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VOCALISTA DOS TOOL COLOCA PRÓTESE NA ANCA

Tool_Maynard_PostSurgery_2015Maynard James Keenan, vocalista dos Tool e dos Puscifer, submeteu-se recentemente a uma intervenção cirúrgica para colocar uma prótese na anca. O cantor colocou na sua página do Facebook uma foto no pós-operatório com a seguinte mensagem “Não queria assustar ninguém. Queria esperar até estar fora de perigo. Anos a bater o pé deixaram-me sem qualquer tipo de cartilagem na minha anca direita. Substituí-a totalmente ontem. Voltei a andar hoje”. Keenan, que ganhou recentemente o cinturão roxo de jiu jitsu, acrescentou ainda: “Mais doze semanas e estarei de volta ao tapete para trabalhar no cinturão castanho”.

Maynard disse também recentemente à Punchdrink.com que os Puscifer estão prestes a finalizar um novo disco, que deverá ser lançado no Outono. Quanto aos Tool, foi noticiado em Março que a banda terá resolvido uma série de assuntos legais que se arrastaram por oito anos e que estaria de volta às digressões e composição. O sucessor de «10,000 Days», editado em 2006, é assim esperado para breve.

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MASTODON PARTICIPARAM NA GUERRA DOS TRONOS

mastodongameofthrones2O episódio da série televisiva Guerra dos Tronos transmitido esta segunda-feira em Portugal (no Domingo dos E.U.A.) contou com três elementos dos Mastodon. Brann Dailor, Bill Kelliher e Brent Hinds foram convidados especiais do episódio chamado “Hardhome”, que passou no canal de cabo FX. O convite partiu do produtor executivo da série da HBO Dan Weiss, bem como de outros produtores executivos que são todos fãs da banda. As cenas foram filmadas em Belfast, na Irlanda do Norte e os Mastodon aproveitaram a ocasião para visitar os cenários nos Titanic Studios.

Os três músicos são mortos no episódio em questão, voltando depois à vida como Caminhantes Brancos. Os Mastodon fazem também parte da mixtape da Guerra dos Tronos «Catch The Throne: The Mixtape Vol. 2», onde participam com um tema precisamente chamado «White Walker».

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NOVOS LANÇAMENTOS: VAI SER UM VERÃO QUENTE

Nile_Band_2014Longe vai o tempo em que o Verão era uma altura morna para novos lançamentos discográficos. A maior ligação das pessoas à internet, com dispositivos mais portáteis, aliada a uma cada vez mais presente mudança na forma como a música é consumida, faz com que o Verão seja uma altura igual – ou mesmo melhor, se pensarmos no dinheiro extra, de subsídios de férias, que anda a circular – para lançar disquinhos das bandas preferidas das pessoas.

Por isso, entre 21 de Junho e 21 de Setembro vai ser um festim de coisas boas a chegarem. Logo no inicio da estação, vamos ter o regresso de dois nomes veteranos dentro de dois estilos díspares: os Virgin Steele editam «Nocturnes Of Hellfire & Damnation» e os heróis do hardcore nova-iorquino Pro-Pain regressam com «Voice Of Rebellion», o seu décimo quinto álbum de originais em quase 25 anos de carreira. Junho dará ainda tempo para discos novos da bandas brutas como Milking The Goatmachine, Jungle Rot ou Thy Art Is Murder. Os suecos Refused editam «Freedom» e darão certamente um grande Verão aos fãs de punk/hardcore, enquanto que os norte-americanos Abnormal Thought Patterns vão tentar provar as boas indicações do metal progressivo, técnico e instrumental que apresentaram no disco de estreia.

Julho será um mês em cheio. Entre lançamentos ao vivo de bandas como Yes, Death Angel, Dragonforce ou U.D.O., destacam-se «Coma Ecliptic» dos Between The Buried And Me, «Of Ghosts And Gods» dos Kataklysm e «Underworld» dos Symphony X. Os heróis do crossover finlandês Waltari regressam também às edições com «You Are Waltari», enquanto que os misteriosos Locrian lançam mais uma bomba de drone experimental chamada «Infinite Dissolution», mais uma vez pela Relapse. Os Bone Gnawer editam o muito aguardado sucessor da estreia «Feast Of Flesh», enquanto que Gus G, guitarrista de Ozzy Osbourne, aproveita as “férias” que tirou de Firewind para facturar mais um disco em nome próprio, chamado «Brand New Revolution».

