Arquivo de etiquetas: Power Metal

DEZ DISCOS ESSENCIAIS DA SEMANA

ÁRSTÍÐIR
«Nivalis»

Season of Mist

Misturar pós-rock e influências neo-clássicas é algo já relativamente batido. Mas se lhe juntarmos um forte sabor nórdico, por via dos islandeses Árstíðir, a coisa fica bem mais intensa e original. «Nivalis» prova-o com classe e qualidade e constitui-se uma das grandes surpresas da semana


CRAFT
«White Noise And Black Metal»

Season of Mist

Com um título destes, os suecos Craft não poderiam tocar outra coisa senão black metal. «White Noise And Black Metal» é o quinto disco do colectivo liderado pelo guitarrista Jon Doe (ex-Shining, ex-Watain) e que segue de forma muito decente as pisadas da escola sueca de bandas como Armagedda ou Pest.


GAEREA
«Unsettling Whisper»

Transcending Obscurity

A cena black metal nacional tem estado nos últimos anos mais activa que nunca e os Gaerea consubstanciam esta actividade. O trio, composto por gente de Pestifer, Loss Spectra Of Pure e Damage My God, estreia-se agora nos álbuns de estúdio, depois de um EP homónimo lançado em 2016, e as indicações não podiam ser melhores. Black metal negro, intenso e de pedigree death metal.


HACKEN
«L-1VE»

InsideOut Music

Universalmente considerados uma das mais brilhantes propostas da actual cena progressiva britânica, os Hacken editam, com «L-1VE», o seu primeiro registo ao vivo, depois de quatro álbuns de originais. E o resultado não podia ser mais elucidativo. Em palco, o sexteto londrino é tão coeso como em disco e os Hacken estão a caminho de algo verdadeiramente grade.


IMPENDING DOOM
«The Sin And Doom Vol. II»

eOne Music

Se, por um lado, o deathcore já teve melhores dias, por outro lado os norte-americanos Impending Doom continuam a representar o género como poucas bandas conseguem fazer hoje em dia. «The Sin And Doom Vol. II» é o sexto álbum do colectivo californiano e promete momentos de grande peso, breakdowns e violência.


KHEMMIS
«Desolation»

Nuclear Blast/20 Buck Spin

Depois de dois álbuns, lançados em 2015 e 2016, que conquistaram o underground, os norte-americanos Khemmis chegam, com o seu doom/heavy metal, à gigante Nuclear Blast e prometem conquistar o (que falta do) mundo. Se procuram a mistura certa entre Pallbearer e Candlemass, esta é a vossa solução.


MARDUK
«Viktoria»

Century Media

Os Marduk dispensam apresentações no que ao black metal diz respeito. «Viktoria», o 14.º álbum de originais dos suecos, volta a um registo mais rápido e abrasador, depois de alguns discos negros e ritualistas. E os Marduk nunca soaram melhor…


THE SEA WITHIN
«The Sea Within»

InsideOut Music

Juntar na mesma banda Tom Brislin (Yes), Daniel Gildenlöw (Pain of Salvation), Roine Stolt (The Flower Kings, Transatlantic), Marco Minneman (Steven Wilson, Joe Satriani) e Jonas Reingold (The Flower Kings) é o sonho molhado de qualquer fã de rock progressivo. E é precisamente a isso que «The Sea Within», o disco de estreia do super-projecto, soa.


WOLFEN
«Rise Of The Lycans»

Pure Steel Records

A tradição de power/thrash metal corre forte na Alemanha. Os Wolfen, oriundos de Colónia, cumprem-na ininterruptamente há 24 anos e editam esta semana o seu sexto álbum de originais. «Rise Of The Lycans» é uma autêntica lição de tradição, vitalidade e honestidade.


ZEAL & ARDOR
«Stranger Fruit»

MKVA Records

Juntar black metal e soul espiritual pode ser tão original quanto bizarro, mas a verdade é que o suíço-americano Manuel Gagneux consegue fazê-lo há já uns bons anos com Zeal & Ardor. «Stranger Fruit», o novo álbum, mostra o aperfeiçoamento da receita e entrou directamente para a segunda posição da tabela de vendas suíça. Teremos hype a caminho?

