin Steele editam «Nocturnes Of Hellfire & Damnation» e os heróis do hardcore nova-iorquino Pro-Pain regressam com «Voice Of Rebellion», o seu décimo quinto álbum de originais em quase 25 anos de carreira. Junho dará ainda tempo para discos novos da bandas brutas como Milking The Goatmachine, Jungle Rot ou Thy Art Is Murder. Os suecos Refused editam «Freedom» e darão certamente um grande Verão aos fãs de punk/hardcore, enquanto que os norte-americanos Abnormal Thought Patterns vão tentar provar as boas indicações do metal progressivo, técnico e instrumental que apresentaram no disco de estreia.

Julho será um mês em cheio. Entre lançamentos ao vivo de bandas como Yes, Death Angel, Dragonforce ou U.D.O., destacam-se «Coma Ecliptic» dos Between The Buried And Me, «Of Ghosts And Gods» dos Kataklysm e «Underworld» dos Symphony X. Os heróis do crossover finlandês Waltari regressam também às edições com «You Are Waltari», enquanto que os misteriosos Locrian lançam mais uma bomba de drone experimental chamada «Infinite Dissolution», mais uma vez pela Relapse. Os Bone Gnawer editam o muito aguardado sucessor da estreia «Feast Of Flesh», enquanto que Gus G, guitarrista de Ozzy Osbourne, aproveita as “férias” que tirou de Firewind para facturar mais um disco em nome próprio, chamado «Brand New Revolution».

Finalmente, em Agosto haverá 11 discos essenciais. Do lado mais bruto do metal, os Nile (na foto) editam «What Should Not Be Unearthed», os Cattle Decapitation disparam com «The Anthropocene Extinction» e os Hate Eternal disponibilizam «Infernus». Os suecos Backyard Babies regressam às edições com «Four By Four» e no mesmo país os Ghost lançam «Meliora» e os Soilwork respondem com «The Ride Majestic». Quem gosta de death/thrash dinâmico e moderno não pode também perder a nova proposta dos Battlecross, chamada «Rise To Power». Do lado do hardcore há a novidade dos Terror, intitulada «The 25th Hour». Restam as novidades de Fear Factory («Genexus»), Bullet For My Valentine («Venom») e Stratovarius («Eternal») para completar um dos mais “quentes” meses de Agosto dos últimos ano.

Setembro, mais concretamente no dia 11, é o mês em que os Slayer entregam ao mundo «Repentless», o seu novo álbum de originais. Posto isto, valerá mesmo a pena destacar mais alguma coisa para o final do Verão?

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

THE TEMPLE, HEIMDAL E MAIS GENTE DE PESO EM VISEU EM JULHO

TheTemple_Video_2015Os veteranos The Temple (na foto) vão encabeçar o cartaz deste ano do Viseu Rock Fest, que acontece na ASDRAQ, na Quintela de Orgens, no dia 25 de Julho. A banda de groove thrash lisboeta editou apenas dois álbuns de originais em mais de duas décadas de carreira (o terceiro está a “vestir-se” na Dinamarca neste momento), mas os seus (raros) concertos são sempre energéticos e dinâmicos. Dos Estados Unidos chegam duas bandas de grindcore para dar peso a Viseu: os reactivados Hemdale e os libertinos Nak’ay. De Espanha chegam também duas propostas bem válidas: os Bloodhunter com o seu death metal melódico de vocalizações femininas e os Mind Holocaust, num registo de death metal brutal mais tradicional. O contingente nacional fica completo com os Serrabulho, Mr. Miyagi, The Black Wizards, The Last Of Them, Stone Dead e Fuck 77. O evento começa às 16.00h e os ingressos custam Eur 10,00 em venda antecipada (Eur 12,00 no próprio dia) e podem ser reservados aqui:

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

POSTO DE ESCUTA 29.05.2015

A perspectiva de um fim-de-semana é sempre uma boa desculpa para vos revelarmos o que andamos a ouvir. eis mais um Posto de Escuta pleno de boas sugestões para aproveitarem os dias de calor que se adivinham.

Arcadia_AdhorribleAndDeathliciousARCADIA «Adhorrible And Deathlicious»
Beyond Prod.
A ideia nem é má. Os Arcadia pegam no metalcore de primeira geração, de bandas como Fear Factory, e dão-lhe um cunho ligeiramente pessoal, nomeadamente ao nível dos arranjos melódicos e de algum peso extra. O resultado justifica a alcunha de “Fear Factory italianos” que o grupo tem, mas ao quinto álbum de originais nota-se alguma estagnação da receita musical e uma ligeira repetição de ideias. A produção deveria ter também um pouco mais de push e brilho, para que a dinâmica dos Arcadia funcionasse um pouco melhor. Ainda assim, se a vossa cena é metalcore experimental, de vocalizações variadas e com um cunho pessoal, «Adhorrible And Deathlicious» pode ter alguma coisa para vocês. (6/10)