Finalmente, em Agosto haverá 11 discos essenciais. Do lado mais bruto do metal, os Nile (na foto) editam «What Should Not Be Unearthed», os Cattle Decapitation disparam com «The Anthropocene Extinction» e os Hate Eternal disponibilizam «Infernus». Os suecos Backyard Babies regressam às edições com «Four By Four» e no mesmo país os Ghost lançam «Meliora» e os Soilwork respondem com «The Ride Majestic». Quem gosta de death/thrash dinâmico e moderno não pode também perder a nova proposta dos Battlecross, chamada «Rise To Power». Do lado do hardcore há a novidade dos Terror, intitulada «The 25th Hour». Restam as novidades de Fear Factory («Genexus»), Bullet For My Valentine («Venom») e Stratovarius («Eternal») para completar um dos mais “quentes” meses de Agosto dos últimos ano.

Setembro, mais concretamente no dia 11, é o mês em que os Slayer entregam ao mundo «Repentless», o seu novo álbum de originais. Posto isto, valerá mesmo a pena destacar mais alguma coisa para o final do Verão?

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POSTO DE ESCUTA 29.05.2015

A perspectiva de um fim-de-semana é sempre uma boa desculpa para vos revelarmos o que andamos a ouvir. eis mais um Posto de Escuta pleno de boas sugestões para aproveitarem os dias de calor que se adivinham.

Arcadia_AdhorribleAndDeathliciousARCADIA «Adhorrible And Deathlicious»
Beyond Prod.
A ideia nem é má. Os Arcadia pegam no metalcore de primeira geração, de bandas como Fear Factory, e dão-lhe um cunho ligeiramente pessoal, nomeadamente ao nível dos arranjos melódicos e de algum peso extra. O resultado justifica a alcunha de “Fear Factory italianos” que o grupo tem, mas ao quinto álbum de originais nota-se alguma estagnação da receita musical e uma ligeira repetição de ideias. A produção deveria ter também um pouco mais de push e brilho, para que a dinâmica dos Arcadia funcionasse um pouco melhor. Ainda assim, se a vossa cena é metalcore experimental, de vocalizações variadas e com um cunho pessoal, «Adhorrible And Deathlicious» pode ter alguma coisa para vocês. (6/10)


 

Chabtan_TheKissOfCHABTAN «The Kiss Of Coatlicue»
Mighty Music
Não deixa de ser impressionante os níveis de ambição e confiança que os franceses Chabtan apresentam logo no seu disco de estreia. Apesar de contarem na formação com músicos de alguma experiência (um dos guitarristas pertenceu aos Discordant e o baterista fa parte dos Song My), o projecto nasceu apenas em 2011 e agora, com «The Kiss Of Coatlicue», apresenta já uma interessante proposta de death metal/deathcore influenciada pela Mesopotâmia. As ligações dos Chabtan ao Médio Oriente são feitas essencialmente por via das letras, mas também de algumas atmosferas e melodias, que encaixam bem no death metal tecnicamente puxadinho e pesado apresentado pelos parisienses. O resultado final respira modernidade, intensidade, também algum exotismo e pode considerar-se uma aposta ganha. Faltam, naturalmente, limar arestas, nomeadamente ao nível da parte mais brutal da música da banda, que carece um pouco mais de personalidade e esclarecimento ao nível da composição, mas para disco de estreia «The Kiss Of Coatlicue» não está mesmo nada mau. (7/10)


 

Prefinal_1_StadtCOLD CELL «Lowlife»
Avantgarde Music
Não muito longe do universo dos compatriotas Schammasch, com quem compartilham o baterista, os suíços Cold Cell chegam ao segundo álbum de originais com uma versão um pouco mais esclarecida do black metal frio e vanguardista que tinham apresentado em 2013 na estreia «Generation Abomination». A variedade rítmica, entre o black’n’roll e a velocidade extrema que traz muita Escandinávia para a música dos Cold Cell, será porventura o departamento em que a banda mais evoluiu. De resto, «Lowlife» não foge muito ao espectro de black metal hermético, feito com os mesmos elementos sónicos de sempre, pese embora usados com parcimónia e alguma criatividade. Mas continua a ser, por opção própria, um disco de black metal para fãs de black metal. (7/10)


 