 

GAMMA RAY DE VOLTA A PORTUGAL EM NOVEMBRO

Gamma Ray - the photo sessions for the upcoming album "Empire Of The Undead". February 2014.
Gamma Ray – the photo sessions for the upcoming album “Empire Of The Undead”. February 2014.

Numa altura em que celebram a sua carreira de 25 anos com um “best-of” (foi editado em Janeiro) e cerca de um dois após terem substituído os Saxon no cartaz do Vagos Open Air, os alemães Gamma Ray anunciaram o regresso a Portugal para dois concertos. O primeiro acontece no dia 15 de Novembro na sala portuense Hard Club e o segundo dois dias depois em Lisboa, no Paradise Garage. Ambos os espectáculos fazem parte da digressão europeia Best Of The Best – Party Tour 2015, que levará o guitarrista/vocalista Kai Hansen e os seus rapazes a cerca de uma dezena de países.

Com os Gamma Ray, vêm também os compatriotas Serious Black, fundados o ano passado pelo ex-baixista dos Visions Of Atlantis Mario Lochert e pelo ex-baterista dos Blind Guardian Thomen Stauch, onde também pontificam Dominik Sebastian (guitarrista dos Edenbridge), Jan Vacik (ex-teclista dos Dreamscape), Urban Breed (ex-vocalista dos Pyramaze) e Bob Katsionis (guitarrista dos Firewind). A banda, que pratica power metal melódico, editou a estreia «As Daylight Breaks» no início do ano, da qual foi extraído o tema «Older & Wiser» para o vídeo-clip recentemente divulgado e que pode ser visto em baixo.

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NOVOS LANÇAMENTOS: VAI SER UM VERÃO QUENTE

Nile_Band_2014Longe vai o tempo em que o Verão era uma altura morna para novos lançamentos discográficos. A maior ligação das pessoas à internet, com dispositivos mais portáteis, aliada a uma cada vez mais presente mudança na forma como a música é consumida, faz com que o Verão seja uma altura igual – ou mesmo melhor, se pensarmos no dinheiro extra, de subsídios de férias, que anda a circular – para lançar disquinhos das bandas preferidas das pessoas.

Por isso, entre 21 de Junho e 21 de Setembro vai ser um festim de coisas boas a chegarem. Logo no inicio da estação, vamos ter o regresso de dois nomes veteranos dentro de dois estilos díspares: os Virgin Steele editam «Nocturnes Of Hellfire & Damnation» e os heróis do hardcore nova-iorquino Pro-Pain regressam com «Voice Of Rebellion», o seu décimo quinto álbum de originais em quase 25 anos de carreira. Junho dará ainda tempo para discos novos da bandas brutas como Milking The Goatmachine, Jungle Rot ou Thy Art Is Murder. Os suecos Refused editam «Freedom» e darão certamente um grande Verão aos fãs de punk/hardcore, enquanto que os norte-americanos Abnormal Thought Patterns vão tentar provar as boas indicações do metal progressivo, técnico e instrumental que apresentaram no disco de estreia.

Julho será um mês em cheio. Entre lançamentos ao vivo de bandas como Yes, Death Angel, Dragonforce ou U.D.O., destacam-se «Coma Ecliptic» dos Between The Buried And Me, «Of Ghosts And Gods» dos Kataklysm e «Underworld» dos Symphony X. Os heróis do crossover finlandês Waltari regressam também às edições com «You Are Waltari», enquanto que os misteriosos Locrian lançam mais uma bomba de drone experimental chamada «Infinite Dissolution», mais uma vez pela Relapse. Os Bone Gnawer editam o muito aguardado sucessor da estreia «Feast Of Flesh», enquanto que Gus G, guitarrista de Ozzy Osbourne, aproveita as “férias” que tirou de Firewind para facturar mais um disco em nome próprio, chamado «Brand New Revolution».

Finalmente, em Agosto haverá 11 discos essenciais. Do lado mais bruto do metal, os Nile (na foto) editam «What Should Not Be Unearthed», os Cattle Decapitation disparam com «The Anthropocene Extinction» e os Hate Eternal disponibilizam «Infernus». Os suecos Backyard Babies regressam às edições com «Four By Four» e no mesmo país os Ghost lançam «Meliora» e os Soilwork respondem com «The Ride Majestic». Quem gosta de death/thrash dinâmico e moderno não pode também perder a nova proposta dos Battlecross, chamada «Rise To Power». Do lado do hardcore há a novidade dos Terror, intitulada «The 25th Hour». Restam as novidades de Fear Factory («Genexus»), Bullet For My Valentine («Venom») e Stratovarius («Eternal») para completar um dos mais “quentes” meses de Agosto dos últimos ano.