 

Chabtan_TheKissOfCHABTAN «The Kiss Of Coatlicue»
Mighty Music
Não deixa de ser impressionante os níveis de ambição e confiança que os franceses Chabtan apresentam logo no seu disco de estreia. Apesar de contarem na formação com músicos de alguma experiência (um dos guitarristas pertenceu aos Discordant e o baterista fa parte dos Song My), o projecto nasceu apenas em 2011 e agora, com «The Kiss Of Coatlicue», apresenta já uma interessante proposta de death metal/deathcore influenciada pela Mesopotâmia. As ligações dos Chabtan ao Médio Oriente são feitas essencialmente por via das letras, mas também de algumas atmosferas e melodias, que encaixam bem no death metal tecnicamente puxadinho e pesado apresentado pelos parisienses. O resultado final respira modernidade, intensidade, também algum exotismo e pode considerar-se uma aposta ganha. Faltam, naturalmente, limar arestas, nomeadamente ao nível da parte mais brutal da música da banda, que carece um pouco mais de personalidade e esclarecimento ao nível da composição, mas para disco de estreia «The Kiss Of Coatlicue» não está mesmo nada mau. (7/10)


 

Prefinal_1_StadtCOLD CELL «Lowlife»
Avantgarde Music
Não muito longe do universo dos compatriotas Schammasch, com quem compartilham o baterista, os suíços Cold Cell chegam ao segundo álbum de originais com uma versão um pouco mais esclarecida do black metal frio e vanguardista que tinham apresentado em 2013 na estreia «Generation Abomination». A variedade rítmica, entre o black’n’roll e a velocidade extrema que traz muita Escandinávia para a música dos Cold Cell, será porventura o departamento em que a banda mais evoluiu. De resto, «Lowlife» não foge muito ao espectro de black metal hermético, feito com os mesmos elementos sónicos de sempre, pese embora usados com parcimónia e alguma criatividade. Mas continua a ser, por opção própria, um disco de black metal para fãs de black metal. (7/10)


 

Exxiles_OblivionEXXILES «Oblivion»
Nightmare Records
Formado pelo ex-baterista dos Reign Of The Architect, Mauricio Bustamante, Exxiles é um novo projecto de heavy metal sinfónico e progressivo, ao estilo de rock-ópera e cheio de colaborações de convidados especiais de renome. A construção musical carece ainda de alguma simplicidade e assertividade, mas a estreia «Oblivion» mostra predicados interessantes para quem gosta de power metal multi-camadas, de melodias inteligentes e laivos progressivos. E depois, claro que gente como Mike Lepond (Symphony X), Chris Caffery (ex-Savatage), Marcelia Bovio (Stream Of Passion), Oddleif Stensland (Communic) ou Wilmer Waarbroek (Ayreon), entre outros, dão sempre um boost de qualidade (técnica e de interpretação) e mais-valia que enriquecem qualquer disco. (7/10)


 

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}HIDDEN ORCHESTRA «Reorchestrations»
Denovali Records
Não há grandes palavras para descreverem o que o multi-instrumentista Joe Acheson faz no seu projecto Hidden Orchestra. Digamos apenas que música electrónica e acústica são fundidas, domadas e apresentadas como nunca ouvimos antes. Neste projecto de remisturas, o senhor levou para o seu estúdio gente como Piano Interrupted, Poppy Ackroyd, Floex ou Long Arm para trabalhar em cima de faixas escritas desde o seu último álbum «Archipelago», de 2012. O resultado é um festim de experimentação musical, cheio de harmonias ricamente texturadas, breakbeat suave enrolado com jazz, música contemporânea fortemente atmosférica a puxar para a banda-sonora e coisas electrónicas que vão muito para além da mera electrónica. É Hidden Orchestra levado à quinta casa da perfeição sónica. (9/10)


 

Teethgrinder_MisanthropyTEETHGRINDER «Misanthropy»
Lifeforce Records
Se quisermos ser rigorosos, temos de descrever a sonoridade dos holandeses Teethgrinder, neste disco de estreia, como uma mistura de grindcore, powerviolencce, black metal, noise e crust. Mas a coisa é feita com tamanha violência e maldade que a última coisa que nos apetece é sermos rigorosos. «Misanthropy» é castanhada da boa, feita com o mesmo tipo de mentalidade que orienta os Napalm Death há décadas: derrubar cada uma das barreiras existentes entre os mais extremos géneros musicais, fazê-lo com inteligência, um olho na experimentação mas sem um pingo de ponderação ou bom senso. Porque o que interessa, no mundinho perfeito dos Teethgrinder, é acelerar até ao ponto da fusão nuclear, desacelerar para atmosferas doom/industriais e depois voltar a acelerar até o ouvinte estar feito numa polpa. Estão avisados. (8/10)