Exxiles_OblivionEXXILES «Oblivion»
Nightmare Records
Formado pelo ex-baterista dos Reign Of The Architect, Mauricio Bustamante, Exxiles é um novo projecto de heavy metal sinfónico e progressivo, ao estilo de rock-ópera e cheio de colaborações de convidados especiais de renome. A construção musical carece ainda de alguma simplicidade e assertividade, mas a estreia «Oblivion» mostra predicados interessantes para quem gosta de power metal multi-camadas, de melodias inteligentes e laivos progressivos. E depois, claro que gente como Mike Lepond (Symphony X), Chris Caffery (ex-Savatage), Marcelia Bovio (Stream Of Passion), Oddleif Stensland (Communic) ou Wilmer Waarbroek (Ayreon), entre outros, dão sempre um boost de qualidade (técnica e de interpretação) e mais-valia que enriquecem qualquer disco. (7/10)


 

12 Jacket (3mm Spine) [GDOB-30H3-007}HIDDEN ORCHESTRA «Reorchestrations»
Denovali Records
Não há grandes palavras para descreverem o que o multi-instrumentista Joe Acheson faz no seu projecto Hidden Orchestra. Digamos apenas que música electrónica e acústica são fundidas, domadas e apresentadas como nunca ouvimos antes. Neste projecto de remisturas, o senhor levou para o seu estúdio gente como Piano Interrupted, Poppy Ackroyd, Floex ou Long Arm para trabalhar em cima de faixas escritas desde o seu último álbum «Archipelago», de 2012. O resultado é um festim de experimentação musical, cheio de harmonias ricamente texturadas, breakbeat suave enrolado com jazz, música contemporânea fortemente atmosférica a puxar para a banda-sonora e coisas electrónicas que vão muito para além da mera electrónica. É Hidden Orchestra levado à quinta casa da perfeição sónica. (9/10)


 

Teethgrinder_MisanthropyTEETHGRINDER «Misanthropy»
Lifeforce Records
Se quisermos ser rigorosos, temos de descrever a sonoridade dos holandeses Teethgrinder, neste disco de estreia, como uma mistura de grindcore, powerviolencce, black metal, noise e crust. Mas a coisa é feita com tamanha violência e maldade que a última coisa que nos apetece é sermos rigorosos. «Misanthropy» é castanhada da boa, feita com o mesmo tipo de mentalidade que orienta os Napalm Death há décadas: derrubar cada uma das barreiras existentes entre os mais extremos géneros musicais, fazê-lo com inteligência, um olho na experimentação mas sem um pingo de ponderação ou bom senso. Porque o que interessa, no mundinho perfeito dos Teethgrinder, é acelerar até ao ponto da fusão nuclear, desacelerar para atmosferas doom/industriais e depois voltar a acelerar até o ouvinte estar feito numa polpa. Estão avisados. (8/10)


 

TheGreatDiscord_DuendeTHE GREAT DISCORD «Duende»
Metal Blade
Misturam metal progressivo moderno, influenciado por The Dillinger Escape Plan e Meshhugah, com vocalizações femininas de personalidade forte e momentos de uma melancolia que lhes revela a alma sueca. Chamam-se The Great Discord e o seu disco de estreia, «Duende», é uma vertigem de coisas muito interessantes, outras apenas vagamente interessantes e algumas – poucas – que revelam bem a tenra idade do quinteto. A grande vantagem da proposta o projecto é, definitivamente, a forma como conseguem aliar melodia, harmonias clássicas e arranjos tecnicamente puxados. O grande ponto negativo de «Duende» é a falta de foco das canções, que se “limitam” a ser fatias da abordagem musical da banda, sem uma grande personalidade musical vincada. Ainda assim, trata-se de uma estreia reveladora, por parte de uma banda que pode tornar-se bem válida. Assim saiba crescer e evoluir.. (7/10)


 

ThirdIon_13-8BitTHIRD ION «13/8 Bit»
Glasstone Records
Fundados em 2010, os Third Ion são daqueles projectos destinados a fazer grande música que depois, de acordo com sorte, conjuntura e os conhecimentos certos, podem ou não ter o reconhecimento que merecem. Mas uma banda que junta nas suas fileiras um ex-baixista da The Devin Townsend Band (Mike Young), um guitarrista que esteve oito anos nos Into Eternity (Justin Bender),o vocalista dos doomsters The Highest Leviathan (Tyler Gilbert) e um baterista com as qualidades técnicas de Aaron Edgar, só pode mesmo escrever e gravar música de qualidade. É o caso de «13/8 Bit», disco de estreia do projecto, cujo metal progressivo oscila entre a melodia e atmosferas de uns Soen, a libertinagem de uns Fair To Midland e a selvajaria técnica de uns Contortionist. O quarteto une todos os elementos musicais da sua receita com um misto de inspiração, coesão e fluidez natural de grandes músicos. Pode ser o disco certo para tirar o vício Soen do corpo de muito boa gente. (8/10)