Setembro, mais concretamente no dia 11, é o mês em que os Slayer entregam ao mundo «Repentless», o seu novo álbum de originais. Posto isto, valerá mesmo a pena destacar mais alguma coisa para o final do Verão?

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SYMPHONY X LANÇAM VÍDEO COM LETRAS DE NOVA CANÇÃO

symphonyxunderworldcdÉ já a 24 de Julho que os mestres do power metal progressivo Symphony X editam o seu novo álbum de originais, intitulado «Underworld». E agora a faixa de abertura do disco, chamada «Nevermore», está disponível para audição online através de um vídeo com letras. Vejam-no abaixo. O trabalho é, segundo a banda, inspirado no poeta italiano Dante Alighieri, sobretudo a sua obra “Divina Comédia”, mas não será um álbum conceptual. O CD conterá 11 faixas e tem capa desenhada por Warren Flanagan, ilustrador de obras como “Watchmen”, “The Incredible Hulk” e “2012”. Pela amostra, será mais uma obra-prima de power metal sinfónico, progressivo e irresistível.

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POSTO DE ESCUTA 23.05.2015

Fim-de-semana sem Posto de Escuta não é verdadeiramente um fim-de-semana, por isso eis a nossa lista de disquinhos que nos têm estado a animar os MP3, leitores de CDs e gira-discos nos últimos dias. Descubram o vosso novo vício e não digam que vão daqui.

Charlie Front Square copyCHARLIE BARNES «More Stately Mansions»
Superball Music
Charlie Barnes, colaborador habitual dos ingleses Amplifier, tem um fraquinho pelo pós-rock melancólico. Por isso, é perfeitamente natural que este seu segundo álbum de originais seja uma espécie de mistura da quietude do universo musical dos Sigur Rós, do lado mais intimista dos Oceansize, das texturas vocais de Freddy Mercury e de Chris Martin e de alguma da imprevisibilidade dos Amplifier. «More Stately Mansions» é, sobretudo, uma colecção de faixas atmosféricas de texturas variadas e que se prestam à descoberta lenta e prazenteira. Não é nenhum clássico em potência, mas propõe 45 minutos de um belo pós-rock independente, preguiçoso e de beleza delicada. (7/10)


DarkCircles_MMXIVDARK CIRCLES «MMXIV»
Moment Of Collapse Records
Os canadianos Dark Circles praticam uma daquelas misturas de hardcore e d-beat a que é impossível ficar indiferente. O disco de estreia, «MMXIV», é cru, violento e rápido, numa espécie de grito primordial de hardcore/punk de garagem, ocasionalmente complementado com um lado pós-rock (há um elemento dos Milanku na formação) que torna a música mais densa, tridimensional e interessante. Quem aprecia, pois, d-beat ou hardcore mais directo, tem aqui meia-hora de boa música, disponível em vinil, numa edição limitada a 500 unidades (300 em vinil branco, 200 em preto). Comprem-na aqui. (7/10)


GeorgeKollias_InvictusGEORGE KOLLIAS «Invictus»
Season of Mist
O grego George Kollias é muito mais do que “apenas” o proficiente baterista dos Nile. E neste primeiro disco em nome próprio, em que compôs toda a música, gravou todos os instrumentos e cantou, prova-o em grande estilo. «Invictus» é um trabalho de death metal brutal, técnico e com um exótico travo médio-oriental, algures entre os universos dos Nile, Rotting Christ e Melechesh. Inteligentemente arranjado, impecavelmente executado e muito bem estruturado, trata-se de um conjunto de temas que fica muito pouco atrás do dayjob de Kollias e que, ainda por cima, conta com o “patrão” Nile Sanders entre os convidados que contribuem com alguns solos de guitarra. Estreia auspiciosa e um bom disco de death metal brutal, técnico e étnico. (8/10)