 

TheGreatDiscord_DuendeTHE GREAT DISCORD «Duende»
Metal Blade
Misturam metal progressivo moderno, influenciado por The Dillinger Escape Plan e Meshhugah, com vocalizações femininas de personalidade forte e momentos de uma melancolia que lhes revela a alma sueca. Chamam-se The Great Discord e o seu disco de estreia, «Duende», é uma vertigem de coisas muito interessantes, outras apenas vagamente interessantes e algumas – poucas – que revelam bem a tenra idade do quinteto. A grande vantagem da proposta o projecto é, definitivamente, a forma como conseguem aliar melodia, harmonias clássicas e arranjos tecnicamente puxados. O grande ponto negativo de «Duende» é a falta de foco das canções, que se “limitam” a ser fatias da abordagem musical da banda, sem uma grande personalidade musical vincada. Ainda assim, trata-se de uma estreia reveladora, por parte de uma banda que pode tornar-se bem válida. Assim saiba crescer e evoluir.. (7/10)


 

ThirdIon_13-8BitTHIRD ION «13/8 Bit»
Glasstone Records
Fundados em 2010, os Third Ion são daqueles projectos destinados a fazer grande música que depois, de acordo com sorte, conjuntura e os conhecimentos certos, podem ou não ter o reconhecimento que merecem. Mas uma banda que junta nas suas fileiras um ex-baixista da The Devin Townsend Band (Mike Young), um guitarrista que esteve oito anos nos Into Eternity (Justin Bender),o vocalista dos doomsters The Highest Leviathan (Tyler Gilbert) e um baterista com as qualidades técnicas de Aaron Edgar, só pode mesmo escrever e gravar música de qualidade. É o caso de «13/8 Bit», disco de estreia do projecto, cujo metal progressivo oscila entre a melodia e atmosferas de uns Soen, a libertinagem de uns Fair To Midland e a selvajaria técnica de uns Contortionist. O quarteto une todos os elementos musicais da sua receita com um misto de inspiração, coesão e fluidez natural de grandes músicos. Pode ser o disco certo para tirar o vício Soen do corpo de muito boa gente. (8/10)


 

Vargnatt_GrausammlerVARGNATT «Grausammler»
Eisenwald
Não foram necessários mais do que duas maquetas e um EP para que os Vargnatt se destacassem na competitiva cena alemã de black metal. O motivo é uma abordagem “clássica” (ler “como nos primeiros discos de Burzum e Ulver”) ao black metal escandinavo e naturista. «Grausammler», o primeiro longa-duração do projecto, vem agora confirmar totalmente os predicados do colectivo: uma sólida parede sonora composta por riffs gélidos e evocativos, ocasionalmente “cortada” por passagens acústicas e sempre adornada por atmosferas espessas e pela voz gritada em desespero do mentor Evae. Dentro do black metal nórdico, naturista e atmosférico, não há muito melhor que isto. (8/10)


 

Witchwood_LitaniesFromTheWITCHWOOD «Litanies From The Woods»
Jolly Roger Records
Já sabemos o que vocês vão pensar quando descrevermos o disco de estreia dos Witchwood como “hard/doom rock psicadélico e progressivo”. O que vão pensar é “Mais hippies”. E sim, estes italianos são hippies. O problema, meus amigos, é que também conseguiram fazer um disco do caraças, cheio de recantos de devaneios prog, canções de blues/rock que gritam Led Zeppelin em todos os riffs e uma atmosfera que é preciso ser experimentada para ser verdadeiramente percebida. O facto dos Witchwood se terem formado a partir das raízes de uma banda já algo experiente – os Buttered Bacon Biscuits – ajuda a explicar, mas não justifica toda a genialidade de «Litanies From The Woods». Por isso sim, este é mais um disco que cai no hype do doom/hard rock retro e vintage. Mas não, não é um disco qualquer. (8/10)

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

JUNGLE ROT: NOVO DISCO NO FINAL DE JUNHO

junglerotprevailcdA banda de death metal norte-americana Jungle Rot edita no dia 30 de Junho «Order Shall Prevail», o seu oitavo álbum de originais. O disco, que conterá uma dezena de faixas (incluindo «Paralized Prey», que pode ser ouvida no clip em baixo) será lançado pela Victory Records e incluirá uma música gravada em parceria com Max Cavalera (Soulfly, ex-Sepultura). O sucessor de «Terror Regime», lançado em 2013, está já disponível para pré-encomendas nesta localização.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

POSTO DE ESCUTA 23.05.2015

Fim-de-semana sem Posto de Escuta não é verdadeiramente um fim-de-semana, por isso eis a nossa lista de disquinhos que nos têm estado a animar os MP3, leitores de CDs e gira-discos nos últimos dias. Descubram o vosso novo vício e não digam que vão daqui.