 

Vargnatt_GrausammlerVARGNATT «Grausammler»
Eisenwald
Não foram necessários mais do que duas maquetas e um EP para que os Vargnatt se destacassem na competitiva cena alemã de black metal. O motivo é uma abordagem “clássica” (ler “como nos primeiros discos de Burzum e Ulver”) ao black metal escandinavo e naturista. «Grausammler», o primeiro longa-duração do projecto, vem agora confirmar totalmente os predicados do colectivo: uma sólida parede sonora composta por riffs gélidos e evocativos, ocasionalmente “cortada” por passagens acústicas e sempre adornada por atmosferas espessas e pela voz gritada em desespero do mentor Evae. Dentro do black metal nórdico, naturista e atmosférico, não há muito melhor que isto. (8/10)


 

Witchwood_LitaniesFromTheWITCHWOOD «Litanies From The Woods»
Jolly Roger Records
Já sabemos o que vocês vão pensar quando descrevermos o disco de estreia dos Witchwood como “hard/doom rock psicadélico e progressivo”. O que vão pensar é “Mais hippies”. E sim, estes italianos são hippies. O problema, meus amigos, é que também conseguiram fazer um disco do caraças, cheio de recantos de devaneios prog, canções de blues/rock que gritam Led Zeppelin em todos os riffs e uma atmosfera que é preciso ser experimentada para ser verdadeiramente percebida. O facto dos Witchwood se terem formado a partir das raízes de uma banda já algo experiente – os Buttered Bacon Biscuits – ajuda a explicar, mas não justifica toda a genialidade de «Litanies From The Woods». Por isso sim, este é mais um disco que cai no hype do doom/hard rock retro e vintage. Mas não, não é um disco qualquer. (8/10)

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STEVEN WILSON EM PORTUGAL EM SETEMBRO

StevenWilson_2015Steven Wilson, o genial líder e fundador dos não menos geniais Porcupine Tree, tem também uma genial carreira em nome próprio. Nela, o multi-instrumentista e cantor explora um lado mais ecléctico e experimental do rock progressivo com que “ganha a vida” na sua banda principal. E é precisamente esse lado da sua carreira que o traz a Portugal no dia 15 de Setembro, uma terça-feira, para um concerto na Sala Tejo da Meo Arena, em Lisboa. Em cima do palco estará principalmente a novidade «Hand.Cannot.Erase», editada há três meses (da qual faz parte a música que ilustra o vído-clip em baixo), mas também os melhores momentos dos três discos a solo que Wilson editou nos últimos sete anos.

O espectáculo tem início marcado para as 21.30h e as portas abrem uma hora antes. Os bilhetes estão disponíveis nos locais habituais, com um preço único de Eur 25,00.

LEPROUS

CD BookletLEPROUS
«The Congregation»
InsideOut Music
8/10
O modus operandi dos noruegueses Leprous pode estar a tornar-se um pouco repetitivo passados cinco álbuns de originais mas, como «The Congregation» mostra tão bem, a banda consegue compensar essa habituação dos seus fãs com competência, talento e pura inspiração. Por isso, não se admirem se este quinto álbum do colectivo oriundo de Telemark vos soar estranhamente familiar em termos estilísticos; afinal, estamos a falar da mesma abordagem de metal técnico, progressivo mas incrivelmente melódico ao nível das vocalizações que os Leprous já vinham apresentando nas propostas anteriores. O resultado, esse, não é radicalmente diferente mas mostra uma banda mais crescida, mais experiente e mais coesa e isso nota-se nas músicas. Porque são mais eclécticas e, ao mesmo tempo, misturam todos os componentes da receita da banda de forma mais homogénea e coesa. «The Congregation», em resultado disso, pode muito bem ser o disco menos imediato dos Leprous, no sentido em que as canções demoram mais tempo a serem assimiladas em todo o seu espectro sonoro, mas é o mais completo e maduro disco do projecto, que compensará mais o ouvinte depois de algumas audições atentas. Porque nem tudo é juventude, progressão selvática e experimentalismo, as bandas têm de saber evoluir e chegar à idade adulta com uma dose de charme e sofisticação que compense a falta de “sangue na guelra” de outros tempos. Os Leprous, definitivamente, souberam fazê-lo.