HammerKing_KingdomOfTheHAMMER KING «Kingdom Of The Hammer King»
Cruz Del Sur Music
Os franceses Hammer King praticam heavy/power metal que preenche o espaço imaginário que vai de bandas mais formalmente melódicas, como Drakkar ou Helloween antigo, ao heavy-metal-até-ao-tutano de nomes como Manowar ou Virgin Steele. O vocalista do projecto é, aliás, o cantor da banda de Ross The Boss. «Kingdom Of The Hammer King» que enche, assim, as medidas de quem acha que o heavy/power metal deve ser épico, que os coros nunca são suficientemente grandes e que as guitarras foram feitas para solar. É suficientemente true e bem feito para convencer, sem soar forçado ou ridículo. Mais uma boa aposta da Cruz Del Sur Music. (7/10)


KingParrot_DeadSetKING PARROT «Dead Set»
Agonia Records
O mundo pode ter descoberto um pouco tarde os encantos do thrash/grindcore dos King Parrot, mas os australianos estão dispostos a fazer o mundo pagar por isso. Em «Dead Set», segundo álbum de originais, a banda viajou de Melbourne até ao estúdio de Phil Anselmo, no Louisiana, e gravou um dos mais viciosos discos de 2015. Produzido por – e com participação de – Anselmo, o registo contém 35 minutos de pura violência sónica, onde a rapidez e o shred encontram maneira de se aliarem de forma perfeita ao registo humorístico, ritmicamente variado e inspiração punk do grindcore de tradição tão deliciosamente australiana. E o resultado é a melhor coisa que já aconteceu ao metal extremo e bem disposto desde a estreia dos Gorerotted. (8/10)


Livhzuena_DarkMirrorNeutronsLIVHZUENA «Dark Mirror Neurons»
Klonosphere Records
Os franceses Livhzuena precisaram apenas de uma maqueta de dois temas para chegarem à Klonosphere, através da qual lançam agora este disco de estreia. «Dark Mirror Neurons» percorre de maneira satisfatória o terreno que separa o djent ensopado de atmosfera dos compatriotas Gojira do death metal seco e groovy e dos Lamb Of God. A coisa é feita com um ataque vocal que chega a fazer os Anaal Nathrakh mas que, no resto do tempo, não anda longe dos Dagoba. Pelo desenrolar de nomes percebe-se bem que os Livhzuena não andam à procura de renovar nada, mas como nova proposta de death metal técnico, robusto e dado à atmosfera, não são nada maus. (7/10)


Mist_InanMIST «Inan’»
Soulseller Records
Iniciados em 2012 como uma banda feminina de doom metal clássico, os eslovenos Mist (actualmente há um guitarrista no grupo que os impede de terem a pinta de serem uma banda de miúdas) editam, com «Inan’», o EP que sucede à famosa maqueta de 2013 que os colocou na cena com grande estrondo. E os quatro temas (três originais, um regravado da maqueta) seguem a mesma lógica: doom metal/rock fortemente influenciado por Black Sabbath, Pentagram, Candlemass e afins, de voz feminina limpa a fazer lembrar The Blues Pills, e toda a atracção e previsibilidade da estética retro. É certinho, bem feito e tem carisma, mas chove um pouco no molhado se atendermos a todo o movimento old school que assola o género. (7/10)


OsculumInfame_TheAxisOfOSCULUM INFAME «The Axis Of Blood»
Battlesk’r Productions
Os Osculum Infame chegaram a ser, nos anos 90, uma das grandes esperanças de uma cena black metal francesa em franca ascensão, até que umas palavras mal medidas numa entrevista lhes deram uma reputação de extrema-direita e mandaram o projecto para as urtigas. O mentor D. Deviant dedicou-se então aos Arkhon Infaustus e deixou assentar a poeira, até ressuscitar a banda em 2008 e começar a compor de novo. «The Axis Of Blood» é, pois, o segundo longa-duração oficial dos Osculum Infame e mostra o black metal como ele era precisamente na segunda metade dos anos 90: cru, pesado, inexorável e indomável. Há traços dos primeiros discos dos Satyricon, dos Mayhem e de outras coisas nórdicas, mas a imagem de marca da caneta de D. Deviant é suficientemente forte para que «The Axis Of Blood» possa também ser considerado um registo com alma própria. Algo datado, mas definitivamente a cumprir o que promete: black metal sem aditivos como se os anos 90 tivessem sido ontem. (7/10)