Charlie Front Square copyCHARLIE BARNES «More Stately Mansions»
Superball Music
Charlie Barnes, colaborador habitual dos ingleses Amplifier, tem um fraquinho pelo pós-rock melancólico. Por isso, é perfeitamente natural que este seu segundo álbum de originais seja uma espécie de mistura da quietude do universo musical dos Sigur Rós, do lado mais intimista dos Oceansize, das texturas vocais de Freddy Mercury e de Chris Martin e de alguma da imprevisibilidade dos Amplifier. «More Stately Mansions» é, sobretudo, uma colecção de faixas atmosféricas de texturas variadas e que se prestam à descoberta lenta e prazenteira. Não é nenhum clássico em potência, mas propõe 45 minutos de um belo pós-rock independente, preguiçoso e de beleza delicada. (7/10)


DarkCircles_MMXIVDARK CIRCLES «MMXIV»
Moment Of Collapse Records
Os canadianos Dark Circles praticam uma daquelas misturas de hardcore e d-beat a que é impossível ficar indiferente. O disco de estreia, «MMXIV», é cru, violento e rápido, numa espécie de grito primordial de hardcore/punk de garagem, ocasionalmente complementado com um lado pós-rock (há um elemento dos Milanku na formação) que torna a música mais densa, tridimensional e interessante. Quem aprecia, pois, d-beat ou hardcore mais directo, tem aqui meia-hora de boa música, disponível em vinil, numa edição limitada a 500 unidades (300 em vinil branco, 200 em preto). Comprem-na aqui. (7/10)


GeorgeKollias_InvictusGEORGE KOLLIAS «Invictus»
Season of Mist
O grego George Kollias é muito mais do que “apenas” o proficiente baterista dos Nile. E neste primeiro disco em nome próprio, em que compôs toda a música, gravou todos os instrumentos e cantou, prova-o em grande estilo. «Invictus» é um trabalho de death metal brutal, técnico e com um exótico travo médio-oriental, algures entre os universos dos Nile, Rotting Christ e Melechesh. Inteligentemente arranjado, impecavelmente executado e muito bem estruturado, trata-se de um conjunto de temas que fica muito pouco atrás do dayjob de Kollias e que, ainda por cima, conta com o “patrão” Nile Sanders entre os convidados que contribuem com alguns solos de guitarra. Estreia auspiciosa e um bom disco de death metal brutal, técnico e étnico. (8/10)


HammerKing_KingdomOfTheHAMMER KING «Kingdom Of The Hammer King»
Cruz Del Sur Music
Os franceses Hammer King praticam heavy/power metal que preenche o espaço imaginário que vai de bandas mais formalmente melódicas, como Drakkar ou Helloween antigo, ao heavy-metal-até-ao-tutano de nomes como Manowar ou Virgin Steele. O vocalista do projecto é, aliás, o cantor da banda de Ross The Boss. «Kingdom Of The Hammer King» que enche, assim, as medidas de quem acha que o heavy/power metal deve ser épico, que os coros nunca são suficientemente grandes e que as guitarras foram feitas para solar. É suficientemente true e bem feito para convencer, sem soar forçado ou ridículo. Mais uma boa aposta da Cruz Del Sur Music. (7/10)


KingParrot_DeadSetKING PARROT «Dead Set»
Agonia Records
O mundo pode ter descoberto um pouco tarde os encantos do thrash/grindcore dos King Parrot, mas os australianos estão dispostos a fazer o mundo pagar por isso. Em «Dead Set», segundo álbum de originais, a banda viajou de Melbourne até ao estúdio de Phil Anselmo, no Louisiana, e gravou um dos mais viciosos discos de 2015. Produzido por – e com participação de – Anselmo, o registo contém 35 minutos de pura violência sónica, onde a rapidez e o shred encontram maneira de se aliarem de forma perfeita ao registo humorístico, ritmicamente variado e inspiração punk do grindcore de tradição tão deliciosamente australiana. E o resultado é a melhor coisa que já aconteceu ao metal extremo e bem disposto desde a estreia dos Gorerotted. (8/10)


Livhzuena_DarkMirrorNeutronsLIVHZUENA «Dark Mirror Neurons»
Klonosphere Records
Os franceses Livhzuena precisaram apenas de uma maqueta de dois temas para chegarem à Klonosphere, através da qual lançam agora este disco de estreia. «Dark Mirror Neurons» percorre de maneira satisfatória o terreno que separa o djent ensopado de atmosfera dos compatriotas Gojira do death metal seco e groovy e dos Lamb Of God. A coisa é feita com um ataque vocal que chega a fazer os Anaal Nathrakh mas que, no resto do tempo, não anda longe dos Dagoba. Pelo desenrolar de nomes percebe-se bem que os Livhzuena não andam à procura de renovar nada, mas como nova proposta de death metal técnico, robusto e dado à atmosfera, não são nada maus. (7/10)