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RIVERSIDE EM LISBOA EM OUTUBRO

Riverside_Band_2014É um regresso que se saúda. Os heróis do rock progressivo polaco Riverside voltam a actuar em Lisboa no dia 30 de Outubro, uma sexta-feira, no Paradise Garage. O concerto insere-se na digressão europeia que visa promover o novo álbum do colectivo liderado pelo baixista e vocalista Mariusz Duda, chamado «Love, Fear And The Time Machine» e que tem edição prevista para o mês de Setembro. Na primeira parte do concerto estarão os norte-americanos The Sixxies e os polacos Lion Shepherd. O início dos espectáculos está previsto para as 20.30h, com as portas a abrirem meia-hora antes. Os bilhetes custam Eur 20,00 e já estão à venda nos locais habituais.

Criados em 2001, não demorou muito tempo até que os Riverside e o seu rock/metal progressivo reminiscente de Porcupine Tree e Opeth fossem descobertos pela InsideOut Music, editora por excelência do género. O segundo álbum da banda, «Second Life Syndrome», catapultou-os então numa espécie de turbilhão de popularidade entre os fãs de música progressiva e no mainstream do seu próprio país. Desde aí, mais três discos de estúdio foram editados e os Riverside tornaram-se numa espécie de nome consensual no prog-metal europeu.

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ADRAMELCH

Adramelch_OpusADRAMELCH
«Opus»
Pure Prog Records
7/10
É fácil perceber, por um lado, porque são os Adramelch uma banda com estatuto de culto entre os fãs de metal progressivo. A sua abordagem mistura de forma perfeita o “art rock” de nomes como Marillion com um lado mais metálico e épico, mantendo sempre tudo sob um inteligente manto de atmosfera. Por outro lado, não é propriamente a receita com um tipo de público-alvo bem definido (sobretudo em termos de grandes massas) e, após quase três décadas (embora com uma interrupção pelo meio) a fazer bons discos e a encher o metal progressivo de qualidade, os italianos não encontram motivação para irem para além de «Opus» e este quarto álbum de originais é mesmo o seu último. Ainda assim, não faltam pontos de interesse às 12 músicas que contém. A imagem de marca melódica, suave e sempre intrincada da composição da banda está lá toda, assim como um renovado sentido épico que os faz estenderem quase sempre as canções para além dos cinco minutos de duração e apresentar três duetos vocais. Mas é a atmosfera que dá coesão, originalidade e poder aos Adramelch e se, à falta de melhor, virem em algum lado «Opus» descrito como uma mistura de Iron Maiden, Marillion e Psychotic Waltz não pensem que é por acaso. Esta banda é mesmo especial e, pese embora os padrões do metal ou do rock progressivo internacional pareçam algo longe quando ouvimos um álbum como este, a culpa não é deles. É essencialmente de duas coisas; uma chamada “personalidade” e outra chamada “originalidade”.

KAMCHATKA

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«Long Road Made Of Gold»
Despotz Records
7/10
Quem segue este blog já conhece os suecos Kamchatka e a sua capacidade intrínseca para enfiarem prog rock no blues rock. Quem nunca ouviu falar no projecto tem em «Long Road Made Of Gold», o seu sexto álbum de originais, uma boa oportunidade de tomar contacto com a música descontraída, poderosa e visceral da banda. Porque, não revolucionando em nada a sua sonoridade, os Kamchatka cresceram, evoluíram e demoraram tempo para compor e gravar o álbum. E isso nota-se, através de um punhado de canções mais maduras, mais concisas, mais variadas e que gozam de uma modernidade old school que já levou a revista inglesa Classic Rock a descrevê-la como “1973 em 2015”. A “culpa” é, não apenas, de uma banda que conhece todos os recantos do blues rock clássico e o funde muito bem com trejeitos progressivos, mas também de uma inesperada parceria com Russ Russell, produtor de bandas como Napalm Death, na mistura e masterização do álbum. O resultado é uma dúzia de canções de hard rock clássico, cheio de blues nas veias e sangue na guelra, que pode não convencer quem acha que o movimento retro sueco terminou nos Graveyard, mas que constitui um belo cardápio para quem ouve a sua música sem pensar muito em movimentos, estéticas ou originalidade.

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SYMPHONY X LANÇAM VÍDEO COM LETRAS DE NOVA CANÇÃO

symphonyxunderworldcdÉ já a 24 de Julho que os mestres do power metal progressivo Symphony X editam o seu novo álbum de originais, intitulado «Underworld». E agora a faixa de abertura do disco, chamada «Nevermore», está disponível para audição online através de um vídeo com letras. Vejam-no abaixo. O trabalho é, segundo a banda, inspirado no poeta italiano Dante Alighieri, sobretudo a sua obra “Divina Comédia”, mas não será um álbum conceptual. O CD conterá 11 faixas e tem capa desenhada por Warren Flanagan, ilustrador de obras como “Watchmen”, “The Incredible Hulk” e “2012”. Pela amostra, será mais uma obra-prima de power metal sinfónico, progressivo e irresistível.