SteveNSeagulls_FarmMachineSTEVE’N’SEAGULLS «Farm Machine»
Spinefarm Records
De vez em quando aparecem projectos da natureza dos Steve’n’Seagulls e o que escrevemos no passado sobre os Los Los ou os Van Canto aplica-se também ao disco de estreia destes finlandeses. Certo, tem mesmo piada tocar versões bluegrass de clássicos do heavy metal e do hard rock vestido de rednecks americanos e quem mostrar isto lá em casa, nas festas, aos amigos, vai certamente fazer sensação. Mas não há muito mais em canções como «Thunderstruck», «Over The Hills And Far Away», «Nothing Else Matters», «Paradise City» ou «Run To Hills», tocados com banjo, acordeão, violino e contrabaixo, do que apenas uma piada fugaz. Mesmo que, como é o caso, seja tudo bem tocado e com uma ética de profissionalismo de gravação que se alinha anacronicamente com a natureza “que-se-foda” do projecto. (6/10)


TheBloodline_WeAreOneTHE BLOODLINE «We Are One»
Another Century
Das cinzas dos Dirge Within surgem agora os The Bloodline, com o mesmo tipo de thrash/metalcore, mas com um refinamento melódico que lhes melhora a receita musical. «We Are One», o disco de estreia do projecto, contém o peso dos Machine Head, a sensibilidade melódica dos Killswitch Engage e o poder de dinâmica dos Bullet For My Valentine. A composição tira o melhor proveito de todos os trunfos da banda e a produção é límpida e bombástica. E, pese embora este tipo de thrash melódico/metalcore já não seja propriamente uma novidade, «We Are One» é um belo exercício de género e pode facilmente fazer as delícias de quem não passa sem uma generosa dose de melodias, peso e groove. (8/10)

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KAMELOT

Kamelot_HavenKAMELOT
«Haven»
Napalm Records
8/10
É conhecido o processo traumático de perder um vocalista que é, literalmente, a cara de uma banda, mas se há grupos que conseguem contornar essa adversidade com uma dose extra de motivação e inspiração nos discos seguintes, esse grupo são os Kamelot. Sem Roy Khan, a banda editou em 2012 um seus dos melhores discos dos últimos anos – «Silverthorn» – e volta agora com outra dose maciça de qualidade. «Haven» contém todos os elementos musicais que fazem dos Kamelot um dos nomes de referência do power metal melódico progressivo (peso, variedade, melodias agridoces e emocionais, bons e grandiosos arranjos sinfónicos e partes técnicas), exponenciadas por um momento de clara inspiração que lhes dá ma boa mão-cheia de singles ao nível dos seus melhores discos («Epica» ou «Karma», por exemplo). Basta ouvir a abertura «Falling Star» para perceber que o colectivo liderado pelo guitarrista Thomas Youngblood está bem longe daquele projecto em piloto automático e meio sorumbático que editou coisas como «Ghost Opera» ou «Poetry For The Poisoned» no final da década passada. A variedade chega pela “mão” de convidados especiais como Troy Donockley (Nightwish), Charlotte Wessells (Delain) que faz um magnífico dueto com Tommy Karevik e Alissa White-Gluz (Arch Enemy) que, com a sua voz gutural, leva «Revolution» a picos de agressividade que os Kamelot nunca tiveram. Ao fim de 24 anos de carreira e uma dezena de álbuns de originais, continuar a evoluir assim é obra.

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POSTO DE ESCUTA 09.05.2015

Eis uma lista do que andámos a ouvir esta semana e que pode dar uma boa banda-sonora para um fim-de-semana de churrascada, de praia, de passeio à beira-mar ou de depressão profunda numa casa de janelas bem fechadas.