Mist_InanMIST «Inan’»
Soulseller Records
Iniciados em 2012 como uma banda feminina de doom metal clássico, os eslovenos Mist (actualmente há um guitarrista no grupo que os impede de terem a pinta de serem uma banda de miúdas) editam, com «Inan’», o EP que sucede à famosa maqueta de 2013 que os colocou na cena com grande estrondo. E os quatro temas (três originais, um regravado da maqueta) seguem a mesma lógica: doom metal/rock fortemente influenciado por Black Sabbath, Pentagram, Candlemass e afins, de voz feminina limpa a fazer lembrar The Blues Pills, e toda a atracção e previsibilidade da estética retro. É certinho, bem feito e tem carisma, mas chove um pouco no molhado se atendermos a todo o movimento old school que assola o género. (7/10)


OsculumInfame_TheAxisOfOSCULUM INFAME «The Axis Of Blood»
Battlesk’r Productions
Os Osculum Infame chegaram a ser, nos anos 90, uma das grandes esperanças de uma cena black metal francesa em franca ascensão, até que umas palavras mal medidas numa entrevista lhes deram uma reputação de extrema-direita e mandaram o projecto para as urtigas. O mentor D. Deviant dedicou-se então aos Arkhon Infaustus e deixou assentar a poeira, até ressuscitar a banda em 2008 e começar a compor de novo. «The Axis Of Blood» é, pois, o segundo longa-duração oficial dos Osculum Infame e mostra o black metal como ele era precisamente na segunda metade dos anos 90: cru, pesado, inexorável e indomável. Há traços dos primeiros discos dos Satyricon, dos Mayhem e de outras coisas nórdicas, mas a imagem de marca da caneta de D. Deviant é suficientemente forte para que «The Axis Of Blood» possa também ser considerado um registo com alma própria. Algo datado, mas definitivamente a cumprir o que promete: black metal sem aditivos como se os anos 90 tivessem sido ontem. (7/10)


SteveNSeagulls_FarmMachineSTEVE’N’SEAGULLS «Farm Machine»
Spinefarm Records
De vez em quando aparecem projectos da natureza dos Steve’n’Seagulls e o que escrevemos no passado sobre os Los Los ou os Van Canto aplica-se também ao disco de estreia destes finlandeses. Certo, tem mesmo piada tocar versões bluegrass de clássicos do heavy metal e do hard rock vestido de rednecks americanos e quem mostrar isto lá em casa, nas festas, aos amigos, vai certamente fazer sensação. Mas não há muito mais em canções como «Thunderstruck», «Over The Hills And Far Away», «Nothing Else Matters», «Paradise City» ou «Run To Hills», tocados com banjo, acordeão, violino e contrabaixo, do que apenas uma piada fugaz. Mesmo que, como é o caso, seja tudo bem tocado e com uma ética de profissionalismo de gravação que se alinha anacronicamente com a natureza “que-se-foda” do projecto. (6/10)


TheBloodline_WeAreOneTHE BLOODLINE «We Are One»
Another Century
Das cinzas dos Dirge Within surgem agora os The Bloodline, com o mesmo tipo de thrash/metalcore, mas com um refinamento melódico que lhes melhora a receita musical. «We Are One», o disco de estreia do projecto, contém o peso dos Machine Head, a sensibilidade melódica dos Killswitch Engage e o poder de dinâmica dos Bullet For My Valentine. A composição tira o melhor proveito de todos os trunfos da banda e a produção é límpida e bombástica. E, pese embora este tipo de thrash melódico/metalcore já não seja propriamente uma novidade, «We Are One» é um belo exercício de género e pode facilmente fazer as delícias de quem não passa sem uma generosa dose de melodias, peso e groove. (8/10)

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

CATTLE DECAPITATION: DISCO EM AGOSTO. PHIL ANSELMO ESTÁ LÁ

CattleDecapitation_Band_2015Os norte-americanos Cattle Decapitation, acérrimos defensores da superioridade animal, editam o seu sétimo álbum de originais, «The Anthropocene Extinction», no dia 7 de Agosto via Metal Blade Records. O sucessor de «Monolith Of Inhumanity» foi produzido por Dave Ottero, habitual colaborador da banda de death/grindcore e que trabalhou também anteriormente com nomes como Allegaeon e Cephalic Carnage. «The Anthropocene Extinction» conta também com uma interessante lista de convidados especiais, de onde se destaca o ex-vocalista dos Pantera Phil Anselmo, mas onde “cabem” também músicos dos Author & Punisher e dos Bethlehem.