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YES: BAIXISTA E FUNDADOR LUTA CONTRA O CANCRO

Yes_chrissquire_Live2014Chris Squire, baixista e fundador dos britânicos Yes, trava neste momento uma luta contra uma forma rara de leucemia, que lhe foi diagnosticada a semana passada. O músico de 67 anos já abandonou a actual digressão que os Yes cumprem e submete-se agora a uma primeira fase de tratamento em Phoenix, nos Estados Unidos, onde reside. Squire será substituído na banda por Billy Sherwood, que actuou como teclista e guitarrsta convidado dos Yes ao vivo em 1994 e fez parte da formação oficial do colectivo entre 1997 e 2000. “Esta será a primeira vez desde que a banda se formou em 1968 que os Yes vão tocar ao vivo sem mim”, disse Chris Squire em comunicado. “Mas os outros elementos e eu concordamos que o Billy Sherwood fará um excelente trabalho a tocar as minhas partes e que o espectáculo como um todo será a experiência Yes que os fãs se habituaram a esperar ao longo dos anos”.

Entretanto, a Frontiers Music prepara-se para editar o álbum ao vivo «Like It Is – Yes At The Mesa Arts Center», que sai em CD duplo, DVD, Blu-ray e formato digital no dia 3 de Julho. Tal como tinha acontecido anteriormente com «Like It Is – Yes At The Bristol Hippodrome», este novo registo capta a actuação da banda num set que inclui dois álbuns clássicos tocados na íntegra: «Fragile» de 1971 «Close To The Edge» de 1972. A gravação foi feita durante a digressão mundial do grupo em 2014.

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SOEN EM PORTUGAL EM OUTUBRO

Soen_Band_2015Os Soen, novas esperanças do metal progressivo sueco, preparam-se para se estrearem ao vivo em terras lusitanas no mês de Outubro. As datas acontecem a 15 e 16 no RCA Club (Lisboa) e Hard Club (Porto), respectivamente. Por enquanto apenas a data de Lisboa está confirmada oficialmente por um promotor nacional, mas no site da banda já esteve publicada a informação do concerto no Porto. Os Soen praticam metal moderno e progressivo, frequentemente comparado com o dos Tool, e caem no espectro de “super-grupo”, uma vez que conta com o ex-baterista dos Opeth e Amon Amarth Martin Lopez e com o vocalista dos Willowtree, Joel Ekelöf. Steve Digiorgio (ex-Death, Autopsy, Control Denied), esteve também envolvido numa fase embrionária do projecto. Até agora a banda editou dois discos: «Cognitive» em 2012 e «Tellurian», já na segunda metade do ano passado.

O concerto em Lisboa começa às 20.30h, as portas abrem meia-hora antes e os ingressos custam Eur 15,00. Os franceses Lizzard e os californianos The Red Paintings foram as bandas escolhidas pelos Soen para a digressão europeia, pelo que estarão também presentes nos concertos em Portugal.

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POSTO DE ESCUTA 09.05.2015

Eis uma lista do que andámos a ouvir esta semana e que pode dar uma boa banda-sonora para um fim-de-semana de churrascada, de praia, de passeio à beira-mar ou de depressão profunda numa casa de janelas bem fechadas.

AtTheDawn_LandInSightAT THE DAWN «Land In Sight»
Bakerteam Records
O power metal italiano já não é o que era mas se, por um lado, perdeu grande parte do brilho que tinha na era de ouro dos Rhapsody, a verdade é que nunca chegou a enferrujar. Os At The Dawn enriqueceram a cena em 2013 com o disco de estreia e voltam agora com «Land In Sight», mais uma generosa dose de power metal melódico, metal progressivo e influências sinfónicas. Não é deslumbrante e nem lhes augura o título de próximos Stratovarius, mas mesmo para os elevados padrões italianos «Land In Sight» é um conjunto de canções bem compostas, bem executadas e com um bom som, que cumpre todos os requisitos de quem ouve power metal mais ou menos tradicional à italiana. (6/10)