AtTheDawn_LandInSightAT THE DAWN «Land In Sight»
Bakerteam Records
O power metal italiano já não é o que era mas se, por um lado, perdeu grande parte do brilho que tinha na era de ouro dos Rhapsody, a verdade é que nunca chegou a enferrujar. Os At The Dawn enriqueceram a cena em 2013 com o disco de estreia e voltam agora com «Land In Sight», mais uma generosa dose de power metal melódico, metal progressivo e influências sinfónicas. Não é deslumbrante e nem lhes augura o título de próximos Stratovarius, mas mesmo para os elevados padrões italianos «Land In Sight» é um conjunto de canções bem compostas, bem executadas e com um bom som, que cumpre todos os requisitos de quem ouve power metal mais ou menos tradicional à italiana. (6/10)


 
Biopsy_FractalsOfDerangementBIOPSY «Fractals Of Derangement»
Transcending Obscurity
Noutro lado qualquer – mais nos Estados Unidos, admitamo-lo – os Biopsy seriam “apenas” mais uma banda a praticar death metal bruto e técnico fortemente inspirado por nomes como Gorguts, Disgorge ou Devourment. Existem muitas (não as suficientes, se perguntarem a qualquer fanático por este género específico), pese embora sejam menos as que equilibrem com parcimónia peso sem limites, argumentos técnicos invejáveis e uma produção clara e poderosa. Mas o que realmente distingue os Biopsy da concorrência é o facto de fazerem isto tudo e serem indianos. Convenhamos que uma banda de death metal bruto e magnanimamente técnica oriunda daqueles lados tem uma aura de exotismo pela qual e difícil não nutrir simpatia. (7/10)


 
CivilWar_GodsAndGeneralsCIVIL WAR «Gods And Generals»
Napalm Records
Não demorou muito (o primeiro disco saiu em 2013) até que os suecos Civil War regressassem aos álbuns de originais. «Gods And Generals», a segunda proposta da banda composta por elementos amotinados dos Sabaton em 2012, a que se junta o vocalista dos Astral Doors, segue o mesmo caminho da sua antecessora. Heavy/power metal fortemente inspirado por história de batalhas e guerra, de abordagem vocal mais aguda que os Sabaton e poucas outras diferenças. Ainda assim, os Civil War procuram ocasionalmente derivar para coisas um pouco diferentes («Braveheart» tem, por exemplo, uma abertura de piano e voz), mas o pendor do disco é claramente heavy/power metal tradicional feito à boa maneira sueca. (7/10)


 
Infernus_GrindingChristianFleshINFERNUS «Grinding Christian Flesh»
Moribund Records
Seriamente comprometidos com o lado mais cru e directo do black metal, os norte-americanos Infernus encontram, ainda assim, espaço na sua música para outros componentes. Existe, por exemplo, uma série de riffs e ritmos muito black/thrash, que farão as delícias de fãs de bandas como Desaster ou Deströyer 666, mas também uma camada de guitarra acústica em faixas como «Worms Of The Casket» que faz lembrar o equilíbrio precário, inocente mas delicioso que os Dissection faziam entre brutalidade e melodia. «Grinding Christian Flesh», o segundo álbum dos Infernus, ainda não é tão genial como os termos de comparação aqui empregues, mas consegue ser algo mais do que apenas despejar black metalhada conservadora para cima do ouvinte. (7/10)


 
KiskeSomerville_CityOfHeroesKISKE/SOMERVILLE «City Of Heroes»
Frontiers Music
No segundo disco colaborativo entre Michael Kiske (ex-vocalista dos Helloween, actualmente nos Unisonic) e a cantora norte-americana Amanda Somerville, agulhas são acertadas e receitas são aperfeiçoadas. E, com uma banda que, para além da baterista checa relativamente desconhecida Veronika Lukešová, conta com o baixista Matt Sinner (Primal Fear, Sinner) e com o guitarrista Magnus Karlsson (Primal Fear), não há como errar. Se, a todos estes factores, juntarmos os “pequenos” pormenores das duas vozes encaixarem e serem perfeitamente compatíveis (ao contrário de inúmeros outros projectos colaborativos montados pela Frontiers apenas para “vender” os nomes) e a dupla Karlsson/Sinner ser a melhor equipa de composição do power metal melódico actual, percebemos que «City Of Heroes» não é um disco qualquer. É, de facto, o novo candidato a vício de quem gosta de metal melódico, rock sinfónico, power metal europeu ou female fronted metal. Ou tudo junto. (8/10)