O álbum terá capa desenhada por Wes Benscoter (outro habitual colaborador da banda) e conterá 12 faixas, incluindo «Manufactured Extinct», que pode ser ouvida desde já no clip em baixo.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

NILE E SUFFOCATION EM PORTUGAL EM SETEMBRO

Nile_Band_2014É uma das notícias do ano em termos de metal extremo. Os Nile (na foto) e os Suffocation, duas das mais importantes bandas do death metal bruto e técnico da cena norte-americana, juntas em digressão, passam por Portugal em Setembro, mais concretamente nos dias 16 e 17 (quarta e quinta-feira) para concertos no Hard Club (Porto) e RCA Club (Lisboa) respectivamente. Por enquanto a notícia chega apenas por via da página de Facebook da agência de promoção europeia da digressão, por isso não há ainda horários e preços de bilhetes divulgados, mas essa informação não deve tardar.

Os Nile são uma autêntica autoridade no que diz respeito a misturar death metal impecavelmente executado com a música étnica, misteriosa e atmosférica do Médio Oriente. Contam com sete álbuns, um irrefutável estatuto de culto e um dos mais emblemáticos líderes e guitarristas da cena: Karl Sanders. Os Suffocation dispensam apresentações aos fãs de metal extremo, tendo praticamente inventado o lado mais brutal e técnico do death metal, que desenvolvem desde a sua formação em 1988, contando com um legado de sete discos de estúdio.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

ENTRAILS

Entrails_ObliterationENTRAILS
«Obliteration»
Metal Blade
8/10
Sim, já sabemos: o revivalismo do som death metal de Estocolmo dos anos 90 atingiu proporções quase insuportáveis. Mas há que apreciar uma banda que traça um objectivo – tocar death metal sueco old school – e o cumpre até ao mais ínfimo pormenor. Ainda por cima, os Entrails têm autenticidade, uma vez que as raízes da banda estão mesmo nos anos 90, década durante a qual se mantiveram activos mas que não lhes rendeu nenhum lançamento. Agora, desde que voltaram (em 2009) estão apostados em recuperar o tempo perdido e «Obliteration» é já o quarto trabalho longa-duração do projecto. E volta a resumir o que o estilo tem de melhor – riffs contundentes, leads inteligentes, uma distorção parva, letras mórbidas e uma melodia latente – de forma coesa, cuidada e com som perfeito. Dan Swäno voltou a estar por detrás da mesa de mistura, o que explica esta última parte. Ainda assim, «Obliteration» tem algo que difícil de explicar, mas que é inegável: a sua relevância num mundo com demasiado death metal old school e a recuperação de uma inocência perdida, que se julgava ter ficado na década de 90 mas que, afinal, está bem viva no underground sueco.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

VENOM INC. E VADER EM CORROIOS EM SETEMBRO

VenomInc_Band_2015No dia 26 de Setembro o Cine-Teatro de Corroios recebe em concerto os Venom Inc., banda fundada por três importantes ex-elementos dos Venom: Mantas (guitarrista da banda entre 1979 e 1985, depois entre 1989 e 1992 e ainda entre 1995 e 2002), Demolition Man (baixista e vocalista que pertenceu ao grupo entre 1989 e 1992) e Abbadon (baterista entre 1979 e 1992 e, depois, entre 1995 e 1999). O trio interpretará, como não podia deixar de ser, clássicos dos Venom escritos e gravados nos períodos em que os músicos pertenciam à influente banda inglesa, nomeadamente entre 1988 e 1992.

Com eles, os Venom Inc. trazem os polacos Vader, que dispensam apresentações em termos de death metal mas que, nesta digressão, tocam um set especialmente old-school, com temas apenas dos anos 90. Os jovens ingleses Divine Chaos, praticantes de um death/thrash metal melódico e que partilham o baterista James Stewart com os Vader, assim como os veteranos speed-thrashers franceses Witches, completam o cartaz. O espectáculo começa às 20.00h e os bilhetes custam Eur 20,00 se comprados antecipadamente ou Eur 22,00 no próprio dia. Estão disponíveis na Carbono da Amadora, na Glam-o-Rama, na Abep e na Androm ou podem ser reservados através deste e-mail.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

POSTO DE ESCUTA 09.05.2015

Eis uma lista do que andámos a ouvir esta semana e que pode dar uma boa banda-sonora para um fim-de-semana de churrascada, de praia, de passeio à beira-mar ou de depressão profunda numa casa de janelas bem fechadas.