 
Biopsy_FractalsOfDerangementBIOPSY «Fractals Of Derangement»
Transcending Obscurity
Noutro lado qualquer – mais nos Estados Unidos, admitamo-lo – os Biopsy seriam “apenas” mais uma banda a praticar death metal bruto e técnico fortemente inspirado por nomes como Gorguts, Disgorge ou Devourment. Existem muitas (não as suficientes, se perguntarem a qualquer fanático por este género específico), pese embora sejam menos as que equilibrem com parcimónia peso sem limites, argumentos técnicos invejáveis e uma produção clara e poderosa. Mas o que realmente distingue os Biopsy da concorrência é o facto de fazerem isto tudo e serem indianos. Convenhamos que uma banda de death metal bruto e magnanimamente técnica oriunda daqueles lados tem uma aura de exotismo pela qual e difícil não nutrir simpatia. (7/10)


 
CivilWar_GodsAndGeneralsCIVIL WAR «Gods And Generals»
Napalm Records
Não demorou muito (o primeiro disco saiu em 2013) até que os suecos Civil War regressassem aos álbuns de originais. «Gods And Generals», a segunda proposta da banda composta por elementos amotinados dos Sabaton em 2012, a que se junta o vocalista dos Astral Doors, segue o mesmo caminho da sua antecessora. Heavy/power metal fortemente inspirado por história de batalhas e guerra, de abordagem vocal mais aguda que os Sabaton e poucas outras diferenças. Ainda assim, os Civil War procuram ocasionalmente derivar para coisas um pouco diferentes («Braveheart» tem, por exemplo, uma abertura de piano e voz), mas o pendor do disco é claramente heavy/power metal tradicional feito à boa maneira sueca. (7/10)


 
Infernus_GrindingChristianFleshINFERNUS «Grinding Christian Flesh»
Moribund Records
Seriamente comprometidos com o lado mais cru e directo do black metal, os norte-americanos Infernus encontram, ainda assim, espaço na sua música para outros componentes. Existe, por exemplo, uma série de riffs e ritmos muito black/thrash, que farão as delícias de fãs de bandas como Desaster ou Deströyer 666, mas também uma camada de guitarra acústica em faixas como «Worms Of The Casket» que faz lembrar o equilíbrio precário, inocente mas delicioso que os Dissection faziam entre brutalidade e melodia. «Grinding Christian Flesh», o segundo álbum dos Infernus, ainda não é tão genial como os termos de comparação aqui empregues, mas consegue ser algo mais do que apenas despejar black metalhada conservadora para cima do ouvinte. (7/10)


 
KiskeSomerville_CityOfHeroesKISKE/SOMERVILLE «City Of Heroes»
Frontiers Music
No segundo disco colaborativo entre Michael Kiske (ex-vocalista dos Helloween, actualmente nos Unisonic) e a cantora norte-americana Amanda Somerville, agulhas são acertadas e receitas são aperfeiçoadas. E, com uma banda que, para além da baterista checa relativamente desconhecida Veronika Lukešová, conta com o baixista Matt Sinner (Primal Fear, Sinner) e com o guitarrista Magnus Karlsson (Primal Fear), não há como errar. Se, a todos estes factores, juntarmos os “pequenos” pormenores das duas vozes encaixarem e serem perfeitamente compatíveis (ao contrário de inúmeros outros projectos colaborativos montados pela Frontiers apenas para “vender” os nomes) e a dupla Karlsson/Sinner ser a melhor equipa de composição do power metal melódico actual, percebemos que «City Of Heroes» não é um disco qualquer. É, de facto, o novo candidato a vício de quem gosta de metal melódico, rock sinfónico, power metal europeu ou female fronted metal. Ou tudo junto. (8/10)


 
Lancer-CoverArt-DimitarNikolov.psdLANCER «Second Storm»
Despotz Records
Os Lancer continuam o seu glorioso caminho para a liderança do novo power metal melódico com um segundo álbum de originais que cruza os universos de Helloween e Iron Maiden, com a irreverência da juventude e o poder das produções modernas. A banda consegue apurar um pouco a composição, apresentando temas ainda mais assertivos onde o power metal é reduzido à sua essência mais melódica, crua e irreverente. Não é original e nem sequer consegue ser muito diferente de algumas outras propostas contemporâneas que procuram recuperar o power metal europeu “clássico” dos anos 80. Mas é feito sem complexos e com um sentido de divertimento assinalável e isso, para os fãs do género, será mais do que suficiente. (8/10)