 
Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdLANCER «Second Storm»
Despotz Records
Os Lancer continuam o seu glorioso caminho para a liderança do novo power metal melódico com um segundo álbum de originais que cruza os universos de Helloween e Iron Maiden, com a irreverência da juventude e o poder das produções modernas. A banda consegue apurar um pouco a composição, apresentando temas ainda mais assertivos onde o power metal é reduzido à sua essência mais melódica, crua e irreverente. Não é original e nem sequer consegue ser muito diferente de algumas outras propostas contemporâneas que procuram recuperar o power metal europeu “clássico” dos anos 80. Mas é feito sem complexos e com um sentido de divertimento assinalável e isso, para os fãs do género, será mais do que suficiente. (8/10)


 
Outre_GhostChantsOUTRE «Ghost Chants»
Godz ov War/Third Eye Temple/Essential Purification
A escola polaca de metal extremo é sobejamente conhecida e, a julgar pelo primeiro longa-duração dos Outre, continua a produzir projectos de qualidade acima da média. A abordagem do colectivo em «Ghost Chants» anda algures entre o black/death metal cheio, rápido e técnico (comparações com Behemoth são inevitáveis) e o rugido multi-camadas, dissonante e francamente ameaçador dos Deathspell Omega. A jovem banda parece dominar todos os aspectos da sua sonoridade, produzindo 35 minutos de música que respiram confiança, competência e uma aura de negridão muito polaca. O black metal de última geração está bem entregue nas mãos dos Outre. (8/10)


 
Pinkroom_UnlovedToyPINKROOM «Unloved Toy»
Auto-financiado
Os polacos Pinkroom bebem influências no prog-rock mais marado dos anos 70 (pensem em King Crimson), no jazz, em alguma música electrónica e no prog de última geração dos Porcupine Tree até se empanturrarem. Depois, quando escrevem e gravem, sai uma espécie de mistura de tudo, feita com uma demanda artística ao nível da cena inglesa de final dos anos 60 (Yes, The Mabel Greer’s Toyshop), feita sempre com um olho na progressão de acordes intrigante e outro nos padrões rítmicos complexos e intrincados. Os exageros técnicos são inevitáveis, mas os Pinkroom sabem evitá-los melhor nesta segunda proposta do que no disco de estreia. E acabam por propor um interessante festim de música progressiva que cruza de modo gracioso e natural as três fases do género. (7/10)


 
SecretSymmetry_EmergeSECRET SYMMETRY «Emerge»
Ethereal Sound Works
Com um rock alternativo enrobustecido por riffs pesados e uma queda para o metal progressivo, os lisboetas Secret Symmetry (ex-Ipsis Verbis) estreiam-se com este MCD de cinco faixas e dão boas indicações. Sobretudo porque têm arte e bom gosto para colocar um lado atmosférico acompanhar quase todos os temas, o disco goza de uma boa produção e é tudo feito da um modo invulgarmente profissional. Do outro lado do espectro estão melodias que precisam de um pouco mais de força e uma maior fatia de experiência na composição, que lhe permita “cortar” algumas partes desnecessárias e tornar as canções em verdadeiras máquinas de rock/metal progressivo de contornos melancólicos e progressivos. Que é o que os Secret Symmetry, eventualmente, acabarão por ser. Porque quem escreve e grava música assim logo ao primeiro registo não é parvo. (6/10)


 
Turbowolf_TwoHandsTURBOWOLF «Two Hands»
Spinefarm Records
Os Turbowolf pertencem à nova geração de músicos ingleses para quem as barreiras estilísticas são meras convenções. «Two Hands», o segundo álbum, aperfeiçoa a abordagem perfeitamente experimental do colectivo cuja sonoridade, a espaços, pode ser descrita como uma mistura entre Mindless Self Indulgence e Pure Reason Revolution e, noutros, como uma espécie de The Mars Volta a testar batidas electrónicas e melodias de Black Sabbath. O grupo lá consegue, ao longo de 11 faixas e 40 minutos, fazer sentido desta incrível mistura de diferentes elementos musicais mas por vezes não consegue escapar ao espectro da sobrevariedade e perde-se ali um pouco no meio dos ingredientes todos. Ainda assim, «Two Hands» vale a pena pela ousadia e por um par de temas francamente entusiasmantes. (7/10)

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