AtTheDawn_LandInSightAT THE DAWN «Land In Sight»
Bakerteam Records
O power metal italiano já não é o que era mas se, por um lado, perdeu grande parte do brilho que tinha na era de ouro dos Rhapsody, a verdade é que nunca chegou a enferrujar. Os At The Dawn enriqueceram a cena em 2013 com o disco de estreia e voltam agora com «Land In Sight», mais uma generosa dose de power metal melódico, metal progressivo e influências sinfónicas. Não é deslumbrante e nem lhes augura o título de próximos Stratovarius, mas mesmo para os elevados padrões italianos «Land In Sight» é um conjunto de canções bem compostas, bem executadas e com um bom som, que cumpre todos os requisitos de quem ouve power metal mais ou menos tradicional à italiana. (6/10)


 
Biopsy_FractalsOfDerangementBIOPSY «Fractals Of Derangement»
Transcending Obscurity
Noutro lado qualquer – mais nos Estados Unidos, admitamo-lo – os Biopsy seriam “apenas” mais uma banda a praticar death metal bruto e técnico fortemente inspirado por nomes como Gorguts, Disgorge ou Devourment. Existem muitas (não as suficientes, se perguntarem a qualquer fanático por este género específico), pese embora sejam menos as que equilibrem com parcimónia peso sem limites, argumentos técnicos invejáveis e uma produção clara e poderosa. Mas o que realmente distingue os Biopsy da concorrência é o facto de fazerem isto tudo e serem indianos. Convenhamos que uma banda de death metal bruto e magnanimamente técnica oriunda daqueles lados tem uma aura de exotismo pela qual e difícil não nutrir simpatia. (7/10)


 
CivilWar_GodsAndGeneralsCIVIL WAR «Gods And Generals»
Napalm Records
Não demorou muito (o primeiro disco saiu em 2013) até que os suecos Civil War regressassem aos álbuns de originais. «Gods And Generals», a segunda proposta da banda composta por elementos amotinados dos Sabaton em 2012, a que se junta o vocalista dos Astral Doors, segue o mesmo caminho da sua antecessora. Heavy/power metal fortemente inspirado por história de batalhas e guerra, de abordagem vocal mais aguda que os Sabaton e poucas outras diferenças. Ainda assim, os Civil War procuram ocasionalmente derivar para coisas um pouco diferentes («Braveheart» tem, por exemplo, uma abertura de piano e voz), mas o pendor do disco é claramente heavy/power metal tradicional feito à boa maneira sueca. (7/10)


 
Infernus_GrindingChristianFleshINFERNUS «Grinding Christian Flesh»
Moribund Records
Seriamente comprometidos com o lado mais cru e directo do black metal, os norte-americanos Infernus encontram, ainda assim, espaço na sua música para outros componentes. Existe, por exemplo, uma série de riffs e ritmos muito black/thrash, que farão as delícias de fãs de bandas como Desaster ou Deströyer 666, mas também uma camada de guitarra acústica em faixas como «Worms Of The Casket» que faz lembrar o equilíbrio precário, inocente mas delicioso que os Dissection faziam entre brutalidade e melodia. «Grinding Christian Flesh», o segundo álbum dos Infernus, ainda não é tão genial como os termos de comparação aqui empregues, mas consegue ser algo mais do que apenas despejar black metalhada conservadora para cima do ouvinte. (7/10)


 
KiskeSomerville_CityOfHeroesKISKE/SOMERVILLE «City Of Heroes»
Frontiers Music
No segundo disco colaborativo entre Michael Kiske (ex-vocalista dos Helloween, actualmente nos Unisonic) e a cantora norte-americana Amanda Somerville, agulhas são acertadas e receitas são aperfeiçoadas. E, com uma banda que, para além da baterista checa relativamente desconhecida Veronika Lukešová, conta com o baixista Matt Sinner (Primal Fear, Sinner) e com o guitarrista Magnus Karlsson (Primal Fear), não há como errar. Se, a todos estes factores, juntarmos os “pequenos” pormenores das duas vozes encaixarem e serem perfeitamente compatíveis (ao contrário de inúmeros outros projectos colaborativos montados pela Frontiers apenas para “vender” os nomes) e a dupla Karlsson/Sinner ser a melhor equipa de composição do power metal melódico actual, percebemos que «City Of Heroes» não é um disco qualquer. É, de facto, o novo candidato a vício de quem gosta de metal melódico, rock sinfónico, power metal europeu ou female fronted metal. Ou tudo junto. (8/10)


 
Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdLANCER «Second Storm»
Despotz Records
Os Lancer continuam o seu glorioso caminho para a liderança do novo power metal melódico com um segundo álbum de originais que cruza os universos de Helloween e Iron Maiden, com a irreverência da juventude e o poder das produções modernas. A banda consegue apurar um pouco a composição, apresentando temas ainda mais assertivos onde o power metal é reduzido à sua essência mais melódica, crua e irreverente. Não é original e nem sequer consegue ser muito diferente de algumas outras propostas contemporâneas que procuram recuperar o power metal europeu “clássico” dos anos 80. Mas é feito sem complexos e com um sentido de divertimento assinalável e isso, para os fãs do género, será mais do que suficiente. (8/10)