 
Outre_GhostChantsOUTRE «Ghost Chants»
Godz ov War/Third Eye Temple/Essential Purification
A escola polaca de metal extremo é sobejamente conhecida e, a julgar pelo primeiro longa-duração dos Outre, continua a produzir projectos de qualidade acima da média. A abordagem do colectivo em «Ghost Chants» anda algures entre o black/death metal cheio, rápido e técnico (comparações com Behemoth são inevitáveis) e o rugido multi-camadas, dissonante e francamente ameaçador dos Deathspell Omega. A jovem banda parece dominar todos os aspectos da sua sonoridade, produzindo 35 minutos de música que respiram confiança, competência e uma aura de negridão muito polaca. O black metal de última geração está bem entregue nas mãos dos Outre. (8/10)


 
Pinkroom_UnlovedToyPINKROOM «Unloved Toy»
Auto-financiado
Os polacos Pinkroom bebem influências no prog-rock mais marado dos anos 70 (pensem em King Crimson), no jazz, em alguma música electrónica e no prog de última geração dos Porcupine Tree até se empanturrarem. Depois, quando escrevem e gravem, sai uma espécie de mistura de tudo, feita com uma demanda artística ao nível da cena inglesa de final dos anos 60 (Yes, The Mabel Greer’s Toyshop), feita sempre com um olho na progressão de acordes intrigante e outro nos padrões rítmicos complexos e intrincados. Os exageros técnicos são inevitáveis, mas os Pinkroom sabem evitá-los melhor nesta segunda proposta do que no disco de estreia. E acabam por propor um interessante festim de música progressiva que cruza de modo gracioso e natural as três fases do género. (7/10)


 
SecretSymmetry_EmergeSECRET SYMMETRY «Emerge»
Ethereal Sound Works
Com um rock alternativo enrobustecido por riffs pesados e uma queda para o metal progressivo, os lisboetas Secret Symmetry (ex-Ipsis Verbis) estreiam-se com este MCD de cinco faixas e dão boas indicações. Sobretudo porque têm arte e bom gosto para colocar um lado atmosférico acompanhar quase todos os temas, o disco goza de uma boa produção e é tudo feito da um modo invulgarmente profissional. Do outro lado do espectro estão melodias que precisam de um pouco mais de força e uma maior fatia de experiência na composição, que lhe permita “cortar” algumas partes desnecessárias e tornar as canções em verdadeiras máquinas de rock/metal progressivo de contornos melancólicos e progressivos. Que é o que os Secret Symmetry, eventualmente, acabarão por ser. Porque quem escreve e grava música assim logo ao primeiro registo não é parvo. (6/10)


 
Turbowolf_TwoHandsTURBOWOLF «Two Hands»
Spinefarm Records
Os Turbowolf pertencem à nova geração de músicos ingleses para quem as barreiras estilísticas são meras convenções. «Two Hands», o segundo álbum, aperfeiçoa a abordagem perfeitamente experimental do colectivo cuja sonoridade, a espaços, pode ser descrita como uma mistura entre Mindless Self Indulgence e Pure Reason Revolution e, noutros, como uma espécie de The Mars Volta a testar batidas electrónicas e melodias de Black Sabbath. O grupo lá consegue, ao longo de 11 faixas e 40 minutos, fazer sentido desta incrível mistura de diferentes elementos musicais mas por vezes não consegue escapar ao espectro da sobrevariedade e perde-se ali um pouco no meio dos ingredientes todos. Ainda assim, «Two Hands» vale a pena pela ousadia e por um par de temas francamente entusiasmantes. (7/10)

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ARCTURUS

desen tushARCTURUS
«Arcturian»
Prophecy Productions
7/10
É um pouco redundante e estranho afirmar que, quase 20 anos e dois álbuns depois, «Arcturian» é o verdadeiro sucessor da obra-prima dos Arcturus «La Masquerade Infernale», mas é a mais pura das verdades. Por uma qualquer combinação de motivação, músicos certos, inspiração e timing, «The Sham Mirrors» em 2002 e «Sideshow Symphonies» em 2005 foram pálidas demonstrações do talento e genialidade que sabemos que os noruegueses têm e foi necessário um hiato de cinco anos na carreira e mais um bom período de composição e gravação para termos os Arcturus verdadeiramente de volta. «Arcturian» abre o espectro de «La Masquerade Infernale» dos dois lados: é mais pesado e extremo e, também, mais melódico e harmónico, mantendo sempre a sensação de imprevisibilidade e um lado de loucura sinfónica lasciva que, no fundo, ajudou o projecto a definir aquilo a que hoje chamamos “metal vanguardista”. O verdadeiro metal vanguardista está, pois, de volta, com a mesma formação que tinha gravado o último disco mas com uma abordagem e inspiração totalmente renovados, com um som orgânico e limpo e com uma dezena de canções que recuperam a excitação exaltada de 1997. Vem a tempo? Vocês decidem.

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