 
Outre_GhostChantsOUTRE «Ghost Chants»
Godz ov War/Third Eye Temple/Essential Purification
A escola polaca de metal extremo é sobejamente conhecida e, a julgar pelo primeiro longa-duração dos Outre, continua a produzir projectos de qualidade acima da média. A abordagem do colectivo em «Ghost Chants» anda algures entre o black/death metal cheio, rápido e técnico (comparações com Behemoth são inevitáveis) e o rugido multi-camadas, dissonante e francamente ameaçador dos Deathspell Omega. A jovem banda parece dominar todos os aspectos da sua sonoridade, produzindo 35 minutos de música que respiram confiança, competência e uma aura de negridão muito polaca. O black metal de última geração está bem entregue nas mãos dos Outre. (8/10)


 
Pinkroom_UnlovedToyPINKROOM «Unloved Toy»
Auto-financiado
Os polacos Pinkroom bebem influências no prog-rock mais marado dos anos 70 (pensem em King Crimson), no jazz, em alguma música electrónica e no prog de última geração dos Porcupine Tree até se empanturrarem. Depois, quando escrevem e gravem, sai uma espécie de mistura de tudo, feita com uma demanda artística ao nível da cena inglesa de final dos anos 60 (Yes, The Mabel Greer’s Toyshop), feita sempre com um olho na progressão de acordes intrigante e outro nos padrões rítmicos complexos e intrincados. Os exageros técnicos são inevitáveis, mas os Pinkroom sabem evitá-los melhor nesta segunda proposta do que no disco de estreia. E acabam por propor um interessante festim de música progressiva que cruza de modo gracioso e natural as três fases do género. (7/10)


 
SecretSymmetry_EmergeSECRET SYMMETRY «Emerge»
Ethereal Sound Works
Com um rock alternativo enrobustecido por riffs pesados e uma queda para o metal progressivo, os lisboetas Secret Symmetry (ex-Ipsis Verbis) estreiam-se com este MCD de cinco faixas e dão boas indicações. Sobretudo porque têm arte e bom gosto para colocar um lado atmosférico acompanhar quase todos os temas, o disco goza de uma boa produção e é tudo feito da um modo invulgarmente profissional. Do outro lado do espectro estão melodias que precisam de um pouco mais de força e uma maior fatia de experiência na composição, que lhe permita “cortar” algumas partes desnecessárias e tornar as canções em verdadeiras máquinas de rock/metal progressivo de contornos melancólicos e progressivos. Que é o que os Secret Symmetry, eventualmente, acabarão por ser. Porque quem escreve e grava música assim logo ao primeiro registo não é parvo. (6/10)


 
Turbowolf_TwoHandsTURBOWOLF «Two Hands»
Spinefarm Records
Os Turbowolf pertencem à nova geração de músicos ingleses para quem as barreiras estilísticas são meras convenções. «Two Hands», o segundo álbum, aperfeiçoa a abordagem perfeitamente experimental do colectivo cuja sonoridade, a espaços, pode ser descrita como uma mistura entre Mindless Self Indulgence e Pure Reason Revolution e, noutros, como uma espécie de The Mars Volta a testar batidas electrónicas e melodias de Black Sabbath. O grupo lá consegue, ao longo de 11 faixas e 40 minutos, fazer sentido desta incrível mistura de diferentes elementos musicais mas por vezes não consegue escapar ao espectro da sobrevariedade e perde-se ali um pouco no meio dos ingredientes todos. Ainda assim, «Two Hands» vale a pena pela ousadia e por um par de temas francamente entusiasmantes. (7/10)

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60

OBSEQUIAE: NOVO ÁLBUM EDITADO AINDA ESTE MÊS

Obsequiae_AriaOfVernalTombs_coverO trio norte-americano Obsequiae edita o seu terceiro álbum de originais, intitulado «Aria Of Vernal Tombs», no dia 26 de Maio pela 20 Buck Spin. O disco sairá em CD e edição digital, enquanto que a edição em vinil fica para o mês de Julho. A banda, que entre 1998 e 2005 foi conhecida como Autumnal Winds, promete bons desenvolvimentos para o death/black/havy metal de contornos medievais que pratica. O tema «In The Absense Of Light», que fará parte do disco, pode ser ouvido desde já no player em baixo.

Os Obsequiae formaram-se em 2007 sob a batuta do guitarrista, baixista e vocalista Tanner Anderson (dos Celestiial), contando actualmente com o baterista Andrew Della Cagna (Infirmary, Unwilling Flesh) e com um tocador de harpa medieval chamado Vicente La Camera Mariño, que confere à sonoridade da banda um lado refrescante e original.

Pyrexia_MisantropiaExtrema_468x60